Paulo Nogueira explica o que é Ali Kamel, realmente


“Guardião da Doutrina e da Fé ou só mais um puxa-saco fundamentalista.”

Diário do Centro do Mundo

O que a BBC poderia ensinar para o telejornalismo brasileiro
23rd outubro
2010
written by Paulo Nogueira

Os jornais são comentados no programa dominical de Andrew Marr, à esquerda, editor de Política da BBC

Um novo trecho de Minha Tribo: O Jornalismo e os Jornalistas

TINHA OUVIDO FALAR POUCO DE ALI KAMEL, CHEFE DE TELEJORNALISMO DA GLOBO, ATÉ CONHECÊ-LO NO CONEDIT. É o conselho editorial das Organizações Globo. Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.

A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel, segundo me informou meu interlocutor, passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.
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O futuro do Serra é virar um Collor

“2010 está sendo sangrento. 2011 vai mais.”

Jogo sujo é do jogo. Mas como acham que vão governar em 2011? Serra é um péssimo estrategista, mas quem fornece o dinheiro grosso não. Muitos tem muito a perder, mas uns poucos tem muito a ganhar. Mas a gente sabe que a maioria não aprende fácil. Tem que “comer o capim pela raiz” para aprender. Só assim acho que a classe média vai compreender o que está em jogo.

Eu não quero ver esse governo, como toda a habilidade de negociação que o Serra tem, no fim de 2011. Com a sua incapacidade de aceitar a autonomia informal do Banco Central e sem interlocução no Mercado, com o seu respeito à liberdade de expressão. Com seu posicionamento a favor de softwares da proprietário e jornais e revistas da mídia paulistas nas escolas. Eu quero ver como o PT vai agir na oposição, saindo das eleições achando que perdeu de forma desleal e injusta.

De qualquer forma, eu já tinha avisado que iriam para o vale-tudo. O jogo de 2010, valeria o Pré-Sal, a economia bombando, a inflação controlada, os investimentos da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016. Disse que seria sangrento. Disse, e implorei ao PT, que não usasse o salto-alto. Mas principalmente disse que vencer no 1º turno, era estratégia, não favoritismo. Ninguém (da campanha) me ouviu.

Agora, se perder, o PT vai sair das urnas com gosto de sangue na boca, o MST será acuado e criminalizado, afinal Kátia Abreu só não virou vice do Serra pq não quis. Eles estarão livres das amarras institucionais e com ódio no coração. O PT não precisará fazer o jogo da mídia, muito pelo contrário, poderá enfrentá-la. E pra piorar esse cenário, terá em São Bernardo um líder pronto para se recandidatar em 2014.

Logo após a posse do Serra, ele virará, mais rápido que imaginam, um Collor. Alguém acha que no poder, tendo que contrariar interesses diariamente, as suas sujeiras vão continuar debaixo do tapete? Vai ser sangrento, mais que essa eleições presidenciais.

O que virá na Época dessa semana?

“Vazaram isso ai pra Época”

Eu aposto num vazamento do processo que estava no STM. Não que tenha algo importante lá, mas como disse anteriormente, eles só precisam de uma folha em branco para escrever suas mentiras.

Parabéns a todos os incompetentes que do alto da sua arrogância, permitiram o segundo turno. Sua falta de inteligência e humildade vai entregar de bandeja um País voando baixo a um grupelho de tucanos golpistas.

Mino Carta :: Cureau, a censora


Os delírios de quem percebe o poder a lhe escorrer entre os dedos. – Mino Carta”

Um texto histórico, do Mino Carta, para guardar e mostrar aos nossos filhos e netos. Já disse aqui – mas não custa repetir – eles não vencerão. Só com o Golpe. Mas aí, só por cima dos nossos cadáveres.

Cureau, a censora « CartaCapital

Mino Carta 24 de setembro de 2010 às 10:00h

Conta-se aqui uma história insolitamente verdadeira de uma tentativa de assalto à liberdade de imprensa. Vale insistir: esta é autêntica. Por Mino Carta

Permito-me sugerir à doutora Sandra Cureau, vice-procuradora-geral da Justiça Eleitoral, que volte a se debruçar sobre os alfarrábios do seu tempo de faculdade, livros e apostilas, sem esquecer de manter à mão os códigos, obras de juristas consagrados e, sobretudo, a Constituição da República. O erro que cometeu ao exigir de CartaCapital, no prazo de cinco dias, a entrega da documentação completa do nosso relacionamento publicitário com o governo federal nos leva a duvidar do acerto de quem a escolheu para cargo tão importante.

