Ainda sobre o Copom de julho de 2002


“Pergunta aos leitores: Estou sendo chato e repetitivo?”

É só pq sofremos tanto na mão do machomonetarismo brasileiro, que dou valor à credibilidade que conquistamos. Não quero mais uma política monetaria populista, que abaixa os juros na vespera de uma eleição, mesmo com a explosão da inflação e o risco-país em alta.

Enfim, é uma espécie de ode à ortodoxia monetária. Ode ao malanismo. Esse legado não pode se perder assim, né?

Malan nega influência política na decisão de cortar a Selic — Portal ClippingMP

Malan nega influência política na decisão de cortar a Selic
O Estado de S. Paulo – 18/07/2002

Ministro diz que nunca, nos últimos oito anos, o governo pressionou o Banco Central

Diante de críticas de que o Banco Central reduziu os juros para beneficiar o candidato do governo à presidência, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, negou veementemente qualquer influência política na decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom). “Ao longo dos últimos oito, nove anos, nunca houve pressão política sobre o Banco Central”, afirmou. “Eu nunca peguei o telefone e chamei o Armínio Fraga para dizer o que fazer em termos de condução da política monetária. Também o presidente Fernando Henrique Cardoso nunca o fez, e isso segue sendo verdadeiro.” Ele disse desconhecer pressão de qualquer candidato ou político sobre o presidente a respeito dos juros. O ministro, que não participa do Copom, afirmou que “aguarda com interesse a divulgação da ata da reunião”, que trará as explicações sobre a decisão.

O candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, disse que viu com “satisfação” a decisão do Copom e considerou o corte “adequado”. Mas disse esperar que o Copom não venha a aumentar novamente a Selic nas próximas reuniões. “O que não pode fazer é a política da gangorra, o sobe e desce, como o governo fez num período.”

O candidato do PSDB/PMDB à presidência, senador José Serra (SP), também elogiou a decisão. “Acho positivo ter reduzido os juros. É uma medida corajosa e foi tomada com prudência e cautela, mas com muita firmeza.” Ele assegurou que nunca pediu que os juros fossem reduzidos para beneficiar sua campanha e disse que não há viés político nessa decisão, pois, caso contrário, já teria sido tomada em março ou abril, para refletir resultados positivos hoje. “É uma boa decisão. Todo mundo queria que caísse.”

Para o ex-presidente do BC, Gustavo Loyola, o corte não foi feito para ajudar a candidatura de Serra. “Esse não é o perfil de Armínio Fraga”, afirmou ele. Loyola diz, no entanto, que o BC, hoje, também é um ator político, como mostra a a recente atuação de Fraga, que tem buscado conversar com setores da oposição. “Como o BC entende que a turbulência no mercado não tem a ver com os fundamentos da economia, ele age para mostrar que essa crise é passageira. É como se a instituição dissesse que não pode conduzir a política monetária a partir desse comportamento do mercado. Nesse sentido, o corte de juros pode ser visto como político.” (Lu Aiko Otta, Sheila D’Amorim e Sérgio Lamucci)

GOVERNO REDUZ JUROS PELA PRIMEIRA VEZ DESDE MARÇO — Portal ClippingMP

GOVERNO REDUZ JUROS PELA PRIMEIRA VEZ DESDE MARÇO

Economia desaquecida faz BC reduzir os juros

Autor(es): Enio Vieira, Flávia Barbosa e Patricia Eloy
O Globo – 18/07/2002

Continuar lendo

Eu só gostaria de saber se vai sobrar alguma bandeira pra oposicao??

A oposição está sem bandeira. Só sobrou a falácia da “ética na política”.

O PSDB de SP não permite a abertura de CPIs (Alstom?). O PSDB de MG conseguiu unir e calar a mídia mineira em nome do “projeto Aecio”. O PSDB do RS está lutando contra o Impeachment da Yeda. etc. etc.

Enfim, preciso continuar? É um falácia pq pra quem é minimamente informado, sabe que os desvios éticos na politica existem desde que os homens se organizaram socialmente. Mas é válido, é do jogo (já o golpismo não). Mas não deixa de ser um “flanco”. Quem está no Governo deve implementar soluções. O PT não promoveu uma  reforma do estado. Não aumentou a transparência como devia (mas aumentou mais que todos os seus adversários e antecessores).

Mas o problema é que o povo, na sua suprema sabedoria, relativiza isso, pois já viveu o bastante pra saber que “é mais do mesmo”, “farinha do mesmo saco”.

O povo está preocupado com algo que políticos que ficam encastelados na luta pelo poder se esquecem. Sobrevivência. A política só serve pra isso, pra melhorar as condições de sobrevivência da sociedade, e por consequência, das pessoas. E o Estado só existe e é aceito, pra ser a ferramenta dessa “melhoria”.

A notícia abaixo é só um exemplo do pepino que a oposição tem nas mãos. O Lula, que é extremamente conservador, conseguiu mesmo assim jogar os juros no chão. Primeiro a Selic (juros básicos), agora começa a chegar no consumidor.

Ainda é alto? Pode ser. Mas o juro é o preço do “produto” dinheiro, e nem se fosse POSSIVEL, não seria RECOMENDAVEL se derrubar drasticamente os preços de qualquer produto que seja. Alguns reclamam, corretamente,  que um juro básico menor (e isso foi possível em um breve momento durante  a crise) aliviaria o câmbio e, principalmente, as contas públicas, pois os juros básicos referenciam a dívida do Governo. Mas ousadia não é uma virtude pela qual Lula quer ser lembrado.

Essa queda de juros, principalmente para o consumidor, é uma revolução silenciosa na economia.  Em 2006 com o Credito Consignado foi a 1ª onda. Em 2010 virá a 2ª onda. Qdo os bancos perceberem que não vai dar pra lucrar investindo somente em titulos públicos, vai ocorrer uma luta agressiva pelo mercado de crédito (o crédito consignado e financiamento de automóveis foi só um aperitivo), e o “spread” tende a despencar. Ai vai ocorrer uma 3ª onda de consumo.

E vcs sabem bem como vota o povo qdo, finalmente, legitimamente consegue comprar aquilo que sonha e batalha tanto. Esse consumo vai colocar a economia num ritmo superior a 5% de crescimento ao ano.

Se fosse oposição não saberia como enfrentar esse cenário. TALVEZ, isso explique esse denuncismo desvairado e essa mídia ficcional e escandalosa que vemos.

Folha Online – Dinheiro – Juros para a pessoa física têm menor patamar em 14 anos, diz Anefac – 14/09/2009

14/09/2009 – 11h16
Juros para a pessoa física têm menor patamar em 14 anos, diz Anefac

da Folha Online

Os juros para pessoa física atingiram, em agosto deste ano, o menor patamar verificado em toda a série histórica da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), iniciada em 1995.

A taxa média geral para pessoa física ficou em 7,08% ao mês em agosto (127,25% ao ano), uma redução de 0,13 ponto percentual no mês (3,33 pontos percentuais no ano).