US$17 Trilhões

E alguns, ainda se perguntam por que a China compra tanto ouro. Ou por que a cotação desse tal de Bitcoin bateu recorde, de novo.

Mas aqui – tanto à direita, como à esquerda – ninguém questiona as razões de ainda acumularmos reservas (exclusivamente) em US$ dólar, como se nada estivesse prestes a acontecer ¹.

¹ – Digo, “prestes a acontecer” é na régua da Geopolítica. Que não é dividida em dias ou meses, e sim, anos, décadas, séculos.

via Demonocracy

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E se utopia for?

“E isso ai? Soava como?”

Nos meus 15 min de leitura ruim/dia, vi, de relance, o que dizem os jornais, blogs e nas rede sociais (mentira, não acesso redes sociais, só tento imaginar o odor). Percebi que já começaram a bombardear a “utopia”, desconstruir a “ilusão”, todo o pacote que a Marina tenta vender. O que não percebem, com sua tradicional arrogância, é que ela quer mesmo é se transformar na única capaz de carregar a pobre e órfã esperança no colo. Desmemoriados que são, ignoram que a ascensão de Lula traçou o mesmo caminho. Vendeu esperança, e só na reta final pôs os pés no chão duro e frio da realidade política-financeira-empresarial. No fim “a esperança venceu o medo”, para o bem do Brasil.

No Lula/2002, ele lançou a “Carta ao Povo Brasileiro” no dia 22/06/2002. Calculem ai quantos dias para aquele 1º turno? Assim a inconsistência do discurso e das ideias da Marina, principalmente na questão de sustentabilidade, não me parece ser um problema PARA ELA. Esse nível de “abstração intrínseca” no seu discurso é algo natural, e que facilitará sua vida – se fizer tudo certo – lá na frente na hora de moldar o programa de governo. É necessária, então.

MAS, a ausência de uma resposta consistente e nova por seus adversários, esse sim é um problema para nós (por enquanto, sim, nós). Para ela, é só dar um passo para trás na hora certa. Alguém dúvida que a elite empresarial pularia nessa canoa? E o MST? O agricultor familiar e orgânico? O povo da economia solidária? Os jovens empreendedores e suas “startups”? Os “povos de Pandora, – ups – da Amazônia”? Vai “vendo” a lista.

Por outro lado: Os ruralistas, sei que não. Os grandes devedores do BNDES, sei que não. As grandes empreiteiras, acho que no momento não (só depois). Lembrem do ditado sobre boas companhias. Então…

É preciso respostas novas, no sentido de inovadoras, que alterem a realidade de forma significativa. A realidade é dinâmica e não estática. Mudam-se os problemas, mudam-se as respostas. Pelo menos tentem nos convencer que isso é possível. Pelo menos um espasmo de reação para as demandas ATUAIS da sociedade.

Eu vi muita gente na rua, desculpe se não consigo ignorar.

O PT com a questão da “Miséria”, às vezes começa a parecer com o PSDB com a “Estabilização da Moeda”.  E se não sabem (não por ignorância, mas por terem terceirizado a informação à mídia corrupta) a miséria teve dois choques: um curto na implantação do Plano Real, e um longo e persistente com o Bolsa-Família. Se precisar, eu desenho.

São questões importantes, mas que se esgotaram na medida que a solução foi boa e, – óbvio – solucionou o problema. Mas todo mundo agora quer mais. É natural, a gente sempre quer mais. Por isso chegamos até aqui. Então, acho – apenas acho – que os eleitores já moveram a cadeira.

Por exemplo, acredito que temos que continuar nossos planos de construir hidrelétricas nas Amazônia, de se investir (mais) em Defesa, em Energia Nuclear, de grandes obras como a Transposição do São Francisco, etc. Todas causam grande impacto ambiental e eu acho necessárias para se vencer o atraso secular em infraestrutura que a década perdida (80’s) e o arrocho tucano (90’s) nos condenou.

“É por um bom motivo”, digo.

