Fúria nas Trevas

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Fúria nas trevas o vento
Num grande som de alongar,
Não há no meu pensamento
Senão não poder parar.

Parece que a alma tem
Treva onde sopre a crescer
Uma loucura que vem
De querer compreender.

Raiva nas trevas o vento
Sem se poder libertar.
Estou preso ao meu pensamento
Como o vento preso ao ar.

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

A derrota que te dilacera

* * * * *

Salve as crianças, salve o mundo. Cuide dos seus pais, cuide do seu legado. Construa uma casa, construa império. Mude o mundo, mude si mesmo antes. Revolucione um país, transforme sua vila. Empunhe uma bandeira, empunhe uma arma. Derrube um muro, construa uma cerca.

Você achava que sabia o que era pressão. Você se achava pronto pra guerra, pronto para a luta. Você estudou, mas não o bastante. Você leu, mas não o suficiente. Você trabalhou, mas não até suas mãos sangrarem. Você correu, mas não até seus pés estarem em carne viva. E agora, está prestes a desistir. Mas não pode desistir. A pressão só cresce. Gravidade, e sua força incontrolável. Se até os físicos teóricos ainda sofrem com ela, por que não eu? 1 G, 10 Gs. Uma tonelada. O peso do mundo sobre suas costas.

Mantenha a calma. Respire fundo. Segure firme. Isso vai ser divertido, eu prometo. Confie em mim.

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Nunca aprendem. Não se lembram? “Trust no One“. Mas foi divertido, pelo menos para nós que assistimos daqui a sua agonia dilacerante numa tela de 60″ e em FullHD. O “reality show” macabro acabou de começar. Peguem a pipoca e sentem suas bundas gordas e flácidas no sofá. Como fazem todo-santo-dia após o serviço-universidade-academia. Rotina, o segredo da submissão.

Não é fácil, viver não é fácil. Ninguém disse que seria. Pelo menos pra mim, nunca poderia dizer que me iludiram. Você se preparou por anos a fio, deveria estar pronto. Mas na hora H, não está. Na hora que os sinos dobram, não está.

Se torna a falha que anda. E também fala. Como fala. O “talk” do “talk the talk, walk the walk“. Carrega o DNA poderoso dos seus antepassados. Mas não o merece. Você se torna apenas uma vergonha imemorial. Não tem sequer ideia do que eles passaram para te passar o bastão e te fazer chegar até aqui.

Um covarde. Um fraco. Um perdedor. Um ignorante. Entre outros. Existe tomo grande repleto de adjetivos só pra te descrever. E no fim ainda há páginas em branco. Só para o caso de surgir “algo novo“. A energia do universo evanesce na futilidade da sua rotina. Na imbecilidade das suas palavras. Na confusão que se tornou sua mente e suas emoções. Isso que vocês mortais chamam de “vida moderna”. Era pra ser só uma fase. Só um estágio de amadurecimento. Mas não, se tornou “Sua Vida”. Inacreditável. Não serve nem para tema de novela. Daquelas que passam na Globo. Daquelas que vocês assistem diariamente.

Desperdiçam seus minutos em “bares cheios de pessoas vazias”. Viajam o mundo inteiro para voltar ao ponto de onde saiu.  Se suicidam lentamente com a sua alimentação artificialmente saborosa e propositalmente desbalanceada. Vivem presos em academias que no futuro serão confundidas com masmorras por arqueólogos. Perdidos entre o sedentarismo e a leniência intelectual. Entorpecidos pela poderosa industria do “entertainment”. Subjugados pela ditadura do belo plastificado. Dezenas de cremes, nenhuma ruga a menos. Um milhão de filmes assistidos, nenhuma mensagem absorvida. Centenas de livros lidos, nenhuma frase na memória. Dezenas de milhares de quilômetros rodados, nenhuma estória pra contar.

Seduzidos pelo hedonismo bobo, ignorante. Milhares de orgasmos, nenhum resquício de amor. Se vangloriando das várias rosas que colheu, mas nenhuma vírgula sobre os espinhos que te cortaram fundo.

