Quando Setembro Chegar

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Muitos ficaram preocupados com a fúria dos jovens e adolescentes. Black bloc, anarquistas, etc. Eu nunca me preocupei muito. Primeiro, por causa da minha “origem” punk até o osso. Segundo, por que, como o Draper falou, os adolescentes SEMPRE serão revoltados. Com todos e em todos lugares, não sobra ninguém. Se começa pelos Pais, imaginem com os partidos e com a política. Melhor aceitar e tomar uma. Bola pra frente.

Desde os eventos que incendiaram as ruas em Junho de 2013, muita coisa mudou, muitas não. A percepção é que o Governo acordou e tem tentado – ainda que lentamente – tomar atitudes antes postergadas. Existem mudanças em áreas do governo que não se movem, ainda a serem feitas. Mas presidente algum faz isso com a faca no pescoço. Capitular, jamais.

Contrapor Saúde e Educação vs Copa e Olimpíadas é uma puta de uma hipocrisia e ignorância. Mas não é assim que a coisa funciona, não é mesmo? Mas o governo federal falhou naquilo em que se propôs: mobilidade urbana. Dar dinheiro para Estados e Municípios tocarem as obras nunca dá certo, não é mesmo Aeroporto de Goiânia?

A cobertura da mídia foi a tradicional. Mas também foram pegos de surpresa. Às vezes relutante (pois tem muito a lucrar nos eventos, principalmente a monopolista) tentou, constrangedoramente disfarçada, manipular, inserir a “tradução do sentimento das ruas” em legendas e em horário nobre. Se funcionou ou não, não sabemos. Tudo está tão turvo ainda que as ondas no lago ainda podem retornar de volta aos pés. E como dizem, do lado do Marinho não fica gente burra, eles já perceberam isso.

Parte importante dos eventos foi que o Congresso acordou do torpor em que vivia mergulhado. Absorto entre benesses e privilégios, mudou pontos importantes. Mas já mostra que, como um burro carregado, só irá se mover na base do chicote. Afinal, já comeram todas as cenouras. Então só sobrou o porrete. Mas bater no Congresso é o esporte nacional preferido. E pior, o Executivo, e agora o Judiciário, se uniram irresponsavelmente nessa “onda”. Fica a dica: a Ditadura – do ponto de vista histórico – foi bem ali, ok?

O mais importante do saldo: a oposição continua perdida. A maior prova são as absurdas declarações que a estratégia para 2014 depende “da situação da Presidenta APÓS o 7 de Setembro”. Ou seja, já está carimbada como torcedores do quanto pior melhor. Propostas para os problemas e demandas (sejam elas quais forem) ninguém ouviu falar até agora.

A verdade é que até o momento não há alternativa ao que está ai. E como a tradicional sabedoria popular dificilmente troca o meia bomba pelo incerto, somado ao caráter plebiscitário das reeleições em todo o mundo, Dilma até agora, continua forte candidata à reeleição e o PT rumo a alcançar incríveis 16 anos de domínio do Executivo Federal.

Hegemonia, seu nome é a união PT+PMDB. Agradeçam ao José Dirceu (isso mesmo), e depois ao Lula. Até agora nem sinal da ladainha repetida ad nauseam de traição. Se ocorrer uma ruptura agora, será fruto da fadiga de material que naturalmente ocorre em qualquer aliança.

Ressalva importante: ninguém aqui está torcendo ou contando vitória antes da hora (sabem que detesto isso, aliás parte do que se viu nas ruas foi fruto do tradicional salto alto petista) só estou tentando mostrar como a falta de alternativa programática e a força de uma aliança bem amalgamada, com a pitada de um marketing político bem feito, facilita bastante.

E, ignorem a mídia, o governo fez muito. Terá o que mostrar. Mas não o bastante, não perceberam que a Agenda mudou. Mas apesar dos inúmeros erros nesse 1º mandato (e todo 1º mandato é difícil), a reeleição continua mais provável.

