Jobim e o batismo de fogo de Dilma

“Situação Insustentável? Veremos.”

Como até as pedras do Planalto estão sabendo no momento – os arquivos foram liberados hoje, e pelo visto tem muita coisa ainda a surgir – a chapa esquentou para o (ex?) Ministro da Defesa Nelson Jobim. A liberação dos telegramas da embaixada dos EUA no Brasil, com o resumo da sua visita é devastador.

Fogo amigo do PT fica parecendo brincadeira de criança. E vêm exatamente após surgir na mídia notícias que a sua permanência no governo estava “praticamente” acertada com a presidente Dilma, a pedido de Lula. Estava. O pior não foi a avaliação do anti-americanismo, mas ter revelado informações de Estado, que lhe foram confiadas pelo Presidente da República.

Ele pode ser a primeira grande baixa desde que o pessoal do @WikiLeaks liberou as informações. Aliás os EUA estão numa situação crítica, essas informações vão revolucionar alterar significativamente as relações exteriores. Nada será como antes. Eu acompanho o WikiLeaks desde faz tempo, e infelizmente, nossa mídia está completamente despreparada para o que esses caras estão fazendo. No momento estão correndo atrás.

De qualquer forma, para nós, a grande questão é como a Dilma vai reagir ao primeiro grande problema sobre a sua mesa. Muitos torcem para a saída do Jobim. Eu também não gostei da atuação dele na Satiagraha (ajudando a tirar o Paulo Lacerda), mas sinceramente tenho muitas dúvidas se encontraremos algum civil para o Ministério da Defesa que consiga “enquadrar” – não é o termo correto, eu sei – as Forças Armadas e continuar conduzindo as mudanças institucionais e a reestruturação material delas. Mas eu já disse que sou um pragmático? Então.

Temo ainda mais pelo F-X2. E tenho mais ressalva de quem afirma que a sua saída não causará mais atrasos nesse processo. Lembrem-se, o Lula bancou seu nome ao aconselhar a Dilma, não foi porque gosta dele como pessoa, mas porque é um monstro político e sabe o quanto sofreu nessa área. Pelo menos no caso da Marinha o processo está bem encaminhado, e meio que imune a mudanças no Ministério da Defesa.

Mas e agora? A situação do Jobim se tornou – não existe outro termo – insustentável. Imaginem a situação constrangedora numa reunião de cúpula na Unasul, por exemplo. Ou, de que adiantou aquele duríssimo discurso na UE (Portugal) contra a proposta americana (New Strategic Concept) de usar a OTAN para supervisionar o Atlântico Central (eufemismo pra dizer Atlântico Sul)? Aquilo se dissolveu no ar, pois foram palavras públicas, isso que estamos lendo, é o jogo concreto, pesado, que é feito nas entranhas do poder.

O caminho natural seria o pedido de demissão. Mas ele sempre foi um puta jogador (político) gostem ou não, principalmente no ataque, de maneira silenciosa. Como disse, vamos ver como joga sob o fogo da “artilharia de saturação” sobre sua cabeça. Quem sabe ele não consegue resistir? Eu, no momento, duvido.

Mas é preciso ressaltar: longa vida ao @Wikileaks. O #CableGate é a prova da frase do juiz da Suprema Corte Americana Louis Brandel: “A luz do sol é o melhor dos desinfetantes”. A política externa dos EUA está nua, e não é uma cena bonita de se ver.”

WikiLeaks :: Cable Viewer

Viewing cable 08BRASILIA351, SCENESETTER FOR THE VISIT OF MINISTER OF DEFENSE

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Jobim e o batismo de fogo de Dilma

“Situação Insustentável? Veremos.”

Como até as pedras do Planalto estão sabendo no momento – os arquivos foram liberados hoje, e pelo visto tem muita coisa ainda a surgir – a chapa esquentou para o (ex?) Ministro da Defesa Nelson Jobim. A liberação dos telegramas da embaixada dos EUA no Brasil, com o resumo da sua visita é devastador.

