Occupy Wall Street

Bulls on Parade
Não tenho muito o que dizer sobre o “Occupy Wall Street”, tenho acompanhado pouco. Não sei o que pretendem (talvez nem eles, ainda) mas nunca ignoro o poder do povo nas ruas.
Aliás isso é mais um motivo pra esquerda brasileira parar de ignorar ou satirizar o movimento contra corrupção (sic). O que poderiam (e deveriam) é participar ativamente pra direcionar o movimento para o rumo correto.
E copiando um outro site:  “Esse blog apoia completamente pessoas que fazem cartazes e plaquinhas e as levantam nas ruas”. Poder para o povo, sempre.

Mas essa lista abaixo, parece ser realmente focada e poderosa o bastante pra alterar significantemente o “sistema”. Seria um começo, e é mais factível que pedir o fim dos Bancos Centrais ou o tabelamento de juros imobiliários.

Via “Vila Vudu

Meu conselhoao pessoal de Occupy Wall Street:


12/10/2011,Matt Taibbi, revista Rolling Stones(ed. 27/10/2011)

Já estive duas vezes, até agora, em Occupy Wall Street, e adoro aquilo lá. Osprotestos que começaram na Praça Liberty e já se espalharam por toda a partebaixa de Manhattan são importantíssimos, resposta lógica ao Tea Party e dedobem dado à cara da elite financeira. Os manifestantes escolheram o alvo certoe, pela recusa a deixarem a praça desde o primeiro dia, também a táticacorreta, mostrando ao grande público que o movimento contra Wall Street tempique, decisão e, a cada dia, ganha mais apelo popular.

Mas… há um mas. E, para mim, é uma coisa pessoal profunda, porque essaquestão de combater a corrupção que Wall Street gera é causa à qual dedicominha vida há anos, e é difícil para mim não ver qualquer ação de Occupy Wall justamentena direção em que o movimento pode ser melhor e mais eficaz. Penso, porexemplo, que os bancos devem ter-se rejubilado secretamente nos primeiros diasde protesto, certos de que haviam vencido o primeiro round da guerra pela opinião pública.

Por quê? Porque depois de uma década de roubo sem paralelo, de corrupção comojamais se viu no mundo, com dezenas de milhões de norte-americanos passando àcategoria de sem teto e famintos, graças aos preços da comida artificialmenteinflados, e com outros milhões de norte-americanos despejados de suas casaspela corrupção no mercado imobiliário, as manchetes de jornais durante aprimeira semana de protestos contra o setor financeiro e de serviços foramdignas de revistinha de colégio de meninas.

Na minha opinião, isso diz muitíssimo sobre o desafio inicial de opor-se àhidra de 50 cabeças da corrupção pelos banqueiros de Wall Street, porque éextremamente difícil explicar os crimes da moderna elite financeira numinfográfico simples.

A essência desse tipo específico de poder oligárquico é a complexidade e ainvisibilidade no dia a dia. Seus piores crimes, do suborno e tráfico de influênciaà manipulação do mercado, do domínio sobre o governo político, comandado dosbastidores, à usurpação da estrutura regulatória que se faz dentro dosparlamentos, nada disso pode ser visto pela opinião pública, nem é noticiadopela televisão. Não haverá a foto icônica da menina com o corpo queimado pornapalm, com Goldman Sachs, Citigroup ou Bank of America. – Só há 62 milhões denorte-americanos com zero na conta poupança, ou ainda devendo dinheiro, coçandoa cabeça e sem entender para onde foi o seu dinheiro sumido e por que os seusvotos parecem valer menos e menos, e cada vez menos, a cada ano.

Mas não importa. Façam o que fizerem, sempre apoiarei Occupy Wall Street. Eacho que a estratégia básica do movimento – construir grandes números e nãoabandonar a praça, em vez de prender-se a um ou outro conjunto fechado deprincípios – fez e continua a fazer pleno sentido. Mas aproxima-se rapidamenteo momento em que o movimento terá de oferecer solução concreta aos problemascriados por Wall Street. Para fazer isso, precisarão de uma lista curta, maspotente, de reivindicações. Há milhares, mas sugiro que o movimentoconcentre-se em cinco:

1. Quebrar os monopólios. As cincograndes empresas financeiras, chamadas “Grandes Demais para Quebrar” – tambémchamadas, mais precisamente, de “Instituições Sistemicamente Daninhas” – sãoameaça direta à segurança nacional. Estão acima da lei e acima dasconsequências de mercado, o que as torna mais perigosas e imperscrutáveis quemil máfias reunidas. Há cerca de 20 dessas empresas nos EUA – e têm de ser desmontadas.Bom começo nessa direção seria rejeitar a ‘Lei Gramm-Leach-Bliley’ [ing. Gramm-Leach-Bliley Act[1]] eordenar a separação das empresas de seguros, bancos de investimento e bancoscomerciais.

