Não somos chineses


Não tem como aumentar o imposto de importação pra diminuir a incompetência?

Protecionismo. A bola da vez. Afugentados com a crise, medrosos de todos os tipos aparecem pra pregar o protecionismo como forma de salvação para a “nossa indústria” (nossa?).

O Governo promove mudanças cosméticas no câmbio, mas quando os efeitos começam a aparecer, corre pra toca como uma gazela arisca. O BC não joga pôquer, e isso ficou claro quando o dólar passou dos R$ 1,90.


Na sequência temos a anúncio do aumento de IPI para carros “importados” e bicicletas.

Perguntas: Quanto tempo de subsídios, empréstimos reduzidos e isenção de impostos as atuais montadoras levaram conseguir chegar a 65% de nacionalização? 

Foi só pra satisfazer o lobby das montadoras e aliviar a pressão de sindicalistas? Ou foi um sinal para os chineses? Chineses são bons com “sinais”. Montadoras chinesas que planejavam investimentos bilionários, agora repensam.

Comemoram a vinda de alguns fabricantes de videogames, tablets e smartphones, usam isso como prova de o protecionismo funciona. Só não dizem que deveríamos estar produzindo software não hardware. Games não consoles.

Mais questões: Haverá aumento pra proteger a indústria calçadista? moveleira? textil? eletro-eletrônica? etc. Se sim. Por que não aumentaram antes então?

Não haverá. Não existe imposto na CF que consiga compensar a incompetência. Não existe imposto que proteja a falta de investimento em educação, tecnologia e design.

Empreendedorismo. Tecnologia. Design. Não se enganem. Gravem esses termos.

Não somos a China. Emular medidas protecionista dos asiáticos enquanto se borram com a desvalorização cambial “acima” do previsto não tornará “nossa indústria” mais competitiva.

Não somos a Rússia. Medidas de gabinete que afetem a percepção e confiança na estabilidade institucional – nossa maior vantagem ante aos demais emergentes – não tornará nossa industria uma potência.

Mas talvez, alivie a consciência (pesada) de desenvolvimentistas anacrônicos com a inação em governos passados. Talvez melhore a relação com as centrais sindicais depois da inabilidade na condução política recente. Talvez.

Mas dificilmente essas medidas serão benéficas para o consumidor brasileiro. Na verdade parece mesmo só jogo de cena para incautos.

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