Eduardo Campos :: “É preciso fazer acenos à classe média”


Acho que um blog meia-bomba já tinha dito isso lá atrás (na campanha).


Agora sério, é sempre bom ver esses caras do nordeste conversando sobre política. Ciro, Eduardo Campos, Jacques Wagner, Marcelo Deda.

Pra mim o futuro da política nacional está por lá (e com o Tarso Genro reconstruindo o RS). Mais até que com Aécio, Sérgio Cabral e Beto Richa.

“É preciso fazer acenos à classe média” — Portal ClippingMP

“É preciso fazer acenos à classe média”
Autor(es): Vera Brandimarte, Paulo Totti e Maria Cristina Fernandes | De Olinda
Valor Econômico – 26/11/2010

Ele foi o governador mais bem votado do país e comanda o partido que mais cresceu nos últimos anos, ultrapassando até o PMDB em número de governos estaduais. Venceu em todos os municípios do Estado – em mais de metade deles com mais de 90% dos votos. No comando de uma aliança de 15 partidos, tem apenas quatro deputados declaradamente de oposição numa Assembleia Legislativa de 49 cadeiras.

Um dos pilares do governo Luiz Inácio Lula da Silva nas crises políticas do fim do primeiro mandato, o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), diz que a receita para se blindar a gestão Dilma de turbulências é manter o prumo da economia e acenar para os valores da classe média que se expressaram na votação da candidata derrotada do PV, Marina Silva. São valores, diz, que demandam condução republicana da máquina pública, compromisso com a liberdade de imprensa e meritocracia na gestão do Estado.

Diz que de sua gestão no Palácio do Campo das Princesas aprendeu que os aliados precisam ocupar as Pastas de cima a baixo para poderem ser cobrados no cumprimento de metas definidas não pelos partidos, mas pelo governo. Combate o que chama de preconceito contra as emendas individuais ao Orçamento e diz que seu atendimento é mais importante para a base de governo do que o das chamadas emendas de bancada.

De passagem por Brasília esta semana jantou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira e com o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) na quarta-feira. Na próxima semana seu partido encontra a presidente eleita Dilma Rousseff para acertar a participação no governo, que deve ficar em dois ministérios, provavelmente a Integração Nacional e o Turismo.

Acertou com Lula a festa de despedida que lhe fará no Recife no dia 29 de dezembro. Foi num desses encontros que, 16 anos atrás, a relação deles foi estreitada. Seu avô, a quem chama de dr. Arraes, disputava como favorito sua terceira eleição ao governo de Pernambuco, em 1994. Atropelado pelo Real, Lula chegara ao final daquela eleição sem clima para seu comício de encerramento. Foi quando Miguel Arraes o convidou para fazê-lo no pátio do Carmo, centro do Recife. Hoje, na condição de governador mais próximo do presidente, diz que Lula não quer voltar a disputar eleições porque dificilmente será possível deixar o Brasil em condições melhores do que aquela em que o país se encontra agora.

Aos 45 anos, pai de quatro filhos, Campos é casado com a economista Renata, namorada da adolescência com quem mora na mesma casa há 20 anos. A seguir, a entrevista ao Valor, concedida na sexta-feira, num restaurante em Olinda.

Valor: O PSB tinha duas Pastas e uma expressão eleitoral mais reduzida. Agora o partido cresceu e ganhou expressão nacional. Como isso vai se refletir no ministério?

Eduardo Campos: Tenho convicção de que Dilma sabe a qualidade da aliança que nós temos com seu projeto porque viu a relação do PSB com o presidente Lula nas horas boas do governo, mas sobretudo nas horas difíceis. Fizemos uma aposta estratégica no êxito do governo e fomos o partido da esquerda brasileira que mais cresceu. Nossa preocupação não é a participação quantitativa, mas qualitativa. Queremos ser ouvidos, participar das decisões, discutir projetos inovadores para a gestão pública que estamos desenvolvendo em Estados e municípios e podem ser aproveitados pelo governo.

Valor: Mas o senhor não recebe pressão do partido para negociar mais espaço no governo?

