A Oitava Passageira

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Frequentemente a chamo de Lula de saias. Não é por acaso, não é por reverência – ahaha, logo eu -, é pela habilidade. E o incrível, é que, exatamente como quando ela saiu do Governo, deixando o PT e a Dilma como vilões, a reação foi a mesma: menosprezo e arrogância. E o resultado: 20 milhões de votos.

Como noticiado pela agora, atônita, #velhamídia o desenrolar da leitura dos seus movimentos dá pra ver o quão hábil ela foi na hora crítica, perdeu na luta sangrenta, mas continuou jogando para tentar se apropriar da “nova política”. Eu não acredito nisso, mas pouco importa, o que está em jogo na verdade é o monopólio da esperança. Quem o perdeu, chora até hoje. E ela – a esperança – ficou ai, abandonada, órfã, esperando alguém para adotá-la, mesmo que saiba que no futuro, irão maltratá-la e abandoná-la de novo. Um ciclo, como tudo na vida.

O engraçado de tudo isso é a bipolaridade e hipocrisia, tanto na mídia velha, quanto nos chamados blogs progressistas sobre o que significa, sobre quem perde e quem ganha. Bom eu gosto de fazer o negativo: quem mais está irritado com essa “jogada”? É só olhar os críticos pra ver que parece que ela fez a coisa certa. Então, é só ler a mídia/blogs e deduzir.

Não estou dizendo que ela seja vítima, ou que vá salvar o Brasil. Só estou dizendo que mal não f az. Tentar não doí. Sei que a mídia começará a endeusá-la em: “3, 2, 1…”. Eles vão apoiar qualquer um que tenha o mínimo de possibilidade de interromper o projeto de poder do PT. Qualquer um. Hitler ou Stálin se estivessem vivos – ou, em último caso se pudessem ser ressuscitados. Só que, há tantos – bilhões, digo – em jogo, que editores recomendam aos seus jornalistas-quase-escravos muita calma nessa hora. E é o que – salvo raras exceções – estão fazendo.

Mas ela, Marina, parece ter passado de sonho a pesadelo em poucos dias, não só para todos os seus principais adversários, mas principalmente para aqueles que a receberam sorridentes de braços abertos. Esses agora sentem o gostinho de terem sido picados por um escorpião que estava nas costas, do estrangulamento da planta oportunista sobre a outra quando decide romper com a harmonia do mutualismo, enfim, de se ter na barriga fecundada por um oitavo passageiro que após crescer no hospedeiro, inevitavelmente, tomará conta do corpo para completar sua missão. Quando o processo terminar, o que restar do corpo ficará pelo caminho, enquanto o oitavo passageiro, instintivamente, partirá para caçar suas presas.

E eu que achei que 2014 ia ser sem graça, e eu que achei que o Eduardo Campos estava sendo hábil. Lula de saias, como sempre disse.

“Janio de Freitas

 O não dito pelo dito

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As Peças se Movem

Checkmate2

Quando deixei Brasília, na sexta, tinha certeza que alguma coisa iria acontecer. Não sabia dizer o que, mas as aguas que levam à 2014 estavam muito calmas. Assim com tem algo acontecendo entre SP-MG mas não consigo entender/aceitar. Preconceito? Talvez precise “esvaziar a mente”. Mas fico feliz em saber que todos no meio político foi pego de surpresa com a decisão da Marina.

Acho que pesou muito para ela a decisão – a meu ver equivocada – no segundo turno de 2010. Vejamos: com um legado de 20 milhões de votos, um partido (PV) quase na mão e a possibilidade de conseguir no mínimo dois ou três Ministérios importantes no futuro governo Dilma – imaginem, por exemplo, MCT-FINEP e MMA-Ibama (mas…mas, não seria fisiologismo? Ah… tá! Se vocês ainda estão nessa, boa sorte.). Ela seria protagonista, não coadjuvante. Afinal a Presidenta é “low-profile” “by design”, por bem ou por mal. Mas a Dilma, passaria todo o primeiro mandato sob a sombra do “só venceu por que a Marina te apoiou”. E se o caldo entornasse, era sair pra disputar 2014, como – ups! – Eduardo Campos e o PSB.

