E se utopia for?

“E isso ai? Soava como?”

Nos meus 15 min de leitura ruim/dia, vi, de relance, o que dizem os jornais, blogs e nas rede sociais (mentira, não acesso redes sociais, só tento imaginar o odor). Percebi que já começaram a bombardear a “utopia”, desconstruir a “ilusão”, todo o pacote que a Marina tenta vender. O que não percebem, com sua tradicional arrogância, é que ela quer mesmo é se transformar na única capaz de carregar a pobre e órfã esperança no colo. Desmemoriados que são, ignoram que a ascensão de Lula traçou o mesmo caminho. Vendeu esperança, e só na reta final pôs os pés no chão duro e frio da realidade política-financeira-empresarial. No fim “a esperança venceu o medo”, para o bem do Brasil.

No Lula/2002, ele lançou a “Carta ao Povo Brasileiro” no dia 22/06/2002. Calculem ai quantos dias para aquele 1º turno? Assim a inconsistência do discurso e das ideias da Marina, principalmente na questão de sustentabilidade, não me parece ser um problema PARA ELA. Esse nível de “abstração intrínseca” no seu discurso é algo natural, e que facilitará sua vida – se fizer tudo certo – lá na frente na hora de moldar o programa de governo. É necessária, então.

MAS, a ausência de uma resposta consistente e nova por seus adversários, esse sim é um problema para nós (por enquanto, sim, nós). Para ela, é só dar um passo para trás na hora certa. Alguém dúvida que a elite empresarial pularia nessa canoa? E o MST? O agricultor familiar e orgânico? O povo da economia solidária? Os jovens empreendedores e suas “startups”? Os “povos de Pandora, – ups – da Amazônia”? Vai “vendo” a lista.

Por outro lado: Os ruralistas, sei que não. Os grandes devedores do BNDES, sei que não. As grandes empreiteiras, acho que no momento não (só depois). Lembrem do ditado sobre boas companhias. Então…

É preciso respostas novas, no sentido de inovadoras, que alterem a realidade de forma significativa. A realidade é dinâmica e não estática. Mudam-se os problemas, mudam-se as respostas. Pelo menos tentem nos convencer que isso é possível. Pelo menos um espasmo de reação para as demandas ATUAIS da sociedade.

Eu vi muita gente na rua, desculpe se não consigo ignorar.

O PT com a questão da “Miséria”, às vezes começa a parecer com o PSDB com a “Estabilização da Moeda”.  E se não sabem (não por ignorância, mas por terem terceirizado a informação à mídia corrupta) a miséria teve dois choques: um curto na implantação do Plano Real, e um longo e persistente com o Bolsa-Família. Se precisar, eu desenho.

São questões importantes, mas que se esgotaram na medida que a solução foi boa e, – óbvio – solucionou o problema. Mas todo mundo agora quer mais. É natural, a gente sempre quer mais. Por isso chegamos até aqui. Então, acho – apenas acho – que os eleitores já moveram a cadeira.

Por exemplo, acredito que temos que continuar nossos planos de construir hidrelétricas nas Amazônia, de se investir (mais) em Defesa, em Energia Nuclear, de grandes obras como a Transposição do São Francisco, etc. Todas causam grande impacto ambiental e eu acho necessárias para se vencer o atraso secular em infraestrutura que a década perdida (80’s) e o arrocho tucano (90’s) nos condenou.

“É por um bom motivo”, digo.

Mas esse meu discurso está velho e surrado, e acho que não será tão bem recebido pelas novas gerações. E se, nesses casos, isso não chega a preocupar, é só usar a mesma lógica para os outros casos. Todos os outros grandes temas que envolvem uma eleição. Pra mim tudo mudou, como se uma placa tectônica tivesse se movido de lugar. Perceberam agora o tamanho do problema?

Como já escrevi antes, “Lula não ensinou o PT a pescar”, e esses, que agora, tentam implodir a estratégia da Marina de vender a esperança, podem ser pegos no contrapé, ou morrerem, como todo peixe bom de briga, pela boca. Fica a dica, um bom conselho que lhes dou de graça, usem a boca (ou o teclado) para propor novas ideias e soluções. Pois, aqui embaixo os problemas se acumulam nas ruas e as respostas que propõem não fazem (mais) nenhum sentido. Mas pode ser meus olhos e ouvidos cansados da guerra.

É utopia? Primeiro, utopia significa um lugar perfeito que habita a imaginação dos homens, e não existe, então não tem que se prender ao real, e tampouco se encaixar em abstrações humanas, como a matemática, muito menos à probabilidade. Segundo, até aonde vi, essa nossa “tal realidade” não estava tão bem das pernas.

É só descer do Olimpo para conseguir enxergar. Mas descerão?

Aliás, falando em mitologia, o que que estava no fundo da caixa que armazenava todos os males do mundo, que Zeus – oh, ironia! – deu para Pandora, a curiosa esposa do irmão de Prometeu?

A esperança. Na política, é sempre assim, quem está [com o][no] poder, é obrigado a ficar preso ao pragmatismo pela força da realidade. Até que alguém aparece e recolhe os cacos estilhaçados dos sonhos de ontem, os cola com o espírito de Elpís e constrói uma nova utopia. Vende esse remendo aos eleitores, que compram e os colocam no poder.

Para que eles possam quebrar tudo de novo. ∞. Soa ruim? Melhor que não tê-la. Sem ela, afinal, não há vida.

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