Campos: Os seis governadores do PSB sabem o quanto é importante ter bons aliados quando se vai formar equipe porque, se a gente transformar a montagem da equipe numa feira livre, não vai ter resultado. Fiquei muito feliz em ver Dilma colocar com todas as letras que vai apostar na gestão, exigir currículo, experiência e padrão de conduta de ministros, secretários executivos e diretores de empresa. A esquerda levou uma bandeira muito importante para a Constituinte, que foi o concurso público. Era uma aposta para acabar com o pistolão. Agora precisamos avançar e garantir a meritocracia também nos postos de gestão do serviço público.

Valor: E como se faz isso com o PMDB?

Campos: Quem tem que responder é Dilma, mas há quadros no PMDB que tiveram gestões consideráveis em prefeituras e governos estaduais. Agora, é preciso construir uma outra relação com os partidos. E não só com o PMDB, mas com o PT também e com todos os partidos da aliança. A regra não pode ser “leva cargo quem grita mais”. A gestão pública tem que ser blindada. Por que um partido quer um fundo de pensão?

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Quer que eu desenhe? :: Câmbio Valorizado

Esse post do Alê Porto e a visão excessivamente “cor de rosa” do Gunter (rs) a respeito do futuro da economia brasileira me obrigou a fazer essa “edição especial”. Pois tem alguma coisa errada quando começamos a ver pessoas boas começarem a ignorar que temos um problema sério nas contas externas e que essa situação não é sustentável e de dificílima resolução.

Segue abaixo alguns dados importantes. E o que me assombra ainda mais, esses dados estão desatualizados, visto que houve uma valorização ainda maior da moeda desde o último boletim.

 

“Exportações Brasileiras :: Commodities vs Não-Commodities (1990 a 2010)”

“Financiamento de Transações Correntes :: O IED vai pagar a conta? Até quando?”

“Transações Correntes :: Deja Vu?”

“Exportações por Bloco Econômico :: Vermelho em extinção (para os países ricos)?”

“Balança Comercial :: Nisso eu até concordo, estamos em patamares diferentes. Mas é o “mesmo” (similares é palavra correta) problema.”

“Parceiros Comerciais :: Desses caras quem não está em crise, ou na iminência de uma recaida?”

E ai? Temos um problema grave ou não? O gradualismo vai resolver isso? Pra sair dessa enrascada é preciso coordenação. Sorte que a Dilma tem consciência disso (eu acho). 

Tem gente que vai se irritar porque não coloquei esses gráficos antes das eleições. Sorry periferia, eu li Maquiavel.

Dilma, just do it


 

Se se confirmar a informação que o trio do core da economia – Mantega no MF, Miriam Belchior no Planejamento e Tombini no BCB –  será anunciado essa semana, acho que a Dilma começa muito bem. Com um CMN (Conselho Monetário Nacional) bem discreto e eficiente. Sem turbulências no caminho. Com uma “coordenação” na política econômica já encaminhada. Fica faltando as posições do Nelson Barbosa, do Palocci e do Luciano Coutinho. Sem contar no Pimentel. Mas esses, com todo respeito, esses serão “detalhes”.

Muitos estão entrando nesse jogo da mídia (a serviço do Deus-Mercado) que a saída do Meirelles seria uma mudança. Não muda nada, só se trocam as pessoas, remove-se uma gambiarra (status de Ministro para o presidente de um autarquia como o Banco Central). Talvez, a autorização para uma demonstração de força para o Tombini se a inflação não arrefecer e por ai vai.

Já o futuro do Meirelles depende dele, pois já flertou com a carreira política em Goiás. É hora de encarará-la. Uma quarentena numa embaixada ou não fazendo nada, e ai retornar, dessa vez mais bem assessorado politicamente. Sai por cima, como um dos principais auxiliares de um dos maiores monstros políticos da história do Brasil, Lula, que não hesitará se ele decidir encarar o embate político. Eu torço para que faça isso. E a história vai mostrar os gráficos das “curvas de juros” com uma queda significativa (apesar de não suficiente). No geral a gestão dele foi boa, apesar dos pesares.

Mas como disse, a Dilma agora só tem que decidir. Essa semana, afinal, o mercado especula. Sem boataria, sem disse-me-disse, não tem ganhador, nem perdedor. Esses caras não são “siris”, não gostam de “andar de lado”. Se não decidir logo, eles vão fazer o inferno até o Natal. Mas estou sendo repetitivo, até os mármores do Planalto sabem que  deixar o Mercado correr especular solto é uma péssima decisão.