E ai? Estão sentindo o gostinho amargo e frio da derrota escorrendo no canto da boca? Veneno. Puro veneno.

* * * * * *

Eis que estamos caindo. Rápido. Um poço fundo. Escuro. Aparentemente infindável. Seus olhos se acostumam com a velocidade e você começa a enxergar melhor à volta. Tijolos sujos de musgo. De repente, o vento úmido, o cheiro. Alguma coisa mudou. Estamos chegando no fundo. Se preparem. Lá vem o choque com a água. Dependendo da velocidade, mais duro que concreto. Depois de alguns segundos você se recupera. Se levanta. Está no fundo. Ainda está escuro, sua visão ainda turva, tenta enxergar a luz acima, bem acima finalmente enxerga um pequeno círculo. É a entrada do poço.

Não vai ser fácil sair dali. Nunca te iludimos que seria fácil. Para isso existe um batalhão de vendedores de ilusões à porta. Não aqui. Não dessa vez.

Suas pupilas se dilatam ao máximo e você se acostuma com a escuridão. Tenta olhar em volta e ao passar as mãos sente ranhuras. Olha mais perto. São como arranhões. Um pedaço de unha ali. São arranhões. Frio na espinha. Um suspiro. Um barulho. Você sente que não está sozinho, e se vira.

Uma menina num vestido branco sujo. Samara. Como uma donzela você quase desfalece. Só faltou a mãozinha na testa.

Ela aponta para os seus pés. Você quase paralisado de medo, tenta tatear com os pés. Parece um pedaço de madeira. Uma arma? Nessas situações, qualquer coisa é uma arma de destruição em massa. Ela se aproxima daquele jeito assustador que só ela é capaz. Ela, com o dedos, sinaliza para que você se abaixe. Quer te dizer algo. Quer sussurrar no seu ouvido.

Apavorado, mas obediente, você se abaixa. E ela diz baixinho:

- Continue cavando.

Como? Com os pés descobre. Uma pá. Você entende finalmente a moral da história: nenhum poço é fundo o bastante.

Você, obediente e resignado, continua a cavar.

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Entrevista com João Santana

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À Esquerda o Futuro. À Direita o Passado. No meio quem navega a Transição.

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Ignorem o título abaixo, é só a Folha, perdida na ditadura dos “headlines“. O João Santana dá uma aula sobre campanhas políticas. Atualmente, acho que ele é um dos grandes na área de comunicação e estratégia eleitoral no mundo, e não só do Brasil. Ele conseguiu uma obra soberba com Lula e Dilma, e agora, com o Haddad. Pra não falar nas vitórias internacionais.

Eu estou consolidando um post que tem o seguinte título: “Um Plano para Oposição“. Na minha visão, a democracia brasileira tem dois grandes problemas no momento:

  • um legislativo inerte, inebriado, tendo suas funções constitucionais sendo gradativamente usurpadas pelo Judiciário e pelo Executivo;
  • uma oposição perdida e sem rumo, seduzida por uma mídia corrupta e decadente, que vez ou outra flerta com o golpismo;

Pode parecer estranho eu não incluir a mídia como um dos tópicos, mas no final a mídia só tem esse poder por causa da fragilidade da oposição. O próprio eleitor já começa a dar sinais de estar vacinado. Mas melhor não descuidar.

Assim, mais importante que vencer, é torcer pra que surjam alternativas à aliança PT-PMDB (aquela que iria ruir logo que a Dilma assumisse o poder), pois do ritmo que vai indo, vão chegar fácil aos 20 ou 30 anos de duração. A hegemonia política que falei lá atrás.

Digo isso, não que exista a possibilidade de mudar o lado do espectro político (liberal de centro esquerda) que escolhi militar (lutar, combater). Digo isso, porque aprendi que tão importante quanto saber o que querer conquistar, é saber contra quem iremos lutar. Seus adversários – e não inimigos – te completam. E isso é meio óbvio. O ideal  pra mim seria termos 4 ou 5 grandes partidos de todos espectros políticos. Assim o PSDB não poderia desaparecer. Como o DEM/PFL, inevitavelmente, vai.

