Quando Setembro Chegar

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Muitos ficaram preocupados com a fúria dos jovens e adolescentes. Black bloc, anarquistas, etc. Eu nunca me preocupei muito. Primeiro, por causa da minha “origem” punk até o osso. Segundo, por que, como o Draper falou, os adolescentes SEMPRE serão revoltados. Com todos e em todos lugares, não sobra ninguém. Se começa pelos Pais, imaginem com os partidos e com a política. Melhor aceitar e tomar uma. Bola pra frente.

Desde os eventos que incendiaram as ruas em Junho de 2013, muita coisa mudou, muitas não. A percepção é que o Governo acordou e tem tentado – ainda que lentamente – tomar atitudes antes postergadas. Existem mudanças em áreas do governo que não se movem, ainda a serem feitas. Mas presidente algum faz isso com a faca no pescoço. Capitular, jamais.

Contrapor Saúde e Educação vs Copa e Olimpíadas é uma puta de uma hipocrisia e ignorância. Mas não é assim que a coisa funciona, não é mesmo? Mas o governo federal falhou naquilo em que se propôs: mobilidade urbana. Dar dinheiro para Estados e Municípios tocarem as obras nunca dá certo, não é mesmo Aeroporto de Goiânia?

A cobertura da mídia foi a tradicional. Mas também foram pegos de surpresa. Às vezes relutante (pois tem muito a lucrar nos eventos, principalmente a monopolista) tentou, constrangedoramente disfarçada, manipular, inserir a “tradução do sentimento das ruas” em legendas e em horário nobre. Se funcionou ou não, não sabemos. Tudo está tão turvo ainda que as ondas no lago ainda podem retornar de volta aos pés. E como dizem, do lado do Marinho não fica gente burra, eles já perceberam isso.

Parte importante dos eventos foi que o Congresso acordou do torpor em que vivia mergulhado. Absorto entre benesses e privilégios, mudou pontos importantes. Mas já mostra que, como um burro carregado, só irá se mover na base do chicote. Afinal, já comeram todas as cenouras. Então só sobrou o porrete. Mas bater no Congresso é o esporte nacional preferido. E pior, o Executivo, e agora o Judiciário, se uniram irresponsavelmente nessa “onda”. Fica a dica: a Ditadura – do ponto de vista histórico – foi bem ali, ok?

O mais importante do saldo: a oposição continua perdida. A maior prova são as absurdas declarações que a estratégia para 2014 depende “da situação da Presidenta APÓS o 7 de Setembro”. Ou seja, já está carimbada como torcedores do quanto pior melhor. Propostas para os problemas e demandas (sejam elas quais forem) ninguém ouviu falar até agora.

A verdade é que até o momento não há alternativa ao que está ai. E como a tradicional sabedoria popular dificilmente troca o meia bomba pelo incerto, somado ao caráter plebiscitário das reeleições em todo o mundo, Dilma até agora, continua forte candidata à reeleição e o PT rumo a alcançar incríveis 16 anos de domínio do Executivo Federal.

Hegemonia, seu nome é a união PT+PMDB. Agradeçam ao José Dirceu (isso mesmo), e depois ao Lula. Até agora nem sinal da ladainha repetida ad nauseam de traição. Se ocorrer uma ruptura agora, será fruto da fadiga de material que naturalmente ocorre em qualquer aliança.

Ressalva importante: ninguém aqui está torcendo ou contando vitória antes da hora (sabem que detesto isso, aliás parte do que se viu nas ruas foi fruto do tradicional salto alto petista) só estou tentando mostrar como a falta de alternativa programática e a força de uma aliança bem amalgamada, com a pitada de um marketing político bem feito, facilita bastante.

E, ignorem a mídia, o governo fez muito. Terá o que mostrar. Mas não o bastante, não perceberam que a Agenda mudou. Mas apesar dos inúmeros erros nesse 1º mandato (e todo 1º mandato é difícil), a reeleição continua mais provável.