Fogo amigo do PT fica parecendo brincadeira de criança. E vêm exatamente após surgir na mídia notícias que a sua permanência no governo estava “praticamente” acertada com a presidente Dilma, a pedido de Lula. Estava. O pior não foi a avaliação do anti-americanismo, mas ter revelado informações de Estado, que lhe foram confiadas pelo Presidente da República.

Ele pode ser a primeira grande baixa desde que o pessoal do @WikiLeaks liberou as informações. Aliás os EUA estão numa situação crítica, essas informações vão revolucionar alterar significativamente as relações exteriores. Nada será como antes. Eu acompanho o WikiLeaks desde faz tempo, e infelizmente, nossa mídia está completamente despreparada para o que esses caras estão fazendo. No momento estão correndo atrás.

De qualquer forma, para nós, a grande questão é como a Dilma vai reagir ao primeiro grande problema sobre a sua mesa. Muitos torcem para a saída do Jobim. Eu também não gostei da atuação dele na Satiagraha (ajudando a tirar o Paulo Lacerda), mas sinceramente tenho muitas dúvidas se encontraremos algum civil para o Ministério da Defesa que consiga “enquadrar” – não é o termo correto, eu sei – as Forças Armadas e continuar conduzindo as mudanças institucionais e a reestruturação material delas. Mas eu já disse que sou um pragmático? Então.

Temo ainda mais pelo F-X2. E tenho mais ressalva de quem afirma que a sua saída não causará mais atrasos nesse processo. Lembrem-se, o Lula bancou seu nome ao aconselhar a Dilma, não foi porque gosta dele como pessoa, mas porque é um monstro político e sabe o quanto sofreu nessa área. Pelo menos no caso da Marinha o processo está bem encaminhado, e meio que imune a mudanças no Ministério da Defesa.

Mas e agora? A situação do Jobim se tornou – não existe outro termo – insustentável. Imaginem a situação constrangedora numa reunião de cúpula na Unasul, por exemplo. Ou, de que adiantou aquele duríssimo discurso na UE (Portugal) contra a proposta americana (New Strategic Concept) de usar a OTAN para supervisionar o Atlântico Central (eufemismo pra dizer Atlântico Sul)? Aquilo se dissolveu no ar, pois foram palavras públicas, isso que estamos lendo, é o jogo concreto, pesado, que é feito nas entranhas do poder.

O caminho natural seria o pedido de demissão. Mas ele sempre foi um puta jogador (político) gostem ou não, principalmente no ataque, de maneira silenciosa. Como disse, vamos ver como joga sob o fogo da “artilharia de saturação” sobre sua cabeça. Quem sabe ele não consegue resistir? Eu, no momento, duvido.

Mas é preciso ressaltar: longa vida ao @Wikileaks. O #CableGate é a prova da frase do juiz da Suprema Corte Americana Louis Brandel: “A luz do sol é o melhor dos desinfetantes”. A política externa dos EUA está nua, e não é uma cena bonita de se ver.”

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RR RUEHAO RUEHCD RUEHGA RUEHGD RUEHHA RUEHHO RUEHMC RUEHNG RUEHNL
RUEHQU RUEHRD RUEHRG RUEHRS RUEHTM RUEHVC
DE RUEHBR #0351/01 0731657
ZNY CCCCC ZZH
R 131657Z MAR 08
FM AMEMBASSY BRASILIA
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RUEHC/SECSTATE WASHDC 1212
INFO RUEHWH/WESTERN HEMISPHERIC AFFAIRS DIPL POSTS
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RUEHSO/AMCONSUL SAO PAULO 1753
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RHEHNSC/NSC WASHDC
RHEHAAA/WHITE HOUSE WASHDC
RUEAIIA/CIA WASHDC
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C O N F I D E N T I A L SECTION 01 OF 03 BRASILIA 000351

