Irã enganou o Brasil só pra finalizar a Bomba na sua “fábrica secreta”

“Sei. Tão secreta qto a da Coreia do Norte?”

“Sei. Tão perigosa qto Dimona de Israel?”

Essa imbecilidade diária na mídia brasileira ainda me mata de infarto. Se o Irã vier a construir a bomba, não vai ser secretamente (a era da privacidade acabou qdo lançaram o primeiro satelite espião). E não vai chegar aos pés da capacidade de Israel. É patético as pessoas querem saber os “termos do acordo”. Reclamarem do “prazo”. E pior, não acreditarem que o Irã vá cumpri-lo.

Os termos estão sendo analisados pelo G15, pela AIEA. O prazo é curto, pq é um processo em que as partes estão construindo uma “relação de confiança”. Sobre se o Irã vai ou não cumprir. Melhor se preocupar em saber se as potências ocidentais vão permitir a execução do acordo.

Não sei pq é tão difícil de aceitar que o acordo é só o primeiro passo. Mas o que incomoda tanto é que é um passo pequeno, mas na direção contrária daqueles que só desejam de uma maneira quase sexual, a guerra.


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Brasil-Irã :: Lula está na cara do gol (atualizado)


“Aquele Abraço”

Como eu já repeti aqui, apesar de todas as criticas, ceticismo na mídia e dos colunistas especializados em politica externa, o desenrolar para a questão do Irã tem tudo pra ser resolvido de maneira muito apropriada. Basicamente, devido a uma articulação muito eficaz e obstinada da diplô brasileira. Já imaginaram se eles tivessem dado ouvidos às insistentes criticas de certos ex-embaixadores e analistas?

No momento, o cenário que se desenha é um em que o Lula sai vencedor de qualquer forma. Como disseram, o Lula é a última chance do Irã. E parece que os iranianos perceberam isso, e tudo tende a aceitação do acordo em que a Turquia entregaria urânio a 20% para eles. Falta definir o território, o que me parece, uma questão menor.

Mas não há garantias. Afinal, isso seria um revés muito grande para os falcões pró-guerra que estão em volta do Obama. Se mesmo assim houver guerra? Nós fizemos a nossa parte. E ao contrário do que a mídia propaga, seguindo a verdadeira tradição da diplomacia brasileira da busca da paz.

Usando uma metafóra futebolistica (a última enfureceu muita gente, sei, mas essa é intenção) A bola estava pingando na grande área, Lula matador que é, foi ágil o bastante pra dominar, tirar do zagueiro, e agora é só chutar pro gol. Pode matar a partida ou não. Mas o lance já vai para os “melhores momentos”.

Sinceramente? Aqueles que disseram que ele estava pavimentando o caminho para um Nobel da paz, inicialmente com a luta contra a fome, e agora com a sua ação pacifista, não estavam exagerando.

Se o acordo sair, ele estará com a mão na taça.

PS.: O EUA perceberam que o acordo pode realmente sair e já enviou “sinais” à Turquia. Parece que o Endorgan (que desistiu de participar do encontro, sabe-se lá o motivo) vai ceder às pressões e não aceitar a exigência iraniana de se fazer a troca no seu territorio. Por outro lado o Depto de Estado constrange o governo Iraniano com declarações fortes, encurralando o Ahmadinejad, de tal forma que aceitar o acordo se torne uma capitulação.

Esse jogo já estava desenhado desde o principio. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, basta olhar no mapa. Nada satisfaz os falcões, só a guerra.

BBC News – Brazil’s President Lula in Iran for key nuclear talks

(…)

Mr Ahmadinejad had been hoping to have a similar conversation with the Turkish prime minister, but Turkey is now indicating that he probably will not travel to Tehran, possibly following pressure from Washington.

(…)

Página Inicial – Agência Brasil

13:49
15/05/2010
Lula chega de madrugada ao Irã para discutir programa nuclear com Ahmadinejad

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Lula enfurece o Washington Post ao tentar negociar com o Irã.

“War! War! – gritam os falcões no ouvido do Obama.”

A pergunta é, pq estão tão incomodados? A guerra ainda não começou. E não é o Brasil quem está vetando. Resolve com a China primeiro, ok?

