O blocão do jogo graúdo

“alguém arrisca o que realmente estava passando na cabeça de cada um desses personagens nesse momento histórico?”

É a economia – como sempre -, estúpido! Enquanto os colunistas da velha mídia se digladiam com o blocão-dos-que-foram-sem-nunca-terem-ido, o bloco-da-gente-graúda pôs a bola no chão e começou a jogar. E olhem que a Dilma sequer tomou posse. Não adianta espernear, é do jogo, é assim que o jogo é jogado. Mas nada é por acaso, essas coisas se decidem agora, porque que quando o trem passa, já passou (ein?).

Pra quem não entendeu eu estou falando das definições sobre o Ministro da Fazenda e do (Ministro) Presidente do BCB. No primeiro caso a Presidenta nem deu tempo pros adversários se tocarem na bola. Foi um gol relâmpago. Que Palocci que nada. Anotem ai, essa fórmula agora vai virar regra: sempre um Ministro da Fazenda que não goste de holofotes, que não tenha pretensões políticas, que seja silencioso e eficaz (ou seria efetivo?). Estilo matador de aluguel, esse é Guido Mantega. Talvez por isso seja tão odiado. O cara que lentamente dobrou a Fazenda para um desenvolvimentismo de resultados. Mudou todos os cargos e posições, sem cometer erros (ups, esqueceram de mim). Mas não importa, quem nunca errou numa indicação para a Receita Federal do Brasil que atire o primeiro dossiê. E mais, se é pra cometer maldades, temos no governo um keynesiano um pouco ortodoxo que tem plena consciência do que deve ser feito e, – bônus time – com “muito menos ruído”.

Resolvida a questão da Fazenda, sobrou a carne de pescoço, o foco é o BCB (Banco Central do Brasil, por favor, chamem a criança pelo nome de registro). Sinceramente não sei se o Lula realmente disse para a Dilma manter o Meirelles. Não confio na mídia, mas tudo indica que o vazamento é verdadeiro. Se ele disse isso, foi um erro terrível, do tipo que só o Lula comete. Ele criou o espaço para a situação que temos no momento, recapitulemos: 1) Lula diz para Dilma manter Meirelles e Mantega, mesmo que só no começo; 2) Mantega aceita de pronto, mas o Meirelles, diz que só aceita com “autonomia” e sem “prazo pra sair”. Resultado: sinuca de bico.

Mas é ai que as coisas mudam de figura. Oras, a Dilma já disse que, em última instância, não serão pessoas que comandarão (a política econômica), será ela a responsável. Quando ela disse isso ela tinha plena consciência que estava assumindo integralmente a responsabilidade seja do bônus, seja do ônus. Mas não é assim que as coisas funcionam no presidencialismo? Não! O Lula por exemplo, sempre manteve o BCB como um ente que “orbita” o político. As maldades e os juros altos eram culpa do Meirelles. A consolidação da estabilização? Responsabilidade do Lula. A Dilma, aparentemente, não quer jogar esse jogo. Até porque tem uma visão de longo prazo que o Lula não tem. Sabe que precisa estabelecer uma coordenação entre o BCB e a Fazenda. E não amanhã, precisa disso agora.

Assim, o cenário ficou complicado. Mas se não dá conta, não desce pro play. É o jogo graúdo que estava falando. Agora o todo-poderoso – mercado – quer saber o que ela vai fazer. Eu acredito que ela sabe que não pode ceder agora, porque seria o começo do fim. Quando se dá a mão pra esse ser invisível, ele quer o resto, do pé à cabeça. Ela sabe que precisa impor um técnico discreto e trazer a responsabilidade final da condução econômica pra si. Coragem ela tem. Mas é preciso ter habilidade política também.

Eu por exemplo sou um dos que deixaria o Meirelles lá por um tempo – mas teria decidido isso antes dessa arapuca ser montada – #safety1st tenho dito. Mas eu sou um covarde, né? Então não conto. E o Lula governou por 8 anos com esse jogo no zero-a-zero, e se deu bem. As vezes não fazer nada é a melhor estratégia.

Enfim, acho que qualquer que seja a decisão, vai empatar o jogo. Mas nunca se esqueçam dos detalhes – o diabo está neles – essa decisão mostrará, na minha visão, uma das grandes diferenças entre a Dilma e o Lula: pra mim ela não entrou nesse jogo pra ficar no zero-a-zero. Ela entrou pra ganhar, e jogando no ataque. Sempre.

Façam suas apostas!

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José Alvaro Moisés :: “Qual oposição?”


“Equilíbrio necessário”

Se depois desse artigo a oposição não souber o que tem que fazer daqui em diante, alguém vai ter que desenhar pra eles verem se entendem. E lembrem-se, não existe democracia sem uma oposição consistente e atuante (dentro dos limites institucionais).

Por essa razão, acima de tudo, torço para que eles entendam.


Qual oposição? – suplementos – Estadao.com.br

Qual oposição?