Pra mim, o PSDB deveria começar, procurando o seu João Santana. Encontrando, já seria um magnífico começo.

26/11/2012 – 06h10

‘Lula é o melhor para governo paulista em 2014′, diz marqueteiro João Santana

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FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Mais político e engajado do que nunca esteve, o marqueteiro preferido pelo PT desde 2006, João Santana, declara que o melhor nome do partido para disputar o governo de São Paulo é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É uma pena o nosso candidato imbatível, Lula, não aceitar nem pensar nesta ideia de concorrer a governador de São Paulo. Você já imaginou uma chapa com Lula para governador tendo Gabriel Chalita, do PMDB, como candidato a vice?”, disse Santana, em tom irônico, numa longa entrevista à Folha.

Para o marqueteiro, a presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014 já no primeiro turno — se ocorrer, será algo inédito para um petista em disputas pelo Planalto.

Sobre o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, faz uma previsão: “Tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026″. Antes disso, talvez seja a vez de Eduardo Campos, do PSB.

Na conversa, o marqueteiro de 59 anos relatou como foi a calibragem da estratégia que deu ao PT a Prefeitura de São Paulo neste ano. Não podia atacar os outros candidatos no início da campanha, pois Haddad “não tinha musculatura para bater nem para herdar eleitores” de adversários.

Em anos passados, Santana falava com um certo distanciamento do petismo. Hoje, assume-se mais como um profissional engajado com a causa partidária. “Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB”, diz. Fica à vontade para criticar as outras legendas.

“Há um processo de desgaste e de deterioração política do PSDB. Viraram uma versão anacrônica da UDN: denuncistas e falsos moralistas. Pode acontecer ao PSDB o que aconteceu ao DEM. O DEM está sendo engolido pelo PSD, de [Gilberto] Kassab. Se não se renovar, o PSDB pode ser engolido pelo PSB, de Eduardo Campos.”

Responsável pelo marketing na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (em 2006) e na eleição de Dilma (2010), Santana trata a oposição com um certo desdém: “Se a eleição fosse hoje, novembro de 2012, Dilma ganharia no primeiro turno. Se fossem candidatos de oposição Aécio Neves e Eduardo Campos não teriam, somados, 10% dos votos”.

É cético até com o movimento que na internet fala em lançar o atual presidente do STF, Joaquim Barbosa, para o Planalto. “É uma pessoa inteligente e saberá tomar a decisão certa. Caso se candidatasse [a presidente] poderia ter um final de carreira melancólico. Não se elegeria, faria uma campanha ruim e teria uma votação pouco expressiva”.

A propósito do STF e do julgamento do mensalão, diz se sentir “no dever” de fazer uma observação aos ministros da mais alta Corte de Justiça do Brasil: “O julgamento do mensalão levou ao paroxismo a teatralização de um dos Poderes da República. O excesso midiático intoxica. É um veneno. Se os ministros não se precaverem, eles podem ser vítimas desse excesso midiático no futuro. E com prejuízos à instituição. O ego humano é um monstro perigoso, incontrolável. O mensalão é o maior reality show da história jurídica não do Brasil, mas talvez do planeta”.

A seguir, trechos da entrevista concedida por Santana em 19 de novembro, no apartamento onde vive em Salvador:

Folha – Quais campanhas fez em 2012?