SIPDIS

SIPDIS

DEPARTMENT FOR D, WHA AND PM

E.O. 12958: DECL: 03/12/2018
TAGS: PREL MASC OVIP BR
SUBJECT: SCENESETTER FOR THE VISIT OF MINISTER OF DEFENSE
NELSON JOBIM TO WASHINGTON BRASILIA 00000351 001.2 OF 003
Classified By: Ambassador Clifford Sobel

¶1. (C) Minister of Defense Nelson Jobim will travel to Norfolk and Washington from March 18-22, 2008 on a counterpart visit. He will meet with Secretary Gates in an office call on March 20 June. Minister Jobim,s objectives for the visit are to enhance prospects for bilateral cooperation and explore possibilities for access to U.S. defense technology.

¶2. (C) Summary: Minister Jobim is the first strong Minister of Defense in Brazil. He is working to centralize civilian oversight of the Brazilian military and hopes to learn from the U.S. military in this regard. He has also clearly indicated a desire to pursue military cooperation agreements despite objections from the Ministry for External Affairs, such as in the case of concluding a SOFA with France. He has also expressed his desire to pursue a Defense Cooperation Agreement with the U.S. and to have it approved directly by the President. Jobim has also been helpful in making progress on a General Security of Information Agreement, which requires approval by Brazil,s Ministry of Interior and Office for Institutional Security. Although the U.S. and Brazil share the basic goals of fostering hemispheric stability, preventing terrorist activity and strengthening international non-proliferation regimes, U.S.-Brazil cooperation is hindered by difficulties in completing a bilateral defense cooperation agreement, providing protections for U.S. personnel involved in training and joint exercises and taking proactive steps to address countries of proliferation concern such as Iran. Brazil has maintained its leadership role in the Haiti peacekeeping force MINUSTAH under the active advocacy of the Foreign Ministry. Jobim,s visit comes at an important time as Brazil is formulating a new National Defense Strategy and beginning to make decisions about acquisition of new military systems and technology. Other military issues of interest include service relations with the fledgling civilian defense ministry and the necessity of negotiating further agreements with the U.S. in order to enhance our already strong military-to-military relationship. End Summary.

————————– Politico-Economic Overview ————————–

¶3. (SBU) President Luiz Inacio Lula da Silva was elected in 2002 in large part on promises of promoting an ambitious social agenda, including generous handouts to the poor. On the strength of the popularity of these measures, he was re-elected in 2006, although with diminished support from the middle class. The public’s top concerns – crime and public security – have not improved under this administration. The Lula Administration has been beset by a grave political crisis as interlocking influence peddling/vote-buying scandals plagued elements of Lula’s PT party, but the President,s personal popularity has not suffered, even after many of his closest associates have been caught in corrupt practices. MOD Jobim is perhaps among the most trusted leaders in Brazil. A former Supreme Court Justice, he maintains a strong reputation for integrity that is rare among Brazil,s leadership.

——————————————— — Friendly Cooperation, But Not Strong Friendship ——————————————— —

¶4. (C) Brazil’s democratic institutions are strong and stable after more than 20 years of civilian rule. A return to military dictatorship is today unthinkable as Brazil’s armed forces pursue a professional non-political identity. With steady export-led economic growth having become the norm in the recent past, Brazil has been a supporter of reasoned foreign policy goals and has been steadfast in its support of democracy in the hemisphere. It has a strong interest in hemispheric security issues that largely mirrors our own, and actively cooperates with us on the operational level in the fight against terrorism. BRASILIA 00000351 002.2 OF 003

¶5. (C) While relations between the U.S. and Brazil are generally friendly, often the USG encounters major difficulties in gaining the cooperation of senior policymakers on issues of significant interest to the United States. The difficulty is most apparent in the Ministry for External Affairs (MRE) which maintains an anti-American slant and has tried to block improved DoD-MOD relations. In planning for Jobim,s visit, the MRE actively campaigned to limit Jobim,s time in Washington to one largely ceremonial day with little substance.