Densidade eleitoral, ela tem. Falta sinalizar claramente para o País as alternativas que representa
06 de novembro de 2010 | 16h 00

José Álvaro Moisés

Para Moisés, dirigentes poderiam defender outras propostas

Os resultados da competição eleitoral provocaram, como seria de esperar, euforia e júbilo do lado dos vencedores, e perplexidade e mal-estar do lado dos derrotados, mas enquanto no primeiro caso a presidente eleita se esforça para emitir sinais sutis de que pode introduzir mudanças na orientação do novo governo, no caso da oposição são ainda tênues e insuficientes as indicações de que o recado das urnas foi assimilado. Satisfeitos, de alguma maneira, com o fato de que o PSDB e o DEM conquistaram dez governos estaduais, representando mais da metade do eleitorado do país, as primeiras manifestações dos dirigentes desses partidos não mostraram se e como eles avaliam as causas de suas derrotas em 2002, 2006 e 2010 na disputa pelo comando do Estado. A necessidade de se reinventar para estabelecer novas bases de diálogo com os eleitores está demorando para sensibilizar os dirigentes da oposição.

A questão não é simples e envolve uma preocupação relevante: a democracia não pode funcionar adequadamente sem uma oposição robusta, vigorosa e competente. Como observaram Robert Dahl e Giovanni Sartori, entre outros, a democracia é o regime da participação popular e da contestação política, mas além de supor eleições livres e competitivas, ela depende também da existência de uma oposição suficientemente autônoma e forte para ser capaz de limitar o poder e controlar o desempenho da maioria. A oposição não pode impedir a maioria de existir e agir, mas ela tem de ter acesso a meios institucionais adequados para avaliar a legitimidade da atuação do governo e ser capaz de defender os direitos das minorias. Mais do que isso, a oposição tem de ser capaz de sinalizar para a sociedade a qualidade das alternativas que ela defende, de modo que os cidadãos, em sua condição de eleitores, possam avaliar e julgar os governos a que estão submetidos; isso, no entanto, não pode ser apresentado apenas durante as campanhas eleitorais, tem de ser parte do cotidiano da política.

Importante em qualquer democracia, isso é mais ainda em uma sociedade marcada por tantas diversidades sociais, culturais e políticas como o Brasil, em que o vencedor das eleições presidenciais se elege com pouco mais da metade dos votos válidos, mas tem de governar também para a outra metade da nação que opta tanto por alternativas políticas diferentes, como pela não-escolha (abstenções somadas aos votos brancos e nulos no 2° turno deste ano foram mais de 28%, representando mais de 36 milhões de eleitores). Assim, se envolve cooperação entre forças políticas distintas, a democracia também depende de que posições conflitantes sejam toleradas, possam se expressar e estejam representadas no sistema político. Essa exigência depende de que a lei e as instituições a assegurem, mas a garantia de seu funcionamento depende muito da existência de uma oposição ativa.

Nas democracias consolidadas, o sucesso da oposição está associado a fatores como a sua coesão interna, a preservação de sua identidade e a capacidade de sinalizar que se constitui em alternativa, ao mesmo tempo, viável e melhor do que a oferecida pela coalizão governante. Nos últimos oito anos, no entanto, a oposição ao governo Lula e ao PT, centrada no PSDB, no DEM e no PPS, não conseguiu atender direito a esses requisitos: a disputa interna por posições de poder, a dificuldade de assumir um perfil político diferente da coalizão governante e a ausência de projetos capazes de sinalizar as mudanças econômicas, políticas e sociais necessárias ao estágio atual do País não ajudou a oposição a conquistar o coração e as mentes da maioria dos eleitores brasileiros. Exemplos disso foram as três últimas campanhas presidenciais: como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB virou as costas para a sua história, deixou de lado as conquistas alcançadas em seus dois governos e foi incapaz de explicar por que a estabilidade econômica, o controle da inflação e as privatizações eram parte de um mesmo projeto de desenvolvimento e bem-estar da sociedade. Menos transparente ainda foi a posição quanto a programas como o Bolsa-Família: primeiro, pareceu que a oposição recomendava abandonar o programa por seu caráter assistencialista, sem apontar o caminho para se enfrentar a dependência política que ele de fato cria; depois, na campanha, o programa foi objeto de promessas de expansão, agora sem indicar como romper com o assistencialismo e torná-lo parte de um projeto social e econômico mais abrangente.

Muitas das dificuldades para se constituir em alternativa política competitiva se devem ao fato de os partidos de oposição não terem se enraizado na sociedade, sendo incapazes de captar os sentimentos e os anseios de seus diferentes segmentos. Diferentemente do PT, o PSDB, o DEM e o PPS não conseguiram mobilizar e recrutar a classe média, os estudantes, os intelectuais e os artistas, os empresários – para citar apenas setores usualmente mais interessados na participação política; mais espantoso ainda é o caso do PSDB, partido auto-definido como social-democrata, mas que nunca se esforçou para formar uma base sindical sólida que lhe permitisse disputar com as demais forças a condução do movimento; nem mesmo quando os sindicatos brasileiros foram recooptados pelo Estado, no governo Lula, as vozes da oposição foram fortes o suficiente para mostrar à sociedade civil as implicações antidemocráticas dessa tendência neo-corporativista.