Agora ela tem na mão uma vice na chapa de outro candidato, não conseguiu o PV (uma boa marca, com potencial, diga-se de passagem), não conseguiu tirar a sua Rede papel (não é um partido, mas, sem partidos há estabilidade democrática?), e só a (vaga) promessa do fim da reeleição já pra 2018 (kkk). Olha, eu não entendo muito disso não, é só hobby, mas eu ficaria com a primeira opção.

Ela apanhou do jogo político “hardcore” de Brasília. E pra se chegar à Presidência, é OBRIGATÓRIO passar por isso. Assim como campanhas eleitorais TEM que ser sangrentas. O que não mata, fortalece. A estabilidade só chega depois do tremor. Enfim, não existe atalho na Democracia (na Ditadura, só a ilusão de um). Eduardo está jogando bem, e o Serra, esse ai, nessa parte sabe tudo.

Se não aguenta, bebe leite. Se não sabe brincar, não vem parquinho. Se não dá conta, pra quê que nasce? Esse é o jogo. Não fomos nós que o criamos, vai reclamar com Maquiavel.

Nada disso está nos jornais, não sei porquê. Mas esqueçam a mídia, às vezes penso que é parte do jogo, mas acho que é incompetência mesmo. Desaprenderam a fazer jornalismo. Uma pena. É óbvio, é evidente, que quem mais perde com essa decisão é o PSDB (com o Aécio). E o Serra pra ser candidato de novo, precisa, primeiro tirá-lo do caminho. E é o que está fazendo. Tijolo, por tijolo.

Já o Eduardo Campos está fazendo o que é possível (e depois de sábado, ficou claro, o impossível). Voltemos ao começo: O Lula prometeu a ele, a chance – ressalte-se, a chance – de ser o candidato da “aliança hegemônica” em 2018. Ele até que deve confiar no Lula, ele não confia é no PT. Faz bem, pois partidos políticos são criados para isso. É só olhar para seu arquirrival pra ver o que ocorre quando se deixa de buscar o poder, e se perde na disputa interna. Mas a disputa interna no PT, dizem, é o pior dos mundos, quem pôs ordem na casa foi o @Barbudo83porcento.

É só olhar pra São Paulo e ver que o Haddad – quando o Governo Federal não ferra com tudo, como por exemplo, agendando data de aumento de preços – está fazendo tudo certo. Invertendo a lógica do desenvolvimento da cidade, criando corredores de ônibus, fazendo todas as maldades possíveis no primeiro ano, etc. Não cabe aqui essa analise, mas se tudo caminhar como programado, será ele o candidato em 2018. Já o Padilha – de quem gosto muito – tem primeiro que vencer. Não vou me alongar, só exemplificar: em 2002 o Genoino perdeu o Governo de SP para o Alckmin por uma pequena margem, e, virou Presidente do PT. O presidente que teve que assinar aqueles contratos e o resto é história. E ela, meus caros, não é uma guria muito sentimental.

Oras, o Eduardo viu esse cenário e entendeu que é agora ou nunca. E cruzou o Rubicão.

Político com coragem SEMPRE não sobrevive por muito tempo, MAS em algum momento é preciso tê-la (por exemplo: para democratizar a mídia, enfrentar as teles, para investir em segurança nacional e inteligência, e inúmeros outros temas). Querem condená-lo por ter a coragem, que muitos, após chegar ao poder deixaram de ter?

Traição? Política é a arte de trair (desde s-e-m-p-r-e: Et tu Brute?). Então, sair como candidatos é a única maneira que eles – ambos da base do governo Lula/PT – tem para fazer jus ao legado que foi deixado. Programas? Nenhum partido político no Brasil tem um programa estruturado. Não é o “nosso jeito” de fazer as coisas. Vivam com isso e parem de sofrer. Mas eles tem ideias: sustentabilidade, inovação, gestão, etc. Eu acho que são bases boas para se começar a “brincar”, para se entrar no jogo.