¶6. (C) The current left-of-center administration has studiously avoided close cooperation on pol-mil issues important to us and has kept us at arms length on most security-related issues. Specifically, the MRE has dragged its feet on completing a Defense Cooperation Agreement, General Security of Military Information Agreement (GSOMIA), Acquisition and Cross Servicing Agreement (ACSA) or Article 98 agreement. The GOB traditionally maintained that such agreements, particularly the SOFA, were against Brazilian law, but reversed itself (over MRE objections) and signed a SOFA with France earlier this year. We are exploring the possibility of using the French SOFA as a starting place for a U.S.-Brazil agreement.

¶7. (C) Brazil has stayed the course as leader of MINUSTAH in Haiti despite a lack of domestic support for the PKO. The MRE has remained committed to the initiative because it believes that the operation serves FM Amorim’s obsessive international goal of qualifying Brazil for a seat on the UN Security Council. The Brazilian military remains committed as well, because the mission enhances its international prestige and provides training and operational opportunities. So far, President Lula has backed the Foreign Ministry’s position, and Brazil will likely continue to provide leadership and troops to MINUSTAH for the conceivable future. Despite the success of the MINUSTAH deployment, Brazil has not shown any interest in undertaking further peacekeeping operations, although Brazilian contributions to UN operations in such places as Darfur have been requested.

———————— CT and Non-Proliferation ————————

¶8. (C) The desire not to be identified with the U.S. is borne out as well in the GOB’s approach to counterterrorism. Cooperation remains excellent at the operational level, especially between law enforcement agencies. However, the GOB political leadership has refused to endorse U.S. counterterrorism initiatives publicly and has insisted that official communiques of the 3 1 mechanism note that there is no evidence of terrorist operations in the Tri-Border area, where Brazil, Paraguay and Argentina meet. Wary of its large, prosperous and influential Arab population, the GOB makes every effort to downplay in public even the possibility of terrorist fund-raising going on inside Brazil.

¶9. (C) The GOB has a good record in non-proliferation efforts, but has been slow to join international consensus in favor of sanctions on Iran. Brazil has also not yet signed the NPT Additional Protocol, although it has not ruled out signing it in the near future.

————— Military Issues —————

¶10. (C) Brazil established a Ministry of Defense (MoD) for the first time in June 1999, uniting the three services (Army, Navy, and Air Force) under a single minister. Jobim became Minister last year when the disastrous crash of a Brazilian airliner highlighted weaknesses in the civil aviation system, which comes under MOD purview. Organizationally, the MOD still faces challenges managing the individual services. Each service is still fairly autonomous and controls its own budget and acquisition programs. In addition, the Lula administration,s focus on social reforms BRASILIA 00000351 003.2 OF 003 and programs has meant decreases for military budgets, leading to fewer training opportunities and equipment purchases. This situation is changing as there is now near consensus among Brazil,s leadership that the military is under-resourced and under equipped to accomplish its missions.

¶11. (C) To address this situation, the Lula government has tasked a new National Defense strategy to be completed by this fall. This paper will set the framework for military modernization and theoretically drive decisions on acquisition of new equipment. In reality, such decisions will be made largely for political and economic reasons. Brazil,s defense industrial base has atrophied since the end of the Cold War, and it is a major objective of the government to reinvigorate it. Decisions on major systems will be influenced much more by access to foreign technology and opportunities for Brazilian industry than by the capabilities such systems will add to Brazil,s military.

