Tradução da entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

“Ei, @dilmabr #KeepWalking”

Estava prestes a publicar a original em inglês quando descobri que o Idelber Avelar e cia (Paula Marcondes e Josi Paz) fizeram a tradução. Na mesma leva, também descobri que o povo da “Vila Vudu” (que sempre me manda as traduções dos artigos do Pepe Escobar, tem uma conta no twitter, recomendo fortemente)

Então se alguém ainda não viu lá. Segue abaixo.

O Biscoito Fino e a Massa : Entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

segunda-feira, 06 de dezembro 2010

Entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post

No Brasil, de prisioneira a Presidente
Por Lally Weymouth

Tradução de Paula Marcondes e Josi Paz, revisão de Idelber Avelar.

Ter sido uma presa política lhe dá mais empatia com outros presos políticos?
Sem dúvida. Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, sua opinião pública, suas próprias opiniões.

Então, isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Por que o Brasil apóia um país que permite o apedrejamento de pessoas, que prende jornalistas?

Acredito que é necessário fazermos uma diferenciação no [que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construir a paz no Oriente Médio. O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política – de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão ao Iraque. Não conseguimos construir a paz, nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. Todos os dias, morrem soldados dos dois lados. Tentar trazer a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho.

[Mas] eu não endosso o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que possuem características medievais [quando se trata de] mulheres. Não há nuances; não faço concessões nesse assunto.

O Brasil se absteve em votar na recente resolução sobre os direitos humanos na ONU .
Eu não sou Presidente do Brasil [hoje], mas eu me sentiria desconfortável, como mulher eleita Presidente, não dizendo nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma em que o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos norte-americanos sentiram empatia pelo povo iraquiano que se rebelou nas ruas. Por isso me pergunto se sua posição sobre o Irã seria diferente daquela do seu atual Presidente, que possui boa relação com o regime iraquiano.
O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre apoiou a construção da paz.

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Bracher :: A ameaça do câmbio


A ameaça do câmbio — Portal ClippingMP

A ameaça do câmbio

Autor(es): Sergio Lamucci
Valor Econômico – 24/09/2010

A trajetória de valorização do câmbio preocupa o ex-presidente do Banco Central (BC) Fernão Bracher. Para ele, o país precisa lutar contra o fortalecimento excessivo do real, que pode ter efeitos muito negativos para a economia. “Nós vimos agora a cotação ameaçar ir abaixo de R$ 1,70 o que seria catastrófico para todo o país”, afirma Bracher, alertando para os riscos de um dólar exageradamente barato para a indústria e até mesmo para os setores que exportam commodities. “Atrás do câmbio está a geladeira americana, o automóvel, a máquina alemã. Tudo isso é câmbio. É a nossa soja, o nosso café”, diz Bracher, num discurso pouco comum para um banqueiro.

Hoje vice-presidente do conselho de administração do Itaú BBA, Bracher diz que o mundo passa por um realinhamento global de moedas, causado pela necessidade de desvalorização do dólar, para corrigir o déficit em conta corrente dos Estados Unidos. Isso tem levado muitos países a defender suas divisas, para impedir valorizações exageradas, como têm feito o Japão, a Suíça e a Colômbia, nota Bracher. “É como se fosse um grande movimento tectônico, em que as coisas têm que se ajustar.”

Para ele, como há hoje uma “situação extraordinária”, é preciso adotar “posturas extraordinárias”. Além do movimento global de moedas, Bracher lembra que o “Brasil está na moda”, atraindo um volume significativo de recursos estrangeiros – entre outros motivos, pelo diferencial de juros internos e externos.

O ex-presidente do BC elogia a atitude do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de dizer que o governo pretende evitar a “valorização excessiva ou indevida” do real. “Acho muito bom que alguém do governo diga isso.”

Bracher considera a compra de dólares a melhor opção para evitar uma apreciação exagerada do câmbio, preferencialmente por meio do BC, mas não condena a intervenção via Fundo Soberano do Brasil, autorizado recentemente a comprar dólares. “O importante é comprar.”

Caso a aquisição de moeda americana não seja suficiente para deter a valorização do real, o governo poderia, então, analisar o uso de medidas administrativas, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capitais ou mudanças nas posições vendidas dos bancos. “Elas devem ser o último recurso, mas são um recurso”, diz Bracher, que não as vê como um tabu. Mas, por serem o último recurso, “deve-se procurar não usá-las, ou usá-las o menos possível”. Essas medidas “envelhecem muito rapidamente”, observa. “É como dizem os italianos: “fatta la legge, trovata la roba”, significando que logo se encontra a maneira de driblar a medida administrativa.” Se adotadas, é preciso que se tenha em mente que se trata de uma situação temporária.