Refiro-me, em primeiro lugar, ao erro, digamos assim, técnico. Aceitou uma denúncia anônima para proceder contra a revista e sua editora. Diz ela conhecer a identidade do denunciante, acoberta-o, porém, sob o manto do sigilo condenado pelo texto constitucional e por decisões do Supremo Tribunal Federal. Protege quem, pessoa física ou jurídica, condiciona a denúncia ao silêncio sobre seu nome. Ou seja, a vice-procuradora comete uma clamorosa ilegalidade.

Há outro erro, ideológico. Quem deveria zelar pela lisura do embate eleitoral endossa a caluniosa afronta que há tempo é cometida até por colegas jornalistas ardorosamente empenhados na campanha do candidato tucano à Presidência. A ilação desfraldada a partir do apoio declarado, e fartamente explicado por CartaCapital, à candidatura- de Dilma Rousseff revela a consistência moral e ética, democrática e republicana dos acusadores, ou por outra, a total inconsistência. A tigrada não concebe adesão a uma candidatura sem a contrapartida em florins, libras, dracmas. Reais justificados por abundante publicidade governista.

Sabemos ser inútil repetir que a publicidade governista premia mais fartamente outras publicações. Sabemos que José Serra, ainda governador, mas de mira posta na Presidência, assinou belos contratos de compra de assinaturas com todas as maiores empresas jornalísticas do País, com exceção, obviamente, da editora de CartaCapital. Sabemos que não é o caso de esperar pela solidariedade- dos patrões da mídia e dos seus empregados, bem como das chamadas entidades de classe, sem falar da patética Sociedade Interamericana de Imprensa. Estas, aliás, se apressam a apoiar a campanha midiática que aponta em Lula o perigo público número 1 para a democracia e a liberdade de imprensa.

Nem todos os casos denunciados pela mídia nativa merecem as manchetes de primeira página, um e outro nem mesmo um pálido registro. É inegável, contudo, que dentro do PT há uma lamentável margem de manobra para aloprados de extrações diversas. CartaCapital tem dado o devido destaque a crimes como a quebra de sigilo fiscal e a deploráveis fenômenos de nepotismo e clientelismo, embora não deixe de apontar a ausência das provas sofregamente buscadas pelos perdigueiros da informação, em vão até o momento, de ligações com a campanha de Dilma Rousseff.

Vale, porém, discutir as implicações da liberdade de imprensa, e de expressão em geral. É do conhecimento até do mundo mineral que a liberdade de informar encontra seus limites no Código Penal. Se o jornalista acusa, tem de provar a acusação. E informar significa relatar fatos. Corretamente. Quanto à opinião, cada um tem direito à sua.

Muito me agrada que o Estadão e o Globo em editoriais e, se não me engano,- um colunista tenham aproveitado a sugestão feita por mim na semana passada. Por que não comparar Lula a Luís XIV, além de Mussolini e Hitler? Compararam, para ampliar o espectro da evocação. De ditadores de extrema-direita a um monarca por direito divino, aprazível passeio pela história. Volto à carga: sinto a falta de Stalin, talvez fosse personagem mais afinada com a personalidade de Lula, aquele que ia transformar o Brasil em república socialista. Quem sabe, a tarefa fique para a guerrilheira terrorista, assassina de criancinhas.

Espero ter sido útil, com uma contribuição aos delírios de quem percebe o poder a lhe escorrer entre os dedos. A campanha midiática a favor do candidato tucano não é digna do país que o Brasil merece ser, e sim adequada ao manicômio. Aumenta o clamor de grupelhos de inconformados de uma velha-guarda que não dispensa militares de pijama, todos protagonistas de um espetáculo que fica entre a ópera-bufa e o antigo Pinel. Que tem a ver com liberdade de imprensa acusar Lula e Dilma de pretenderem “mexicanizar”, ou “venezuelizar” o Brasil? Ou enterrar a democracia?

Mesmo que o presidente não pronuncie sempre palavras irretocáveis, onde estão as provas desse terrificante projeto? Temos, isto sim, as provas em sentido contrário: os golpistas arvoram-se a paladinos de uma legalidade que eles somente ameaçam. A união da mídia já produziu alguns entre os piores momentos da história brasileira. A morte de Getúlio Vargas, presidente eleito, a resistência a Juscelino, o golpe de 1964 e suas consequências 21 anos a fio, sem contar com a oposição à campanha das Diretas Já. Ou com o apoio maciço à candidatura de Fernando Collor, à reeleição de Fernando Henrique, às privatizações vergonhosamente manipuladas.