Talvez todo esse cenário poderia ser diferente, se bots e puppets nas redes sociais, tivessem sido ligados em junho de 2014. Talvez não houvesse espaço para recuperação. E principalmente, se a “alternativa” tivesse feito o “dever de casa” e nesse momento tivesse em mãos, um partido, um projeto.

Felizmente (ou infelizmente para alguns) não é o caso. A única coisa que ofereceram à infante democracia brasileira foi o eco irresponsável da “demonização da política”. Isso ficou bem claro, e está registrado.

Em 2014, “aniversário” de 50 anos da Ditadura, será um bom momento para se relembrar.

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Entrevista com João Santana

À Esquerda o Futuro. À Direita o Passado. No meio quem navega a Transição.

Ignorem o título abaixo, é só a Folha, perdida na ditadura dos “headlines“. O João Santana dá uma aula sobre campanhas políticas. Atualmente, acho que ele é um dos grandes na área de comunicação e estratégia eleitoral no mundo, e não só do Brasil. Ele conseguiu uma obra soberba com Lula e Dilma, e agora, com o Haddad. Pra não falar nas vitórias internacionais.

Eu estou consolidando um post que tem o seguinte título: “Um Plano para Oposição“. Na minha visão, a democracia brasileira tem dois grandes problemas no momento:

  • um legislativo inerte, inebriado, tendo suas funções constitucionais sendo gradativamente usurpadas pelo Judiciário e pelo Executivo;
  • uma oposição perdida e sem rumo, seduzida por uma mídia corrupta e decadente, que vez ou outra flerta com o golpismo;

Pode parecer estranho eu não incluir a mídia como um dos tópicos, mas no final a mídia só tem esse poder por causa da fragilidade da oposição. O próprio eleitor já começa a dar sinais de estar vacinado. Mas melhor não descuidar.

Assim, mais importante que vencer, é torcer pra que surjam alternativas à aliança PT-PMDB (aquela que iria ruir logo que a Dilma assumisse o poder), pois do ritmo que vai indo, vão chegar fácil aos 20 ou 30 anos de duração. A hegemonia política que falei lá atrás.

Digo isso, não que exista a possibilidade de mudar o lado do espectro político (liberal de centro esquerda) que escolhi militar (lutar, combater). Digo isso, porque aprendi que tão importante quanto saber o que querer conquistar, é saber contra quem iremos lutar. Seus adversários – e não inimigos – te completam. E isso é meio óbvio. O ideal  pra mim seria termos 4 ou 5 grandes partidos de todos espectros políticos. Assim o PSDB não poderia desaparecer. Como o DEM/PFL, inevitavelmente, vai.

Pra mim, o PSDB deveria começar, procurando o seu João Santana. Encontrando, já seria um magnífico começo.

26/11/2012 – 06h10

‘Lula é o melhor para governo paulista em 2014’, diz marqueteiro João Santana

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FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Mais político e engajado do que nunca esteve, o marqueteiro preferido pelo PT desde 2006, João Santana, declara que o melhor nome do partido para disputar o governo de São Paulo é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice?”, disse Santana, em tom irônico, numa longa entrevista à Folha.

Para o marqueteiro, a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014 já no primeiro turno — se ocorrer, será algo inédito para um petista em disputas pelo Planalto.

Sobre o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, faz uma previsão: “Tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026”. Antes disso, talvez seja a vez de Eduardo Campos, do PSB.

Na conversa, o marqueteiro de 59 anos relatou como foi a calibragem da estratégia que deu ao PT a Prefeitura de São Paulo neste ano. Não podia atacar os outros candidatos no início da campanha, pois Haddad “não tinha musculatura para bater nem para herdar eleitores” de adversários.

Em anos passados, Santana falava com um certo distanciamento do petismo. Hoje, assume-se mais como um profissional engajado com a causa partidária. “Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB”, diz. Fica à vontade para criticar as outras legendas.