Um dos fundadores, em 1988, do Banco BBA Creditanstalt, que em 2002 se associou ao Itaú, Bracher diz que o saldo de quase oito anos do governo Lula é “positivo nos aspectos econômico e social, e negativo no moral”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

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Íntegra da entrevista da Dilma ao Jornal Nacional

09/08/2010 20h50 – Atualizado em 09/08/2010 23h24

Dilma Roussef é entrevistada pelo Jornal Nacional

Candidata do PT foi a primeira de série com presidenciáveis.
Marina será ouvida na terça; Serra, na quarta-feira.

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi entrevistada ao vivo nesta segunda-feira (9) no Jornal Nacional pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. A candidata Marina Silva (PV) será entrevistada na terça-feira e José Serra (PSDB), na quarta. A ordem das entrevistas foi definida em sorteio.

Veja ao lado a íntegra, em vídeo, da entrevista com Dilma Rousseff. Ela respondeu a perguntas dos entrevistadores durante 12 minutos. Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.

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A entrevista de Dilma ao Jornal Nacional

Hoje à noite o Jornal Nacional entrevistou a candidata à presidência Dilma Roussef, do PT. Tenho fortes razões para crer que a Dilma ganhou vários novos eleitores, a ponto de tal movimento ser detectado nas próximas pesquisas eleitorais. Na minha opinião, o desempenho da ministra no Jornal Nacional de hoje foi espetacular, muito melhor que no debate da Band.

Dilma Rousseff no Jornal Nacional – 09/08/2010

Analisando o conteúdo do discurso da Dilma, vemos que ela foi muito bem sucedida. No início da entrevista, ela mostrou que tem experiência administrativa para governar o país, citando os cargos que ocupou ao longo de sua vida na máquina pública. Foi um bom modo de responder ao questionamento do Bonner, que disse que ela não tem experiência eleitoral nenhuma. Dilma soube diferenciar os dois tipos de experiência, mostrando, de modo didático, que a experiência administrativa é muito mais importante para o país e para o povo que a experiência eleitoral. E finalmente Dilma acertou em um ponto crucial, a meu ver. Ela disse que foi ministra da Casa Civil, enfatizando que é o segundo cargo mais importante do governo federal. De fato, a Casa Civil no Brasil tem tanta importância quanto o cargo de primeiro-ministro na Europa, ou do chefe de equipe (“chieff of staff”) nos EUA. São cargos equivalentes, e as pessoas que assistiram a entrevista viram que a Dilma esteve em um cargo muito importante, estando abaixo apenas do presidente Lula na hierarquia do governo. Isso faz diferença na mente das pessoas. Causa impacto positivo.

Dilma mostrou a incoerência do discurso oposicionista quanto ao que dizem dela. Respondeu a Bonner que uns a vêem como pessoa forte, outros a vêem como pessoa que precisaria de tutor (Lula). Ela soube extrair algo positivo disso, afirmando que tem orgulho da participação dela no governo do presidente Lula, e que foi o braço direito e esquerdo dele no processo de transformar o Brasil em um país diferente. Mais uma vez ela se associou positivamente ao Lula, ganhando a simpatia das milhões de pessoas mais humildes que gostam do Lula e estavam assistindo ao jornal.

Em seguida a Fátima Bernardes disse que a Dilma é visto como uma pessoa dura e de temperamento difícil. Dilma afirmou que existem visões construídas a respeito dela, e foi sincera, dizendo que é uma pessoa firme. Dilma mostrou que ela e o Lula fizeram um governo do diálogo, mas que sabem ser firmes quando é para lidar com os problemas do povo brasileiro. Mais um ponto que Dilma ganhou aqui com os que assistiam o jornal, tanto pela sinceridade, quanto pela associação com o presidente Lula.

A entrevistadora insistiu no assunto, mencionando o comportamento da Dilma. Citou que Lula tinha dito que a Dilma “maltratava” outros ministros. Dilma ganhou mais pontos junto aos telespectadores nessa hora, pois fez de modo espetacular a analogia que o Lula é mestre em fazer: simplificou a situação, usando um exemplo do cotidiano. Disse que é como uma mãe, que é firme na hora de educar os filhos.

Apesar de ser constantemente interrompida pelo casal da Globo, Dilma manteve-se impassível. Demonstrou autocontrole, serenidade, e sorriu de modo natural em vários momentos, citando de modo positivo algumas realizações do governo Lula.

William Bonner falou sobre as alianças políticas, dizendo que Jader Barbalho, Renan Calheiros e Collor apoiam Dilma. Aí afirmou que o PT criticava esses políticos no passado, mas hoje são aliados. Enfim, perguntou se o PT errou antes, quando criticava eles, ou agora, que os apoia. Mais um ponto para Dilma. Ela escapou da armadilha com maestria, anulou o efeito negativo da citação de tais políticos e da crítica ao PT com argumentos positivos: disse que o PT compreendeu a complexidade do Brasil e aprendeu a fazer alianças, pois antes o PT não tinha experiência. Dilma mostrou um tom conciliatório que o Lula tem. Aqui ela também ganhou a empatia dos telespectadores.