Então, presidenta, just do it.

Henrique Meirelles faz discurso em tom de despedida – O Globo


Adeus
Henrique Meirelles faz discurso em tom de despedida
 

Publicada em 22/11/2010 às 23h16m
Lino Rodrigues

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira que a conversa que terá com a presidente eleita, Dilma Rousseff, para decidir se deixa ou cargo ou se continua, será anunciada na “hora certa”. A reunião com Dilma, marcada para esta semana, deve descartar de vez a permanência de Meirelles à frente do BC. Em discurso nesta segunda-feira à noite na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), depois receber o prêmio Responsabilidade Pública 2010, concedido pela Sinaprocim, entidade que reúne as empresas fabricantes de produtos de cimento, Meirelles fez elogios à atuação do BC e à atual situação econômica do país que “saiu da crise mais forte que entrou”. Mas, em tom de despedida, disse que está concluindo o trabalho do BC de zelar pela estabilidade macroeconômica, juntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da SIlva.

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O blocão do jogo graúdo

“alguém arrisca o que realmente estava passando na cabeça de cada um desses personagens nesse momento histórico?”

É a economia – como sempre -, estúpido! Enquanto os colunistas da velha mídia se digladiam com o blocão-dos-que-foram-sem-nunca-terem-ido, o bloco-da-gente-graúda pôs a bola no chão e começou a jogar. E olhem que a Dilma sequer tomou posse. Não adianta espernear, é do jogo, é assim que o jogo é jogado. Mas nada é por acaso, essas coisas se decidem agora, porque que quando o trem passa, já passou (ein?).

Pra quem não entendeu eu estou falando das definições sobre o Ministro da Fazenda e do (Ministro) Presidente do BCB. No primeiro caso a Presidenta nem deu tempo pros adversários se tocarem na bola. Foi um gol relâmpago. Que Palocci que nada. Anotem ai, essa fórmula agora vai virar regra: sempre um Ministro da Fazenda que não goste de holofotes, que não tenha pretensões políticas, que seja silencioso e eficaz (ou seria efetivo?). Estilo matador de aluguel, esse é Guido Mantega. Talvez por isso seja tão odiado. O cara que lentamente dobrou a Fazenda para um desenvolvimentismo de resultados. Mudou todos os cargos e posições, sem cometer erros (ups, esqueceram de mim). Mas não importa, quem nunca errou numa indicação para a Receita Federal do Brasil que atire o primeiro dossiê. E mais, se é pra cometer maldades, temos no governo um keynesiano um pouco ortodoxo que tem plena consciência do que deve ser feito e, – bônus time – com “muito menos ruído”.

Resolvida a questão da Fazenda, sobrou a carne de pescoço, o foco é o BCB (Banco Central do Brasil, por favor, chamem a criança pelo nome de registro). Sinceramente não sei se o Lula realmente disse para a Dilma manter o Meirelles. Não confio na mídia, mas tudo indica que o vazamento é verdadeiro. Se ele disse isso, foi um erro terrível, do tipo que só o Lula comete. Ele criou o espaço para a situação que temos no momento, recapitulemos: 1) Lula diz para Dilma manter Meirelles e Mantega, mesmo que só no começo; 2) Mantega aceita de pronto, mas o Meirelles, diz que só aceita com “autonomia” e sem “prazo pra sair”. Resultado: sinuca de bico.

Mas é ai que as coisas mudam de figura. Oras, a Dilma já disse que, em última instância, não serão pessoas que comandarão (a política econômica), será ela a responsável. Quando ela disse isso ela tinha plena consciência que estava assumindo integralmente a responsabilidade seja do bônus, seja do ônus. Mas não é assim que as coisas funcionam no presidencialismo? Não! O Lula por exemplo, sempre manteve o BCB como um ente que “orbita” o político. As maldades e os juros altos eram culpa do Meirelles. A consolidação da estabilização? Responsabilidade do Lula. A Dilma, aparentemente, não quer jogar esse jogo. Até porque tem uma visão de longo prazo que o Lula não tem. Sabe que precisa estabelecer uma coordenação entre o BCB e a Fazenda. E não amanhã, precisa disso agora.