É possível perceber agora que este congraçamento nunca foi tão compacto. Surpreende-me, por exemplo, o aproveitamento que o Estadão faz das reportagens de Veja, citada com todas as letras. Em outros tempos não seria assim, a família Mesquita tachava os Civita de “argentários” em editoriais da terceira página. As relações entre os mesmos Mesquita, os Frias e os Marinho não eram também das melhores. Hoje não, hoje estão mais unidos do que nunca. Pelo desespero, creio eu.

A união, apesar das divergências, sempre os trouxe à mesma frente quando o risco foi comum. Ameaça ardilosamente elevada à enésima potência para justificar o revide pronto e imediato. E exorbitante. A aliança destes dias tem uma peculiaridade porque o risco temido por eles é real, a figurar uma situação muito pior do que aquela imaginada até o começo de 2010. Desespero rima com conselheiro, mas como tal é péssimo. De sorte que estão a se mover para mais uma Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. A derradeira, esperamos. Não nos iludamos, no entanto. São capazes de coisas piores.

Otimista em relação ao futuro, na minha visão vivemos os estertores de um sistema, mudança essencial ao sabor de um confronto social em andamento, sem violência, sem sangue. Diria natural, gerado pelo desenvolvimento, pelo crescimento. Donde, por mais sombrios que sejam os propósitos dos verdadeiros inimigos da democracia, eles, desta vez, no pasaran. Eles próprios se expõem a risco até ontem inimaginável. Se houver chance para uma tentativa golpista, desta vez haverá reação popular, com consequências imprevisíveis.

Episódio representativo da situação, conquanto não o mais assombroso, longe disso, é a demanda da vice-procuradora da Justiça Eleitoral para averiguar se vendemos, ou não, a nossa alma. Falo em nome de uma pequena redação que não desiste há 16 anos na prática do jornalismo honesto, pasma por estar sob suspeita ao apoiar às claras a candidatura Dilma.

Sugiro à doutora Sandra que, de mão na massa, verifique também se a revista IstoÉ recebeu lauta compensação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema quando o acima assinado em companhia do repórter Bernardo Lerer, escreveu uma reveladora, ouso dizer, reportagem sobre Luiz Inácio da Silva, melhor conhecido como Lula, publicada em fevereiro de 1978. Ou se acomodou-se em uma espécie de mensalão ao publicar oito capas a respeito da ação de Lula à frente de uma sequência de greves entre 1978 e 1980. Ou se me locupletei pessoalmente por ter estado ao lado dele na noite de sua prisão, e da sua saída da cadeia, quando enquadrado pela ditadura na Lei de Segurança Nacional, bem como nas suas campanhas como candidato à Presidência da República.

Desde o dia em que conheci o atual presidente da República, pensei: este é o cara.

Mino Carta

Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redação@cartacapital.com.br

É o povo, estúpido!

As últimas pesquisas mostraram um cenário ainda mais desolador para a oposição. Ok, estou aqui relevando a clara manipulação que ocorreu na pesquisa anterior do Datafolha e considerando o atual avanço simplesmente extraordinário. Mas “ado, ado, cada um no seu quadrado”. Se o Datafolha resolveu gastar o que lhe resta de reputação só para adiar algo que já se mostrava inevitável desde as outras pesquisas, é pq a situação é mais grave do que o mais otimista lulista/dilmista 🙂 poderia ter sonhado lá no começo de 2008 qdo o “paranormal” Lula da Silva escolheu a Dilma como sucessora. Seria a intuição a forma mais pura de inteligência? Lula prova que sim.

Essa manipulação e distorção descarada é uma das demonstrações de desespero que vêm surgindo nas oposições. Sabem que não tem mais o controle do momento. No seu cronograma, o jogo sujo da mídia era para ocorrer só lá na frente, qdo a campanha estivesse pegando fogo. Afinal, sempre foi assim. Lula antecipou o jogo, trouxe todo mundo pra arena. No seu tempo. Nesse momento situação ficou cada dia mais grave, e ai a mídia (e orgãos auxiliares) tiveram que sair das sombras. Só não começaram ainda o bombardeio em massa sobre a Dilma. Tudo que vimos até agora são ensaios. As razões disso ainda não consegui descobrir. Pode ser incompetência. Pode ser medo. Pode ser estratégia. Se o ataque não veio agora, vai vir qdo? No horário eleitoral gratuito? É só olhar a previsão de tempo pra cada coligação pra imaginar que isso não vai dar certo.