Por favor, parem de acreditar na política personalista, no salvador da pátria, na madre teresa de Calcutá, na falácia do voto transformador a cada dois anos. A política somos nós. Ela é fruto da nossa ação – ou, inação. A sociedade brasileira é reflexo do que somos e fazemos individualmente. Então se existe uma ideia que você gosta – pqp – participe, construa e defenda!

E, peloamordedeus, bando de velhos cansados, deixem eles jogarem. Mal não faz. E no final, é o Brasil quem agradece.

Quando Setembro Chegar

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Muitos ficaram preocupados com a fúria dos jovens e adolescentes. Black bloc, anarquistas, etc. Eu nunca me preocupei muito. Primeiro, por causa da minha “origem” punk até o osso. Segundo, por que, como o Draper falou, os adolescentes SEMPRE serão revoltados. Com todos e em todos lugares, não sobra ninguém. Se começa pelos Pais, imaginem com os partidos e com a política. Melhor aceitar e tomar uma. Bola pra frente.

Desde os eventos que incendiaram as ruas em Junho de 2013, muita coisa mudou, muitas não. A percepção é que o Governo acordou e tem tentado – ainda que lentamente – tomar atitudes antes postergadas. Existem mudanças em áreas do governo que não se movem, ainda a serem feitas. Mas presidente algum faz isso com a faca no pescoço. Capitular, jamais.

Contrapor Saúde e Educação vs Copa e Olimpíadas é uma puta de uma hipocrisia e ignorância. Mas não é assim que a coisa funciona, não é mesmo? Mas o governo federal falhou naquilo em que se propôs: mobilidade urbana. Dar dinheiro para Estados e Municípios tocarem as obras nunca dá certo, não é mesmo Aeroporto de Goiânia?

A cobertura da mídia foi a tradicional. Mas também foram pegos de surpresa. Às vezes relutante (pois tem muito a lucrar nos eventos, principalmente a monopolista) tentou, constrangedoramente disfarçada, manipular, inserir a “tradução do sentimento das ruas” em legendas e em horário nobre. Se funcionou ou não, não sabemos. Tudo está tão turvo ainda que as ondas no lago ainda podem retornar de volta aos pés. E como dizem, do lado do Marinho não fica gente burra, eles já perceberam isso.

Parte importante dos eventos foi que o Congresso acordou do torpor em que vivia mergulhado. Absorto entre benesses e privilégios, mudou pontos importantes. Mas já mostra que, como um burro carregado, só irá se mover na base do chicote. Afinal, já comeram todas as cenouras. Então só sobrou o porrete. Mas bater no Congresso é o esporte nacional preferido. E pior, o Executivo, e agora o Judiciário, se uniram irresponsavelmente nessa “onda”. Fica a dica: a Ditadura – do ponto de vista histórico – foi bem ali, ok?

O mais importante do saldo: a oposição continua perdida. A maior prova são as absurdas declarações que a estratégia para 2014 depende “da situação da Presidenta APÓS o 7 de Setembro”. Ou seja, já está carimbada como torcedores do quanto pior melhor. Propostas para os problemas e demandas (sejam elas quais forem) ninguém ouviu falar até agora.

A verdade é que até o momento não há alternativa ao que está ai. E como a tradicional sabedoria popular dificilmente troca o meia bomba pelo incerto, somado ao caráter plebiscitário das reeleições em todo o mundo, Dilma até agora, continua forte candidata à reeleição e o PT rumo a alcançar incríveis 16 anos de domínio do Executivo Federal.

Hegemonia, seu nome é a união PT+PMDB. Agradeçam ao José Dirceu (isso mesmo), e depois ao Lula. Até agora nem sinal da ladainha repetida ad nauseam de traição. Se ocorrer uma ruptura agora, será fruto da fadiga de material que naturalmente ocorre em qualquer aliança.

Ressalva importante: ninguém aqui está torcendo ou contando vitória antes da hora (sabem que detesto isso, aliás parte do que se viu nas ruas foi fruto do tradicional salto alto petista) só estou tentando mostrar como a falta de alternativa programática e a força de uma aliança bem amalgamada, com a pitada de um marketing político bem feito, facilita bastante.