“Há um processo de desgaste e de deterioração política do PSDB. Viraram uma versão anacrônica da UDN: denuncistas e falsos moralistas. Pode acontecer ao PSDB o que aconteceu ao DEM. O DEM está sendo engolido pelo PSD, de [Gilberto] Kassab. Se não se renovar, o PSDB pode ser engolido pelo PSB, de Eduardo Campos.”

Responsável pelo marketing na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (em 2006) e na eleição de Dilma (2010), Santana trata a oposição com um certo desdém: “Se a eleição fosse hoje, novembro de 2012, Dilma ganharia no primeiro turno. Se fossem candidatos de oposição Aécio Neves e Eduardo Campos não teriam, somados, 10% dos votos”.

É cético até com o movimento que na internet fala em lançar o atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, para o Planalto. “É uma pessoa inteligente e saberá tomar a decisão certa. Caso se candidatasse [a presidente] poderia ter um final de carreira melancólico. Não se elegeria, faria uma campanha ruim e teria uma votação pouco expressiva”.

A propósito do STF e do julgamento do mensalão, diz se sentir “no dever” de fazer uma observação aos ministros da mais alta Corte de Justiça do Brasil: “O julgamento do mensalão levou ao paroxismo a teatralização de um dos Poderes da República. O excesso midiático intoxica. É um veneno. Se os ministros não se precaverem, eles podem ser vítimas desse excesso midiático no futuro. E com prejuízos à instituição. O ego humano é um monstro perigoso, incontrolável. O mensalão é o maior reality show da história jurídica não do Brasil, mas talvez do planeta”.

A seguir, trechos da entrevista concedida por Santana em 19 de novembro, no apartamento onde vive em Salvador:

Folha – Quais campanhas fez em 2012?

João Santana – Eu e a minha equipe tivemos a sorte de fazer em 2012 algo inédito no marketing político internacional: coordenar, num mesmo ano, três campanhas presidenciais vitoriosas. Conseguimos ajudar a virar uma eleição dificílima na República Dominicana, onde Danilo Medina ganhou depois de ter estado 30 pontos atrás de seu oponente. Participamos da vitória de Chávez, que enfrentou alguns problemas conjunturais, além de uma pressão internacional desmesurada E ajudamos na vitória do presidente José Eduardo dos Santos, em Angola, que teve 75% dos votos. Mas de tudo o que me deu mais alegria foi a vitória de Fernando Haddad na eleição para prefeito de São Paulo. Tanto pelo desafio que significou, como pelo que a vitória de um líder jovem, da qualidade de Haddad, vai significar para S. Paulo e para o Brasil. Mas como nem tudo é alegria, perdemos a eleição de Patrus Ananias para prefeito de Belo Horizonte. Ou seja, fizemos cinco campanhas e ganhamos quatro neste ano.

Essas campanhas todas têm candidatos de um campo político muito definido. O sr. teria dificuldade para fazer uma campanha para, digamos, um candidato do PSDB a presidente do Brasil?

Do ponto de vista técnico, não. Mas do ponto de vista político-emocional, sim. No Brasil está acontecendo, aos poucos, algo que no mercado internacional já era: uma espécie de especialização por partidos. Os partidos têm os seus próprios consultores políticos e marqueteiros. Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB.

Mas e no plano internacional?

Por ter trabalhado majoritariamente para o PT, e a partir das conexões que se estabelecem entre campos políticos afins, eu comecei a ser convidado para fazer campanhas para partidos políticos de esquerda na América Latina e na África. Meu nome acabou ficando muito associado, sobretudo na imprensa internacional, a esse tipo de consultoria.

De quantas campanhas presidenciais o sr. já participou? É correta a informação de que também participou da eleição de Ollanta Humala, no Peru?

É uma informação equivocada. Fui convidado por Humala, fui ao Peru na pré-campanha, fiz um estudo preliminar, mas não pude nem quis fazer a campanha dele. Ela foi feita por Valdemir Garreta e Luis Favre. Eu e minha equipe já vencemos seis eleições presidenciais : a reeleição de Lula, a eleição de Dilma, Maurício Funes, em El Salvador, Danilo Medina, na República Dominicana, José Eduardo dos Santos, em Angola, Hugo Chávez, na Venezuela. Há cerca de 15 anos, naquela época ainda trabalhando com Duda Mendonça, perdemos a campanha presidencial de Eduardo Duhalde, na Argentina.