Preferindo agir quase que exclusivamente no âmbito do Congresso Nacional (na produção de leis, normas jurídicas e políticas públicas), a oposição tampouco se esforçou em trazer para o debate público o fato de que, diante das enormes prerrogativas reservadas ao Executivo pela Constituição de 1988, ela tem as suas mãos atadas. Não são apenas as MPs que travam a ação do Congresso, mas também as prerrogativas presidenciais únicas de iniciar leis, pedir urgência urgentíssima para suas matérias e elaborar o orçamento da união; por isso, o Executivo tornou-se o grande legislador da democracia brasileira, limitando muito o exercício das funções de fiscalização e controle do parlamento. A atuação da oposição, em anos recentes, foi insuficiente para enfrentar esse nó institucional, tendo faltado suas iniciativas para debater a questão com a sociedade – o que, em parte, deixou o Congresso Nacional isolado e objeto de enorme desconfiança pública.

Um grande desafio ronda, portanto, a oposição nos próximos anos: a sua capacidade de se reinventar. PSDB, DEM, PPS, e agora também o PV, terão de encontrar os seus pontos de convergência e cooperação, mas como ocorreu outras vezes na história terão de ir ao povo se não quiserem desaparecer. A questão não pode, no entanto, ser simplificada por uma razão conhecida: em muitos aspectos, a coalizão liderada pelo presidente Lula se apropriou em políticas que tinham sido introduzidas pelo governo FHC, deixando a oposição em uma situação difícil, como se não tivesse bandeiras próprias. A oposição não soube explicar isso ao País e um dos seus desafios, agora, será reconhecer que parte das bandeiras social-democratas está sendo realizada pelo PT e descobrir, nessa situação complexa, o seu papel diferencial: que políticas econômicas e sociais de longo prazo podem ser apresentadas pela oposição? Quais as suas vantagens e viabilidades? E como traduzir isso para uma maioria de eleitores aparentemente satisfeita com as políticas desenvolvidas pelas coalizões dirigidas por Lula e o PT?

Essas questões serão, por certo, objeto de novas propostas de gestão de parte da oposição, uma vez que apontem para o projeto de sociedade que se deseja construir, mas talvez o modo mais eficaz dela se reapresentar à sociedade seja avançar também em um terreno em que o PT e o presidente Lula têm deixado a desejar: na defesa e no aprofundamento da democracia representativa. Não há dúvida de que temos democracia no Brasil, mas em várias áreas a qualidade do regime é de baixa intensidade: o império da lei ainda não está plenamente estabelecido, alguns direitos de cidadania valem mais para alguns segmentos do que para outros e os mecanismos de avaliação e controle do desempenho dos governos (accountability horizontal e vertical) ainda funcionam precariamente. Além disso, há áreas de claro déficit de representação: o sistema de eleição proporcional não assegura uma relação adequada entre representantes e representados, e os mecanismos de financiamento de campanhas eleitorais, além de torná-las excessivamente caras, são fonte de corrupção e de desconfiança dos cidadãos. A oposição pode mostrar como essas distorções contrariam os princípios de liberdade e igualdade; e empunhar, entre outras propostas, a bandeira do voto distrital e da recuperação da autonomia do Legislativo, propugnando, sem medo de acusações de udenismo, pela introdução de mecanismos mais rigorosos de combate à corrupção. Sua identidade se definiria, assim, pelas propostas de aprofundamento da democracia e pelas implicações disso para a expansão dos direitos de cidadania.

A palavra está com os novos governadores, senadores e deputados eleitos; eles têm a densidade eleitoral necessária para reinventar a oposição e surpreender o País. Esperemos que façam isso.

José Álvaro Moisés é professor de Ciência Política da USP e autor, entre outros livros, de ‘Democracia e Confiança – Por que os cidadãos desconfiam das instituições públicas’ (Edusp, 2010)

É o Pré-Sal, estúpido!

“Entender o que está em jogo com o Pré-Sal é mandatório para se votar dia 31.”

Comecei esse blog de verdade em 2008 com um post chamado “O Pré-Sal e 2010“. E o incrível nessa história toda, é que chegamos à reta final das eleições e continuo sem saber o que o Serra e o Aécio pensam profundamente a esse respeito. Só a Dilma mostrou o que sabe e o que planeja. Sempre foi um post muito visitado – não por que seja bom (ele é só um comentário ao PML) – mas por que recebe as buscas no Google de pessoas interessadas em obter informações sobre o Pré-Sal e sobre o que os pré-candidatos pensavam a respeito dele. Não era uma demanda minha mas de muitas outras pessoas, no Brasil e no Mundo.

Acompanhando a sucessão com um lupa como acompanhei, aprendi muito. Para mim, Lula é um T-Rex, um monstro político. A forma como ele, intuitivamente, escolheu a Dilma. Como ele articulou a unificação de maneira inédita dentro do PT (só pra ressaltar, o partido dela é o PT. O mesmo PT que impôs previas ao Lula.). Como ele construiu essa ampla aliança que dá sua candidata uma estrutura impar. Até uma espécie de dobradinha, entre morde e assopra, com o Serra para evitar que o nome do Aécio ganhasse força.