E, ignorem a mídia, o governo fez muito. Terá o que mostrar. Mas não o bastante, não perceberam que a Agenda mudou. Mas apesar dos inúmeros erros nesse 1º mandato (e todo 1º mandato é difícil), a reeleição continua mais provável.

Talvez todo esse cenário poderia ser diferente, se bots e puppets nas redes sociais, tivessem sido ligados em junho de 2014. Talvez não houvesse espaço para recuperação. E principalmente, se a “alternativa” tivesse feito o “dever de casa” e nesse momento tivesse em mãos, um partido, um projeto.

Felizmente (ou infelizmente para alguns) não é o caso. A única coisa que ofereceram à infante democracia brasileira foi o eco irresponsável da “demonização da política”. Isso ficou bem claro, e está registrado.

Em 2014, “aniversário” de 50 anos da Ditadura, será um bom momento para se relembrar.

Entrevista com João Santana

À Esquerda o Futuro. À Direita o Passado. No meio quem navega a Transição.

Ignorem o título abaixo, é só a Folha, perdida na ditadura dos “headlines“. O João Santana dá uma aula sobre campanhas políticas. Atualmente, acho que ele é um dos grandes na área de comunicação e estratégia eleitoral no mundo, e não só do Brasil. Ele conseguiu uma obra soberba com Lula e Dilma, e agora, com o Haddad. Pra não falar nas vitórias internacionais.

Eu estou consolidando um post que tem o seguinte título: “Um Plano para Oposição“. Na minha visão, a democracia brasileira tem dois grandes problemas no momento:

  • um legislativo inerte, inebriado, tendo suas funções constitucionais sendo gradativamente usurpadas pelo Judiciário e pelo Executivo;
  • uma oposição perdida e sem rumo, seduzida por uma mídia corrupta e decadente, que vez ou outra flerta com o golpismo;

Pode parecer estranho eu não incluir a mídia como um dos tópicos, mas no final a mídia só tem esse poder por causa da fragilidade da oposição. O próprio eleitor já começa a dar sinais de estar vacinado. Mas melhor não descuidar.

Assim, mais importante que vencer, é torcer pra que surjam alternativas à aliança PT-PMDB (aquela que iria ruir logo que a Dilma assumisse o poder), pois do ritmo que vai indo, vão chegar fácil aos 20 ou 30 anos de duração. A hegemonia política que falei lá atrás.

Digo isso, não que exista a possibilidade de mudar o lado do espectro político (liberal de centro esquerda) que escolhi militar (lutar, combater). Digo isso, porque aprendi que tão importante quanto saber o que querer conquistar, é saber contra quem iremos lutar. Seus adversários – e não inimigos – te completam. E isso é meio óbvio. O ideal  pra mim seria termos 4 ou 5 grandes partidos de todos espectros políticos. Assim o PSDB não poderia desaparecer. Como o DEM/PFL, inevitavelmente, vai.

Pra mim, o PSDB deveria começar, procurando o seu João Santana. Encontrando, já seria um magnífico começo.

26/11/2012 – 06h10

‘Lula é o melhor para governo paulista em 2014’, diz marqueteiro João Santana

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FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Mais político e engajado do que nunca esteve, o marqueteiro preferido pelo PT desde 2006, João Santana, declara que o melhor nome do partido para disputar o governo de São Paulo é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice?”, disse Santana, em tom irônico, numa longa entrevista à Folha.

Para o marqueteiro, a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014 já no primeiro turno — se ocorrer, será algo inédito para um petista em disputas pelo Planalto.

Sobre o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, faz uma previsão: “Tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026”. Antes disso, talvez seja a vez de Eduardo Campos, do PSB.

Na conversa, o marqueteiro de 59 anos relatou como foi a calibragem da estratégia que deu ao PT a Prefeitura de São Paulo neste ano. Não podia atacar os outros candidatos no início da campanha, pois Haddad “não tinha musculatura para bater nem para herdar eleitores” de adversários.

Em anos passados, Santana falava com um certo distanciamento do petismo. Hoje, assume-se mais como um profissional engajado com a causa partidária. “Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB”, diz. Fica à vontade para criticar as outras legendas.