João Santana – Eu e a minha equipe tivemos a sorte de fazer em 2012 algo inédito no marketing político internacional: coordenar, num mesmo ano, três campanhas presidenciais vitoriosas. Conseguimos ajudar a virar uma eleição dificílima na República Dominicana, onde Danilo Medina ganhou depois de ter estado 30 pontos atrás de seu oponente. Participamos da vitória de Chávez, que enfrentou alguns problemas conjunturais, além de uma pressão internacional desmesurada E ajudamos na vitória do presidente José Eduardo dos Santos, em Angola, que teve 75% dos votos. Mas de tudo o que me deu mais alegria foi a vitória de Fernando Haddad na eleição para prefeito de São Paulo. Tanto pelo desafio que significou, como pelo que a vitória de um líder jovem, da qualidade de Haddad, vai significar para S. Paulo e para o Brasil. Mas como nem tudo é alegria, perdemos a eleição de Patrus Ananias para prefeito de Belo Horizonte. Ou seja, fizemos cinco campanhas e ganhamos quatro neste ano.

Essas campanhas todas têm candidatos de um campo político muito definido. O sr. teria dificuldade para fazer uma campanha para, digamos, um candidato do PSDB a presidente do Brasil?

Do ponto de vista técnico, não. Mas do ponto de vista político-emocional, sim. No Brasil está acontecendo, aos poucos, algo que no mercado internacional já era: uma espécie de especialização por partidos. Os partidos têm os seus próprios consultores políticos e marqueteiros. Por ter muita afinidade com o PT e esse campo político, eu acho muito difícil, eu diria impossível, fazer uma campanha presidencial para o PSDB.

Mas e no plano internacional?

Por ter trabalhado majoritariamente para o PT, e a partir das conexões que se estabelecem entre campos políticos afins, eu comecei a ser convidado para fazer campanhas para partidos políticos de esquerda na América Latina e na África. Meu nome acabou ficando muito associado, sobretudo na imprensa internacional, a esse tipo de consultoria.

De quantas campanhas presidenciais o sr. já participou? É correta a informação de que também participou da eleição de Ollanta Humala, no Peru?

É uma informação equivocada. Fui convidado por Humala, fui ao Peru na pré-campanha, fiz um estudo preliminar, mas não pude nem quis fazer a campanha dele. Ela foi feita por Valdemir Garreta e Luis Favre. Eu e minha equipe já vencemos seis eleições presidenciais : a reeleição de Lula, a eleição de Dilma, Maurício Funes, em El Salvador, Danilo Medina, na República Dominicana, José Eduardo dos Santos, em Angola, Hugo Chávez, na Venezuela. Há cerca de 15 anos, naquela época ainda trabalhando com Duda Mendonça, perdemos a campanha presidencial de Eduardo Duhalde, na Argentina.

Em 2008, o sr. perdeu na disputa para a Prefeitura de São Paulo com Marta Suplicy. Agora, com Fernando Haddad, ganhou. Quais são as semelhanças e as diferenças entre as duas campanhas?

Em 2008, Marta era oposição e havia um sentimento de continuidade. Este ano, ao contrário, havia um sentimento de mudança e renovação. Outra coisa: Marta sempre foi a melhor candidata do PT para um primeiro turno. E a pior para um segundo turno. Já Fernando Haddad era o pior candidato que o PT tinha para um primeiro turno e o melhor para um segundo turno.

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Mensalão preocupa Bancos e Empresas

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Eu? Parceiro, eu quero é ver o oco. Meu nome não tá na AP nº 470, tampouco ocupo cargo de gerência. Longe de ser santo, mas mão sou corrupto, tampouco corrompo.

Não declara IRPF/IRPJ? Se preocupe. Contrata gerente e não acompanha minuciosamente os seus passos? Se preocupe. Faz engenharia financeira pra pagar “menos impostos” pelas “brechas da lei”? Se preocupe. Deposita em bancão pra investir em fundos estrangeiros sem saber dos detalhes? Se preocupe. Tem cargo de diretor e assina um monte de documentos sem ler diariamente? Se preocupe. Sofre ou faz pressão por resultados “a qualquer custo”? Se preocupe.

Mas melhor esperar o Acórdão, né? Já não tem Ministro do STF preocupado com o “exagero das penas”?

Então.