———————- General Points to Make ———————-

¶18. (SBU) Our core message for Jobim’s visit should be: — Reinforcing and underscoring the importance of these agreements in support of Brazil,s interest to reequip and modernize its military with technology transfer is critically important. It would also help to define how we, the anchor of the North America, and Brazil the anchor of South America, may be able to work more closely in the future to enhance hemispheric defense cooperation. We recommend SecDef also emphasize the following points in conversations with Minister Jobim: — We want to continue improving our defense relationship. This is an imperative, given the difficult global security situation in which we live today, and the importance of Brazil,s role in the Americas. — We are serious about our partnership in Brazil. We see strong possibilities for joint research and production, exchanges of military personnel and training. — As you make important decisions about the modernization of Brazil,s forces later this year, keep in mind that partnership with the U.S. can help both our countries realize our common goal of preserving stability in the Western Hemisphere. — As we continue to develop our partnership, we need to have in place several standard documents to assure smooth cooperation. The Defense Cooperation Agreement is the first of these. We understand your Ministry has approved the current draft and hope the rest of your government will also. Next, we hope to complete an agreement on information security and a Status of Forces Agreement to protect the forces of both countries during joint exercises. — The United States would like to congratulate Brazil for its efforts in Haiti. The improving situation there is in no small measure due to the professionalism and dedication of Brazilian troops and leadership. We hope Brazil is resolved to continue to contribute to the success of MINUSTAH. SOBEL

Folha de S.Paulo – Documento revela que, para EUA, Itamaraty é adversário – 30/11/2010

Documento revela que, para EUA, Itamaraty é adversário

Papéis confidenciais citam “inclinação antinorte-americana” por parte do Brasil

Telegramas divulgados pela ONG WikiLeaks revelam que diplomatas dos EUA consideram Nelson Jobim um aliado

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Telegramas confidenciais de diplomatas dos EUA indicam que o governo daquele país considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma “inclinação antinorte-americana”.
Esses mesmos documentos mostram que os EUA enxergam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um aliado em contraposição ao quase inimigo Itamaraty.
Mantido no cargo no governo de Dilma Rousseff, o ministro é elogiado e descrito como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”.
A Folha leu com exclusividade seis telegramas de um lote de 1.947 documentos elaborados pela Embaixada dos EUA em Brasília, sobretudo na última década.
Os despachos foram obtidos pela organização não governamental WikiLeaks. As íntegras desses papéis estarão hoje no site da ONG (cablegate.wikileaks.org/), que também produzirá reportagens em português. A Folha.com divulgará os telegramas completos.
Num dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro contribuiu para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os norte-americanos.
Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, “Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países].”
Não há nos seis telegramas confidenciais lidos pela Folha nenhuma menção a atos ilícitos nas relações bilaterais Brasil-EUA. São apenas descrições de encontros, almoços e reuniões.
Ao mencionar um acordo bilateral, Clifford Sobel diz que caberá ao presidente Lula decidir entre as posições de um “inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional”.
Num telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA.
Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os EUA pareciam frustrados: “Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema”.

CAÇAS DA FAB
Apesar de elogiado, Jobim nunca apresentou em reuniões nenhuma proposta especial aos EUA a respeito da licitação dos 36 aviões caça que serão comprados pela Força Aérea Brasileira.
Em todos os relatos confidenciais os diplomatas dos EUA em Brasília mencionam frases de Jobim que coincidem com o que o ministro declarou em público.
Em uma ocasião, por exemplo, os norte-americanos escrevem: “Compras de fornecedores dos EUA serão mais competitivas quando [o país] autorizar uma produção brasileira de futuros sistemas militares”.
Procurado pela Folha, o Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar as comunicações sigilosas.
Uma porta-voz do departamento enfatizou que os países mantêm boas relações. A Casa Branca não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.

Folha de S.Paulo – Brasil não precisa tipificar terrorismo, diz governo – 30/11/2010