E mais, ter o Washington Post e a Fox News como inimigos é quase um elogio.

PostPartisan – Has Brazil’s Lula become Iran’s useful idiot?

Has Brazil’s Lula become Iran’s useful idiot?

Has Brazilian President Luiz Ignacio “Lula” da Silva become Iran’s useful idiot?

Mahmoud Ahmadinejad clearly thinks so. On Wednesday his website posted a statement saying he had accepted “in principle” a supposed Brazilian proposal to defuse Iran’s standoff with the U.N. Security Council — and prevent the adoption of new sanctions pressed by the United States, Britain and France.

The Brazilian foreign ministry hastily denied that there was a concrete proposal. But that’s irrelevant: Lula, who is planning a trip to Tehran next week, is obviously seeking to position himself as the mediator who can broker a deal between Iran and the West.
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Pepe Escobar: O Irã, o Brasil e “a bomba”


“O Irã não é o Iraque. Se fosse, já teriam bombardeado os pontos em amarelo e preto.”

Pepe Escobar foi o cara que publicou o artigo um mês antes do 9/11, avisando que o Osama Bin Laden estava armando alguma coisa grande. O(s) serviço(s) de inteligência dos EUA, que tudo veem e ouvem, repentinamente, ficaram cegos e surdos por pura incompetência. Bem é assim que vai estar escrito nos livros de história, mas cada um acredita no que quiser.

Pepe Escobar: O Irã, o Brasil e “a bomba” | Viomundo – O que você não vê na mídia

29 de abril de 2010 às 22:58

O Irã, o Brasil e ‘a bomba’

30/4/2010, Pepe Escobar, “The Roving Eye”, Asia Times Online

tradução de Caia Fittipaldi

O ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim foi tão polido quando preciso e claro, em conferência conjunta de imprensa, ao lado de seu contraparte Manouchehr Mottaki em Teerã nessa 5ª.-feira. Amorim disse que “o Brasil está interessado em participar de uma solução apropriada para a questão nuclear iraniana.”

“Apropriada” é palavra em código para “dialogada” – não uma quarta rodada de sanções lançada pelo Conselho de Segurança da ONU, muito menos a opção militar, que o governo Barack Obama insiste, com estridência, em manter à mesa. Assim, ao posicionar-se como um mediador em busca de solução pacífica, o governo brasileiro põe-se em rota de colisão “soft” com o governo Obama.

O presidente Luiz Inacio Lula da Silva do Brasil estará em visita a Teerã, mês que vem. Aos olhos dos falcões do “pleno espectro de dominação” nos EUA, é anátema. Tanto quanto para a ‘mídia’ ocidental de direita, veículos brasileiros inclusos, que não se cansam de martelar Lula, non-stop, por sua iniciativa de política exterior.

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Irã pode aceitar proposta do Brasil. E agora Obama? E agora capitulacionistas?

“Colunistas do Partido da Imprensa sequer olham no mapa antes de escrever sobre o Irã. É constrangedor.”

Como disse aqui a proposta que Celso fez ao Irã, na sua tão criticada tour pelo Oriente Médio (como se diplomatas não fossem seres treinados para fazer uma única coisa: conversar) foi uma proposta interessante. O Brasil forneceria o urânio à eles. Todos ganhariam. Bem, isso se vc for inocente o bastante pra acreditar que os militares dos EUA não querem a guerra. Eu acredito que eles querem a guerra, precisam dela, e estão a busca de um motivo. O que é um argumento estúpido, pois depois do factóide da existência de WMDs no Iraque, todo mundo bem informado sabe que isso é desnecessário, e as intenções americanas são bem claras.

E isso não é só uma questão para o Obama. É preciso parar de pensar na política nessa forma personalista e messiânica. Quem assistiu os “13 Dias que abalaram o Mundo” imaginam quem o Obama está na mesma posição que o JFK estava na crise dos mísseis em Cuba. É ele e mais dois cercados por falcões sedentos por guerra por todos os lados. Sem contar Israel e a AIPAC esticando a corda diariamente, torcendo por decisões que isolem Israel, e joguem todo aqueles eleitores mais de centristas no colo dos republicanos. Como no Brasil, depois da Reforma da Saúde, a recuperação da economia americana e a Reforma do Mercado Financeiro, essa é a única chance de retorno ao poder. Isso, é claro com o apoio e campanha da mídia mais conservadora (pelo menos nos redime saber que não é só no Brasil que é assim).