Mas esse meu discurso está velho e surrado, e acho que não será tão bem recebido pelas novas gerações. E se, nesses casos, isso não chega a preocupar, é só usar a mesma lógica para os outros casos. Todos os outros grandes temas que envolvem uma eleição. Pra mim tudo mudou, como se uma placa tectônica tivesse se movido de lugar. Perceberam agora o tamanho do problema?

Como já escrevi antes, “Lula não ensinou o PT a pescar”, e esses, que agora, tentam implodir a estratégia da Marina de vender a esperança, podem ser pegos no contrapé, ou morrerem, como todo peixe bom de briga, pela boca. Fica a dica, um bom conselho que lhes dou de graça, usem a boca (ou o teclado) para propor novas ideias e soluções. Pois, aqui embaixo os problemas se acumulam nas ruas e as respostas que propõem não fazem (mais) nenhum sentido. Mas pode ser meus olhos e ouvidos cansados da guerra.

É utopia? Primeiro, utopia significa um lugar perfeito que habita a imaginação dos homens, e não existe, então não tem que se prender ao real, e tampouco se encaixar em abstrações humanas, como a matemática, muito menos à probabilidade. Segundo, até aonde vi, essa nossa “tal realidade” não estava tão bem das pernas.

É só descer do Olimpo para conseguir enxergar. Mas descerão?

Aliás, falando em mitologia, o que que estava no fundo da caixa que armazenava todos os males do mundo, que Zeus – oh, ironia! – deu para Pandora, a curiosa esposa do irmão de Prometeu?

A esperança. Na política, é sempre assim, quem está [com o][no] poder, é obrigado a ficar preso ao pragmatismo pela força da realidade. Até que alguém aparece e recolhe os cacos estilhaçados dos sonhos de ontem, os cola com o espírito de Elpís e constrói uma nova utopia. Vende esse remendo aos eleitores, que compram e os colocam no poder.

Para que eles possam quebrar tudo de novo. ∞. Soa ruim? Melhor que não tê-la. Sem ela, afinal, não há vida.

A Receita de Presidente

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A semana passa (pretendo escrever, 3x por semana, e só) e o Governo/Dilma/PT não dão folga pra tentarmos consolidar os avanços e apontar os erros. É um dia após o outro, misturando arrogância e prepotência. Amigo(a)s, vou desenhar, eleição quem decide é o povo. E ela só acaba quando termina, quando o último voto é apurado. Mas se não aprenderam até hoje, não aprenderão mais.

Ou é o João Santana, num inexplicável surto de estrelismo, ou é a Dilma, num tradicional momento de irritação com a beligerância dos repórteres. Isso é parte do jogo. Subiram no salto, e agora vão descer, humildade e respeito serão ser o mote daqui pra frente. Então, há males que vem para o bem.

Autoaceitação é começo de toda mudança, então para se aceitar, é preciso olhar para dentro, para seus maiores erros, para seus maiores defeitos. Depois disso, se a busca tiver sido sincera, fica tudo muito mais fácil. Vale para vida pessoal, vale pra tudo. O que falta a muitas pessoas é a coragem de olhar, não para o espelho – que inverte e distorce – mas para o maldito umbigo. E é isso que o Governo Dilma tem que fazer. Pra começar a conversa.

Outra coisa que irrita é a virulência com que tratam seus adversários. Parecem ignorar que esse país só vai melhorar após uma disputa de visões diferentes, que nos leve a um caminho do meio, sem radicalismo, sem revoluções, sem o totalitarismo das ditaduras. E apesar dos problemas da democracia contemporânea, é o povo, no final, quem decide. São tantas agendas contraditórias (eg.: Desenvolvimentismo vs Sustentabilidade) que precisam ser decididas que não cabe aqui.

Muitos talvez achem que eu estou exagerando ao comparar a Marina com o Lula, não estou. O problema é que a maioria compara o Lula atual com a Marina do passado. Esquecem das besteira que o Lula e FHC diziam e a condena eternamente pelo que disse no passado. O óbvio ululante: ela deve ser avaliada por sua posição atual, e será o resultado das decisões que tomar. Vejam o Serra o que virou.