Em 2008, o sr. perdeu na disputa para a Prefeitura de São Paulo com Marta Suplicy. Agora, com Fernando Haddad, ganhou. Quais são as semelhanças e as diferenças entre as duas campanhas?

Em 2008, Marta era oposição e havia um sentimento de continuidade. Este ano, ao contrário, havia um sentimento de mudança e renovação. Outra coisa: Marta sempre foi a melhor candidata do PT para um primeiro turno. E a pior para um segundo turno. Já Fernando Haddad era o pior candidato que o PT tinha para um primeiro turno e o melhor para um segundo turno.

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A Privataria Tucana

Ao contrário do que muitos pensam, eu estou interessado no livro não para descobrir algo de novo sobre os tucanos (afinal, depois da Satiagraha, já sabemos e temos as provas do quanto esse processo foi sujo), e sim ligar os pontos sobre a luta interna dos petistas e tucanos.

Vou contar uma história (adaptada) que vi no “The West Wing“:

“Um deputado petista novato, no primeiro mandato, chega todo empolgado na Câmara e pergunta pra um sênior, veterano, com vários mandatos nas costas. E pergunta:

– E ai? Aonde estão nosso inimigos, os tucanos canalhas?

O veterano responde:

– Os tucanos não são nossos inimigos. São nossos adversários.

– Ué? Então quem são os nossos inimigos?

– (Todo) o Congresso.

É claro que essa história vale também pros tucanos.

Na política, as pessoas levam bem a sério a recomendação do Sun-Tzu pra manter seus aliados próximos, mas seus inimigos mais próximos ainda.

PS.: Como o livro já está esgotado, colocaram dois capitulos online: Cap. 8 e o Cap. 11. Dá pra ir degustando.

PPS.: Um blog é pra experimentar coisas novas, seja na forma, seja no conteúdo. Às vezes da certo, às vezes não. Vida que segue.

José Alvaro Moisés :: “Qual oposição?”


“Equilíbrio necessário”

Se depois desse artigo a oposição não souber o que tem que fazer daqui em diante, alguém vai ter que desenhar pra eles verem se entendem. E lembrem-se, não existe democracia sem uma oposição consistente e atuante (dentro dos limites institucionais).

Por essa razão, acima de tudo, torço para que eles entendam.


Qual oposição? – suplementos – Estadao.com.br

Qual oposição?

Densidade eleitoral, ela tem. Falta sinalizar claramente para o País as alternativas que representa
06 de novembro de 2010 | 16h 00

José Álvaro Moisés

Para Moisés, dirigentes poderiam defender outras propostas

Os resultados da competição eleitoral provocaram, como seria de esperar, euforia e júbilo do lado dos vencedores, e perplexidade e mal-estar do lado dos derrotados, mas enquanto no primeiro caso a presidente eleita se esforça para emitir sinais sutis de que pode introduzir mudanças na orientação do novo governo, no caso da oposição são ainda tênues e insuficientes as indicações de que o recado das urnas foi assimilado. Satisfeitos, de alguma maneira, com o fato de que o PSDB e o DEM conquistaram dez governos estaduais, representando mais da metade do eleitorado do país, as primeiras manifestações dos dirigentes desses partidos não mostraram se e como eles avaliam as causas de suas derrotas em 2002, 2006 e 2010 na disputa pelo comando do Estado. A necessidade de se reinventar para estabelecer novas bases de diálogo com os eleitores está demorando para sensibilizar os dirigentes da oposição.

