Entre as Velas e os Molotovs

Como explicar para um velho golpista o sentimento de fúria e indignação dos jovens? Como um velho poderia explicar para os jovens os infinitos tons de cinza que existe entre o preto e o branco? Não tem como. Se houvesse não haveria ruptura. A vida seria uma eterna transição pacífica e morna. Insossa. Sem emoção. Previsível.

Mas ainda não chegamos lá. Não vivemos esse momento. Estamos naquele estágio perigoso em que os velhos ainda se olham no espelho, e atrás das incontáveis rugas, acreditam piamente que possuem mais força do que realmente tem. Acreditam que são tão influentes e fortes como eram no passado. Uma ilusão perigosa. Mas é o que lhes resta.

De um lado, só os tolos acreditaram que mudanças drásticas numa sociedade poderiam ocorrer sem turbulência. Só os incautos (realmente) acreditam que tamanha (in)justiça passará despercebida por pelo menos uma pequena parte dos milhões de cidadãos que tiveram a sua vida, incomparavelmente melhorada.

Do outro lado, só os idiotas acharam que poderiam fazer o que bem entendesse sem que a cobrança viesse bater-lhes a porta. Só os irresponsáveis tiveram sonhos de poder além do que lhes foi delegado pelo povo. Só os gananciosos e hipócritas, se dormiram tranquilos por fazer “o que todos fazem”.

É hora de mudar. De abandonar o velho e abraçar o novo. Erguer barricadas para proteger o que foi conquistado, mas preparar para mudanças muito mais radicais. Enterrar de vez essa mídia corrupta e seletiva. Semear e esperar o florescer de uma nova mídia, um novo jornalismo. Mais ágil, mais eficiente, mais inteligente.

É hora de enfrentar a criminalização da política. A massificação da ideia que a política não presta. Que o Brasil é uma “merda”. Soterrar de vez o “complexo de vira-latas” com doses cavalares de autoestima e auspiciosidade. Bombardear a descrença com a política com muito mais política.

Se preciso for, encarar parte do Judiciário que, após anos de inanição e conluios na escuridão com banqueiros e jornalistas, resolveu mostrar sua face mais conservadora e retrógrada. Fazer o Legislativo acordar e exercer sua função constitucional. Retomar pra si, o que lhes foi tomado ilegitimamente, pelo “jurislegislativo” enquanto dormiam entorpecidos pelo poder.

Reformar a Política, reduzindo custos de campanha, responsabilizando exemplarmente corruptores, estabelecer o financiamento público EXCLUSIVO. Reformar a Legislação Eleitoral, removendo brechas e recolocando a Justiça Eleitoral como organizadora do processo eleitoral e não legisladora. Reformar o processo de escolha de juízes, oxigenando o judiciário. Reafirmar o poder do CNJ.

Regular a mídia, sim. No capitalismo, aprendemos com a crise de 2008, que nada que gere lucro pode ficar à mercê de uma suposta autorregulação. Combater, através do CADE, a tendência inevitável das corporações ao oligopólio e, em certos mercados, ao monopólio privado. Afinal, sequer aceitamos o monopólio estatal num mercado estratégico como o de Petróleo, por qual razão deveríamos permitir o privado em qualquer outro?

Não estou aqui, falando de um mero julgamento de um partido. Estou falando de um sistema viciado que atinge a todos, indistintamente. Que se julgue e se puna, todos, absolutamente todos. De A a Z. Não só políticos, mas banqueiros e barões da velha mídia. E todos os intermediários entre eles.

Sem distorcer as leis. Sem flexibilizá-las de acordo com os interesses de uma elite. Sem o show midiático que nunca faz bem a juízes. Sem a seletividade e hipocrisia que permeia e enebria esses velhos decadentes, apavorados com a marcha ensurdecedora da mudança.

3 comentários sobre “Entre as Velas e os Molotovs

    1. Realmente é difícil aceitar e acreditar. Mas a música já previa, ” os velhos de Brasília não duram para sempre…”

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