2. Que eles paguem pelos próprios ‘resgates’.Uma taxa de 0,1% de todos os negócios de ações e bônus e uma taxa de 0,01% detodos os negócios com derivativos gerariam dinheiro suficiente para devolveraos contribuintes o que nos foi roubado nos ‘resgates’, e ainda sobraria muitopara combater os déficits que os bancos alegam que tanto os preocupam. Ajudariaa conter a caça sem fim a lucros instantâneos através de esquemas de negóciosinternos como High Frequency Trading, e forçaria Wall Street a voltar aonegócio que se espera que seja seu meio de vida, i.e., fazer investimentosdecentes em empresas que gerem empregos e ajudá-las a crescer.

3. Nada de dinheiro público para lobbies privados. Uma empresa querecebe ‘resgate’ público não pode ser autorizada a usar o próprio dinheiro doscontribuintes para pagar lobbiescontra os contribuintes. Você pode ou mamar nas tetas do estado ou influenciara eleição do próximo presidente, mas não poderá mais fazer as duas coisas. Caiamfora e deixem o povo eleger livremente o próximo presidente e o Congresso.

4. Taxem os jogadores da jogatina dosfundos hedge. Para começar, temosde repelir imediatamente o corte de impostos obsceno e indefensável, quepermite que titãs dos hedge fundscomo Stevie Cohen e John Paulson paguem impostos de apenas 15% dos bilhões queganham na jogatina financeira, enquanto cidadãos norte-americanos comuns pagamo dobro disso por ensinar crianças ou apagar incêndios. Desafio qualquerpolítico a levantar-se para defender esses buracos da lei, em ano eleitoral.

5. Mudar o modo como os banqueiros sãoremunerados. Temos de ter leis que impeçam que executivos de Wall Street recebambônus por encobrir negociatas que, mais cedo ou mais tarde, sempre explodem nanossa cara. Tem de ser assim: você faz um negócio, compra ações de empresas quevocê poderá revender em dois ou três anos. Assim, todos serão obrigados ainvestir na saúde financeira das próprias empresas, no longo prazo – e fim dos JoeCassanos embolsando bônus multimilionários, só porque destruíram as AIGs domundo.

Citando o imortal filósofo político Matt Damon de Cartas na Mesa[2], “a chave parapôquer sem limite é obrigar um homem a tomar decisões que envolvem todas assuas fichas.” A única razão pela qual os Lloyd Blankfeins e Jamie Dimons domundo sobrevivem é que jamais são forçados, pela imprensa ou pela lei ou seja porque for, a pôr todas as suas cartas na mesa. Se Occupy Wall Street pode fazerisso – se pode falar ao mesmo tempo aos milhões de norte-americanos que osbancos reduziram à miséria e converteram em sem-tetos e desempregados – então,sim, há chance de que construa movimento massivo, de base. Só precisa meter um fósforoaceso no ponto certo, e lá estará o apoio popular para reformas reais – nãodepois, mas já, imediatamente.


NOTAS

[1] A Lei Gramm–Leach–Bliley Act (GLB),também chamada “Lei de Modernização dos Serviços Financeiros”, de 1999 (Pub. L.No. 106-102, 113 Stat. 1338, aprovada dia 12/11/1999) é lei aprovada peloCongresso dos EUA (legislatura 1999–2001). Foi sancionada pelo presidente BillClinton e rejeitou parte da Lei Glass–Steagall (‘Lei da Prudência Bancária’) de1933, abrindo os mercados para bancos e empresas de seguros. A Lei Glass–Steagallproibia que uma instituição atuasse em qualquer tipo de combinação como bancode investimento, banco comercial e empresa de seguros (mais, sobre isso, em http://en.wikipedia.org/wiki/Gramm%E2%80%93Leach%E2%80%93Bliley_Act)[NTs].

[2] Rounders,filme de 1998. O personagem de Matt Demon é jogador que abandonou o pano verde,mas tem de voltar a jogar pôquer de apostas altíssimas, para ajudar um amigoperseguido por agiotas (mais em http://www.imdb.com/title/tt0128442/)[NTs].

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