A questão não é simples e envolve uma preocupação relevante: a democracia não pode funcionar adequadamente sem uma oposição robusta, vigorosa e competente. Como observaram Robert Dahl e Giovanni Sartori, entre outros, a democracia é o regime da participação popular e da contestação política, mas além de supor eleições livres e competitivas, ela depende também da existência de uma oposição suficientemente autônoma e forte para ser capaz de limitar o poder e controlar o desempenho da maioria. A oposição não pode impedir a maioria de existir e agir, mas ela tem de ter acesso a meios institucionais adequados para avaliar a legitimidade da atuação do governo e ser capaz de defender os direitos das minorias. Mais do que isso, a oposição tem de ser capaz de sinalizar para a sociedade a qualidade das alternativas que ela defende, de modo que os cidadãos, em sua condição de eleitores, possam avaliar e julgar os governos a que estão submetidos; isso, no entanto, não pode ser apresentado apenas durante as campanhas eleitorais, tem de ser parte do cotidiano da política.

Importante em qualquer democracia, isso é mais ainda em uma sociedade marcada por tantas diversidades sociais, culturais e políticas como o Brasil, em que o vencedor das eleições presidenciais se elege com pouco mais da metade dos votos válidos, mas tem de governar também para a outra metade da nação que opta tanto por alternativas políticas diferentes, como pela não-escolha (abstenções somadas aos votos brancos e nulos no 2° turno deste ano foram mais de 28%, representando mais de 36 milhões de eleitores). Assim, se envolve cooperação entre forças políticas distintas, a democracia também depende de que posições conflitantes sejam toleradas, possam se expressar e estejam representadas no sistema político. Essa exigência depende de que a lei e as instituições a assegurem, mas a garantia de seu funcionamento depende muito da existência de uma oposição ativa.

Nas democracias consolidadas, o sucesso da oposição está associado a fatores como a sua coesão interna, a preservação de sua identidade e a capacidade de sinalizar que se constitui em alternativa, ao mesmo tempo, viável e melhor do que a oferecida pela coalizão governante. Nos últimos oito anos, no entanto, a oposição ao governo Lula e ao PT, centrada no PSDB, no DEM e no PPS, não conseguiu atender direito a esses requisitos: a disputa interna por posições de poder, a dificuldade de assumir um perfil político diferente da coalizão governante e a ausência de projetos capazes de sinalizar as mudanças econômicas, políticas e sociais necessárias ao estágio atual do País não ajudou a oposição a conquistar o coração e as mentes da maioria dos eleitores brasileiros. Exemplos disso foram as três últimas campanhas presidenciais: como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB virou as costas para a sua história, deixou de lado as conquistas alcançadas em seus dois governos e foi incapaz de explicar por que a estabilidade econômica, o controle da inflação e as privatizações eram parte de um mesmo projeto de desenvolvimento e bem-estar da sociedade. Menos transparente ainda foi a posição quanto a programas como o Bolsa-Família: primeiro, pareceu que a oposição recomendava abandonar o programa por seu caráter assistencialista, sem apontar o caminho para se enfrentar a dependência política que ele de fato cria; depois, na campanha, o programa foi objeto de promessas de expansão, agora sem indicar como romper com o assistencialismo e torná-lo parte de um projeto social e econômico mais abrangente.

Muitas das dificuldades para se constituir em alternativa política competitiva se devem ao fato de os partidos de oposição não terem se enraizado na sociedade, sendo incapazes de captar os sentimentos e os anseios de seus diferentes segmentos. Diferentemente do PT, o PSDB, o DEM e o PPS não conseguiram mobilizar e recrutar a classe média, os estudantes, os intelectuais e os artistas, os empresários – para citar apenas setores usualmente mais interessados na participação política; mais espantoso ainda é o caso do PSDB, partido auto-definido como social-democrata, mas que nunca se esforçou para formar uma base sindical sólida que lhe permitisse disputar com as demais forças a condução do movimento; nem mesmo quando os sindicatos brasileiros foram recooptados pelo Estado, no governo Lula, as vozes da oposição foram fortes o suficiente para mostrar à sociedade civil as implicações antidemocráticas dessa tendência neo-corporativista.