“Há um processo de desgaste e de deterioração política do PSDB. Viraram uma versão anacrônica da UDN: denuncistas e falsos moralistas. Pode acontecer ao PSDB o que aconteceu ao DEM. O DEM está sendo engolido pelo PSD, de [Gilberto] Kassab. Se não se renovar, o PSDB pode ser engolido pelo PSB, de Eduardo Campos.”

Responsável pelo marketing na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (em 2006) e na eleição de Dilma (2010), Santana trata a oposição com um certo desdém: “Se a eleição fosse hoje, novembro de 2012, Dilma ganharia no primeiro turno. Se fossem candidatos de oposição Aécio Neves e Eduardo Campos não teriam, somados, 10% dos votos”.

É cético até com o movimento que na internet fala em lançar o atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, para o Planalto. “É uma pessoa inteligente e saberá tomar a decisão certa. Caso se candidatasse [a presidente] poderia ter um final de carreira melancólico. Não se elegeria, faria uma campanha ruim e teria uma votação pouco expressiva”.

A propósito do STF e do julgamento do mensalão, diz se sentir “no dever” de fazer uma observação aos ministros da mais alta Corte de Justiça do Brasil: “O julgamento do mensalão levou ao paroxismo a teatralização de um dos Poderes da República. O excesso midiático intoxica. É um veneno. Se os ministros não se precaverem, eles podem ser vítimas desse excesso midiático no futuro. E com prejuízos à instituição. O ego humano é um monstro perigoso, incontrolável. O mensalão é o maior reality show da história jurídica não do Brasil, mas talvez do planeta”.

A seguir, trechos da entrevista concedida por Santana em 19 de novembro, no apartamento onde vive em Salvador:

Folha – Quais campanhas fez em 2012?

João Santana – Eu e a minha equipe tivemos a sorte de fazer em 2012 algo inédito no marketing político internacional: coordenar, num mesmo ano, três campanhas presidenciais vitoriosas. Conseguimos ajudar a virar uma eleição dificílima na República Dominicana, onde Danilo Medina ganhou depois de ter estado 30 pontos atrás de seu oponente. Participamos da vitória de Chávez, que enfrentou alguns problemas conjunturais, além de uma pressão internacional desmesurada E ajudamos na vitória do presidente José Eduardo dos Santos, em Angola, que teve 75% dos votos. Mas de tudo o que me deu mais alegria foi a vitória de Fernando Haddad na eleição para prefeito de São Paulo. Tanto pelo desafio que significou, como pelo que a vitória de um líder jovem, da qualidade de Haddad, vai significar para S. Paulo e para o Brasil. Mas como nem tudo é alegria, perdemos a eleição de Patrus Ananias para prefeito de Belo Horizonte. Ou seja, fizemos cinco campanhas e ganhamos quatro neste ano.

Essas campanhas todas têm candidatos de um campo político muito definido. O sr. teria dificuldade para fazer uma campanha para, digamos, um candidato do PSDB a presidente do Brasil?

Do ponto de vista técnico, não. Mas do ponto de vista político-emocional, sim. No Brasil está acontecendo, aos poucos, algo que no mercado internacional já era: uma espécie de especialização por partidos. Os partidos têm os seus próprios consultores políticos e marqueteiros. Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB.

Mas e no plano internacional?

Por ter trabalhado majoritariamente para o PT, e a partir das conexões que se estabelecem entre campos políticos afins, eu comecei a ser convidado para fazer campanhas para partidos políticos de esquerda na América Latina e na África. Meu nome acabou ficando muito associado, sobretudo na imprensa internacional, a esse tipo de consultoria.

De quantas campanhas presidenciais o sr. já participou? É correta a informação de que também participou da eleição de Ollanta Humala, no Peru?

É uma informação equivocada. Fui convidado por Humala, fui ao Peru na pré-campanha, fiz um estudo preliminar, mas não pude nem quis fazer a campanha dele. Ela foi feita por Valdemir Garreta e Luis Favre. Eu e minha equipe já vencemos seis eleições presidenciais : a reeleição de Lula, a eleição de Dilma, Maurício Funes, em El Salvador, Danilo Medina, na República Dominicana, José Eduardo dos Santos, em Angola, Hugo Chávez, na Venezuela. Há cerca de 15 anos, naquela época ainda trabalhando com Duda Mendonça, perdemos a campanha presidencial de Eduardo Duhalde, na Argentina.

