Assinantes ignoram editoriais?

Curiosidades de pesquisas …

Tanto se fala por aqui da influência dos jornais no eleitorado. FSP em particular… 

 

 

Pesquisa estratégica da FSP junto a seus leitores (23/abril), 350 assinantes da RMSP. Aquela pesquisa em que 74% dos leitores dizem que o jornal não favorece ninguém. 

Alckmin : 49%

Mercadante : 16%

Skaf : 5%

Outros : 7%

Serra : 54%

Dilma : 15%

Marina : 18%

Esses números todo mundo viu.

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A entrevista de Coimbra, do Vox Populi, à TV Bandeirantes

O diretor do instituto de pesquisas Vox Populi faz uma análise interessante e racional da conjuntura eleitoral.

Os pontos que ele analisa são os seguintes:

1) A eleição tende a ser cada vez mais plebiscitária.
2) Os eleitores costumam votar em pessoas, não em tese.
3) A aposta que o Lula faz em 2010 é uma aposta nova: se o eleitor aprova o governo Lula, vote em Dilma. Caso contrário, vote em Serra. Votação no grupo e nas propostas em detrimento das pessoas que estão concorrendo. A proposta do Serra é um debate de biografias pessoais, independentemente do grupo que cada um representa.
4) A tese da continuidade tem grande simpatia da população, pois as pessoas estão satisfeitas.
5) A tese do Lula (item 3) está fazendo efeito (como mostra o crescimento de Dilma nos últimos meses).
6) O Caso do Chile. Bachelet, com 80% de popularidade, não fez o sucessor. Porém, Bachelet fazia parte do grupo político Concertação, que estava há 20 anos no poder. Houve, então, uma fadiga, um cansaço com esse grupo, o que não acontece no Brasil no momento.
7) Método de pesquisas eleitorais e crítica ao Datafolha (por interferência no modo como se faz a pergunta ao eleitor).

Acompanhe o vídeo no link:

http://videos.band.com.br/v_57000_entrevista_com_marcos_coimbra_diretor_do_vox_populi.htm

Menos, menos…

 

É interessante ler matérias como esta abaixo, com o depoimento de M. A. Villa :

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/04/21/pesquisa+ibope+e+sinal+de+alerta+para+dilma+dizem+especialistas+9464399.html

“O resultado da pesquisa do Ibope divulgada nesta quarta-feira deve servir como um sinal de alerta para a coordenação da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, dizem especialistas ouvidos pelo iG. Para eles, a sondagem mostra que os estrategistas do PT terão que trabalhar muito para superar a inexperiência da candidata em disputas eleitorais.”

“Se eu fosse da campanha de Dilma estaria preocupado. Esta pesquisa é mais um sinal amarelo mostrando que é preciso mudar a estratégia. Vai ser duro levar esta candidata adiante. Como diria o João Saldanha (comentarista esportivo), ela tem a cintura dura”, disse o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).”

Mas a matéria é feita em cima de um trecho do filme, ou seja o período após o lançamento de Dilma (a análise começa das pesquisas posteriores a esse lançamento) e termina, por suposto, agora, com os resultados do lançamento de Serra. Compara o período de crescimento de um com o período de acomodação, de ausência de fato novo de outra.

Deveria ser vista uma perspectiva mais ampla. Colocando os movimentos recentes, pelo menos desde a maior exposição na mídia, em dezembro (anúncios de partidos, propagandas na tv, etc.); e também os movimentos futuros, como o fato de que nos três meses de campanha efetiva é quando há a maior parte das transferências e/ou oscilações.

Também se fala muito de que Dilma deveria estar agora com 40%, etc… Mas, no ano passado não se dizia que a meta era estar em 20/25 % por essa época? (ou algo assim…)

De qualquer modo, toda essa conversa é sair um pouco do foco. Se enxergarmos os resultados das pesquisas como “nuvens” se movendo a uma determinada direção, e se essa direção for ter 45% dos votos totais no início de outubro, porque alguém iria se preocupar agora?

