F-X :: Doze anos de irresponsabilidade

“Imobilizados pelo medo de enfrentar o lobby das armas”

O iG está com uma série sobre o Projeto F-X. Eu acompanho isso a tanto tempo que estou extremamente cansado. Doze anos foram suficientes pra me tornar um velho pessimista, principalmente nessa área. Durante todo esse tempo eu cheguei à conclusão final que nosso sistema político premia a covardia de seus “líderes”.

Não adianta, tucanos e petistas, chegarem a conclusões simplistas. Não adianta pacifistas – tão iludidos, quanto irresponsáveis – usarem o argumento hipócrita que “um país com tanta pobreza não pode se dar o luxo em investir em Defesa”. Não adianta ciberativistas ignorantes se mobilizarem através das redes sociais e blogs ou se vestir de branco e fazer gestinhos patéticos de “paz”.

A história mostra claramente, que uma defesa frágil é o maior convite para a guerra. Não aprendemos nada? Alem disso, não adianta demonstrarmos com fatos históricos que uma industria de defesa forte é uma das formas de se investir agressivamente em ciência básica e induzir a inovação (afinal a internet aonde escrevemos bobagens nasceu aonde? e os satélites que transmitem o seu jogo de futebol? e a energia nuclear que hoje usamos na prevenção e diagnostico médico?).

Mas o problema é mais grave, está comprovado que existe algo de muito errado na construção da nossa estratégia e na forma como ele vai planejada e executada. Não temos “think-tanks“. Nossa academia (exceto as das Forças Armadas) se preocupa pouco com o futuro estratégico. Nossa mídia então, é de uma ignorância constrangedora.

E convenhamos, se dois políticos da magnitude de Lula e FHC foram incapazes de vencer esses lobbies, e o nosso sistema político se mostrou tão frágil e suscetível a pressões das industrias de armas, não dá pra ficar otimista com o futuro. Não fizemos por onde, e a não-decisão – opção menos prejudicial ao ocupante do poder do momento – é só uma consequência da nossa tradicional leniência, pra não dizer preguiça, com decisões estratégicas de longo-prazo.

Definitivamente, não é assim que se constrói uma nação soberana e independente.

Processo de compra de caças completará 12 anos sem definição – Política – iG

Hoje, passados onze anos, o governo ainda discute a compra dos caças, tendo como prazo mais próximo para uma nova definição o ano de 2012. Entre idas e vindas, o projeto agora se chama F-X2, prevê a compra de 36 aeronaves multiuso e tem custo entre R$ 10 bilhões e R$ 25 bilhões.

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2 comentários sobre “F-X :: Doze anos de irresponsabilidade

  1. Oi Fernando.

    Eu relutei muito em comentar esse post porque, certamente, você conhece o universo bélico melhor do que eu, que não tenho muito interesse mesmo no assunto. Isso não quer dizer que não o considere importante e, por acaso, foi num post-clipping sobre as três opções de caça que fiz meu primeiro comentário nesse blog.

    Eu não sabia que o projeto de compra dos caças data já de 12 anos e realmente, concordo contigo que há uma inércia não-natural das autoridades brasileiras no assunto defesa nacional do qual eu, mesmo como pacifista, não concordo.

    Minha discordância da ideia desse post, no entanto, é que não acho que o desenvolvimento de uma indústria bélica seja o único meio de dominar e usar as tecnologias subjacentes em outros campos de aplicação. É certo que em tempos de guerra – e guerra fria incluída -, ocorre um esforço que acelera o desenvolvimento de tecnologias, como as que você citou. Entretanto, todas aquelas, acredito, nasceram nas universidades e na busca do conhecimento talvez até não-aplicado.

    A indústria bélica tem também um custo e é importante levar isso em consideração porquanto testemunhamos seus efeitos: o mais recente talvez seja a guerra do Iraque.

  2. Adriano,

    Com certeza. Eu mesmo relutei muito em mudar minha opinião a esse respeito durante esses anos todos. A lição que a gente aprendeu com os EUA (e com a antiga URSS) é que o belicismo exacerbado pode afundar qualquer nação.

    Apesar disso, a experiência prática prova que: i) nações que não investiram em defesa, foram mais propensas a serem facilmente invadidas e dominadas. Nos tempos atuais, não se chega nem à Guerra de fato, sabendo de sua fragilidade, seus líderes capitulam à menor ameaça a sua soberania. ii) como é intensiva de capital, investimentos públicos, a melhor forma de se desenvolver uma defesa robusta, é intensivando a participação da área privada, mesmo que isso signifique o risco de seus lobbies poderosos influenciarem a esfera pública mais do que o aceitável.

    Temos que ter a confiança e a altivez de acreditar que podemos construir uma realidade diferente (exatamente como fizemos na Política Externa), que podemos criar nosso próprio modelo de desenvolvimento, mais solidário e sustentável. Isso vale pra Defesa, vale pra Política Econômica, vale pra Política Externa, e Política Ambiental.

    Sobre a participação das universidades no desenvolvimento tecnológico, essa é outra lição que devemos aprender com o sistema americano. Lá desde sempre as universidades tem que lutar pra sobreviver financeiramente, e isso criou uma ligação profunda com o Mercado, fazendo que inúmeras soluções tenham sido desenvolvidas do ponto de vista comercial. Não é o caso brasileiro, muito pelo contrário.

    Os erros das outras nações no passado servem de lição, basta que esteamos abertos a aprender.

    PS.: Não hesite em comentar. Olhe o nome desse blog. Prefiro um comentário contrário ao que eu disse, do que um pró.

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