Em 2008, o sr. perdeu na disputa para a Prefeitura de São Paulo com Marta Suplicy. Agora, com Fernando Haddad, ganhou. Quais são as semelhanças e as diferenças entre as duas campanhas?

Em 2008, Marta era oposição e havia um sentimento de continuidade. Este ano, ao contrário, havia um sentimento de mudança e renovação. Outra coisa: Marta sempre foi a melhor candidata do PT para um primeiro turno. E a pior para um segundo turno. Já Fernando Haddad era o pior candidato que o PT tinha para um primeiro turno e o melhor para um segundo turno.

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Mensalão preocupa Bancos e Empresas

Eu? Parceiro, eu quero é ver o oco. Meu nome não tá na AP nº 470, tampouco ocupo cargo de gerência. Longe de ser santo, mas mão sou corrupto, tampouco corrompo.

Não declara IRPF/IRPJ? Se preocupe. Contrata gerente e não acompanha minuciosamente os seus passos? Se preocupe. Faz engenharia financeira pra pagar “menos impostos” pelas “brechas da lei”? Se preocupe. Deposita em bancão pra investir em fundos estrangeiros sem saber dos detalhes? Se preocupe. Tem cargo de diretor e assina um monte de documentos sem ler diariamente? Se preocupe. Sofre ou faz pressão por resultados “a qualquer custo”? Se preocupe.

Mas melhor esperar o Acórdão, né? Já não tem Ministro do STF preocupado com o “exagero das penas”?

Então.

12/11/2012 – 00:00

Julgamento do STF preocupa empresas

Por Cristine Prestes e Laura Ignácio

O destino dos 25 condenados no caso do mensalão está longe de ser a única consequência do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre empresas, bancos e advogados que atuam para corporações o clima é de apreensão. As mudanças promovidas pela Corte em sua jurisprudência durante a análise da Ação Penal nº 470 produzirão impactos diretos no ambiente de negócios do país.

“O risco aumentou, e aumentou muito, porque agora qualquer administrador pode ser condenado por lavagem de dinheiro sem que tenha havido a intenção de cometer o crime”, diz o executivo de uma entidade de classe empresarial. O aumento do risco entre empresas e bancos ainda é apenas uma sensação, já que o Supremo não concluiu o julgamento – falta definir as penas dos condenados. Da mesma forma, a aplicação dos novos entendimentos pela Justiça de primeira e segunda instâncias e seu uso pelo Ministério Público em denúncias por crimes econômicos ocorrerão paulatinamente, até mesmo por causa da morosidade do Judiciário.

Página A13

12/11/2012 – 00:00

Jurisprudência do mensalão deixa bancos e empresas apreensivos

Por Cristine Prestes e Laura Ignacio

“A ousadia de Lula e do PT” por Alberto Carlos Almeida

A ousadia de Lula e do PT | Valor Econômico

A ousadia de Lula e do PT
Por Alberto Carlos Almeida | De São Paulo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de ser agraciado com o prêmio John W. Kluge, conferido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a mais completa do mundo. A declaração do chefe da biblioteca acerca do premiado é paradigmática: “Em termos puramente científicos e acadêmicos, ele tem que ser considerado o mais notável cientista político da América Latina no fim século XX. Não só é a primeira pessoa com uma carreira política pessoal relevante a ganhar este prêmio, como é também um representante acabado do que chamamos cientista social. Se quisermos fazer uma comparação americana, ele é como Thomas Jefferson, desempenhando um papel-chave na construção de uma democracia com fundamentação acadêmica”.

Isso foi suficiente para que os tucanos que desprezam o PT passassem a comparar Fernando Henrique com Lula em função do fato de o ex-presidente petista ter recebido recentemente os títulos de doutor honoris causa de várias universidades do Rio de Janeiro. O prêmio de Fernando Henrique, segundo tais críticos, revelaria claramente sua superioridade em relação a Lula e, acrescentaria eu, provavelmente do PSDB sobre o PT.