Depois, como era natural e necessário, foram ficando claras as razões da escolha de Dilma. Antes de mais nada, é preciso dizer que ela era uma carola, dedicada estritamente ao trabalho. Uma pessoa que quando separou do marido, comprou um apartamento na mesma rua para facilitar as visitas. Foi uma decepção para os (reais) grupos de inteligência que investigaram a vida dela inteira e não conseguiram encontrar nada. Tanto é que, tiveram que apostar pesadamente em mentiras e boatos para (tentar) desconstruí-la. Pelamordedeus, a mulher já teve uma loja que vendia “Cavaleiros do Zodíaco” e foi “Trekker”. Não duvido que ela seja fã de “TBBT“. Nerd, for sure.

Uma mulher, no topo do poder, extremamente competente que vetou uma lista de indicados pelo PMDB por não terem passado no pente-fino da ABIN, que reformou o marco regulatório de energia, e a despeito das virulentas críticas, resolveu o problema. Ou na Casa-Civil com o PAC (agora mostrado até no programa do adversário) e com as mudança na industria da construção civil. É como os elefantinhos da música, incomoda muita gente. Tentaram rotula-la como “truculenta”. Não é ironia, é machismo mesmo. Afinal, segundo eles, uma mulher deveria saber sua posição na sociedade, e nunca, repito, nunca, levantar a voz para um homem, mesmo que ele esteja te fazendo de idiota, ou proferindo besteiras em sequência. Para eles é uma questão de hierarquia. Bando de hipócritas.

“Trilhões de dolares, podem servir para alavancar o futuro. Ou para gastarmos no presente.”

Enfim, só resolvi relembrar esses fatos “históricos”, por que no calor do embate atual, nós esquecemos, que é ela é “a candidata” por um motivo. Que ela é a “escolhida” por uma razão. Não foi por acaso. Não foi por sorte. Não foi por que Palocci e Dirceu caíram. A razão é óbvia. Pra quem olha o cenário todo é bem simples: É o Pré-Sal, estúpido!

Duvidam? Procurem no Google, uma entrevista de 12 páginas do Serra falando do Pré-Sal (ou qualquer outro assunto) com um jornalista estrangeiro, armado até os dentes como o Weatley (do Financial Times). Ou alguém que tenha enfrentado um debate tão qualificado como esse com a capacidade de entender cada minúcia, cada detalhe dessa industria. Ela sabe das correlações e da importância de se usar o essa oportunidade, mais que gerar renda e promover a justiça social, manter a tecnologia de prospecção (observem como essa parte desaparece dos jornais) com a Petrobras. O Pré-Sal mais que uma fonte imensa de recursos, é a poupança para desenvolvermos tecnologia de ponta em tantas áreas correlatas que sequer cabem nesse blog.

Observem o que ocorreu com o com a mera exploração dos campos no pós-sal. Ela se tornou líder mundial em prospecção em águas profundas, com o Governo Lula em meros 8 anos recuperou a industria naval. Já somos novamente uma das maiores do mundo e estamos a passos largos para construir nosso submarino nuclear (fundamental para defesa da nação). Os investimentos em Defesa retornaram, estamos comprando submarinos, aviões e navios. Estamos tentando internalizar essa tecnologia, e os recursos arrecadados serão fundamentais para nos emancipar tecnologicamente e nos preparar para os desafios do próximo século.

Não ia falar nele, mas o adversário sequer sabe a diferença entre a qualidade do petróleo do pré-sal e o do pós-sal que já explorávamos. Já disse que o Pré-Sal não era para agora, era para o futuro.  Começamos a tirar o petróleo de lá já nesse ano. Ele preferiu “sangrar” as eleições inteiras a ir contra à industria que financiou todas essas baixarias. Sequer teve coragem de assinar uma “Carta ao Povo Brasileiro” se comprometendo a não mudar o modelo de partilha (aonde o petróleo permanece com o Brasil mesmo depois de extraído. O oposto do modelo de concessão que os tucanos implantaram). Se especular é grátis, a maioria acredita que a mídia é quem está por trás disso tudo, eu agora na reta final, acredito piamente que os “puppet master” são as grandes petroleiras internacionais e seu lobby poderoso, capaz de criar guerras, derrubar presidentes, financiar ditadores e inflamar o ódio religioso por onde passa.

“Com as descoberta podemos chegar a 100 bi de BOE em reserva. Nos colocando entre os 10 maiores do mundo.”


O Pré-Sal significa temos que escolher entre nos tornar um país do Oriente Médio/África ou uma Belgica Noruega. Se vamos usar o Pré-Sal para colocar o Brasil aonde ele sempre mereceu estar ou se vamos nos contentar em sermos bonecos dos países desenvolvidos. Meros fornecedores de insumos básicos ou um líder capaz de produzir com a criatividade que nos é peculiar e com inovação, produtos e serviços para os próximos séculos.