Assim, o cenário ficou complicado. Mas se não dá conta, não desce pro play. É o jogo graúdo que estava falando. Agora o todo-poderoso – mercado – quer saber o que ela vai fazer. Eu acredito que ela sabe que não pode ceder agora, porque seria o começo do fim. Quando se dá a mão pra esse ser invisível, ele quer o resto, do pé à cabeça. Ela sabe que precisa impor um técnico discreto e trazer a responsabilidade final da condução econômica pra si. Coragem ela tem. Mas é preciso ter habilidade política também.

Eu por exemplo sou um dos que deixaria o Meirelles lá por um tempo – mas teria decidido isso antes dessa arapuca ser montada – #safety1st tenho dito. Mas eu sou um covarde, né? Então não conto. E o Lula governou por 8 anos com esse jogo no zero-a-zero, e se deu bem. As vezes não fazer nada é a melhor estratégia.

Enfim, acho que qualquer que seja a decisão, vai empatar o jogo. Mas nunca se esqueçam dos detalhes – o diabo está neles – essa decisão mostrará, na minha visão, uma das grandes diferenças entre a Dilma e o Lula: pra mim ela não entrou nesse jogo pra ficar no zero-a-zero. Ela entrou pra ganhar, e jogando no ataque. Sempre.

Façam suas apostas!

Cobranças de quem não bebeu nessa festa

“Tem gente que continua bebendo, mesmo depois da festa já ter acabado.”

Sintam a vibe. Não sei vocês, mas eu não gosto do clima que vejo por ai. Uns ainda acham que estão em campanha (e não estou falando da parte boa, estou falando só da parte ruim). Outros acham que por uma determinação “divina” “a rentabilidade do passado é garantia de lucros no futuro” (não estou falando de economia, nem de finanças, estou falando de política). E o pior, esse cenário é do lado de quem venceu as eleições!

Sinceramente, vejo mais sobriedade no que restou da oposição do que no governo. Estilo queimada no cerrado: depois da terra arrasada, na primeira chuva começa a brotar um verde aqui e ali (Aécio, tô enchendo sua bola, vamos ver ein?). Pra não ser injusto, a única pessoa que parece estar com os pés no chão é a presidenta (daqui pra frente, presidenta sim, pra reforçar a questão do gênero). As entrevistas dela foram arrasadoras. Eu preciso dizer que eu avisei antes? Que eu disse que ela iria surpreender muita gente? Pois é, e é só o começo.

O maior exemplo: eu espero que estejam trabalhando arduamente no subterrâneos do Ministério da Fazenda pra se preparar para o pior, mas conhecendo a máquina pública e a sua incapacidade de manter segredo para a imprensa (tecnocratas que gostam de holofotes é meio um paradoxo, mas tem coisas que só o Brasil faz para você, chama-se “JabuticabaFX”) não vejo nada vazando sobre um plano, uma antecipação de um grande ajuste fiscal, um armistício entre a Fazenda e o Banco Central em torno de uma maior coordenação da política monetária, só para ficar em alguns exemplos.

Além disso, acabou a eleição. Agora é hora de cobrar o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil (não sei por que escrevi isso, mas deu vontade) o uso dessa gordura acumulada (e que gordura) para tomar as tradicionais medidas impopulares de fim de mandato. Conhecendo o Lula como conheço, eu aposto que ele vai hesitar em muitas delas. Mas eu não tenho compromisso com ninguém, nem mesmo com ele, segue abaixo minha pequena lista de coisas que deveriam ser feitas (mas aposto que não serão):