O que eu sei, é que: (A) os dois tem uma história de vida bela que emociona; (B) os dois aprendem com os seus erros muito mais rápido do que os seus críticos e apoiadores conseguem perceber e (C) os dois sempre enfrentaram preconceitos gigantescos durante sua história na política.

Somem A+B+C = um(a) Presidente(a) da República. Então, aprendam com o passado, parem de bater, senão ela não vai parar de crescer.

A Oitava Passageira

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Frequentemente a chamo de Lula de saias. Não é por acaso, não é por reverência – ahaha, logo eu -, é pela habilidade. E o incrível, é que, exatamente como quando ela saiu do Governo, deixando o PT e a Dilma como vilões, a reação foi a mesma: menosprezo e arrogância. E o resultado: 20 milhões de votos.

Como noticiado pela agora, atônita, #velhamídia o desenrolar da leitura dos seus movimentos dá pra ver o quão hábil ela foi na hora crítica, perdeu na luta sangrenta, mas continuou jogando para tentar se apropriar da “nova política”. Eu não acredito nisso, mas pouco importa, o que está em jogo na verdade é o monopólio da esperança. Quem o perdeu, chora até hoje. E ela – a esperança – ficou ai, abandonada, órfã, esperando alguém para adotá-la, mesmo que saiba que no futuro, irão maltratá-la e abandoná-la de novo. Um ciclo, como tudo na vida.

O engraçado de tudo isso é a bipolaridade e hipocrisia, tanto na mídia velha, quanto nos chamados blogs progressistas sobre o que significa, sobre quem perde e quem ganha. Bom eu gosto de fazer o negativo: quem mais está irritado com essa “jogada”? É só olhar os críticos pra ver que parece que ela fez a coisa certa. Então, é só ler a mídia/blogs e deduzir.

Não estou dizendo que ela seja vítima, ou que vá salvar o Brasil. Só estou dizendo que mal não f az. Tentar não doí. Sei que a mídia começará a endeusá-la em: “3, 2, 1…”. Eles vão apoiar qualquer um que tenha o mínimo de possibilidade de interromper o projeto de poder do PT. Qualquer um. Hitler ou Stálin se estivessem vivos – ou, em último caso se pudessem ser ressuscitados. Só que, há tantos – bilhões, digo – em jogo, que editores recomendam aos seus jornalistas-quase-escravos muita calma nessa hora. E é o que – salvo raras exceções – estão fazendo.

Mas ela, Marina, parece ter passado de sonho a pesadelo em poucos dias, não só para todos os seus principais adversários, mas principalmente para aqueles que a receberam sorridentes de braços abertos. Esses agora sentem o gostinho de terem sido picados por um escorpião que estava nas costas, do estrangulamento da planta oportunista sobre a outra quando decide romper com a harmonia do mutualismo, enfim, de se ter na barriga fecundada por um oitavo passageiro que após crescer no hospedeiro, inevitavelmente, tomará conta do corpo para completar sua missão. Quando o processo terminar, o que restar do corpo ficará pelo caminho, enquanto o oitavo passageiro, instintivamente, partirá para caçar suas presas.

E eu que achei que 2014 ia ser sem graça, e eu que achei que o Eduardo Campos estava sendo hábil. Lula de saias, como sempre disse.

“Janio de Freitas

 O não dito pelo dito

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As Peças se Movem

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Quando deixei Brasília, na sexta, tinha certeza que alguma coisa iria acontecer. Não sabia dizer o que, mas as aguas que levam à 2014 estavam muito calmas. Assim com tem algo acontecendo entre SP-MG mas não consigo entender/aceitar. Preconceito? Talvez precise “esvaziar a mente”. Mas fico feliz em saber que todos no meio político foi pego de surpresa com a decisão da Marina.

Acho que pesou muito para ela a decisão – a meu ver equivocada – no segundo turno de 2010. Vejamos: com um legado de 20 milhões de votos, um partido (PV) quase na mão e a possibilidade de conseguir no mínimo dois ou três Ministérios importantes no futuro governo Dilma – imaginem, por exemplo, MCT-FINEP e MMA-Ibama (mas…mas, não seria fisiologismo? Ah… tá! Se vocês ainda estão nessa, boa sorte.). Ela seria protagonista, não coadjuvante. Afinal a Presidenta é “low-profile” “by design”, por bem ou por mal. Mas a Dilma, passaria todo o primeiro mandato sob a sombra do “só venceu por que a Marina te apoiou”. E se o caldo entornasse, era sair pra disputar 2014, como – ups! – Eduardo Campos e o PSB.