Aos que me questionaram por que voto na Dilma, tá ai. É por causa do Pré-Sal, estúpido! Todo o resto, pode até ser relevante, mas não é tão importante. O quanto antes vocês entenderem isso, mais fácil fica a decisão. Dilma é a mais preparada para liderar a construção desse modelo soberano de exploração.

Dia 31 iremos escolher entre alguém que entende de cada detalhe desse assunto ou outro que é só “trololó”. Uma decisão que vai afetar profundamente o futuro de nossos filhos e netos. Escolher entre um projeto que acredita (e trabalha) para que o Brasil se torne grande, e outro que…

…muito pelo contrário.


Serra é um blefe


“Truco?”

Folha.com – Poder – Intelectual do marketing de Dilma afirma que Serra é um ‘blefe’ – 01/10/2010

01/10/2010 – 03h00
Intelectual do marketing de Dilma afirma que Serra é um ‘blefe’

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

O antropólogo Antonio Risério costuma ser apontado como “o pensador” das campanhas políticas de que participa. Alguém que, na definição de um publicitário veterano em disputas eleitorais, “pode passar uma semana sem escrever um texto, mas na hora certa faz a diferença”.

A campanha de Dilma Rousseff é a terceira presidencial seguida em que trabalha para o PT, como uma espécie de conceituador e redator diferenciado.

Ao lado do amigo João Santana, chefe da equipe de comunicação dilmista, traduz a estratégia política para a linguagem direta e ligeira do marketing.
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Um PIB “colossal” em 2010


“Não sou eu quem está dizendo, é o Vinícius Torres da Folha.”

Tudo no script. Inclusive o desespero da oposição. Afinal, 8% a.a. é colossal, sem dúvida. Chinês, indiano, eu diria. Plus, democracia plena, liberdade de expressão total, instituições cada dia mais fortes, êxodo rural já no passado e sem castas.

O céu, é o limite.

Folha.com – Blogs – Blog do Vinicius

17/09/2010
PIB de 2010: quem dá mais

A consultoria MB Associados acaba de revisar sua estimativa de crescimento do PIB em 2010 para 8%. “Estimativas são estimativas, nada mais do que estimativas”, diria um Odorico Paraguaçu econométrico, mas a MBA é uma das consultorias mais precisas e ponderadas do mercado, além de prestar sempre muita atenção ao mundo da economia real _não vivem apenas de torturar séries de dados em programas de estatística.

Como se dizia, 8%. Com recessão e tudo no ano passado, 8% é colossal.

Ontem mesmo, a “Economist Intelligence Unit” soltou sua previsão nova para o PIB em 2010, 7,8%. Os economistas dos maiores bancos do Brasil prevêem alta de em torno de 7,5%, 7,6%. Na mediana do mercado, segundo a pesquisa Focus do BC desta semana, 7,42%.
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Biscoito :: “Dez Batalhas Chave da Esquerda nas Eleições ao Senado”


O Idelber fez uma boa coletanea das importantes batalhas do Senado. Eleger a Dilma é importante, mas vcs se lembram do trabalho que o Lula teve no Senado? Imaginem a Dilma então. Na Câmara a situação está mais tranquila (mas vamos analisar em breve tb). Mas o foco é no Senado.

Lembrem-se, o Barbudo já disse que nesse xadrez político “um Senador vale mais que um Governador”.

PS.: Quem ainda não segue o Idelber eu recomendo fortemente. O Biscoito Fino e o NPTO são os caras mais maneiros nessa blogosfera modorrenta. Faltou o Hermenauta, mas esse é um puto mesmo, vou te falar…

PPS.: Tá faltando o Gunter analisar isso com aqueles gráficos tipo pizza empilhada, que eu levo duas horas pra começar a entender. Vamos ver se ele faz.
segunda-feira, 23 de agosto 2010

 

Dez Batalhas Chave da Esquerda nas Eleições ao Senado

1.Senado Piauí:

Uma das mais auspiciosas possibilidades das Eleições 2010 é chutar Heráclito Fortes para fora do Senado. Qualquer um que saiba qualquer coisa sobre a figura entenderá a torcida entusiasmada deste blog. Típico representante da mais escrota oligarquia nordestina—que vem tendo seu domínio político solapado pelo crescimento do PT, do PSB e do lulismo na região–, Heráclito corre sério risco de ter que se candidatar a vereador ou prefeito de Teresina em 2012. Sempre lembrando que cada estado elege dois senadores este ano, os números atuais do Ibope são: Wellington Dias (PT) lidera com 42%, Mão Santa (PSC) tem 22%, Ciro Nogueira (PP) e Heráclito (DEM) pontuam nos 14% cada um e Antonio José Medeiros (PT) tem 5%. Independente das discussões acerca do “voto útil”, ou sobre se Medeiros pode crescer e brigar pela segunda vaga (o segundo candidato do PT ao Senado chegou a marcar 14% em outra pesquisa, a 180 Graus/Jales), o Biscoito endossa a corrente pra trás contra Heráclito.

2.Senado Amazonas.

