Ainda sobre o Pará

Eu pretendia escrever sobre isso antes do resultado. Não deu. De qualquer forma pra mim não foi uma surpresa a derrota da divisão, mas o tamanho da diferença foi (66% a 25%). Eu tenho familiares que migraram para essa região e já ouvi muitas histórias a respeito dos problemas. Inúmeros.

Como economista via que a maioria se deve à ausência do Estado. Ou omissão. Acredito que um estado dessa dimensão é praticamente ingovernável da maneira atual. No fim era “levemente” a favor devido à experiência da divisão Goiás-Tocatins. Como goiano, é nítido, não o que representou para Goiás (acredito que para nós foi indiferente do ponto de vista econômico), mas como os tocantinenses ganharam. Isso é indiscutível. Além disso Tocantins optou por um modelo de desenvolvimento mais baseado na iniciativa privada. E isso é (pode ser) bom no longo prazo.

Ainda que falho em vários pontos, acredito ser  o melhor modelo de desenvolvimento para estados com um déficit muito grande no desenvolvimento econômico e social. Um estado forte e indutor que estimule a iniciativa privada. E um novo modelo administrativo, bem mais descentralizado. Às vezes quando se tem pouco é melhor recomeçar e partir do zero. Esses estados podem ser o exemplo de um novo modelo de gestão pública.

Além disso, há que se notar que a divisão Goiás-Tocantins foi realizada numa época de forte contingenciamento financeiro por parte da União e Estado. Assim o governo não investiu o necessário para elevar o desenvolvimento do novo estado. Hoje essa situação é um pouco diferente. Outro aspecto é que, hoje, quando visito a região norte de Goiás eu vejo como não criamos um modelo de investimento para reduzir o atraso dessa região que ficou com a gente. Fico imaginando como seria se não tivéssemos criado Tocantins.

Agora justificar a não divisão do Pará “por que criaria mais políticos” é miopia e ignorância. É visão de pseudo-democratas que não querem pagar o preço pela democracia.

De qualquer forma (ainda) acredito na democracia. Os paraenses tiveram seu momento de escolha e tomaram a sua decisão. Agora vão ter que elaborar um novo modelo de gestão, pois o atual está falido. É impossível administrar um estado dessa dimensão com essa visão centralizadora.

PS.: E eu gosto do Calypso. E pra quem não sabe o Tecnobrega está desenvolvendo um modelo que pode salvar a falida industria audiovisual tradicionalmente avessa à inevitável tendência de colaboração e inovação aberta (ver “O Pará reinventando o negócio da música” e  “Tacky and Proud: Exploring Tecnobrega’s Value Network“). Mas o preconceito só existe “nos outros”, não é mesmo?

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