De qualquer forma vai ser interessante observar o comportamento dos colunistas brasileiros, especialistas em política internacional (entre outras coisas) se estrebucharem pra conseguir transformar isso numa decisão ruim, da política externa bolivariana criada pelo cabeção do Lula e magistralmente implementada pelo companheiro marxista Celso Amorim.

Não é. Esse é o Itamarati fazendo o que sempre soube fazer, conversando e procurando soluções inovadoras para a construção paz. A diferença é que as amarras que os governos anteriores criaram foram rompidas, subserviência aos países ricos saiu de cena e o agora os diplomatas tem tb o lastro de um político popular – mas não populista como tentam propagar – não só internamente, mas externamente pra fazer aquilo para o qual se prepararam arduamente durante anos. É a diplomacia que faz jus ao tamanho da potencialidade dessa Nação. E essa vibe, nenhum artigo de quinta feito por colunistas obtusos de jornalecos à beira da extinção vai conseguir tirar de nós.

A partir de hj, volto a ler os jornais diariamente, só pra assistir esse espetaculo. Sim sou, sádico. Adoro ver os capitulacionistas brasileiros sofrerem.

G1 – Presidente do Irã apoia proposta do Brasil para trocar combustível nuclear – notícias em Mundo

France Presse

05/05/2010 06h40 – Atualizado em 05/05/2010 08h07

Presidente do Irã apoia proposta do Brasil para trocar combustível nuclear

Ahmadinejad conversou com Hugo Chávez sobre a proposta brasileira.
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Irã :: “Antes perto do que inacessível”



Eliane, qdo trata de algo que entende e não fala besteira “on demand“. Ótimo artigo, finalmente.


Folha de S.Paulo – Brasília – Eliane Cantanhêde: Antes perto do que inacessível – 24/11/2009

ELIANE CANTANHÊDE

BRASÍLIA – Mahmoud Ahmadinejad vem aumentando sua presença na América do Sul, que fica logo abaixo e sofre influência direta do arqui-inimigo do Irã, os EUA. Não deve ser por acaso.

Primeiro, Ahmadinejad passou a visitar a Venezuela com uma frequência curiosa. Depois, aproximou-se do Equador e da Bolívia. Agora, botou literalmente os pés no Brasil, trazendo mais de 200 empresários de vários ramos, de agricultura a energia.

Diplomacia se faz muito pelos interesses bilaterais, um pouco pelos regionais e às vezes pelos multilaterais. Na vinda de Ahmadinejad, esses três ingredientes estiveram fortemente presentes, enquanto gays, feministas, bahá’ís e judeus gritavam do lado de fora dos palácios. Para o mundo ouvir. A visita é mais um marco da polêmica política externa brasileira, que já criou “frisson” com uma cúpula Mercosul-países árabes em Brasília e atraiu ao país num só mês os presidentes de Israel, da Autoridade Palestina e agora do Irã.

A intenção não é assumir um lado da questão, nem apoiar o regime iraniano, muito menos compactuar com as barbaridades de Ahmadinejad, que nega o Holocausto e já pregou “varrer Israel do mapa”.

É, ao contrário, fazer como o Brasil faz inclusive com a Venezuela de Chávez: perto o suficiente para ter penetração e diálogo, longe o necessário para não se comprometer com regimes, governos ou decisões pontuais. Ao contrário, tendo força moral para criticá-los. É melhor ter o Irã por perto e submetido a alguns compromissos do que tê-lo isolado para fazer o que bem entender. Aliás, o simples fato de haver uma crescente oposição interna é bom sinal. Ahmadinejad sabe que ela não está sozinha e que o mundo está de olho. Não deixa de ser uma forma de proteção.

Engana-se quem acha que é uma ação do Brasil veladamente contra os EUA. Ao contrário, trata-se de um jogo bem combinado.

elianec@uol.com.br

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