Em lados diametralmente opostos

“Maniqueista? Talvez. Mas talvez pq tivesse que ser “exatamente” assim.”

Enfim, é chegada a reta final. Ainda assim, existem golpes a serem finalizados, factoides preparados às pressas, mentiras e baixarias a serem disparados de servidores de e-mail no exterior, liminares a serem conseguidas no topo do poder. Tudo pode acontecer, mas nesses momentos, é hora de respirar fundo, e refletir. E ai? Valeu a pena chegar até aqui? Valeu demais.

Com o segundo turno, fizemos um risco no chão da rua. Agora ficou claro, quem está de lá. Quem está de cá. Daqui pra frente tudo vai ficar mais nítido. Eles tentavam deliberadamente “borrar” as nossas diferenças. Não deu né? Na hora que a “chapa esquentou” vocês se mostraram, do jeito que realmente são por dentro. E não foi bonito o que vimos. “Devil inside“, citaria numa mesa de bar. Por essa razão sinto um orgulho imenso em estar desse lado da linha.

Tenho orgulho de estar do lado oposto a gente conservadora como os membros TFP, apoiadores da OBAN, vivandeiras da portal de quartéis, viúvas da Ditadura, os grupos neonazistas, entre muitos outros. Essa extrema-direita que rastejava pelas sombras e esgotos, até que José Serra e o PSDB, foram buscar seu apoio e dar holofote político a eles. Mas como não resistem à luz, foi efêmera a sua aparição.

Tenho orgulho de estar do lado oposto a líderes religiosos como esse pateta Silas Malafaia ou esse patético Bispo Luis Gonzaga Bergonzini. Fundamentalistas religiosos que não respeitam o direito constitucional das pessoas em crer naquilo que quiserem, e até, não crerem em nada. Mas essa, não é definitivamente, uma questão religiosa. É uma mera disputa de poder. Seria do jogo, se a forma com que tentaram não fosse desonesta, suja e imoral.

Tenho orgulho de estar do lado oposto àqueles que não acreditam na necessidade de reparação ao negros e índios brasileiros, que foram sequestrados, escravizados, estuprados e mortos nas nossas senzalas. Pessoas que cabularam as aulas de história e agora insistem em reescreve-la. Uns são intelectuais vaidosos sem compromisso com a ética ou a verdade, outros são só meros políticos oportunistas. Não passarão disso. Nem os rodapés dos livros de história mais vagabundos se lembrarão deles.

Tenho orgulho de estar do lado oposto a milhares de brasileiros que até hoje são colonizados, que ainda sofrem do “complexo de vira-latas”, meros vendilhões da nação, que insistem em falam grosso com nosso vizinhos irmãos latino-americanos e africanos, mas murmuram quando estão nos EUA ou na Europa. Querem fazer da nossa política externa o bullying que sofreram no ginásio.

Tenho orgulho de estar do lado oposto a brasileiros – muitos destes me cercam – que acham que dar R$ 65 por mês para uma família pobre é um absurdo assistencialista. Mas, hipócritas, repetem essas asneiras enquanto pagam em uma única conta 4x mais no restaurante ou no bar (pra deixar a boate fora disso).

Tenho orgulho de estar do lado oposto a brasileiros que sempre jogam pra baixo nossa auto-estima, sempre torceram para darmos errado, cujo plano mais ambicioso foi pensar em sair do País, que nunca acreditaram na potencialidade e beleza da criatividade do povo brasileiro. E agora quando estamos crescendo a taxas chinesas, gerando empregos para todos, redistribuindo riqueza, e finalmente podendo planejar um futuro soberano para essa nação, tem no preconceito a única justificativa do seu voto contrário.

Tenho orgulho de estar do lado oposto a brasileiros – homens, mas muitas mulheres também – que não enxergam o machismo explícito da sociedade brasileira. Pessoas que acham normal viver numa sociedade onde eu vou criar minha brilhante filha ser a primeira da classe durante toda sua vida escolar mas ao sair da universidade, deverá se contentar em receber 30% menos só porque é uma mulher.

Tenho orgulho de estar, politicamente, do lado diametralmente oposto a esses caras. Um orgulho que varre a alma e me dá forças para continuar lutando. Não sei qual vai ser o resultado das eleições presidenciais (como sabem abomino o salto-alto) mas seja qual for, por ter clarificado nossas diferenças, já valeu a pena demais.


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A Luta pelo Centro :: É a hora, tanto do Serra, como da Dilma, sairem do seu “cercadinho ideológico”.

“Crianças, é hora de explorar um Novo Mundo Novo”

Não vou mais comentar as pesquisas que estão saindo. O Gunter fez um trabalho magistral. Tb não vou dar gás às teorias da conspiração e prováveis falhas metodológicas (ou manipulações – diriam os mais paranoicos) que possam ter ocorrido.

Pesquisa eleitoral é isso ai. É assim desde sempre. O próprio eleitor criou “vacinas” contra isso. Só quem vê o eleitor de cima da sua “Torre de Marfim” que não percebe a sua sabedoria. Se existem falhas, só a concorrência vai resolver – aliás como tudo no capitalismo – e a disputa por esse apetitoso filão já está ocorrendo.

Acredito que o Sensus e o Vox Poppoli estão fazendo um ótimo trabalho nesse sentido. Espero que tenham “recursos” pra conseguir se manter firmes no mercado. E espero que o próprio mercado faça seu papel em não ficar na mão do Ibope e Datafolha. Afinal negócios, negócios. Amigos a parte. Qdo se trata de lucro, o Mercado não tem muito pudor. Então é só uma questão de tempo. Cada dia fica claro que esse duopólio é nocivo a todos.

Sobre a estratégia político-eleitoral. O Datafolha – e a premissa é que a pesquisa é válida – mostra novos vetores para a campanha.

Tanto Serra, como a Dilma fizeram um trabalho excepcional de contingência de suas bases eleitorais. Serra e o PSDB – que foram empurrados para a direita mais conservadora qdo Lula deu uma guinada ao centro – ao aceitar isso como fato e conseguir manter essa base junto ao seu projeto. Uns poderiam afirmar que não havia ameaças à esse público. Sério? Esse pessoal poderia ter desembarcado de vez e subido na canoa do Aécio. Não ocorreu. Grande parte poderia ter “adotado” a candidatura da Marina como um representante mais “moderno”. Repaginado. Não ocorreu.

Já a Dilma e o PT – que após a guinada supra, nitidamente enxergava o “vazamento” da esquerda mais radical. Observem o resultado excepcional da Heloisa Helena em 2006 não foi por acaso. O PT sabe que política é escolha, mas sabe muito bem que não pode permitir uma sangria maior nesse público. Simplesmente pq são mais apaixonados e mobilizados. Nesse sentido critiquem ou não, o PNDH-3 veio satisfaze-los. E cumpriu o seu objetivo. Muitos desses poderiam embarcar na candidatura da Marina por exemplo, como representante de uma visão eco-nacional-esquerdista. Ou do Ciro.

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