O números atuais do Ibope para o Senado no Amazonas são: ex-governador Eduardo Braga (PMDB) 86%, atual senador “Artur Neto” (PSDB) 43% e deputada federal Vanessa Grazziotin (PC do B) 33%. Vanessa é antiga militante dos movimentos populares no Amazonas, sua campanha vem crescendo, e há 18% de eleitores que só citaram um candidato ao Senado na pesquisa Ibope (além dos 7% de indecisos). Arthur Virgílio foi humilhado na última eleição majoritária no Amazonas (ficou na casa dos 5%) e o blog aposta que ele vai perder a vaguinha no Senado. Além do fato óbvio de que Vanessa está comprometida com o projeto popular de crescimento com distribuição de renda do governo Lula, aqui há o dado adicional de que os tucanos ficam muito mal colocados na discussão sobre a Zona Franca. Sem dúvida, seria bem emblemático eleger uma mulher feminista e comunista para tirar a vaga do senador que gosta de ameaçar bater em presidente da república (ameaça tão típica do machismo nosso de cada dia). Arthur Virgílio é a personificação do atraso e este blog coloca qualquer modesto recurso que possa ter à disposição da campanha de Vanessa Grazziotin (PC do B). Eu conheço a trajetória da candidata e endosso com entusiasmo.

3.Senado Pernambuco.

Na terra em que nem Jesus nem o Pe. Cícero é mais popular que Lula, o lulismo de resultados (apud Diário Gauche) quer mostrar com quantos votos se elegem dois senadores. Eduardo Campos (PSB) está disparado para governador, humilhando o neoudenista “autêntico” Jarbas Vasconcellos numa surra de 60% a 24%. Campos deve se reeleger no primeiro turno. Os números do Ibope para o Senado são: Humberto Costa (PT) 44%, Marco Maciel (DEM) 43%, Armando Monteiro (PTB) 27%, Raul Jungmann 12%. Além do grande júbilo de de ver Jungmann derrotado, o lulismo pode emplacar dois senadores e tirar Maciel do Senado. O blog enfaticamente endossa Humberto Costa e Armando Monteiro, dobradinha que vem subindo. Cabe uma palavra sobre o candidato do PTB: ao contrário do que a filiação partidária poderia sugerir, trata-se de alguém que me sinto à vontade endossando. É advogado, não é da oligarquia atrasada, vem do empreendedorismo industrial e tem boa história parlamentar (é oriundo, inclusive, do PSDB, passou pelo PMDB e não lá ficou porque o PMDB-PE é meio inóspito para um lulista). Monteiro tem muito mais a dar aos pernambucanos no Senado que um Maciel já semi-aposentado e do lado errado da História. Sobre Humberto Costa creio que não é necessário dizer muito. Os pernambucanos o conhecem. O blog endossa a dobradinha lulista.

4.Senado Rio Grande do Sul:

Tarso Genro lidera a corrida para governador, não com folga, mas lidera. Na corrida para as duas vagas do Senado, briga de foice entre três: Paulo Paim (PT) e Germano Rigotto (PMDB) têm 39% cada um e Ana Amélia Lemos (PP) tem 38%. Ainda recompondo-se da surpresa de que uma papagaia da RBS pontue nesses níveis, o blog lembra que há 44% de indecisos (trata-se de uma “eleição de 200%”, pois há duas vagas) e que a onda dilmista com certeza está impactando o estado adotivo da candidata petista à Presidência. Conhecedor da trajetória de Paulo Paim como sindicalista, militante pela igualdade racial, Constituinte de 1988 e ativo Senador da República nos últimos anos, o blog se coloca à disposição dos amigos gaúchos para ajudar no que for possível para que ele dispare logo e assegure a primeira vaga ao Senado.

5.Senado Paraná.

O tucano Beto Richa lidera as pesquisas para governador, mas há espaço para o crescimento de Osmar Dias (PDT) que, depois de inacreditáveis idas e vindas, dignas de uma novela mexicana, finalmente assumiu a condição de candidato unificado do lulismo ao Palácio das Araucárias. Para o Senado, o lulismo mantém as duas primeiras posições nas pesquisas: Roberto Requião (PMDB) tem 48%, Geisi Hoffmann (PT) tem 32%, Ricardo Barros (PP) tem 15% e Gustavo Fruet, esperança “ética” do tucanato, pontua nos 11%. O blog repudia os que afirmam que a “privatização do Banestado aconteceu há 10 anos e não há por que discutir isso agora”. Os paranaenses mais jovens têm o direito de ouvir toda a discussão: quem foi e quem não foi responsável pelo negócio que custou bilhões de reais aos cofres do Paraná. Emplacando essa discussão e mostrando a diferença de projetos entre o governo Lula e o governo FHC, a base aliada tem tudo para eleger os dois senadores. O blog está à disposição no que puder ajudar.

6.Senado Goiás:

O tucanato e o peemedebismo neolulista brigam pelo governo estadual, e os números para o Senado são: Demóstenes Torres (DEM) 43%, Lúcia Vânia (PSDB) 26% e Pedro Wilson (PT) 16%. Com 47% de indecisos e 26% que só citaram um candidato para as duas vagas, tudo pode acontecer aqui. Pedro Wilson tem história e conta com o apoio deste blog. Uma sugestão enfática que fazemos é que o deputado Pedro Wilson desabilite o jingle de campanha que toca automaticamente quando abrimos o site. Quem navega na internets odeia essas coisas, Deputado. É melhor ter o jingle como uma opção que o internauta pode escolher ouvir ou não.