12/11/2012 – 00:00

Julgamento do STF preocupa empresas

Por Cristine Prestes e Laura Ignácio

O destino dos 25 condenados no caso do mensalão está longe de ser a única consequência do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre empresas, bancos e advogados que atuam para corporações o clima é de apreensão. As mudanças promovidas pela Corte em sua jurisprudência durante a análise da Ação Penal nº 470 produzirão impactos diretos no ambiente de negócios do país.

“O risco aumentou, e aumentou muito, porque agora qualquer administrador pode ser condenado por lavagem de dinheiro sem que tenha havido a intenção de cometer o crime”, diz o executivo de uma entidade de classe empresarial. O aumento do risco entre empresas e bancos ainda é apenas uma sensação, já que o Supremo não concluiu o julgamento – falta definir as penas dos condenados. Da mesma forma, a aplicação dos novos entendimentos pela Justiça de primeira e segunda instâncias e seu uso pelo Ministério Público em denúncias por crimes econômicos ocorrerão paulatinamente, até mesmo por causa da morosidade do Judiciário.

Página A13

12/11/2012 – 00:00

Jurisprudência do mensalão deixa bancos e empresas apreensivos

Por Cristine Prestes e Laura Ignacio

Veta Dilma?

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“Quando foi que a Humanidade trocou as Palavras por Imagens?”

Em toda sociedade existem preferências e necessidades, sejam coletivas, sejam individuais. Algumas são comuns a muitos ou a maioria, e resultam em consenso ou acordo, mas infelizmente, a grande parte delas, não. E numa economia em que os recursos são limitados, o conflito é inevitável.

Para isso existe a Política. Aparentemente simples, mas a Política serve para que uma sociedade resolva seus conflitos sem a necessidade de ruptura, em que cada individuo (ou grupo de indivíduos) se arma de facão e foice para resolvermos nossas diferenças, e impor nossa vontade. Uma solução pacífica de diferenças e demandas conflitantes.

Assim, atores políticos são artistas que atuam num teatro para resolver nossos problemas. Por mais que tentemos evitar uma conexão entre suas atitudes (escusas) e as nossas (virtudes) temos uma ligação umbilical com eles. E é o voto. Não tem como fugir desse fato. Eles são o que somos. E nós somos eles. Só replicam, e na maioria dos casos, exacerbam nossas atitudes cotidianas.

Aceitem ou não, a realidade é essa. E o quanto antes aceitarem esse fato, mas rápido chegaremos a uma solução para os problemas da nossa infante democracia.

Em assuntos complexos (eg.: Pré-Sal, Reforma Tributária, Reforma Previdenciária, etc.) é difícil enxergar o jogo de xadrez envolvido. O público não gosta dos detalhes, assim como a maioria come “fast-food”. Querem soluções rápidas, mesmo que lhes causem uma indigestão posteriormente. O que importa é o resultado.

“Política é um iceberg, se olharmos só pela superfície, é bem provavelmente que vai dar merda.” – disse o capitão do Titanic.

Assim o que ocorreu no Congresso entre a “Divisão dos royalties do Pré-Sal” e os “100% para Educação” não é tão simples. Tanto à esquerda, como à direita, ninguém prestou a devida atenção no processo legislativo (realmente não é fácil), ninguém se mobilizou. Ninguém, exceto os prefeitos e governadores, claro. O resultado é que o Congresso não aprovou o substitutivo (não é fácil) e o projeto foi aprovado com tantas destinações que a Educação vai ficar na mesma. Congresso estranho, aprova o PNE (Plano Nacional de Educação) prevendo, na teoria, 10% para Educação, e quando tem a oportunidade de, na prática, destinar os 10% não o faz.

Afinal a culpa é de quem? Fácil é colocar a culpa nos políticos. Será? O usual é ficarmos com a resposta mais fácil. Difícil é aceitar que os políticos só expressam nossa própria aflição ante a decisões que só terão resultados no longo prazo. É humano. É assim que nossa mente, forjada pelas dificuldades evolutivas, funciona. É a história de comer o chocolate agora e fazer a dieta. A mesma história. Comprar um carro financiado por 60 meses ou andar no velho e comprar dois daqui a 5 anos. A mesma história. Economizar agora pra ter um boa aposentadoria.