Preferindo agir quase que exclusivamente no âmbito do Congresso Nacional (na produção de leis, normas jurídicas e políticas públicas), a oposição tampouco se esforçou em trazer para o debate público o fato de que, diante das enormes prerrogativas reservadas ao Executivo pela Constituição de 1988, ela tem as suas mãos atadas. Não são apenas as MPs que travam a ação do Congresso, mas também as prerrogativas presidenciais únicas de iniciar leis, pedir urgência urgentíssima para suas matérias e elaborar o orçamento da união; por isso, o Executivo tornou-se o grande legislador da democracia brasileira, limitando muito o exercício das funções de fiscalização e controle do parlamento. A atuação da oposição, em anos recentes, foi insuficiente para enfrentar esse nó institucional, tendo faltado suas iniciativas para debater a questão com a sociedade – o que, em parte, deixou o Congresso Nacional isolado e objeto de enorme desconfiança pública.

Um grande desafio ronda, portanto, a oposição nos próximos anos: a sua capacidade de se reinventar. PSDB, DEM, PPS, e agora também o PV, terão de encontrar os seus pontos de convergência e cooperação, mas como ocorreu outras vezes na história terão de ir ao povo se não quiserem desaparecer. A questão não pode, no entanto, ser simplificada por uma razão conhecida: em muitos aspectos, a coalizão liderada pelo presidente Lula se apropriou em políticas que tinham sido introduzidas pelo governo FHC, deixando a oposição em uma situação difícil, como se não tivesse bandeiras próprias. A oposição não soube explicar isso ao País e um dos seus desafios, agora, será reconhecer que parte das bandeiras social-democratas está sendo realizada pelo PT e descobrir, nessa situação complexa, o seu papel diferencial: que políticas econômicas e sociais de longo prazo podem ser apresentadas pela oposição? Quais as suas vantagens e viabilidades? E como traduzir isso para uma maioria de eleitores aparentemente satisfeita com as políticas desenvolvidas pelas coalizões dirigidas por Lula e o PT?

Essas questões serão, por certo, objeto de novas propostas de gestão de parte da oposição, uma vez que apontem para o projeto de sociedade que se deseja construir, mas talvez o modo mais eficaz dela se reapresentar à sociedade seja avançar também em um terreno em que o PT e o presidente Lula têm deixado a desejar: na defesa e no aprofundamento da democracia representativa. Não há dúvida de que temos democracia no Brasil, mas em várias áreas a qualidade do regime é de baixa intensidade: o império da lei ainda não está plenamente estabelecido, alguns direitos de cidadania valem mais para alguns segmentos do que para outros e os mecanismos de avaliação e controle do desempenho dos governos (accountability horizontal e vertical) ainda funcionam precariamente. Além disso, há áreas de claro déficit de representação: o sistema de eleição proporcional não assegura uma relação adequada entre representantes e representados, e os mecanismos de financiamento de campanhas eleitorais, além de torná-las excessivamente caras, são fonte de corrupção e de desconfiança dos cidadãos. A oposição pode mostrar como essas distorções contrariam os princípios de liberdade e igualdade; e empunhar, entre outras propostas, a bandeira do voto distrital e da recuperação da autonomia do Legislativo, propugnando, sem medo de acusações de udenismo, pela introdução de mecanismos mais rigorosos de combate à corrupção. Sua identidade se definiria, assim, pelas propostas de aprofundamento da democracia e pelas implicações disso para a expansão dos direitos de cidadania.

A palavra está com os novos governadores, senadores e deputados eleitos; eles têm a densidade eleitoral necessária para reinventar a oposição e surpreender o País. Esperemos que façam isso.

José Álvaro Moisés é professor de Ciência Política da USP e autor, entre outros livros, de ‘Democracia e Confiança – Por que os cidadãos desconfiam das instituições públicas’ (Edusp, 2010)

Sinto vergonha pelo Paulo Beringhs.


“Goiás de novo no centro do debate político. Nunca por um bom motivo.”