7. Senado Rio Grande do Norte:

Rosalba Ciarlini (DEM) lidera a corrida para governador com 46% contra os 26% de Iberê (PSB). Todas as minhas fontes potiguares sugerem, no entanto, que Iberê sobe e que a eleição para governador vai para o segundo turno. Para o Senado, os números são: Garibaldi Alves Filho, do neolulismo peemedebista, tem 60%. José Agripino (DEM) tem 51% e Vilma de Faria (PSB) pontua nos 43%, Vilma é ex-prefeita, ex-governadora, é parte do efeito arrasa-quarteirão anti-demo que os socialistas têm emplacado no Nordeste, e conta com total apoio deste blog. Vilma tem um Flickr e um Twitter meio abandonados. Talvez eles pudessem ser úteis na arrancada para chutar Agripino para fora do Senado.

8. Senado São Paulo:

Não há muito o que dizer aqui. A eleição de Marta Suplicy para o Senado da República seria um momento histórico para o projeto que se aglutinou em torno de Lula, para o PT, para os movimentos populares de São Paulo, para sua população mais pobre e para as mulheres. Os números do Ibope no momento apontam: Marta com 31%, Quércia (PMDB) com 20%, Romeu Tuma (DEM) com 19%, Ciro (PTC) e Netinho (PC do B) com 18%. O Ciro do PTC deve cair um pouco (ele se beneficia da bizarra confusão de uma parte do eleitorado, que o confunde com Ciro Gomes) e há espaço para que Netinho cresça. Mas todas as fontes paulistas do blog coincidem em que seria sonhar demais imaginar que a esquerda possa levar as duas vagas, especialmente porque Netinho e Marta brigam por votos mais ou menos entre a mesma faixa da população. A prioridade total é a eleição de Marta.

9. Senado Acre:

No estado em que um petismo bem próximo a Marina Silva deve eleger Tião Viana governador com folga, os números para o Senado são: Jorge Viana (PT) tem 64% e está eleito. Brigam pela segunda vaga Petecão (PMN) com 35% e Edvaldo Magalhães (PC do B), com 27%. Considerando que 29% só citaram um candidato e 25% ainda estão indecisos, o comunista, que tem tido bela atuação, possui todas as chances de abiscoitar a segunda vaga, surfando no tsunami do sapo barbudo. Edvaldo precisa, no entanto, fazer uma página na internet um pouco melhor que esta.

10. Senado Bahia:

Jaques Wagner (PT) deve se reeleger governador no primeiro turno e, para o Senado, o lulismo já garantiu pelo menos uma das duas vagas. Mas pode muito bem ficar com as duas. Os números de hoje são: César Borges (PR), o resquício do carlismo, tem 38%, Lídice da Mata (PSB) tem 25% e Walter Pinheiro (PT) tem 23%. Lídice vem do PSDB, mas há que lembrar que o PSDB da Bahia não é o PSDB de Higienópolis: o tucanato baiano foi aliado do lulismo em momentos chave da peleja anti-carlista na Boa Terra. Lídice depois solidificou essa opção migrando para o PSB. Há uma histórica tradição dos institutos de pesquisas eleitorais subestimarem o voto de esquerda na Bahia, para depois serem surpreendidos por “ondas vermelhas” no dia da eleição. A vitória de Jaques Wagner é o mais recente exemplo. O blog torce por e endossa Lídice e Walter, que vêm trabalhando em dobradinha.

PS: Como se viu, em todos os casos trabalhamos com números do Ibope. Os números do Sensus e do Vox Populi têm tendido a ser mais favoráveis às forças políticas endossadas por este blog e, em muitos casos, são depois confirmados pelo Ibope. Este blog não considera o DataFolha um instituto que satisfaça os mínimos requisitos de credibilidade hoje.

PS 2: Estes prognósticos do DIAP para o Senado sugerem o quadro que todos esperam, encolhimento do DEM e crescimento da esquerda. Falta precisar quais serão as dimensões desses movimentos.

É o povo, estúpido!

As últimas pesquisas mostraram um cenário ainda mais desolador para a oposição. Ok, estou aqui relevando a clara manipulação que ocorreu na pesquisa anterior do Datafolha e considerando o atual avanço simplesmente extraordinário. Mas “ado, ado, cada um no seu quadrado”. Se o Datafolha resolveu gastar o que lhe resta de reputação só para adiar algo que já se mostrava inevitável desde as outras pesquisas, é pq a situação é mais grave do que o mais otimista lulista/dilmista 🙂 poderia ter sonhado lá no começo de 2008 qdo o “paranormal” Lula da Silva escolheu a Dilma como sucessora. Seria a intuição a forma mais pura de inteligência? Lula prova que sim.