Pra mim é muito discurso para pouco fato.

Eu sou nuvem passageira...

A estratégia de Ciro

Muito se tem comentado sobre qual o papel de Ciro Gomes nas eleições deste ano. Ele já explicitou inúmeras vezes sua determinação em concorrer à Presidência. Ao transferir o título de eleitor para São Paulo (a pedido de Lula), Ciro alimentou a tese de que poderia sair candidato ao governo do estado de São Paulo. Tal tese é defendida pelo próprio Lula, que defende a idéia de que as eleições presidenciais deste ano sejam plebiscitárias, no modo Dilma X Serra, diretamente falando, e Lula X FHC, indiretamente falando. Deste modo, o povo veria em Dilma a candidata do Lula, aquela que continuará com os avanços sociais e econômicos realizados pelo atual presidente. Além disso, o povo veria em Serra o candidato do FHC, aquele que representa o modelo neoliberal de governo, que privatizará estatais, terá política internacional subserviente aos interesses de Washington, diminuirá os investimentos sociais, enfim, reduzirá a capacidade estratégica do governo de induzir o crescimento e o desenvolvimento. Esta tese, na visão do presidente Lula, seria melhor compreendida e assimilada pelo povo com a disputa entre Serra, Dilma e Marina, sem Ciro Gomes, que concorreria ao governo de SP. Neste estado, Ciro teria a missão de reunir em torno de si uma forte coalizão para não apenas tentar acabar com o domínio hegemônico do PSDB no estado (há mais de quinze anos no poder paulista), como também ser o representante do governo Lula nas eleições paulistas, defendendo os avanços ocorridos no governo do presidente, concedendo um forte palanque no estado para Dilma, e enfrentando o PSDB em seu maior reduto eleitoral.

Entretanto, Ciro defende diariamente a idéia de concorrer ao cargo de presidente da república, e não ao governo de São Paulo. Ciro reitera que é amigo de Lula, é seu aliado, mas prefere se candidatar à presidência, divergindo do presidente no assunto. Assim, qual seria o pensamento de Ciro? O que ele deseja? Quais as diferenças de interpretação da conjuntura eleitoral de 2010 entre Lula e Ciro?

Ciro procura responder a essas perguntas quando entrevistado pela mídia. Nos últimos meses, Ciro foi entrevistado por vários jornais e redes de TV, como Estadão, CBN, Valor Econômico, UOL, Rede TV, MTV, Folha de SP, Band, entre outros. Basta digitar no Google a expressão entrevista Ciro Gomes para comprovar. Nas entrevistas, Ciro afirma alguns motivos para concorrer à presidência: 1) Ciro não concorda com a simplificação do debate político entre PT e PSDB. Diz que é um debate despolitizado, que, na opinião dele, privilegia o pragmatismo da luta pelo poder em detrimento do debate sobre as reais necessidades do país e dos brasileiros. 2) Ciro não concorda com o atual esquema de alianças políticas (PT com PMDB, PSDB com DEM e com PMDB paulista). Diz que há inúmeros escândalos por trás dessas alianças, fazendo com que os governantes fiquem subordinados ao fisiologismo e aos interesses dos aliados. O PMDB seria o maior exemplo disso, pois é o partido que costuma se aliar a quem esteja no poder, tanto com FHC, como com Lula, cobrando caro por isso (cargos no primeiro, e segundo escalões). 3) Ciro crê que é possível pensar o país além das disputas políticas, tão polarizadas entre PT e PSDB. Ciro Gomes afirma que há no Brasil, desde FHC e até agora com Lula, uma seleção natural às avessas. Segundo ele, os políticos mais poderosos, com maior influência nos ministérios e no Congresso, são os menos qualificados, desde o governo FHC até o atual governo Lula. Ciro costuma citar, por exemplo, que Romero Jucá foi líder do governo FHC no Senado, e é o líder do governo Lula no Senado. Cita, também, que Renan Calheiros foi ministro da justiça do FHC, e foi presidente do Senado no governo Lula. Ao invés disso, Ciro deseja governar com os melhores quadros dos partidos, não com aqueles que permitam uma maximização da suposta governabilidade. 4) Ao ser questionado sobre Dilma, ele diz que é um grande quadro do PT, que é uma mulher de caráter e competente. Mas afirma que é inexperiente em eleições, o que pode causar problemas para ela na campanha. Afirma que é arriscado apostar tudo na Dilma, uma pessoa que nunca enfrentou uma eleição, e que, portanto, enfrentará pela primeira vez uma pressão midiática tão intensa que pode favorecer erros cruciais na candidatura à presidência.