É curiosa a insistência de alguns segmentos do PSDB no desprezo em relação ao PT. Lula é um animal exclusivamente político. Ele não está preocupado sobre quem tem mais títulos de universidades ou de bibliotecas renomadas. Os títulos que Lula detém são os três mandatos presidenciais consecutivos do PT. Na política, é isso que de fato importa e deveria ser considerado pelos adversários do PT – se tiverem realmente o desejo de competir de igual para igual.

Uma das marcas mais importantes da trajetória política de Lula e do PT é a ousadia. As decisões da pessoa de Lula e da instituição por ele construída e liderada são a prova mais cabal de que, na política, ser ousado traz resultados benéficos. Os críticos deste argumento afirmam que Collor também ousou, e se deu mal. É evidente que sim: Collor não tinha com ele uma instituição sólida, um partido consolidado. Afinal, nada mais distante disso do que o PRN ao qual ele pertencia. Ousadia funciona, sim, desde que combinada com uma ideologia clara e uma instituição forte.

O primeiro grande risco tomado por Lula foi fundar um partido inteiramente novo. O PT nasceu fora da tradição política intelectual da esquerda brasileira e também fora do berço do sindicalismo ligado ao setor público. O líder principal do novo partido nunca lera Karl Marx (ainda bem) e a sua base social, diferentemente do que ocorrera nos anos 1960, eram os sindicatos do setor privado. Ele foi produto da industrialização do Brasil e, não por acaso, seu berço é a região do ABC paulista.

A história é bem conhecida e cabe aqui apenas pontuar alguns episódios de tomada de risco do novo partido e de seu principal líder: disputar uma eleição para governador em 1982 sem acesso a recursos políticos relevantes; disputar uma eleição presidencial, em 1989, nessas mesmas condições, enfrentando e derrotando líderes de renome e com grande estrutura, tal como acontecera com Brizola; entrar em confronto direto com toda a elite política brasileira, atacando de forma incessante o FMI, o pagamento da dívida externa e políticas econômicas adotadas recorrentemente no Brasil. Todas essas ações de alto risco poderiam ter resultado na extinção do PT. Foi o contrário que ocorreu: o partido cresceu na adversidade e desde que foi fundado aumenta a cada eleição o número de deputados federais, senadores, deputados estaduais e prefeitos. Atualmente, o PT tem a maior bancada de deputados federais e o maior número de deputados estaduais, quando se somam todas as unidades da Federação.

Uma das maiores ousadias do PT foi quebrar a velha tradição conciliatória da elite política tradicional brasileira. Nosso sistema político, o presidencialismo de coalizão, atua como uma força centrípeta, que leva os principais atores para o centro político, para a conciliação e para a acomodação. O PT sabe, sem sombra de dúvidas, atuar dentro de nossas instituições. Foi esse saber que permitiu que Lula e Dilma tivessem maioria parlamentar. O PT foi, porém, o partido do conflito quando esteve na oposição e hoje, no governo, é o partido com maior sede de ampliar seu espaço político. Faz alianças, sim, mas está pronto para conquistar o terreno político que pertence a alguns de seus aliados. Não há nenhum mal nisso. Da mesma maneira que os empresários de sucesso são reconhecidos porque têm a ambição de fazer suas empresas crescerem e conquistarem mais mercado, os políticos e os partidos de sucesso cultivam o desejo incessante de conquistar mais e mais poder. Ninguém está proibido de se comportar assim, nem a oposição.

Lula assumiu a Presidência em 2003 e fez uma inflexão política formidável: manteve grande parte da política econômica de Fernando Henrique, aumentou o superávit primário, de 3,75% para 4,25%, controlou o gasto social e expulsou quatro parlamentares que votaram contra a reforma da previdência aprovada pelo PT, mas sempre defendida pelo PSDB. Os expulsos foram Luciana Genro, Babá, João Fontes e a então senadora Heloísa Helena. Haja ousadia. A moderação de Lula em seu primeiro mandato foi crucial para o sucesso econômico de seu governo e, consequentemente, para sua reeleição.