Agora ela tem na mão uma vice na chapa de outro candidato, não conseguiu o PV (uma boa marca, com potencial, diga-se de passagem), não conseguiu tirar a sua Rede papel (não é um partido, mas, sem partidos há estabilidade democrática?), e só a (vaga) promessa do fim da reeleição já pra 2018 (kkk). Olha, eu não entendo muito disso não, é só hobby, mas eu ficaria com a primeira opção.

Ela apanhou do jogo político “hardcore” de Brasília. E pra se chegar à Presidência, é OBRIGATÓRIO passar por isso. Assim como campanhas eleitorais TEM que ser sangrentas. O que não mata, fortalece. A estabilidade só chega depois do tremor. Enfim, não existe atalho na Democracia (na Ditadura, só a ilusão de um). Eduardo está jogando bem, e o Serra, esse ai, nessa parte sabe tudo.

Se não aguenta, bebe leite. Se não sabe brincar, não vem parquinho. Se não dá conta, pra quê que nasce? Esse é o jogo. Não fomos nós que o criamos, vai reclamar com Maquiavel.

Nada disso está nos jornais, não sei porquê. Mas esqueçam a mídia, às vezes penso que é parte do jogo, mas acho que é incompetência mesmo. Desaprenderam a fazer jornalismo. Uma pena. É óbvio, é evidente, que quem mais perde com essa decisão é o PSDB (com o Aécio). E o Serra pra ser candidato de novo, precisa, primeiro tirá-lo do caminho. E é o que está fazendo. Tijolo, por tijolo.

Já o Eduardo Campos está fazendo o que é possível (e depois de sábado, ficou claro, o impossível). Voltemos ao começo: O Lula prometeu a ele, a chance – ressalte-se, a chance – de ser o candidato da “aliança hegemônica” em 2018. Ele até que deve confiar no Lula, ele não confia é no PT. Faz bem, pois partidos políticos são criados para isso. É só olhar para seu arquirrival pra ver o que ocorre quando se deixa de buscar o poder, e se perde na disputa interna. Mas a disputa interna no PT, dizem, é o pior dos mundos, quem pôs ordem na casa foi o @Barbudo83porcento.

É só olhar pra São Paulo e ver que o Haddad – quando o Governo Federal não ferra com tudo, como por exemplo, agendando data de aumento de preços – está fazendo tudo certo. Invertendo a lógica do desenvolvimento da cidade, criando corredores de ônibus, fazendo todas as maldades possíveis no primeiro ano, etc. Não cabe aqui essa analise, mas se tudo caminhar como programado, será ele o candidato em 2018. Já o Padilha – de quem gosto muito – tem primeiro que vencer. Não vou me alongar, só exemplificar: em 2002 o Genoino perdeu o Governo de SP para o Alckmin por uma pequena margem, e, virou Presidente do PT. O presidente que teve que assinar aqueles contratos e o resto é história. E ela, meus caros, não é uma guria muito sentimental.

Oras, o Eduardo viu esse cenário e entendeu que é agora ou nunca. E cruzou o Rubicão.

Político com coragem SEMPRE não sobrevive por muito tempo, MAS em algum momento é preciso tê-la (por exemplo: para democratizar a mídia, enfrentar as teles, para investir em segurança nacional e inteligência, e inúmeros outros temas). Querem condená-lo por ter a coragem, que muitos, após chegar ao poder deixaram de ter?

Traição? Política é a arte de trair (desde s-e-m-p-r-e: Et tu Brute?). Então, sair como candidatos é a única maneira que eles – ambos da base do governo Lula/PT – tem para fazer jus ao legado que foi deixado. Programas? Nenhum partido político no Brasil tem um programa estruturado. Não é o “nosso jeito” de fazer as coisas. Vivam com isso e parem de sofrer. Mas eles tem ideias: sustentabilidade, inovação, gestão, etc. Eu acho que são bases boas para se começar a “brincar”, para se entrar no jogo.

