Quer que eu desenhe? :: PIB per Capita

“Não sei nem como explicar para alguém o quão importante e extraordinária é essa curva. Principalmente por que ocorreu em sincronia com uma queda na desigualdade da renda.”

“Aqui aquela parte da curva no que se refere aos governos FHC I-II vs Lula I-II. Sem comentários.”

Povo, é por isso que esses caras não querem falar de economia. Não podemos deixar que o golpismo da mídia paute o debate eleitoral. Não podemos aceitar que alguns estupidos sejam capazes de jogar areia nos olhos dos eleitores brasileiros. Avançamos muito, como nunca antes na história desse país (pra ficar no bordão).

Esses caras querem debater tráfico de influência e quebra de sigilo (só dos adversários, claro) só por que a mudança ocorrida nesse país foi simplesmente extraordinária.

Desvios éticos são casos de polícia. Eleição é sobre o que mudou ou não na sua vida (e de seus pares) e o quanto ainda pode melhorar no futuro.

Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora? – Economia – iG

Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora?

Economia ultrapassa média da renda per capita mundial e pode chegar até US$ 20 mil até o fim desta década
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A desconcentração recente de renda no Brasil

A concentração de renda no Brasil é uma das maiores do mundo, ainda herança de um período de forte concentração (1960-1991), mas, pelo menos, o Brasil é um dos poucos países na última década que logrou crescer com desconcentração.

Esse processo vem desde a saída da recessão de 1990-1991, mas em duas fases:

– 1993-2003 : desconcentração por saída da recessão, redução da inflação no período inicial do Plano Real; a partir de 2001 continuidade da desconcentração apesar do mercado de trabalho adverso : rendas maiores sofreram queda maior que rendas menores, estas progressivamente protegidas pela maior participação de pensões (como as rurais) e aposentadorias na composição total, surgimento de programas federais de transferência (bolsa-escola). 

– 2004-2009 : desconcentração de renda por recuperação do mercado de trabalho; expressivo aumento das transferências unilaterais (bolsa-família); redução da participação dos juros na formação de renda. 

A desconcentração foi mais acentuada no segundo período. 

O índice de Gini é relevante, mas frequentemente há confusões, dependendo dos tipos de renda e populações considerados. Não é raro em matérias ou análises os observadores se defrontarem com mistura de índices no texto, dada a tendência a simplesmente falar “índice de Gini”. 

Mas há três séries mais conhecidas, apresentadas neste gráfico (as linhas verticais dividem os períodos de governo) : 

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Entrevista com a economista Maria da Conceição Tavares

Uma das maiores economistas brasileiras concedeu uma bela entrevista no programa Globo News Documento neste sábado. Maria da Conceição Tavares comenta sobre sua história, sua formação acadêmica, a influência de Celso Furtado, e o desenvolvimentismo, dentre outros assuntos. Ela fala que o presidente Lula não é um populista, mas um presidente do povo. Com 80 anos de idade, a lucidez da economista surpreende. A vivacidade de suas idéias transparece no modo contundente de expor seus pensamentos.

Conceição afirma que a luta política de hoje é a luta por reformas democráticas, que permitam a participação crescente do povo e dos excluídos na condução do seu próprio destino. Ela comenta o atual protagonismo brasileiro nas relações internacionais e cita, inclusive, que da Economist ao Foreign Affairs, o presidente Lula e o ministro das relações exteriores Celso Amorim foram citados como os melhores do mundo em suas áreas de atuação em 2009. Considerando-se heterodoxa, socialista utópica e Cepalina, a economista fala das dificuldades de se fazer uma reforma tributária. Sobre isso, diz que os ricos não querem pagar impostos (e realmente não pagam, quem os paga é a classe média), e comenta que os grandes proprietários de terra também não pagam impostos. E como eles elegem a maior parte do Congresso, a reforma tributária não sai do papel.

Em determinado momento, ela afirma que FHC virou neoliberal e havia privatizado quase tudo, além de falar que o ex-presidente era uma espécie de proconsul do Clinton. Aliás, Conceição confessou que sentia vergonha quando via o ex-presidente FHC discursando em inglês. “Um presidente que se preze discursa em seu próprio idioma. Os outros que traduzam, diz ela”. Também comenta que continua no PT até hoje e afirma que Lula tem uma memória prodigiosa e é “estupidamente inteligente”. Curiosamente, após essa citação, a jornalista muda de assunto e volta a falar sobre a vida acadêmica da economista.

Sobre a crise de 2008, ela crê que o mundo ainda não se recuperou totalmente. Cita, como exemplos, as dificuldades econômicas do Japão, da Alemanha e do México.  De certo modo ela prevê que a atual crise será um formato de W, ou seja, o mundo ainda não se recuperaria completamente no curto prazo. Conceição argumenta que se os EUA não controlarem os bancos, haverá outra crise, pois eles tornarão a repetir o erro. “Os bancos estão se sustentando e realizando lucros à custa de governos. O governo americano deu dinheiro aos bancos, mas não cobrou nada em troca”, ela afirma.

Sobre a economia brasileira no período FHC, Conceição comenta que o Brasil herdou uma crise cambial do tamanho de um elefante, tendo ido à falência. Fala que era contra a política econômica ortodoxa do início do governo Lula, porque interrompe o crescimento, como ocorreu em 2004. Mas ela cita que a estratégia do governo Lula foi fazer isso para o Brasil ter mais autonomia frente aos outros países do mundo, pagando as dívidas, e acumulando reservas, como de fato ocorreu. A atual preocupação da economista é a sobrevalorização do Real, o que é ruim tanto para as exportações quanto para as importações (em parte devido à China, que pode engolir o mundo).

Conceição acha que a inserção internacional do Brasil é boa para os próximos anos, e concorda com Darcy Ribeiro, que afirmou que o Brasil será a primeira grande democracia multiracial dos trópicos. No final do programa, ela afirma que é a primeira vez que ela está racionalmente otimista em relação ao Brasil.

Vale a pena assistir ao programa. Segue o link:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1253052-7823-MARIA+DA+CONCEICAO+TAVARES+COMPLETA+ANOS+NA+ATIVA,00.html