A cada entrevista, vai ficando mais clara a opinião do Ciro, mas às vezes continua incerto por que ele pensa em lutar com todas as forças para se candidatar à presidência. Por que Ciro insiste em se candidatar à presidência, se Dilma já empatou com Serra nas pesquisas, e se 40% dos brasileiros ainda não sabem que Dilma é a candidata do Lula nas eleições? Não seria óbvio que Ciro teria poucas chances, já que a transferência de votos para Dilma ainda estaria incompleta, talvez na metade? Ciro não está muito longe de Serra e Dilma nas pesquisas, além de estar diminuindo a cada mês o voto nele? A insistência de Ciro em se candidatar à presidência não estaria atrapalhando a vitória de Dilma e do legado do presidente Lula?

Ao analisar as tendências das pesquisas eleitorais e da atual conjuntura política, alguma coisa faltava para completar (ou tentar completar) o fator preponderante no raciocínio do Ciro em se candidatar à presidência. Se não o preponderante, ao menos o fator determinante. Arrisco uma opinião, e tenho a audácia de imaginar que posso ter desvendado este mistério, ao conversar pessoalmente com o Ciro em um debate ocorrido na faculdade de direito da USP, no Largo de São Francisco, nesta quinta-feira, 18 de março de 2010. Após o debate (Roda Viva do XI), aproximei-me do deputado e perguntei se ele imaginava que poderia acontecer com a Dilma o mesmo que ocorreu com a Roseana Sarney em 2002 (nesta época, Roseana estava em primeiro lugar nas pesquisas, havia passado até o Lula, como mostrarei no gráfico a seguir, e enfrentou um pesado ataque da mídia, que mostrou uma pilha de dinheiro na empresa Lunus. Tal episódio trouxe grande rejeição a Roseana e ela caiu abruptamente nas pesquisas, até que ela desistiu da candidatura. Não foi provada nenhuma irregularidade contra Roseana).



Ciro me disse que sim, Dilma pode ser vítima da mídia, e disse que o ataque maciço da mídia contra a ministra já está acontecendo. Citou o caso Bancoop (capa da revista Veja) e o caso Pimentel (capa da revista Istoé). Ambos os casos foram notícia na TV e nos jornais. Desmentindo as revistas, o próprio Ministério Público Federal disse, em nota, que o tesoureiro do PT, citado no caso Bancoop, não está envolvido com o inquérito do mensalão:

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/19-03-10-documentacao-do-inquerito-do-mensalao-sobre-funaro-nao-traz-informacoes-sobre-tesoureiro-do-pt


O caso Pimentel, citado pela revista IstoÉ, também foi desmentido pelo próprio Ministério Público Federal. O Procurador da República Patrick Salgado Martins afirmou que não há nenhuma prova ligando Pimentel ao mensalão:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4290971-EI6578,00-MPF+Nao+ha+nenhuma+prova+ligando+Pimentel+ao+mensalao.html

Link da capa da IstoÉ:  http://www.lector.com/Portal/FlipEx/FlipEx.aspx?uId=4UNoc7A0niI%3D&pId=aLk9bmObf4E%3D

Ao citar estes dois exemplos, Ciro afirmou que Dilma vai ser vítima de um ataque midiático intenso, continuamente. Além da artilharia da mídia, Ciro afirma que Dilma pode cometer algum erro estratégico na campanha, como todos cometeram, e isso pode comprometer sua candidatura e o legado do presidente Lula, o que poderia levar à vitória de Serra.