Por favor, parem de acreditar na política personalista, no salvador da pátria, na madre teresa de Calcutá, na falácia do voto transformador a cada dois anos. A política somos nós. Ela é fruto da nossa ação – ou, inação. A sociedade brasileira é reflexo do que somos e fazemos individualmente. Então se existe uma ideia que você gosta – pqp – participe, construa e defenda!

E, peloamordedeus, bando de velhos cansados, deixem eles jogarem. Mal não faz. E no final, é o Brasil quem agradece.

Rumo a 2014

eleições 2014A sorte está lançada. Hoje começa a disputa eleitoral de verdade, afinal, saberemos o que se passa nas cabeças dos juízes, nas fraldas das crianças, e principalmente, nas sombras das esquinas de Brasília. Política da boa, “hardcore”, como tem que ser. Aquela aonde a “filha chora e a mãe não vê”. Ou pelo menos, finge que não vê.

Marina, por quem, ao contrário de muitos à esquerda e à direita, tenho um certo apreço – por sua história, por sua força e bravura escondida naquela aparência frágil – vai saber se o “Poder” permitirá que tenha o seu partido. Cometeu erros trágicos, como por exemplo, permitir que a colocassem nessa situação. Um líder é o senhor do seu tempo, e nunca deixaria que cartorários e juízes tivessem o seu futuro em suas mãos. Ela conviveu com o (escorregadio) Lula, teria a obrigação de ter aprendido alguma coisa. Hesitou – um erro fatal na política – e os prazos se encurtaram. A culpa não é de ninguém a não ser dela.

Mas não será o que a mídia irá vender. Normal. Engraçado como tentarão jogar no colo do PT/Dilma a responsabilidade, como se o PSDB estagnado não ganhasse com isso. Grande parte da direita e do empresariado, vão querer os votos da Marina, na chapa de outra marionete (que não o PT). Se ela não conseguir o seu “não-partido” a pressão será grande para ser protagonista ou coadjuvante em outra chapa. Eu não acredito que ela vergará, tampouco que irá para outro partido. Mas posso estar errado, a pressão como disse será imensa. Uma tristeza, mas ela é que se colocou nessa situação.

Tecnicamente, qualquer decisão será válida, mas a tendência óbvia é de não aprovação. A lei é bem clara a esse respeito. Mas afinal, vivemos num pais aonde o Judiciário se sente livre pra legislar mais que o próprio Congresso. O Brasil é um dos únicos países que possui uma Justiça Eleitoral, que na democracia, deveria ser só uma comissão para organizar as eleições, se tornou um monstro que decide quem são os jogadores, os reservas e os árbitros. Se deixarmos, um dia vai decidir até quem serão os torcedores. Isso quando não são pegos no flagra fazendo negócios escusos com empresas privadas (e a Serasa-Experian é quase uma NSA privada).

Aproveitando que falei em Lula, gostaria de entender o que se passa na cabeça de alguns. Afinal, nunca antes na história banqueiros e empresários lucraram como no governo dele (e pra mim, a aceitação do capitalismo como ele é, foi sua maior virtude, e, 83% de aprovação no final estão ai pra comprovar.). Agora a Marina não pode receber o patrocínio do Itaú e da Natural (entre outras empresas, ongs e multinacionais). Isso é incoerência e hipocrisia.

Que fique claro, a minha visão atual é que essa relação privado x público é a maior doença da democracia. Mas na ausência de uma alternativa – e aceito que a minha/nossa omissão na parte ativa da política, responsabilidade nisso – não devemos julgar os políticos por seus apoiadores privados. Afinal, se for pra julgar (sem dois pesos e duas medidas), hoje, não sobraria um único partido. Aliás, esse parece ser o sonho de alguns, e o pesadelo antigo de outros, como eu.