A questão é saber se daqui a 2, 4, 6 ou 8 anos, votaremos nos deputados e senadores que votaram a favor dos 10%. Como garantimos isso a eles? Mobilizando. Mas a maioria nem se lembra em que votou em outubro de 2012. Essa ignorância e covardia não nos permite assumir que a falha, nesse caso, é nossa. De todos brasileiros. Assistimos “realities” absolutamente todos os dias. Só não encaramos nossa própria realidade. Nossos problemas mais profundos e importantes.

Chancelamos diariamente, assistindo ou lendo, essa mídia escrota e corrupta. Dos socio-eco-chatos de plantão a ativistas de sofá. Antipetistas culpam o PT e o Mensalão. Antitucanos culpam FHC e a Privataria. Moscas sem asas que não querem mudar nada, só fazer pose de indignado. Posers. Professores que destruíram um ano letivo inteiro, por melhores salários e mobilizaram um batalhão de incautos nas redes sociais, mas agora, sequer abriram a boca. Estudantes se mobilizarão, num futuro distante e improvável, mas só depois de uma partida de Minercraft.

Cada um tem suas prioridades. Cada um sabe aonde aperta o calo. Pela última vez: patético.

E o resultado? Idiotas – da esquerda e da direita, simultaneamente – demandam que a Presidenta vete o projeto. Como assim? Vetar o quê? Não acompanham a política. Ignoram que um veto presidencial é uma bomba de hidrogênio. Que cria uma fissura na coalizão governista. Fissura que só reaparecerá daqui a alguns anos, quando a popularidade não for mais aquela. Fissura, rachadura, a coalizão de suporte político desmoronará. E a oportunidade que quem está fora do poder surgirá. Como passe de mágica. Justamente aqueles que votaram “Não” no Congresso. Exatamente como no Código Florestal. Vou desenhar: a cota de veto pra meio mandato já foi usada. E vocês vibraram!

Exatamente como os juízes no STF, abominam a política. Consideram o “Presidencialismo de Coalizão” um frankestein, um monstro a ser controlado. Mas são os mesmo que quando a política desaparecer, e as ruas estiverem em chamas, se esconderão debaixo de suas camas se borrando de medo. Falar é fácil. Difícil é fazer.

O que o Congresso construiu foi uma trava contra o veto: ou ela veta a destinação dos royalties para a educação e a redução dos ganhos dos estados produtores em detrimento dos demais estados e municípios; ou não sanciona do jeito que tá.

Não Dilma, não veta (sic)! Presidentes são eleitos pra governar, mas (ainda) não possuem o poder sobrenatural, quase divino, de transformar os cidadãos, em algo diferente daquilo que realmente são.

Não somos coreanos, não somos finlandeses. O problema é que somos brasileiros. Nos regojizamos que nosso ano começa só depois do Carnaval. Nunca somos responsáveis por nada. Culpar políticos é o cumulo da nossa própria covardia social e asco à política. O ápice. Pior que isso não fica. Dizemos (nos botecos) que consideramos a educação importante, pois prepara nossos filhos para o futuro, mas é pura dissimulação.

E não há veto no mundo que resolva isso.

Entre as Velas e os Molotovs

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Como explicar para um velho golpista o sentimento de fúria e indignação dos jovens? Como um velho poderia explicar para os jovens os infinitos tons de cinza que existe entre o preto e o branco? Não tem como. Se houvesse não haveria ruptura. A vida seria uma eterna transição pacífica e morna. Insossa. Sem emoção. Previsível.

Mas ainda não chegamos lá. Não vivemos esse momento. Estamos naquele estágio perigoso em que os velhos ainda se olham no espelho, e atrás das incontáveis rugas, acreditam piamente que possuem mais força do que realmente tem. Acreditam que são tão influentes e fortes como eram no passado. Uma ilusão perigosa. Mas é o que lhes resta.