Lula não parou aí. Seus principais colaboradores, José Dirceu e Antonio Pallocci, foram abatidos, respectivamente, pelos escândalos do mensalão e do caseiro. Sem eles, Lula escolheu Dilma Rousseff para disputar sua sucessão. Sua ministra da Casa Civil jamais tinha concorrido em uma eleição. Para muitos analistas políticos, não houve risco maior do que este. Lula ousou e venceu.

Dilma está seguindo os mesmos passos de seu pai político: demitiu vários ministros por conta de escândalos de corrupção, está tentando adotar uma política econômica diferente de seu antecessor, fez uma inserção inédita no Dia das Mães em cadeia de rádio e TV e passou a adotar medidas concretas para reduzir os juros. Não cabe aqui discutir se a redução de juros por meio da regulação estatal é correta ou não. Alguns dirão que sim, argumentando que a oferta de crédito no Brasil é extremamente concentrada. Outros dirão que não, porque o governo estaria agindo contra as regras da economia de mercado. Não é isso que está em discussão aqui, mas sim o caráter politicamente ousado da decisão.

O PT, guiado por seu instinto de sobrevivência, adota o método da tentativa e erro – pelo visto, menos erros do que tentativas. Eis a CPI do Cachoeira. Mais uma vez, os analistas se puseram a afirmar que se tratou de um tiro no pé dado por Lula. Será mesmo? Na política, não existe o contrafactual, não existe o “se”. Ainda assim, poderíamos fazer um pequeno exercício e imaginar o que a mídia estaria falando hoje se não existisse a CPI. É óbvio que o noticiário estaria inteiramente dominado por notícias ligadas ao julgamento do mensalão. Do ponto de vista exclusivamente midiático, a CPI do Cachoeira já alcançou seu principal objetivo. O recesso parlamentar se inicia em meados de julho e, a partir daí, as eleições municipais se tornarão a principal notícia. Até lá, a eventual exposição negativa do PT e de seus políticos ao julgamento do mensalão terá sido minimizada. Por outro lado, o governo Dilma reagiu com rapidez (e ousadia) às denúncias que recaíam sobre a construtora Delta, por se tratar da principal contratada para muitas das obras do PAC.

Os adversários do PT deveriam, antes de menosprezá-lo, procurar entendê-lo melhor. Desconsiderar suas virtudes é a maneira mais fácil de continuar sofrendo derrotas eleitorais consecutivas. As forças políticas precisam ser avaliadas também em função de sua eficácia. Há razões muito claras que vêm levando o PT a ser mais eficaz do que seus adversários: a ousadia é uma delas, não a única.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de “A Cabeça do Brasileiro” e “O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo”. E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.com http://www.twitter.com/#!/albertocalmeida

A Privataria Tucana

Ao contrário do que muitos pensam, eu estou interessado no livro não para descobrir algo de novo sobre os tucanos (afinal, depois da Satiagraha, já sabemos e temos as provas do quanto esse processo foi sujo), e sim ligar os pontos sobre a luta interna dos petistas e tucanos.

Vou contar uma história (adaptada) que vi no “The West Wing“:

“Um deputado petista novato, no primeiro mandato, chega todo empolgado na Câmara e pergunta pra um sênior, veterano, com vários mandatos nas costas. E pergunta:

– E ai? Aonde estão nosso inimigos, os tucanos canalhas?

O veterano responde:

– Os tucanos não são nossos inimigos. São nossos adversários.

– Ué? Então quem são os nossos inimigos?

– (Todo) o Congresso.

É claro que essa história vale também pros tucanos.

Na política, as pessoas levam bem a sério a recomendação do Sun-Tzu pra manter seus aliados próximos, mas seus inimigos mais próximos ainda.

PS.: Como o livro já está esgotado, colocaram dois capitulos online: Cap. 8 e o Cap. 11. Dá pra ir degustando.

PPS.: Um blog é pra experimentar coisas novas, seja na forma, seja no conteúdo. Às vezes da certo, às vezes não. Vida que segue.