Tempus Fugit

Mas entretanto ele voa: irremediavelmente o tempo voa, enquanto vagamos por ai, prisioneiros do nosso amor pelos detalhes” – Virgílio, Geórgicas


Quando era mais jovem – ou menos velho, como queiram (risos) – comprei um livro, um daqueles que supostamente teriam mudado a minha vida. Sabem como é, pra certas mensagens, tem que se estar pronto. Era Sêneca, “Sobre a Brevidade da Vida“. Tinha lido alguma coisa a respeito dele, e achei que seria uma boa forma de enfrentar essa questão que ocupou – olhem só que ironia –  o tempo de tantos filósofos. Eles que deixaram tudo isso ai, prontinho pra nós, ingratos ignorantes, aprendermos.

De certa forma, já havia percebido o quão breve seria minha existência na Terra, e como a nossa vida é totalmente condicionada. Tudo pra adiar a produção de uma obra, de algo que represente, mesmo que para alguns, a memória do que fomos, do que produzimos. Mas nos perdemos passivamente em futilidades, em heranças primitivas, dependências marcadas a ferro no nosso DNA.

Dos poucos livros que li, na verdade, parece que não aprendi nada. E do jeito que sigo, duvido que vá aprender alguma coisa agora. Eu simplesmente tenho permitido que a vida passe por mim. De certa forma, aceitei ser um mero espectador, não aceitei assumir o papel de protagonista. Se serve de consolo – não, não serve – ao meu redor só orbita alienação e uma patética ode à futilidade.

“Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai.” – Sêneca, Sobre a Brevidade da Vida

O tempo, irremediavelmente voa. Tempus fugit, escreveu Virgílio. Por algum motivo, sinto que preciso tatuar isso na minha pele. Talvez, só assim não esqueça de algo tão importante. Estou no meio da minha vida, e aparentemente, sou tão incompetente que não consigo lembrar o quão efêmera a vida é. Não consigo lembrar a lição mais importante que (tentaram) me ensinar.

Esse assunto vem à tona, não por acaso. Ao assistir vídeos antigos dos meus filhos, foi como se fosse atingido por uma tijolada na cara. Os filhos tem essa inegável função, (supostamente) te tiram da passividade, te fazem focar no que é real, nos aspectos concretos da luta pela sobrevivência. Te mostram a “verdade brutal”: você é apenas um “morto adiado”, e em breve voltará a ser pó. E ai? Qual será o seu legado?

Mas a questão é, se eu que tenho um pouco de consciência a respeito disso, me sinto profundamente perturbado, imagine o quanto é triste perceber que é impossível explicar algo tão importante pra pessoas que você gosta. É o típico discurso vazio, não serve pra nada se você não descobrir por conta própria. E parece que os outros não perceberão tão cedo. Ou apenas são dissimulados e desonestos à respeito da suas próprias vidas, e acredito ser desnecessário demonstrar o quão estúpido isso é.

Mas se você não aprender logo, o que vai restar no final da vida é só arrependimento. E, segundo dizem, um dos piores sentimentos que podem afligir um homem. Será que ainda resta “tempo”?

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2 comentários sobre “Tempus Fugit

  1. Nesse exato momento o PIG está fazendo uma campanha contra a Dilma, e incitando o exército contra a indicação de Amorim.

    Precisamos desmascarar o PIG antes que seja tarde.

    Aqui vai uma campanha que podemos divulgar em nossos blogs e twitters:

    http://oi55.tinypic.com/xf98aq.jpg

    http://oi53.tinypic.com/2dqt3lt.jpg

    A campanha não tem como objetivo promover um dispositivo eletrônico, mas apenas mostrar para a classe média como eles pagam caro por um jornalismo de tão baixa qualidade. Que façam a troca e passem a se informar pela internet, que é mais democrática!

    Por favor, ajude a divulgar estas imagens, ou crie novas se quiser, em seu blog e twitter.

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