Talvez todo esse cenário poderia ser diferente, se bots e puppets nas redes sociais, tivessem sido ligados em junho de 2014. Talvez não houvesse espaço para recuperação. E principalmente, se a “alternativa” tivesse feito o “dever de casa” e nesse momento tivesse em mãos, um partido, um projeto.

Felizmente (ou infelizmente para alguns) não é o caso. A única coisa que ofereceram à infante democracia brasileira foi o eco irresponsável da “demonização da política”. Isso ficou bem claro, e está registrado.

Em 2014, “aniversário” de 50 anos da Ditadura, será um bom momento para se relembrar.

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Helio Schwartsman :: “É difícil separar governo de campanha”


Que fique claro. Eu não tenho nada contra o Helio Schwartsman, o episodio do H1N1 acontece com todo profissional. Nem sempre a gente faz o que quer, como quer.

Um exemplo é o texto de hoje bem articulado e ponderado dele. Alias muitos articulistas da FSP esquecem disso. Um articulista tem que buscar os fundamentos e articula-los com as noticias sobre a conjuntura.

Folha de S.Paulo – Análise: É difícil separar governo de campanha – 16/10/2009

ANÁLISE

É difícil separar governo de campanha

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

“Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais experimentadas de tempos em tempos”. Embora muitas vezes suprimida, a primeira oração da máxima celebrizada por Winston Churchill (1874-1965) não poderia ser mais exata: a democracia está repleta de aporias e dificuldades.

Elas se materializam por todos os lados, da caravana do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo rio São Francisco, à ampliação dos gastos publicitários da Prefeitura de São Paulo, passando pelo périplo nordestino de José Serra.

O conflito aqui se dá entre o princípio da impessoalidade da administração pública e a realização de eleições nas quais os governantes tomem parte, seja diretamente como candidatos, seja de forma indireta como padrinhos de outros postulantes.
Só haveria solução para este problema se se pudesse isolar completamente o gestor do candidato. Só que isso não é factível nem mesmo desejável.

Especialmente no caso de uma recondução, o que se espera do eleitor é que diga sim ou não à continuidade do governo com base em suas realizações.

A própria ideia de partido político perderia o sentido se o prestígio de um dado administrador não pudesse ser repassado a seu companheiro de sigla.

As leis que criamos para lidar com o problema mal disfarçam sua intratabilidade. Tome-se, por exemplo, o instituto da desincompatibilização. Na tentativa de evitar que o governante use a máquina a seu favor, obrigamo-lo a renunciar ao cargo seis meses antes do pleito.

A regra, evidentemente, não vale no caso da reeleição. Aplicá-la, afinal, alijaria a própria vontade popular, que o elegeu para um mandato de quatro anos prorrogáveis por mais quatro, não de três e meio.

Daí resulta o seguinte paradoxo: um presidente que dispute a reeleição pode ficar no cargo, já um prefeito que o desafie, embora detentor de uma máquina muito menos poderosa, é obrigado a deixar o posto.

No atual estágio da democracia brasileira, é bem provável que normas como essas, apesar de suas incongruências, ainda tenham uma função. A verdade, porém, é que esse não é o primeiro nem o maior dos problemas da democracia. Temos de conviver com eles, pois as alternativas são todas muito piores.

Uribe = Chavez. E isso vc não vai ver nos jornais brasileiros..

Só quero saber porque (pra nossa mídia) o Uribe pode se reeleger indefinidas vezes e o Chavez não. Pra mim, são todos GOLPISTAS BARATOS. São só mais uns “politiquinhos latino-americanos com ego e bolso…”

AFP: Congresso colombiano adia votação de referendo para reeleição de Uribe

(AFP) – há 6 dias

BOGOTÁ, Colômbia — A Câmara de Representantes da Colômbia adiou para a próxima terça-feira a votação para convocar um referendo que permitiria ao presidente Alvaro Uribe concorrer a um terceiro mandato, depois de dois dias de debates nos quais a oposição denunciou subornos oficiais em troca de apoio legislativo.

A votação na Câmara, última etapa no trâmite do projeto para convocar o referendo, foi adiada depois de mais de oito horas de debate, dedicadas na maior parte a decidir sobre a eventual inabilitação de 92 dos 165 membros da Casa.