Brasil não precisa tipificar terrorismo, diz governo

LUCAS FERRAZ
DE BRASÍLIA

Citado nos telegramas secretos vazados pela organização WikiLeaks, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República criticou a visão manifestada nos papéis e disse que o Brasil não precisa de uma legislação para tipificar o terrorismo.
Segundo uma autoridade do GSI, o Brasil tem conceitos diferentes dos Estados Unidos sobre terrorismo e realizou estudos que concluíram que “é melhor trabalhar com resultados e não com um conceito de terrorismo que ninguém conseguiu fazer, nem a ONU”.
Ele pediu reserva à reportagem alegando que “ainda tem muita coisa por aí” para ser divulgada.
A diplomacia americana no Brasil reporta uma antiga crítica do país em relação ao governo brasileiro, visto como leniente no combate ao terror. A pressão de Washington para tipificar o terrorismo em lei é antiga e vem desde o governo de FHC (1995 a 2002).
O governo Lula sempre evitou tipificar o crime porque isso poderia, por exemplo, criminalizar movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
De acordo com o integrante do GSI, o governo tem maneiras de enfrentar o problema sem precisar tipificar o crime de terrorismo. Para isso, há instrumentos, diz, como o Código Penal.
Sobre a Tríplice Fronteira, questão sempre citada pelos americanos, o membro do Gabinete de Segurança Institucional afirma que não há nada de “anormal” na região, que é monitorada pelo governo brasileiro.
Procuradas, Polícia Federal, Itamaraty e a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília não quiseram se manifestar. A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), também não comentou os telegramas.
Colaborou MÁRCIO FALCÃO, de Brasília

Folha de S.Paulo – Ligação do Brasil com Irã preocupa EUA – 30/11/2010

Ligação do Brasil com Irã preocupa EUA

Segundo documentos vazados pelo WikiLeaks, ministro francês considerou o país “ingênuo” ao tratar da questão

Telegramas de várias embaixadas americanas mencionam o país ao tratar do problema do projeto nuclear iraniano

JULIANA ROCHA
DE BRASÍLIA
JEFFERSON PUFF
DE SÃO PAULO

Correspondências entre o governo norte-americano e suas embaixadas mostram preocupação com a aproximação entre Brasil e Irã.
Os documentos da diplomacia dos EUA foram vazados pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.org).
Um telegrama da embaixada em Berlim sobre o Irã alerta que os países devem “prestar atenção ao Brasil como formador de opinião do Terceiro Mundo”.
A correspondência diz que essa é a opinião do ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle.
Enviada em 5 de fevereiro deste ano, a carta acrescenta que a Rússia já viu que “o Irã está brincando com a questão nuclear”. E lembra que o presidente Lula recebeu Mahmoud Ahmadinejad em visita oficial.
A visita do presidente iraniano ao Brasil também aparece em telegrama que partiu da embaixada dos EUA em Paris, em novembro de 2009.
A correspondência relata uma conversa por telefone entre os presidentes Nicolas Sarkozy e Barack Obama em que eles concordam que precisam tomar “medidas mais sérias” em relação ao programa nuclear iraniano.
Os líderes de França e EUA dizem que precisam unir a comunidade internacional contra o Irã e lembram que alguns países ainda mantêm “relações diplomáticas e comerciais normais” com o país. Nesse momento, o texto cita que Ahmadinejad planeja visitar o Brasil.
Em janeiro deste ano, a mesma embaixada de Paris relata que o conselheiro de Assuntos Estratégicos da França, François Richier, chama o Brasil de “ingênuo” na relação com o Irã.
“[Richier] deixou claro que [a França] vê o engajamento do Brasil como sendo mais ingênuo e possivelmente baseado em uma compreensão errônea da decisão de Obama de tentar o engajamento primeiro, sem o Brasil saber quais os limites desse engajamento”, diz o telegrama.

“JOGO DUPLO”
A embaixada americana da Itália voltou sua artilharia apenas contra a Turquia nas relações com o Irã.
Telegrama de Roma relata a opinião do ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, em que ele expressou frustração com o “jogo duplo” da Turquia, de aproximação tanto com a Europa quanto com o Irã.
Segundo a correspondência, de fevereiro deste ano, Frattini propõe que Brasil, Turquia, Venezuela, Arábia Saudita e Egito sejam incluídos nas discussões sobre novas medidas contra o programa nuclear iraniano.
Um tema frequente nas correspondências é a necessidade de atrair a China para o lado dos países desenvolvidos nas sanções contra o Irã.
Em duas ocasiões, as embaixadas dizem que é preciso trazer “a China a bordo” contra o país de Ahmadinejad.