A outra demonstração de desespero é o ressurgimento do nome do Aécio para vice. Oras, suponhamos que por inocência (é piada isso né? “mineiro” e “inocente” numa mesma frase sobre política) ou por pressão (bem mais provável, considerando o modus operandi do tucanato paulista) que o Aécio aceite ser o vice do Serra. Oras, nesse caso, o Serra já começa o mandato devendo a alma para os mineiros. Não consigo enxergar um cenário pior para o começo de um mandato. Nem o Collor assumindo devendo até o último cabelo da narina à Globo seria pior. Nem o FHHC começando o 2º mandato devendo até a última gota de sangue (se é que ele tem) ao Clinton/FMI seria pior. Então ou os oposicionistas que realimentam essa possibilidade são na verdade os mais profundos aecistas. Ou estão realmente desesperados.

Mas convenhamos, não dá pra jogar tudo nas costas da oposição. O Serra se preparou (há controvérsias) pra esse momento. Mas deu muito azar. Pegou um monstro político que termina seu mandato com aprovação recorde. Entregando um crescimento do PIB de 10%. Reduzindo a desigualdade, criando um mercado consumidor de massa, etc. Enfim, ia começar a citar todos os dados que constroem essa popularidade animalesca do Lula, mas dá até preguiça. É indicador positivo que não acaba mais. Então vou pular essa parte. O governo dele termina voando, só isso. Se alguém chegou de Marte agora,  e tem dúvidas, pergunte ao IBGE.

Além disso, a Dilma está explodindo, cada dia mais confiante, cada dia mostrando mais habilidade. Cada dia mais tranquila e desenvolta (se bem que qdo a maré boa é fácil, vamos ver qdo a chapa esquentar mais um pouco). Ela está passando pelas etapas rapidamente, pulverizou qualquer discussão sobre a Política Monetária, pois sabe que a batalha agora é com nos spreads. Aniquilou em uma única sabatina um trabalho de meses do Instituto Millenium para emplacar na mídia a discussão sobre a explosão da divida pública interna, pq era uma falácia. E ao contrário do que a mídia propaga, não tem errado. Oras, como já disse, pra quem precisa ganhar em Minas, visitar o túmulo do Tancredo pode ser tudo, menos um erro. Se tem errado – como todo ser humano – são erros insignificantes. Então tem razão o Marcos Coimbra qdo diz que a oposição torce para que ela erre MUITO.

Pra sermos justos, a grande culpa do Serra é ter confiado demais na mídia. Não parou pra pensar no que oferecer ao país como opção de projeto, não discutiu honestamente as falhas (naturais) do Governo. E agora, a mídia faliu. O recuo da Globo na propaganda deslavada do “45” foi histórico. Assim como tem sido didáticas as derrotas dominicais do “Fantástico” para o “Pânico”. Mas não os subestimo, estão ai há tanto tempo, possuem o know-how do golpismo, adquiriram uma resiliência invejável e não vão sair de cena assim tão fácil.

Nesse contexto, o povo é que tem sido surpreendente. Estão demonstrando que gostaram da idéia de continuidade. E melhor que isso, o povo parece estar criando uma resistência aos factóides. O conhecimento tácito indica aos eleitores brasileiros – na grande maioria conservadores, essa é a verdade – que a despeito de tudo de ruim que vêem na mídia (e de bom que é ocultado) a cada dia passam a achar que tudo isso tem que continuar. Primeiramente, pq é uma obra – mesmo com falhas – monumental e histórica (mas essa parte só vai constar nos livros futuros). E em segundo lugar, pq não existe até o momento uma opção consistente ao projeto de continuidade que se propõe. Por isso a Dilma cresce de maneira gradativa, mas consistente. O crescimento não é uma expansão súbita. É uma conquista lenta, uma adesão gradativa ao projeto que Lula planejou lá atrás.

Assim os marqueteiros da oposição tem que aceitar a grande verdade dessas eleições. O povo sentiu o gosto de estar no poder, ser ouvido e representado. E hj parece não crer tanto no que estão vendo na mídia. Guiados pela sua intuição estão escolhendo a Dilma como herdeira desse legado histórico.

A solução para a oposição é trocar o povo. Ou partir para o golpe.

O que seria dos golpistas sem aqueles a quem atacam?


“Seria a mídia brasileira, a nossa Al-Qaeda?”

Jornal Correio do Brasil – O que seria dos golpistas sem aqueles a quem atacam?