Essa manipulação e distorção descarada é uma das demonstrações de desespero que vêm surgindo nas oposições. Sabem que não tem mais o controle do momento. No seu cronograma, o jogo sujo da mídia era para ocorrer só lá na frente, qdo a campanha estivesse pegando fogo. Afinal, sempre foi assim. Lula antecipou o jogo, trouxe todo mundo pra arena. No seu tempo. Nesse momento situação ficou cada dia mais grave, e ai a mídia (e orgãos auxiliares) tiveram que sair das sombras. Só não começaram ainda o bombardeio em massa sobre a Dilma. Tudo que vimos até agora são ensaios. As razões disso ainda não consegui descobrir. Pode ser incompetência. Pode ser medo. Pode ser estratégia. Se o ataque não veio agora, vai vir qdo? No horário eleitoral gratuito? É só olhar a previsão de tempo pra cada coligação pra imaginar que isso não vai dar certo.

A outra demonstração de desespero é o ressurgimento do nome do Aécio para vice. Oras, suponhamos que por inocência (é piada isso né? “mineiro” e “inocente” numa mesma frase sobre política) ou por pressão (bem mais provável, considerando o modus operandi do tucanato paulista) que o Aécio aceite ser o vice do Serra. Oras, nesse caso, o Serra já começa o mandato devendo a alma para os mineiros. Não consigo enxergar um cenário pior para o começo de um mandato. Nem o Collor assumindo devendo até o último cabelo da narina à Globo seria pior. Nem o FHHC começando o 2º mandato devendo até a última gota de sangue (se é que ele tem) ao Clinton/FMI seria pior. Então ou os oposicionistas que realimentam essa possibilidade são na verdade os mais profundos aecistas. Ou estão realmente desesperados.

Mas convenhamos, não dá pra jogar tudo nas costas da oposição. O Serra se preparou (há controvérsias) pra esse momento. Mas deu muito azar. Pegou um monstro político que termina seu mandato com aprovação recorde. Entregando um crescimento do PIB de 10%. Reduzindo a desigualdade, criando um mercado consumidor de massa, etc. Enfim, ia começar a citar todos os dados que constroem essa popularidade animalesca do Lula, mas dá até preguiça. É indicador positivo que não acaba mais. Então vou pular essa parte. O governo dele termina voando, só isso. Se alguém chegou de Marte agora,  e tem dúvidas, pergunte ao IBGE.

Além disso, a Dilma está explodindo, cada dia mais confiante, cada dia mostrando mais habilidade. Cada dia mais tranquila e desenvolta (se bem que qdo a maré boa é fácil, vamos ver qdo a chapa esquentar mais um pouco). Ela está passando pelas etapas rapidamente, pulverizou qualquer discussão sobre a Política Monetária, pois sabe que a batalha agora é com nos spreads. Aniquilou em uma única sabatina um trabalho de meses do Instituto Millenium para emplacar na mídia a discussão sobre a explosão da divida pública interna, pq era uma falácia. E ao contrário do que a mídia propaga, não tem errado. Oras, como já disse, pra quem precisa ganhar em Minas, visitar o túmulo do Tancredo pode ser tudo, menos um erro. Se tem errado – como todo ser humano – são erros insignificantes. Então tem razão o Marcos Coimbra qdo diz que a oposição torce para que ela erre MUITO.

Pra sermos justos, a grande culpa do Serra é ter confiado demais na mídia. Não parou pra pensar no que oferecer ao país como opção de projeto, não discutiu honestamente as falhas (naturais) do Governo. E agora, a mídia faliu. O recuo da Globo na propaganda deslavada do “45” foi histórico. Assim como tem sido didáticas as derrotas dominicais do “Fantástico” para o “Pânico”. Mas não os subestimo, estão ai há tanto tempo, possuem o know-how do golpismo, adquiriram uma resiliência invejável e não vão sair de cena assim tão fácil.

Nesse contexto, o povo é que tem sido surpreendente. Estão demonstrando que gostaram da idéia de continuidade. E melhor que isso, o povo parece estar criando uma resistência aos factóides. O conhecimento tácito indica aos eleitores brasileiros – na grande maioria conservadores, essa é a verdade – que a despeito de tudo de ruim que vêem na mídia (e de bom que é ocultado) a cada dia passam a achar que tudo isso tem que continuar. Primeiramente, pq é uma obra – mesmo com falhas – monumental e histórica (mas essa parte só vai constar nos livros futuros). E em segundo lugar, pq não existe até o momento uma opção consistente ao projeto de continuidade que se propõe. Por isso a Dilma cresce de maneira gradativa, mas consistente. O crescimento não é uma expansão súbita. É uma conquista lenta, uma adesão gradativa ao projeto que Lula planejou lá atrás.

Assim os marqueteiros da oposição tem que aceitar a grande verdade dessas eleições. O povo sentiu o gosto de estar no poder, ser ouvido e representado. E hj parece não crer tanto no que estão vendo na mídia. Guiados pela sua intuição estão escolhendo a Dilma como herdeira desse legado histórico.

A solução para a oposição é trocar o povo. Ou partir para o golpe.