Voltando, se a situação da Marina (20 milhões de votos, não se esqueçam) é incerta. O cenário é cada vez mais propício para a reeleição da Dilma. Mas com o “espírito do tempo” tão aberto para o novo, nada indica que 2014 será tão previsível assim. As redes sociais e a comunicação em tempo real se tornaram um enigma para políticos e estrategistas, mais que uma mera ferramenta (como sempre acreditei).

Para piorar a situação da Dilma, se novas manifestações ocorrerem ela não poderá usar nenhum tipo de repressão, afinal, 50 anos da ditadura, e a última coisa que queremos é o Exército e a Força Nacional nas ruas durante a Copa. Ela também não tem nenhum tipo de serviço de inteligência ao seu dispor. Estará navegando às cegas. Na economia, ao contrário de muitos, acho que a história da “É a economia, estúpido!” virou um bordão antiquado. A economia estará bem, obrigado, com o desemprego baixo, a inflação controlada e um crescimento num nível razoável. Mas não será tão relevante quanto nas eleições anteriores. Quem quiser acreditar, que acredite. É uma premissa, mas perdeu a importância, assim com a estabilidade monetária e a diminuição da pobreza.

Como disse, numa breve recaída às redes sociais – como um nóia tentando parar de fumar crack – a agenda mudou, adequem-se.

Já o Eduardo Campos fez o que tinha que fazer – novamente discordo com muitos comentaristas na blogosfera e colunistas da Velha Mídia – pois tentou criar uma base para alçar voos mais altos, pôs o carro na rua. Apareceu na mídia, seu nome girou, mas até agora não conseguiu gerar tração. Mas não é o fim do mundo. Eu acho que a estratégia foi interessante (mas o tempo é quem dirá). Enxergou as fraquezas do PSDB (perdido como sempre na disputa MG x SP) e cacifou seu nome do com PIB e com a direita liberal. E com parte da mídia (só que a mídia não ama ninguém, só o dinheiro).

Afinal meus caros, que opção restou a ele? Lula trouxe o PT para o centro, e com isso deslocou todo mundo pra direita. Não havia muita opção. Foi pescar aonde tinha peixe. Ele pecou nos detalhes: apoiou irrestritamente a mídia e o judiciário com todos os erros, e principalmente, não soube se conectar com as demandas que surgiram no pós-manifestações. Nada que uma boa estratégia não corrija. Erros de navegação, não de trajetória. E concordo com o Ciro, ele não mostrou o que planeja, o seu projeto. Mas pra sermos sinceros, nenhum dos adversários mostrou, ou mostrará. Parece ser uma característica da nossa política.

Sobrou o Aécio-Serra, mas não há muito o que falar. Eu simplesmente não entendi aquela nota do Aécio. Recuo tático para não perder São Paulo? Mas numa hora dessas? Talvez esteja acontecendo algo mais nas sombras que eu não consigo enxergar. Uma chapa sangue puro com o apoio explicito ao fim da reeleição? Confiar e depender do Serra não é um bom sinal. Diga-se de passagem, eu, e o resto dos eleitores brasileiros concordamos com a reeleição, só os políticos fora do poder que não. Obviamente, o FHC não precisava tê-la comprado a um preço tão alto. Mas cada um colhe o que plantou, e o legado do FHC está lá. No final o Aécio (e suas irmãs em MG) se tornaram a mais insossa das opções, e o Serra está vendo isso. Se o Áecio continuar estagnado….quem poderá nos salvar? Enfim, pobre PSDB.

Assim 2014 tem tudo para ser uma das eleições mais sem graça de todos os tempos. O PT sofrendo com a fadiga de material que é natural após 12 anos de poder. O PSDB perdido após descobrir que banqueiros, financistas e a velha mídia não elegem tão facilmente mais ninguém nesse pais. E por fora, duas figuras até interessantes, mas imaturas, cometendo erros primários no único momento em que não podiam errar. E sorte, nada mais é o encontro da oportunidade com a competência.

Mas ainda falta muito tempo, é hora de observar e refletir, para não ficarmos choramingando nas redes sociais, pedindo a cabeça de políticos que nós mesmo colocamos no poder.