12/5/2010 17:48:58

Por Ana Helena Tavares – do Rio de Janeiro

O que era o jornalismo político na época de FHC? Era a política como jornalismo ou o jornalismo como política? Sei que era chocho, sem graça, recatado. Tímido mesmo. Hoje? Ano eleitoral, com uma ex-guerrilheira na disputa? Ah, a coisa anda bem diferente. Saíram das tocas aos montes.

Eliane Cantanhêde, por exemplo, gravou um vídeo para a Folha toda buliçosa, se achando a tal porque contava ao mundo uma “novidade”: a direita não suporta cheirar o povo. De acordo com a grande revelação, tucanos e demos se aproximam, sim, da massa, quem diria, mas só da “massa cheirosa”. Descobriu a pólvora. É um crânio. Pelo raciocínio apresentado, perfume francês, do tipo que usam os doutores da Sorbonne, é o suprassumo do agradável. Mas há uns bem mal-cheirosos. Tanto que nem seus colegas de partido o admitem ter por perto.

A direita não tem o candidato que gostaria, mas a única opção dos direitistas, que fogem de FHC como o diabo da cruz, é José Serra e é a ele que se agarrarão até a última gota de veneno. E não é preciso ser nenhum crânio para assistir ao veneno sendo destilado em pleno horário nobre. Recentemente, a “Vênus platinada”, apelido mais íntimo do que plim-plim, não se acanhou em veicular mensagem subliminar de apoio a José Serra, em vídeo comemorativo dos seus 45 anos de defesa daquilo que Dr. Roberto chamava de democracia. Mas já lá se vão os tempos do empresário midiático que se julgava no poder de jogar pôquer com a sociedade. Numa incrível demonstração de que sabe que já não consegue manipular como antes, a emissora passou recibo e tirou o vídeo do ar. Mas, a direita não há de se sentir órfão, o Jornal Nacional perde audiência, mas, enquanto tiver a quem atacar, não perderá a pose.

O maior câncer que pode haver para a imprensa é o jornalismo/empresa e o pior mesmo é saber que essa doença já é antiga e já virou metástase. Com uma oposição que só pensa em cheirar seu próprio umbigo, mas nem por isso o lava, e uma grande imprensa que ganhou o pertinente nome de PIG (Partido da Imprensa Golpista, expressão imortalizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e criada pelo deputado Fernando Ferro, do PT, em “homenagem” ao jornalista Ali Kamel), fica difícil pensar no Brasil como um país de todos.

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Regras do pré-sal podem ser contestadas na Justiça

Depois reclamam que a esquerda cria teorias da conspiração pra explicar certos “movimentos”. Oras, o tempo passa e os indicios vão surgindo.

Regras do pré-sal podem ser contestadas na Justiça – Estadao.com.br

sábado, 12 de setembro de 2009, 09:15 | Online

Regras do pré-sal podem ser contestadas na Justiça

AE – Agencia Estado

RIO – Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2005 pode municiar contestações jurídicas ao novo marco regulatório do setor de petróleo. A decisão foi contrária à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 3.273, que pedia a suspensão dos leilões de áreas petrolíferas no País. Por sete votos a três, os ministros do STF decidiram que o governo não pode conceder áreas sem licitação, como pretende fazer com a Petrobras.

A decisão, na época, foi favorável ao governo. Movida pelo governador do Paraná, Roberto Requião, a Adin tinha como objetivo suspender a sexta rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2004. Requião reclamava que os leilões deixavam “à disposição das multinacionais as últimas províncias petrolíferas brasileiras” e que iam contra o monopólio estatal previsto na Constituição.

“Esse processo será importante na discussão da nova lei”, diz o jurista Carlos Roberto Siqueira Castro, que assessorou o governo na ocasião. Segundo ele, a decisão estabelecia que a exploração e a produção de petróleo e gás “têm natureza de atividade econômica em sentido estrito”, e não de prestação de serviço público. Por isso, não pode ser contratada pelo governo sem licitação.

“Nesse sentido, a preferência pela Petrobras como operadora violaria a lei”, aponta Siqueira Castro. Mesmo argumento pode ser usado contra a inclusão da Petro-Sal nos consórcios que vão explorar o pré-sal, diz o jurista – que, no entanto, prefere ainda não opinar sobre a constitucionalidade dos projetos de lei enviados ao Congresso na semana passada.

“O STF não analisou a questão como ela está posta hoje, há novos elementos a considerar”, afirmou o jurista, que foi contratado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) para elaborar um parecer sobre o tema. O trabalho ainda está na fase inicial, de análise das teses favoráveis e contrárias às mudanças propostas pelo governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.