A Grande Coordenação

“Coordenação na Política Econômica incomoda muita Gente. Porquê?”

Como já devem saber o Banco Central baixou os juros em 0,50 %, num movimento que parte achou “ousado”. A velha mídia mantem a ladanhia que o Banco Central cedeu à pressões. Que foi politizado, pressionado, subjugado. Provavelmente a truculenta do Planalto invadiu armada até os dentes aquele prédio engraçado – pra dizer o mínimo – no SBS (Setor Bancário Sul) e pegou os diretores pela orelha até que prometessem fazer o que ela estava mandando. Tenha dó.

O primeiro passo é observar as taxas futuras. Elas indicam claramente que depois do acrescimo de R$ 10 bi no superávit primário, quem tem (muito) dinheiro já começou a apostar numa queda dos juros já nessa reunião do COPOM. Uma regra básica do mercado financeiro: se você não tem (tanto) dinheiro pra manipular o Mercado, siga os tubarões. Tuba não lê Folha. Tuba não assiste Globo. Por essa razão o Valor continua sendo o melhor jornal brasileiro. Esses caras odeiam perder dinheiro. E hoje, informação é dinheiro. Pra bom entendedor um pingo é letra. Foi o que eles leram nos sinais que o Governo mandou pra eles.

Já o segundo passo é aceitar que a inflação dá sinais de arrefecimento. No passado a mídia focava no mesmo indicador que interessava para o mercado, a previsão de inflação futura. Mas o interessante é que desde o começo do ano, todos os meios de comunicação passaram a focar na inflação “dos últimos 12 meses”. Infelizmente não tenho tempo pra fazer essa pesquisa e postar aqui. Mas que seria revelador, seria. Independentemente disso, desde que assumiu, o que parece (parece pois não foi institucionalizado) é que o BC está olhando mais para o médio prazo. A maneira como ele passou a focar na meta de 2012 deveria ter ensinado algo aos investidores. Pelo que parece, só os tubarões aprenderam.

E por último, em terceiro, aprender com os erros do passado. Se a maioria dos políticos, economistas e jornalistas não aprenderam nada com a lentidão com que tomamos as medidas necessárias em 2008, isso não significa que o resto não aprendeu. O Tombini estava lá, acompanhou o enfrentamento contra a crise internacional. Ele não é um estrangeiro no Banco Central. Tem gente que hoje, escreveu que não vê no momento “perigo de contágio” da queda na atividade nos países desenvolvidos. Claro, só verão os sinais quando eles efetivamente estiverem por aqui, e quando isso acontecer, dissimulados que são, vão se “esquecer” que decisões na política monetária demoram em média 6 meses pra surtir efeito. Mas esses não se importam com o emprego dos mais pobres. Só se preocupam em vender a desgraça “alheia”.

O que está havendo no momento é uma “Grande Coordenação” entre o Banco Central (Política Monetária) e o Ministério da Fazenda (Política Fiscal). Na medida que não há mais ruído, o processo de controle inflacionário e estimulo ao crescimento tende a ser muito mais eficiente. Sei que é um trocadilho infame com a “Grande Moderação“, quando o Tesouro no Governo Clinton fez um grande ajuste fiscal, e o FED, nas mãos do “oráculo” Alan Greenspan baixando o juros para estimular a economia. Isso, posteriormente, quase destruiu os EUA, apesar de ter garantido anos de crescimento. Mas o problema, a meu ver não foi esse, e sim a desregulamentação financeira que ocorreu desde anos noventa. Mas isso é assunto pra outro post.

Obviamente isso tudo é muito recente, os efeitos serão percebidos pela maioria da população daqui a um ou dois anos. O que a Dilma e equipe estão construindo no momento são as bases para um crescimento mais sustentável, variando de 4 a 6% ao ano. Assim a decisão de ontem, não foi uma vitória dos “desenvolvimentistas” sob os “liberais”, foi uma decisão planejada e coordenada. Novas virão, podem anotar. A começar por mudanças drásticas nas regras dos rendimentos da poupança.

Pra mim, na área econômica as decisões da Dilma estão sendo irretocáveis, e ela vai colher os frutos lá na frente, apesar de tudo que está sendo dito e escrito. Independentemente disso, continuo com as minhas críticas a coordenação política, gestão na cultura, comunicação social e política externa.


Mas afinal, de que importa minha opinião? Como a gente pode ver na Europa, política virou basicamente economia. Trágico não?

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