Folha de S.Paulo – Consulado americano relaciona imigrantes libaneses a Hizbollah – 30/11/2010

Consulado americano relaciona imigrantes libaneses a Hizbollah

DE BRASÍLIA

Correspondência do consulado americano em São Paulo alerta para a possibilidade de imigrantes libaneses no Brasil serem ligados ao movimento Hizbollah, organização fundamentalista considerada terrorista por alguns países, como os EUA.
O telegrama, de 20 de novembro do ano passado, diz que a acusação vem de uma entidade chamada Instituto do Futuro, de orientação da comunidade islâmica sunita no país.
Segundo o instituto, alguns imigrantes xiitas chegam ao Brasil com apoio do Hizbollah. Eles recebem da organização um valor estimado de US$ 50 mil para abrir um negócio e os lucros são enviados para sustentar o Hizbollah no Líbano.
Sob o título de “os radicais”, o telegrama diz que, apesar de a maioria dos muçulmanos no Brasil serem moderados, há radicais.
O consulado diz estimar que 20 mil imigrantes são xiitas que seguem o Hizbollah e que moram sobretudo na região de Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira.
Segundo o comunicado, alguns integrantes da comunidade islâmica no Brasil expressam uma atitude de antiamericanismo. O telegrama cita o Sheik Yamani, 31, da mesquita de Londrina, que teria dito que nunca foi provado o envolvimento de Osama Bin Laden nos ataques de 11 de setembro.
O consulado comenta que Yamani segue uma corrente conservadora do islamismo.

Goiânia merece um sistema de Ciclovias


#CicloviaemGyn @PedalGoiano :: Eu trabalho ao lado desse parque. De vez em qdo, dou uma corrida nele.”

Não é por nada não, mas Goiânia é uma cidade linda (de habitantes idem). Possui a maior área verde por habitantes do país. Umas dos melhores qualidade de vida dentre as capitais. Como em Minas, vivemos sob o lema: “Se não tem Mar, vamos para o Bar”. Então, culturalmente não é das piores, ao contrário do que vocês imaginam, passei minha juventude indo a shows de rock e blues. Como Brasília (com o Porão do Rock), hospeda um dos principais festivais de música independente (Goiânia Noise) além do Bananada (realizado estrategicamente durante a festa agropecuária). Além disso, descobri recentemente que um dos pioneiros da blogosfera, o @AoMirante é daqui. Não sei bem o que isso tem a ver com cultura, mas achei que seria uma boa hora pra citar (rs).

A capital e a região sudoeste do Estado, tem uma renda per-capita elevada, mas talvez por consequência desse fato, tem um absurdo nº de automóveis e motos por habitantes (da última vez que olhei as estatísticas só perdia para SP) e além disso continua sendo uma das capitais mais desiguais do País. Nos industrializamos bastante nas últimas décadas, mas falta um longo caminho. Colhemos pequi e exportamos software. Mas é preciso mais volume. Adoro viver aqui, mas tudo na vida tem um “porém…”.

O trânsito aqui é infernal. Peruas nos seus SUVs, taxistas folgados, fazendeiros nas suas camionetes, um enxame de moto-taxistas assassinos, é, enfim, o inferno na terra. Não vou nem continuar a descrever pois acabo ficando estressado (imaginem quando dirijo piloto!). Pensando no problema a galera do @PedalGoiano está fazendo um abaixo-assinado para tentar sensibilizar as autoridades (tipo o @PauloGarciaPT, o atual prefeito) que uma das soluções para o caótico transito de Goiânia é começar a planejar e construir um sistema interligado de ciclovias. Eu estou com eles. Um porque sou ciclista. Dois porque odeio dirigir. Mas principalmente, acredito piamente nessa solução, que é o caminho que está sendo adotado pro cidades similares dos países desenvolvidos.