Primeiro foi aqui que o #SerraRojas soltou a perola que não conhecia Paulo Preto. Agora mais um jornalista entra no jogo de criar factoides. Ele tinha entrevistado Marconi Perillo uma semana atrás, e agora vem com essa.

Ele é tucano, e isso parece que não conta nada né? Mas é o “modus operandi” deles. Isso não vai mudar, vão afundar um partido que era para ser social-democrata na extrema-direita fascista.


“É mesmo? Mera coincidência o Demostenes ai né?”

Jornalista que se demitiu ao vivo em Goiás é filiado ao PSDB « Radar político

Jornalista que se demitiu ao vivo em Goiás é filiado ao PSDB

por André Mascarenhas

Seção: Eleições

Estados

21.outubro.2010 18:34:30

André Mascarenhas

O jornalista Paulo Beringhs, que se demitiu ontem em transmissão ao vivo da TV Brasil Central alegando ter sido impedido de entrevistar o candidato tucano ao governo de Goiás, é filiado ao PSDB desde 2003.

Na transmissão, Beringhs diz que a emissora, que pertence ao governo do Estado, foi censurada pelo governador Alcides Rodrigues (PP), que apoia Iris Rezende (PMDB). O peemedebista disputa o segundo turno com o tucano Marconi Perillo.

Certidão do TSE confirma filiação de Paulo Beringhs. Foto: Reprodução

Segundo a explicação do jornalista, estava marcado para hoje uma entrevista com Perillo. Ainda de acordo com ele, Iris Rezende também havia sido convidado, mas não compareceu na data combinada.

“Como Iris não veio, Marconi Perillo viria amanhã (hoje), só que eu recebi ordens de não trazer Marconi Perillo amanhã”, disse ele. “Eu lamento demais essa postura que está acontecendo, essa postura do senhor Jorcelino Braga (ex-secretário da Fazenda) e do grupo de Iris Rezende, que tem tradição em censurar a imprensa.”

Após o vídeo com as declarações de Beringhs correr a rede, passou a circular a informação de que o jornalista é filiado ao PSDB. Além do registro partidário, foto em que o jornalista aparece ao lado de Perillo também foi divulgada na internet.

O segundo turno e a ingratidão da classe “mérdia”

"Não, não é Fortaleza. É a casa dos sonhos da nossa classe média."

Alguém (não sei se foi amigo ou se li por ai) disse que o problema do Brasil era a sua “classe mérdia” ignorante. Fiz aquela cara da “boca torta”, sacumé? Não concordava muito com o conceito e como sabem, sou um liberal de esquerda – bem menos “esquerda” do que já fui antes, o que parece ser a “ordem natural das coisas” – mas esse “desvio para o centro” não me impediu de ainda ter aquela visão que o “problema do Brasil” é essa “elite golpista”.

Mas meus caros, as últimas pesquisas eleitorais, que mostram uma queda daquela que representa a continuidade do Governo Lula, e a chance real de um segundo turno, me fazem mudar de opinião – definitivamente – pois o problema do Brasil é exatamente essa “classe mérdia”. Pra sermos justos, como classe média (chega de brincadeira, pq o assunto é sério) defino, quem já era classe média antes do governo Lula, e aproximadamente, hoje correspondem aqueles que foram massacrados no governo FHC. Vou facilitar, é a turma que tinha carro e casa antes do Plano Real (estou aberto a correções nessa simplificação).

Oras, os caras comeram o pão que o diabo amassou na era FHC, e hoje, a quem tem devoção? Essa turma, que dá valor a estabilização (como eu) simplesmente detesta o PT. Não sei como explicar, mas pretendo (rs). Essa classe média, segundo minhas pesquisas, é aquela que assina Veja e lê a Folha e Estadão (se não for de SP, acaba lendo só os colunistas, que conseguem propagar o lixo que escrevem por quilometros de distância, tipo uma chuva tóxica, tipo aquele mar de plástico no Pacífico) e assiste, diariamente, a Globo.

