The Coolest Guy in the World


“Os cartuns do KAL na The Economist tb são sensacionais, não?”

Eu sou prova, o Krugman logo no lançamento do plano avisou, quase aos gritos, que era timido demais. Foi muito criticado, agora está cobrando a fatura.

Agora a mídia está enterrando o Obama antes da hora. O cara, ainda não está morto não. É hora de, habilmente, dobrar a China.


É hora de Obama tentar algo diferente na economia dos EUA – 05/11/2010 – UOL Notícias – NYT – Paul Krugman

05/11/2010 – 02h00

É hora de Obama tentar algo diferente na economia dos EUA

Paul Krugman

Os democratas, declarou Evan Bayh em um artigo de opinião no “New York Times” na quarta-feira, “exageraram ao se concentrarem no atendimento de saúde em vez da criação de empregos durante uma recessão severa”. Muitos outros têm dito a mesma coisa: a noção de que o governo Obama errou ao não se concentrar na economia está se consolidando em um ponto pacífico.

Mas eu não tenho ideia do que as pessoas querem dizer quando dizem isso. Todo o foco no “foco” é, no meu entender, um ato de covardia intelectual – uma forma de criticar a atuação do presidente Barack Obama sem explicar o que essas pessoas teriam feito de modo diferente.


Afinal, as pessoas que dizem que Obama deveria ter se concentrado na economia estão dizendo que ele deveria ter buscado um pacote de estímulo maior? Estão dizendo que ele deveria ter adotado uma posição mais dura em relação aos bancos? Se não, o que estão dizendo? Que ele deveria ter circulado com testa franzida dizendo: “Estou focado, estou focado”?

O problema de Obama não foi falta de foco; foi falta de audácia. No início de seu governo, ele aceitou um plano econômico que era fraco demais. Ele piorou este pecado original ao fingir que tudo estava nos trilhos e ao adotar a retórica de seus inimigos.

O período após grandes crises financeiras quase sempre é terrível: crises severas geralmente são seguidas de múltiplos anos de desemprego muito alto. E quando Obama assumiu o governo, os Estados Unidos tinham sofrido a pior crise financeira desde os anos 30. O que o país precisava, dada esta perspectiva sombria, era de um plano de recuperação realmente ambicioso.

Obama poderia de fato ter oferecido esse plano? Ele poderia não conseguir a aprovação de um plano grande no Congresso, ao menos sem o uso de táticas políticas extraordinárias. Ainda assim, ele poderia ter optado por ser ousado –tonar em Plano A a aprovação de um plano econômico realmente adequado, com o Plano B sendo jogar a culpa pelos problemas econômicos nos republicanos caso tivessem sucesso em bloquear esse plano.

Mas ele optou pelo caminho aparentemente mais seguro: um pacote de estímulo de tamanho médio que claramente não estava à altura da tarefa. E não se trata de uma crítica pós fato. No início de 2009, muitos economistas, incluindo este que vos escreve, estavam mais ou menos alertando freneticamente que as propostas do governo não eram ousadas o bastante.

Pior, não havia Plano B. No final de 2009, já estava óbvio que aqueles que estavam preocupados estavam certos, que o programa era pequeno demais. Obama poderia ter se dirigido à nação e dito: “Meu antecessor deixou a economia em um estado pior do que imaginávamos e precisamos de medidas adicionais”. Mas ele não o fez. Em vez disso, ele e seus funcionários continuaram alegando que o plano original era o certo, manchando sua credibilidade ainda mais à medida que a economia continuava patinando.

Enquanto isso, a retórica e políticas boas para os bancos do governo – ditadas pelo temor de prejudicar a confiança financeira– acabaram alimentando a raiva populista, beneficiando os republicanos ainda mais amigos dos bancos. Obama aumentou seus problemas ao ceder ao argumento em relação ao papel do governo em uma economia deprimida.

Eu senti um senso de desespero durante o primeiro discurso do Estado da União de Obama, no qual ele declarou que “famílias por todo o país estão apertando seus cintos e tomando decisões difíceis. O governo federal deve fazer o mesmo”. Isso não foi apenas economia ruim – agora o governo precisa gastar, porque o setor privado não pode ou não quer– foi quase uma repetição literal do que John Boehner, o provável próximo presidente da Câmara, disse quando atacou o estímulo original. Se o presidente não defende sua própria filosofia econômica, quem defenderá?

Então onde, nesta história, entra o “foco”? Falta de audácia? Sim. Falta de coragem em suas próprias convicções? Com certeza. Falta de foco? Não.

E por que deixar de lidar com a questão da saúde produziria um resultado melhor? O pessoal do foco nunca explica.

É claro que há todo um significado implícito para o argumento de que a reforma da saúde foi um erro: o de que os democratas precisam deixar de agir como democratas e voltarem a ser republicanos light. Analise o que pessoas como Bayh estão dizendo e verá que estão exigindo que Obama passe os próximos dois anos se encolhendo de medo e reconhecendo que os conservadores estavam certos.

Mas há uma alternativa: Obama pode assumir uma posição.

Ele ainda tem a capacidade de promover uma ajuda significativa aos proprietários de imóveis, uma área onde seu governo pisou na bola durante seus primeiros dois anos. Além disso, o Plano B ainda está disponível. Ele pode propor medidas reais para criação de empregos e ajuda aos desempregados, colocando os republicanos na posição de ficarem no caminho da ajuda necessária aos americanos.

Adotar essa posição seria politicamente arriscada? Sim, é claro. Mas a política econômica de Obama acabou sendo um desastre político precisamente porque tentou agir de modo seguro. É hora de tentar algo diferente.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, Krugman venceu o prêmio Nobel de economia em 2008

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