  • Defesa – Finalizar a compra dos caças Rafale da França. Decidir o que será feito com o, reticente Exército. Se a Aeronáutica e, principalmente, a Marinha avançou no programa de modernização, o Exército, não sei por quais motivos (até suspeito, mas não vou especular) simplesmente não avança. Resolver definitivamente os problemas no VLS, e no convênio com a Ucrânia (até onde li, ainda tem vários problemas).
  • Políticas Sociais – Eu ouvi algo que parecia um murmurio sobre a institucionalização das Políticas Sociais. Talvez com uma Lei Geral, ou coisa parecida. Foi só um murmurio, por que nem nas campanhas esse assunto foi mencionado. É preciso institucionalizar, pois o projeto é de longo prazo. Melhor as necessidade são de longo prazo.
  • Reforma do Estado – Ok, sou pragmático também. Não considero inteligente trazer para o debate eleitoral o tema indigesto da necessária e urgente, reforma do Estado. É como a reforma Previdenciária, só serve para tirar votos, nunca para ganhar. Mas sinceramente, qualquer brasileiro sabe que precisamos reformar o Estado, dar agilidade, criar um plano de qualificação e captação (concursos) de longo prazo, flexibilizar a maneira como o Estado compra, criar planos de cargos e salários para todas carreiras de estado, desburocratizar e dar poder aos gestores, criar marcos rígidos de responsabilização dos agentes públicos, etc.
  • Reforma da Previdência – É mais ou menos o que disse acima. A melhoria na gestão (que os tucanos afirmavam, com a certeza divina que lhes é peculiar, teria efeito nulo no defícit) deu um folego surpreendente. No momento é superavitária (excetuando os gastos com a LOAS e aposentadoria rural). Palmas para essa galera. Mas é preciso pensar nesses gastos no futuro e aproveitar a janela demográfica é preciso. Sou bom para convencer as pessoas sobre isso: olhem para a França.
  • Transparência – Avanços foram feitos. O Governo Federal falhou vergonhosamente na comunicação (propaganda) disso para a sociedade. É preciso impor isso aos Estados e Municipios. É preciso impor aos demais poderes (Legislativo e Judiciario). A forcéps se necessário for. Não é preciso repetir que é mandatório abrir os arquivos “secretos”, liberar os arquivos militares da época da ditadura. Faça o certo, o bem vence o mal. Ponto. Está passando da hora do Brasil ter uma FOIA (legislação americana que obriga o Estado a fornecer dados ao cidadão quando é requisitado).
  • Ajuste Fiscal – Não é uma questão de opção. Um ajuste fiscal é necessário. Lula é quem deve fazê-lo. Deve ser feito ANTES de uma crise internacional. Antecipar é preciso. Não faça um ajuste à la Malan (linear), faça um ajuste escalonado, sem afetar programas e ações crititcas ou que estajam prestes a serem finalizadas. Não cortem investimentos e programas sociais. O resto, facão. O cenário externo não parece nada animador, mas pode ser só os meus olhos, quem sabe.
  • Regulação da Mídia – Não é criar conselhos sociais (mais uma idéia estúpida que o PT não consegue abandonar). É criar um marco regulatório que permita novos entrantes. Que permita o direito de resposta. Que permita investimentos e o nascimento de uma (nova) industria de comunicação forte (não existe País soberano sem uma perna de comunicação forte). Fortalecer e estabelecer limites e principios à necessária parte governamental de comunicação. Limitar os gastos em comunicação e publicidade para todos os entes federativos e poderes. Não pode ser discricionário. Aprender com os erros dos outros é a maior virtude de pessoas inteligentes.
  • Supremo – A última indicação para o STF do Lula (para mim, é a mais importante função de um Presidente) deveria ser um progressista. Chega de indicar conservadores (Lula é um conservador nesses assuntos, não duvidem disso). Precisamos de um progressista simplesmente por que o Legislativo (em todos os níveis) está inerte e por vezes paralisado (mas ainda aprova duas ECs (Emendas Constitucionais) por ano, só não aprova as ECs que precisamos). O STF é o único que pode colocar pressão no Legislativo. A sociedade deveria fazer uma enxurrada de ADINs por Omissão e comprar um ingresso para assistir a briga de foice no escuro que vai virar Legislativo vs Judiciário. Sangrento? Claro, mas não é só assim que esses caras se movem?
  • Reformas Microeconômicas – Podem chamar o Palocci de Malocci para os seus incautos leitores, mas foi só na mão dele que reformas microeconômicas se moveram. Construção Civil bombando? Ninguém mais se lembra das mudança no patrimônio de afetação, etc. Aonde foi para o Marcos Lisboa mesmo? É preciso avançar no que é possível sem a intervenção do Legislativo. Usar o poder das MPs para se sobrepor a inanição do Legislativo (até por que todo mundo aí está ciente que isso vai acabar né? Não? Putz, é pior do que eu pensava.). Estabelecer limites claros e impor transparência ao BNDES (estilo FriBoi), parar de usar o BB para fazer os ruralistas ajoelharem no milho (cadê o seguro agrícola?), etc. Existe um universo de possibilidades que eles sequer tentaram. Não dá pra prever as respostas da economia brasileira a pequenos estímulos, o que sabemos é que na maioria das vezes mudança pequenas causam impactos inacreditáveis e que essa é a maior virtude dessa nação. “Efeito Borboleta”, “Construa que eles virão”, é o que sempre digo.
  • Inovação, Inovação. Só mais uma vez, digam comigo: Inovação! – A solução do câmbio, das contas externas e de muitos outros problemas macro, pelo menos no longo-prazo, está na inovação. É inacreditável que esses estúpidos não entenderam isso até hoje. Acham que inovação é um acessório. Não é! É o “core” das políticas públicas. O MCT avançou muito na mão do PSB. Ótimo, mas se com poucos recursos os caras avançaram tanto, por que não despejam mais recursos? Deem a grana para quem faz bom uso dela. Essa é a regra de ouro. Eu sempre quis o Ciro (o único que fala de inovação desde o princípio) no Ministério da Inovação (que só existe na minha cabeça). Dizem que ele vai para o BNDES. Humm…, no começo achei uma ideia ruim, mas se ele criar condicionantes tecnológicas aos empréstimos…pode ser uma boa.