De um lado, só os tolos acreditaram que mudanças drásticas numa sociedade poderiam ocorrer sem turbulência. Só os incautos (realmente) acreditam que tamanha (in)justiça passará despercebida por pelo menos uma pequena parte dos milhões de cidadãos que tiveram a sua vida, incomparavelmente melhorada.

Do outro lado, só os idiotas acharam que poderiam fazer o que bem entendesse sem que a cobrança viesse bater-lhes a porta. Só os irresponsáveis tiveram sonhos de poder além do que lhes foi delegado pelo povo. Só os gananciosos e hipócritas, se dormiram tranquilos por fazer “o que todos fazem”.

É hora de mudar. De abandonar o velho e abraçar o novo. Erguer barricadas para proteger o que foi conquistado, mas preparar para mudanças muito mais radicais. Enterrar de vez essa mídia corrupta e seletiva. Semear e esperar o florescer de uma nova mídia, um novo jornalismo. Mais ágil, mais eficiente, mais inteligente.

É hora de enfrentar a criminalização da política. A massificação da ideia que a política não presta. Que o Brasil é uma “merda”. Soterrar de vez o “complexo de vira-latas” com doses cavalares de autoestima e auspiciosidade. Bombardear a descrença com a política com muito mais política.

Se preciso for, encarar parte do Judiciário que, após anos de inanição e conluios na escuridão com banqueiros e jornalistas, resolveu mostrar sua face mais conservadora e retrógrada. Fazer o Legislativo acordar e exercer sua função constitucional. Retomar pra si, o que lhes foi tomado ilegitimamente, pelo “jurislegislativo” enquanto dormiam entorpecidos pelo poder.

Reformar a Política, reduzindo custos de campanha, responsabilizando exemplarmente corruptores, estabelecer o financiamento público EXCLUSIVO. Reformar a Legislação Eleitoral, removendo brechas e recolocando a Justiça Eleitoral como organizadora do processo eleitoral e não legisladora. Reformar o processo de escolha de juízes, oxigenando o judiciário. Reafirmar o poder do CNJ.

Regular a mídia, sim. No capitalismo, aprendemos com a crise de 2008, que nada que gere lucro pode ficar à mercê de uma suposta autorregulação. Combater, através do CADE, a tendência inevitável das corporações ao oligopólio e, em certos mercados, ao monopólio privado. Afinal, sequer aceitamos o monopólio estatal num mercado estratégico como o de Petróleo, por qual razão deveríamos permitir o privado em qualquer outro?

Não estou aqui, falando de um mero julgamento de um partido. Estou falando de um sistema viciado que atinge a todos, indistintamente. Que se julgue e se puna, todos, absolutamente todos. De A a Z. Não só políticos, mas banqueiros e barões da velha mídia. E todos os intermediários entre eles.

Sem distorcer as leis. Sem flexibilizá-las de acordo com os interesses de uma elite. Sem o show midiático que nunca faz bem a juízes. Sem a seletividade e hipocrisia que permeia e enebria esses velhos decadentes, apavorados com a marcha ensurdecedora da mudança.

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Tomorrow Comes Today, Gorillaz

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“…yeah,  yeah. I’ll pay, when tomorrow, tomorrow, comes today…”

Tomorrow Comes Today
Gorillaz

Everybody’s here with me
Ain’t got no camera to see
Don’t think I’m all in this world
The camera won’t let me go
The burden doesn’t love our soul
The digital won’t let me go

Yeah yeah yeah, I’ll pay (Yeah, yeah)
When tomorrow, tomorrow comes today

Stereo, I want it on
It’s taken me far too long
Don’t think I’m all in this world
I don’t think I’ll be here too long
I don’t think I’ll be here too long
I don’t think I’ll be here too long

Yeah yeah yeah, I’ll pay
When tomorrow, tomorrow comes today
Yeah