Cem Dias de Solidão

“Se ao menos ela tivesse essa vista…”

Aqui estamos. Vencemos. Depois de uma luta sangrenta, obtemos o poder. Digo, nós, porque não tem jeito. Somos nós, a centro-esquerda, o projeto que luta por menos desigualdade (sequer podemos escrever: “lutamos por mais igualdade”, irônico não?), que quer um Brasil forte e atuante lá fora, que acredita na cultura digital, colaborativa e livre das amarras de leis arcaicas. Um projeto de desenvolvimento econômico e social que não quer mais ouvir que somos o “país do futuro”. O futuro é hoje, ele apenas não foi apresentado a todos. Não pra mim.

Eis que temos um novo estilo de governar. Mais discreto. Mais calado, mas me pergunto, mais atuante? Mais eficiente? Que reformas enviamos? Que proposta estruturante discutimos? Qual o “ganho” em optar por um estilo tecnocrático (e cuidado, tecnocratas, arrogantemente subjulgam de maneira recorrente a política) a despeito do poder mobilizante e direcionante da política. Sei que ganharam (ai começo a me afastar do bando…) a subita e arrebatadora paixão (de verão) da mídia. Sim a #VelhaMídia, que não mudou nada, seja da sua hesitante tentação ao golpismo, seja da sua inacreditável incompetência e baixa qualidade.

Pra mim é pouco. E pra piorar, regredimos na cultura. Cedemos demais e antes da hora nas questões ambientais (surdos que estamos aos 20 milhões de brasileiros que, democraticamente, nós enviaram um sinal nada silencioso). Não aprendemos. Subjulgamos nosso povo, como os velhos que extirpamos do poder. Nos regojizamos com a decadência de zumbis que já se despedaçavam há tempos. Sempre deixando um braço, um perna, um pedaço de carne morta no caminho. Celebramos isso como vitória? Vitória ver um partido anacrônico se desfazer? Eu disse, o futuro é hoje. Políticos governam pelo retrovisor, infelizmente.

E não sou condescendente. Um governo tem o estilo do seu líder. No nosso caso, orgulhosamente, a líder. Não chegou lá por acaso. Por que foi “inventada”. O poste, já quebrou a cara de muitos (que o diga motoristas bêbados que ainda circulam por ai). A discrição, a técnica e estilo da Dilma, se espalhou por todo o Governo, e não é assim que as coisas funcionam. A Comunicação Social, se tornou insossa, voltou a aceitar a intermediação da mídia. A Cultura jogou no lixo, os míseros avanços que tivemos. Nem as migalhas restaram. A área econômica, após o corte bilionário (e necessário) parou no tempo. Hesitou, agora se apoia no câmbio e na fé para o combate a inflação.

Ação. Um leão a cada dia. Um soco na cara pra cada chute na canela. Parece que foram abduzidos, ou sofreram uma lavagem cerebral após as eleições. Não em mim. Não em muitos. As cicatrizes estão aqui pra me lembrar diuturnamente, quem são esses caras. Como agem e da sua indole. No dia em que as hienas se cansarem de se satisfazer com carne putrificada, essa elite vai aceitar um governo popular.

E se trancafiar numa sala do Palácio do Planalto não vai ajudar em nada. É a política, estúpida! Não sejamos tecnocratas arrogantes como muitos que caíram (e estão caindo) pelo caminho.

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