Ou seja, Ciro tem em mente o gráfico da Roseana que coloquei acima, e o gráfico das últimas eleições, que o Fernando colocou neste mesmo blog no dia 18/03, no post com o título “Histórico de pesquisas mostra que muita coisa pode mudar até a eleição”.

Já Lula tem em mente o gráfico das eleições de 1994, em que FHC cresceu até ultrapassar Lula e ganhar. Agora em 2010, o momentum está com Dilma, que crescerá e ultrapassará Serra até ganhar as eleições, segundo Lula.

GRÁFICO ELEIÇÕES 1994

Na minha opinião, essa é uma das principais diferenças entre a estratégia de Lula e a de Ciro. Lula vê as pesquisas e afirma consigo mesmo: Dilma vai crescer e vai ganhar, porque vai receber a maior parte dos votos daqueles que apóiam o meu governo. Mesmo sob intenso ataque midiático, Dilma vencerá, e é possível que vença no primeiro turno. Por outro lado, Ciro olha para as pesquisas das últimas três eleições, vê que houve grandes mudanças nos últimos meses das últimas eleições, vê o que ocorreu com Roseana e afirma consigo mesmo: em um ambiente democrático normal, Dilma ganha facilmente. Mas quem concorrerá com Dilma é José Serra! A mídia irá atuar de forma conjunta e de um modo tão forte, assimétrico e constante, inclusive criando factóides e inventando denúncias mentirosas, que é possível que Dilma caia bastante nas pesquisas em algum momento, inclusive com risco de derrota para Serra. A chamada “bala de prata”, o tiro midiático que sepultaria definitivamente a campanha Dilma como fez com a campanha Roseana, seria a bomba atômica que poderia mudar completamente o cenário eleitoral. Tendo em vista este cenário, se não houver um aliado do presidente Lula em campo, como Ciro, poderia haver um “golpe eleitoral” por parte da mídia e Serra ser eleito, contrariando todas as pesquisas que são unânimes em indicar que o candidato vencedor muito provavelmente será aquele que tiver o apoio de Lula.  Além disso, a experiência eleitoral de Ciro seria um contraponto à inexperiência eleitoral de Dilma. Dilma e Ciro estariam, portanto, lutando juntos contra a dupla Serra-Mídia, pois tanto Dilma quanto Ciro são aliados do Lula e dariam continuidade aos avanços do governo Lula. Ciro e Dilma poderiam debater assuntos relevantes para o país e para os brasileiros, como saúde e educação, mas Ciro poderia atacar Serra mais enfaticamente e com mais liberdade, o que não é tão estratégico numa eleição para quem está em primeiro lugar nas pesquisas, como espera-se que Dilma esteja após se completar a transferência de votos do Lula.

A situação pode mudar na hipótese de Serra desistir da candidatura à presidência e anunciar a sua candidatura à reeleição ao governo de São Paulo. É uma hipótese pouco provável, assim como é pouco provável que Ciro desista da disputa à presidência para se candidatar ao governo de São Paulo. Porém, Ciro já afirmou que na hipótese de Aécio disputar a presidência pelo PSDB, o deputado do PSB não se sente no dever de lutar pela presidência, pois crê que os interesses do país estariam em boas mãos na disputa Dilma X Aécio. Neste cenário, é realmente possível que Ciro aceitasse se candidatar ao governo de SP, não apenas para enfrentar Serra, mas porque Ciro consideraria que seria sua maior contribuição ao povo brasileiro (e paulista) nestas eleições.