O problema desses caras, é que eles acreditam nesse pseudo-jornalismo, absorvem tudo e quando acham uma história inverossimel, bem, ai concedem o beneficio da dúvida, só que contra o réu. Invertem o ônus da prova. Mas se você for olhar no microscópio, os caras NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS ganharam tanto dinheiro. Nunca antes…se deram tão bem. Talvez somente na virada do Plano Real, tenha ocorrido um efeito dessa magnitude. Então pq diabos são tão ingratos?

Eu tb sei valorizar a estabilização monetária, mas nunca fechei meus olhos para as besteiras que o FHC estava fazendo. Pulei fora do barco quando o FHC não teve coragem de sacar o Gustavo “Napoleão Bonaparte” Franco do BC. E faria o mesmo com o Lula se concluisse que sua inação – motivada, seja por incompetência, seja por estratégia política – fosse jogar o Brasil no buraco, como o Titanic rumo ao iceberg. Lula sempre andou descalço nessa navalha, mas entre mortos e feridos, cá estamos. Então, pelo resultado, podemos dizer que ele mandou bem.

Se colocarmos tudo isso na balança, e for intelectualmente honesto, decidiríamos como o próprio Lula decidiu. Não fazer nada. E se for fazer, fazer com cuidado. Na prática, meus caros, a teoria é outra. É muito fácil alguém garantir no papel, que uma queda brusca nos juros será “indolor”, que uma centralização do câmbio (aliás, o que propoem mesmo? Pq alguma coisa tem que ser colocada no lugar do que está ai.), só trará benefícios para a Nação. Agora qdo se põe aquela faixa no peito, senta que o peso é imenso.

Esse povo acredita em qualquer email que recebe. Se tiver powerpoint, ai que virá prova do crime. Essa galera, é extremamente susceptivel a questões religiosas, ou fatos, como chavismo e a “bolivarização do Brasil”. E isso, talvez ocorra por um único motivo: a classe média é ignorante. Tá bom, prometi parar de generalizar: grande parte da classe média é ignorante. Eles dão valor à estabilização monetária conquista com o Plano Real, mas fecha os olhos para a promiscua privatização e ignora completamente a pornográfica valorização excessiva do câmbio. Eles citam os grandes escândalos de corrupção, mas emudencem qdo são confrontados com a clara seletividade da mídia.

Se tivermos segundo turno será por conta dessa boataria. A gente esperava uma bala de prata. Ela não veio, mas em compensação veio um veneno gasoso. Sorrateiramente entrou pelas frestas da janela, vinda do submundo da política. Usando emails, usando parte da mídia, mas principalmente, usando alguns religiosos. E por favor, não ignorem a realidade, basta que saiam do twitter por alguns minutos, para ouvir o que o “povo” está falando. Se não fosse assim, não teriamos “batismos”, não teriamos “encontros com líderes religiosos” e não teriamos o agradecimento a Deus no fim do debate. Essas é a causa dessa reversão na reta final. É óbvio que as pesquisas internas acusaram o “golpe” e tentaram reagiram.

Se tivermos segundo turno será exclusivamente por conta dessa classe média, que se considera culta, que se considera bem informada, mas no fundo são só superficiais, ignorantes e ingratos. Preferem acreditar em boatos e mentiras do que decidir pela manutenção de um projeto que tanto lhes fez bem.

PS.: Por um problema no ScribeFire perdi esse post, estou recuperando-o e os comentários ficaram no post errado. Vou apagar lá e colar aqui.

Eu tenho uma teoria.
Acrescentando ao fato de que esse classe média foi criada a base de Folha, Globo, Veja e etc… acredito que, apesar de se declarar “informada”, ela nunca passou do primeiro parágrafo. Não foi educada para isso. Não questiona. É, acima de tudo, preguiçosa. É preconceituosa e, não gostando disso, encontra nesse meio uma cortina de fumaça. QQ coisa que esconda seu preconceito, vale. Engole sem questionar.
Uma teoria…

Comentário por Alê M. — 03/10/2010 @ 00:12 | Editar | Responder