Bonner teve a coragem de criticar o governo Lula-Dilma na economia, dizendo que o Brasil cresceu menos que outros países. Mais uma vez Dilma ganhou pontos, pois afirmou que o Brasil é um país muito grande, e o Lula pegou o país com muitos problemas oriundos do governo anterior. Além disso, Dilma lembrou que o Brasil criou quase 2 milhões de empregos em ano pós-crise, e que vai crescer em torno de 7%.

Então um momento curioso: Fátima Bernardes literalmente atropela o marido William Bonner, fazendo sinal para ele parar de falar. Uma situação bem inusitada (aliás, tive a nítida impressão de que Fátima Bernardes viu que o tempo estava se esgotando e então ela interrompeu Bonner para tentar falar sobre saneamento e conseguir desestabilizar a Dilma). Em seguida, Fátima começa a falar de saneamento e diz que o governo Lula teve um desempenho fraco. Dilma aqui também se sai bem. Cita o PAC e diz que os frutos dos investimentos no saneamento serão colhidos a partir deste ano.

Analisando a entrevista, vemos que a Dilma acertou em vários pontos. Mostrou autoconfiança, serenidade e visão multissetorial de país. Soube conciliar aspectos sociais e econômicos. Além disso, mostrou que esteve do lado do presidente Lula durante todo o governo, e mostrou que o foco do governo dela será o povo. Na última fala dela, olhando para o telespectador, ela mostrou que o governo Dilma será a continuação do governo Lula, mas de modo a avançar ao invés de repetir. Dilma ainda citou com maestria os dois pilares que vejo no governo Lula: o pilar social (com redução da pobreza e melhoria de vida do povo), e o pilar institucional (com o crescimento e desenvolvimento do Brasil).

Milhões de brasileiros assistiram a essa entrevista e com certeza a Dilma conquistou a muitos. Por tudo isso que eu digo, tanto no conteúdo como na forma, foi uma entrevista sensacional. Parabéns à Dilma!

A entrevista de Lula à Istoé

“Queria essa foto só pra colocar um zero depois do 201”

Muito interessante a entrevista que o presidente Lula concedeu à revista IstoÉ. Mostra o conjunto de características do presidente que o levaram a ter feito um bom governo, amplamente aprovado pela maioria da população.  Lula tem grande capacidade de planejamento estratégico, perspicácia e inteligência política, atributos importantes que se somam à importante visão de beneficiar o povo e contribuir para o crescimento do país de modo estruturado.

“Ninguém vai destruir minha relação com a sociedade” – Parte 1

Carlos José Marques, Delmo Moreira, Mário Simas Filho e Octávio Costa

Antes de iniciar a conversa com ISTOÉ, o presidente Lula mostrou que estava disposto a dar uma entrevista reveladora. “Vamos combinar o seguinte: podem fazer qualquer pergunta, por mais inconveniente que pareça”, disse ele ao ocupar a cabeceira da comprida mesa de reuniões no seu gabinete improvisado no Centro Cultural Banco do Brasil. “Vamos adotar o seguinte: é probido proibir”, afirmou.

E assim foi. Animado, coloquial e bem-humorado, Lula falou por quase duas horas com a equipe de ISTOÉ, sem recusar nenhum tema proposto. Em dois momentos mostrou um especial estado de espírito. Primeiro um largo sorriso quando recebeu de um assessor, durante a entrevista, os dados da última pesquisa Sensus/Ibope que dava 10% de vantagem à sua candidata Dilma Rousseff sobre o oposicionista José Serra. Pouco depois, o presidente ficaria com o olhos marejados quando falava dos principais legados que julga deixar para o País: “Hoje os pobres sabem que podem chegar lá.”

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FHC e os Anéis Burocráticos

“Eu tentei achar uma caricatura decente. Só tem tu, vai tu mesmo. Vai reclamar com o Angeli.”

Sobre a entrevista em si, vamos deixar isso pros profissionais, como o NPTO.

“Certo, podemos aproveitar para descer a lenha no FHC dizendo que ele poderia, afinal, ter promovido as mudanças no campo que teriam aberto espaço para a democracia, Daniel Dantas se formou dentro dos anéis burocráticos, e, inclusive, discutir que legitimidade tinha FHC: além da racional, eu acho que havia um forte componente de legitimidade tradicional do tipo “respeito ao catedrático” (que o Serra, aliás, não tem)”

Entrevista do FHC no Estadão | Na Prática a Teoria é Outra

Entrevista do FHC no Estadão
Apr 5th, 2010
by NPTO.

O FHC escreveu um livro com um título ótimo, “Relembrando o que escrevi”, juntando artigos já publicados. Quando eu conseguir uma cópia, vou resenhar. Nessa de lançar livro, foi fazer um auto-jabá (certíssimo ele) e deu uma entrevista para uns intelectuais, que o Estadão publicou ontem.

Cuidado que a parada sociológica aqui agora vai ficar nervosa.

Sociólogo que é sociólogo começa a falar de qualquer coisa, já pensa em classe social. Eu não sei o quanto a fala do FHC está editada no Estadão, mas é interessante que ele comente no mesmo trecho duas coisas:

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