Os homens que não amavam as mulheres

#Leião

Uma procuradora, bem sucedida, com dois filhos é brutalmente assassinada no seu condomínio de luxo na região metropolitana de Belo Horizonte. Já havia denunciado o ex-marido, um mauricinho perturbado, provavelmente mimado, bajulado, como todo homem de classe média. E mesmo como todo o conhecimento da lei e seguindo todos os procedimentos cabíveis na moderníssima e, excessivamente endeusada, Lei Maria da Penha, não consegue proteção. Se uma procuradora federal não consegue proteção contra a violência e ameaça, o que resta às mulheres pobres do Brasil?

A companheira suspeita que a filha, de 11 anos, está sendo abusada pelo padastro. Monta um armadilha antes de sair para o serviço, e deixa o celular dentro de uma caixa de papelão filmando tudo. Prova material de um crime. Trabalho de polícia. Com, medo pega a filha e foge para uma pequena cidade na região de Goiânia, não antes de fazer e distribuir várias cópias dos atos do padastro. O brilhante delegado, para toda a imprensa, afirma que não vai informar a localização “exata” delas, exceto que elas estão em Guapó, uma cidadezinha de 10mil habitantes na Grande Goiânia. Genial.

Uma mãe vê a filha de 12 anos sendo aliciada pelos barões do trafico num bairro pobre do Rio de Janeiro. Será mula, será escrava sexual de traficante em breve. Para tentar impedir, desesperada, bate na filha, que a denúncia ao conselho tutelar e à polícia. Com a nova Lei das Palmadas, ela vai ser indiciada, responder em juízo, provavelmente faltará ao serviço várias vezes e assim perderá o emprego. Sozinha, pois o bravo companheiro a abandonou na primeira oportunidade, não sabe o que vai ser dos seus outros 3 filhos pequenos. Deputados e deputadas em Brasília espumam ao proclamar a modernidade legislativa brasileira, conseguida assim, por decreto.

Um jovem enlouquecido de ciúmes e insegurança, invade um prédio, faz refém a ex-namorada e a amiga, mas homem que é, libera os outros dois rapazes. Seu problema é com as mulheres, não com os rapazes. Bravo. Depois de intermináveis horas de cativeiro, liberta a amiga. Os geniais policiais, todos homens, todos especialistas, todos corajosos (com uma arma na cintura), fazem com que a amiga volte ao paiol de pólvora com um fosforo aceso. Mais algumas horas depois, após ouvir “um barulho de tiro” (que pode ser o tapa na mesa de um Governador encastelado pelo desgaste político crescente com a situação que sua própria incompetência criou) a “tropa de elite” invade de maneira atabalhoada o apartamento. A ex-namorada morre, a amiga toma um tiro no rosto. Mas o jovem, sai ileso. E agora, três anos depois aguarda o julgamento. Terá que ser protegido na prisão. Cela especial, única.

Entre a ficção e a realidade, no Brasil, o país aonde não há machismo nem preconceito, não é um lugar perigoso para se viver.

Bem, exceto se você for mulher.

 

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