Klinger Portella :: “Com novo governo, BNDES inicia mudança de foco”


“A encruzilhada dos Investimentos”

Com novo governo, BNDES inicia mudança de foco – Economia – iG

Banco deve concentrar investimentos em infraestrutura e abrir espaço para setor privado nos financiamentos de longo prazo

Klinger Portella, iG São Paulo | 12/12/2010 05:46

A chegada do governo Dilma Rousseff pode marcar o nascimento de um “novo” Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Principal – e praticamente única – fonte de financiamento interno de longo prazo durante os oito anos da era Luiz Inácio Lula da Silva, o BNDES inicia um movimento para que os bancos privados ganhem mais espaço no financiamento dos projetos – especialmente, os das indústrias – deixando ao “novo” BNDES o papel de financiar os investimentos em infraestrutura, um setor vital para a economia brasileira nos próximos anos.

“O governo Lula optou pelo crescimento por meio do aumento do consumo, conjugando política fiscal – com redução do IPI – e política monetária, com crédito consignado e redução de juros”, diz Carlos Alberto Safatle, presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon). “Esse foi um modelo adequado politicamente, mas não é sustentável. Daí a necessidade de investir em infraestrutura”, diz.
Investimentos em alta

Compare a evolução dos investimentos em relação ao PIB e as projeções para os próximos 4 anos
Fonte: IBGE e BNDES


Mas, para concentrar seus esforços em infraestrutura – e atender aos eventos importantes da agenda brasileira nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 – , o BNDES precisa ver fortalecida a presença dos bancos privados como agentes de financiamento interno para projetos de longo prazo em outros setores.

“Hoje, o BNDES ocupa este espaço, justamente, por falta de interesse do setor privado nesse tipo de operação. É necessário aumentar o tempo de captação dos bancos e uma alternativa para isso seria a criação de um mercado secundário de ativos”, diz a economista Thais Marzola, sócia da consultoria Rosenberg e Associados.

Dentro do governo, as discussões já amadureceram com relação a isso. Segundo adiantou o colunista do iG Guilherme Barros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar nesta quarta-feira um pacote de medidas para estimular o setor privado a financiar as dívidas de longo prazo.

Entre as medidas que estão em pauta há estímulos ao financiamento imobiliário, como a redução do compulsório, debêntures isentas de Imposto de Renda e incentivos fiscais ao sistema financeiro privado para empréstimos de longo prazo. Outra medida que está em debate entre membros do Ministério da Fazenda e do próprio BNDES é a criação de ativos de longo prazo que possibilitem a formação de financiamento de prazos maiores por parte dos bancos privados, que hoje estão “amarrados” à liquidez diária dos DIs.

O governo também deve anunciar nesta semana a emissão de notas financeiras do BNDES para que o banco possa captar recursos no mercado, em volume e condições mais vantajosas.

Necessidade de recursos

As perspectivas de investimento para os próximos quatro anos na economia brasileira são boas, na avaliação do BNDES. Somente o setor de infraestrutura deve receber, entre 2011 e 2014, R$ 378 bilhões, um montante 60,5% maior que o observado entre os anos de 2006 e 2009.

Os investimentos em energia elétrica devem crescer na casa dos 8,5% ao ano, totalizando R$ 139 bilhões nos próximos quatro anos, de acordo com números do BNDES.

Já a indústria deve receber R$ 611 bilhões em investimentos até 2014, um crescimento de 64,6% frente ao período de 2006 a 2009. O setor de petróleo e gás vai comandar os investimentos, com R$ 378 bilhões no período. É para os projetos da indústria que o governo espera atrair o financiamento do setor privado, já que nos projetos de infraestrutura, o alto volume de recurso, a longa duração dos projetos e os riscos tornam as operações menos atrativas para os bancos privados.

Transição gradual

Embora o discurso já esteja estabelecido e as discussões avançadas no governo, o BNDES não abandonará o posto de principal financiador interno de longo prazo. Fontes ligadas ao banco dizem que as medidas que serão anunciadas na próxima semana levarão um tempo para surtir efeito. Espera-se que os bancos privados entrem em operações com prazos mais curtos – entre cinco e sete anos -, como financiamento de máquinas e equipamentos.

“A transição deve ser lenta”, diz Thais Marzola, da Rosenberg e Associados. “É preciso fomentar a presença do setor privado e deixar o BNDES atuando apenas nos projetos em que os bancos privados não consigam atuar”, completa.

Para dar espaço aos bancos privados, novas medidas devem ser adotadas. Uma fonte ligada ao BNDES disse ao iG que o nível de participação do banco nos financiamentos pode ser reduzido. Hoje, o BNDES chega a financiar de 70% a até 100% os projetos. É possível que essa proporção caia para 60% ou 50%, com o setor privado complementando o restante do financiamento.

Para Safatle, do Corecon, mesmo abrindo espaço para a participação de instituições privadas no financiamento interno, o BNDES não deixará de ser o protagonista do jogo. “Ele vai continuar sendo o principal financiador do governo. O financiamento do pré-sal, por exemplo, é fundamental para nossa economia e o BNDES vai colaborar muito com essa linha de crédito.”

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