Enfim existe um universo de possibilidades, uma lista infinita de “toDo” no meu Google Tarefas, uma parede cheia de “post-it”, então pau na máquina. Parem de comemorar o passado, convençam o T-Rex a usar a gordura dessa pança pra mandar a parte difícil já para o Congresso. Começar a fazer as maldades, assim os 100 primeiros dias de governo virarão 160 sem a (patética) mídia saber.

Hit the ground running (via Hermê…). Enfim, olhem pro Obama, aprovou tudo que tinha na listinha dele, reforma da saúde, reforma do sistema financeiro, está saindo fora do Iraque, e apesar de ainda estar atolado no Afeganistão e a timidez do pacote para recuperar a economia ter sido um erro fatal, o cara tá apanhando como criança birrenta dos conservadores. É a economia, estúpido (reloaded)?  Os caras não perdoam. Existe deja-vu pro futuro? Dilma, 2014.

Governar como se todo dia de manhã tivesse ocorrido uma hecatombe econômica-financeira. Só assim a máquina anda. Dilma sabe bem disso, mas e o resto?

Temer avança



“Temer avança sobre o PMDB paulista”

Temer começa a mostra a habilidade política que lhe é peculiar. Percebeu a oportunidade criada pelo vácuo da saída do Quércia e avança sobre o PMDB paulista. Pode não conseguir nem meio voto para a Dilma em SP (o que duvido muito), mas só essa articulação para tirar o Kassab do DEM e trazer grande parte da bancada do PMDB de SP já é uma grande vitória.

Eu já disse aqui, que essa história de “Temer o Temer” lembra muito o terrorismo “Lula comedor de criancinhas”. A política é mais dinâmica que esses velhos chavões. Políticos habilidosos sabem que tem que dançar de acordo com a música. Não ouso afirmar que não vai  existir distensões nessa aliança, mas no presidencialismo brasileiro, chega um momento (normalmente 1 ano e meio antes das próximas eleições) que a aliança começa a mostrar sinais de fadiga e estresse.

A ruptura, nesses casos, é inevitável. Mas o Governo Dilma, pode começar governando numa situação no Congresso impar. Resta só usar essa maioria bem, fazendo não só as reformas consensuais, mas inovando e atacando com micro-reformas econômicas. Na Casa-Civil a Dilma viu o quanto se pode fazer sem precisar de uma EC. E nessa articulação, o Temer pode ter papel fundamental.

Nesse sentido, alguém ai ainda quer comparar o Temer com o Índio?

Temer se movimenta de olho no PMDB de Quércia – Eleições – iG

Temer se movimenta de olho no PMDB de Quércia
Com ex-governador paulista afastado para tratar câncer, vice de Dilma diz ver chance de atrair ‘PMDB inteiro’

Nara Alves, iG São Paulo | 24/09/2010 07:30

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