“Parque Flamboyant. Goiânia tem tantas áreas verdes que vou fazer uma série.”

Além disso a solução questão da mobilidade, como já citei aqui, passa por um sistema amplo e capilar de BRTs (Bus Rapid Transit) em Bogotá na Colômbia ou em Beijing na China. Eu tenho um interesse particular por políticas públicas relacionadas à Mobilidade Urbana. É uma área crucial para o desenvolvimento para as cidades (vide São Paulo) e importante demais para ficar na mão dos engenheiros e políticos (por isso os economistas deveriam tomar conta logo antes que seja tarde demais:-)). O Paulo Garcia me disse que já tem um plano desses em andamento, vamos aguardar.

E pra não deixar de criticar, estou esperando até agora o verdadeiro Plano Nacional de Mobilidade Urbana do Governo Lula/Dilma. Se é isso que está no Ministério das Cidades é pouco. É preciso algo mais amplo que vá além de um projeto para as cidades sede da Copa, que pense em soluções para o problema que transcendam o espaço temporal de 4 anos (eleições) e pensar no desenvolvimento das cidades tendo em conta as projeções de crescimento econômico e populacional não de anos (ou meses), mas de décadas.

Mas voltando as ciclovias, ajudem a esse pobre blogueiro a abandonar o infartante trânsito de Goiânia, e ter condições de vir trabalhar de bicicleta (um dos projetos passa exatamente no trajeto da minha casa para o meu trabalho). Por favor, assinem o abaixo-assinado (que não precisa assinar nem nada).

@PedalGoiano

Abaixo Assinado por #CicloviasEmGyn

Indique este abaixo assinado:

O grupo @PedalGoiano, visando avançar na luta pela criação de ciclovias em Goiânia-GO, está finalizando a “carta do ciclista goiano”, que será entregue ao prefeito.

No entanto, para a referida carta ter força e representar o desejo de grande parcela da população, necessita da ‘chancela’ da assinatura da população goianiense.

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Goiânia merece um sistema de Ciclovias


#CicloviaemGyn @PedalGoiano :: Eu trabalho ao lado desse parque. De vez em qdo, dou uma corrida nele.”

Não é por nada não, mas Goiânia é uma cidade linda (de habitantes idem). Possui a maior área verde por habitantes do país. Umas dos melhores qualidade de vida dentre as capitais. Como em Minas, vivemos sob o lema: “Se não tem Mar, vamos para o Bar”. Então, culturalmente não é das piores, ao contrário do que vocês imaginam, passei minha juventude indo a shows de rock e blues. Como Brasília (com o Porão do Rock), hospeda um dos principais festivais de música independente (Goiânia Noise) além do Bananada (realizado estrategicamente durante a festa agropecuária). Além disso, descobri recentemente que um dos pioneiros da blogosfera, o @AoMirante é daqui. Não sei bem o que isso tem a ver com cultura, mas achei que seria uma boa hora pra citar (rs).

A capital e a região sudoeste do Estado, tem uma renda per-capita elevada, mas talvez por consequência desse fato, tem um absurdo nº de automóveis e motos por habitantes (da última vez que olhei as estatísticas só perdia para SP) e além disso continua sendo uma das capitais mais desiguais do País. Nos industrializamos bastante nas últimas décadas, mas falta um longo caminho. Colhemos pequi e exportamos software. Mas é preciso mais volume. Adoro viver aqui, mas tudo na vida tem um “porém…”.

O trânsito aqui é infernal. Peruas nos seus SUVs, taxistas folgados, fazendeiros nas suas camionetes, um enxame de moto-taxistas assassinos, é, enfim, o inferno na terra. Não vou nem continuar a descrever pois acabo ficando estressado (imaginem quando dirijo piloto!). Pensando no problema a galera do @PedalGoiano está fazendo um abaixo-assinado para tentar sensibilizar as autoridades (tipo o @PauloGarciaPT, o atual prefeito) que uma das soluções para o caótico transito de Goiânia é começar a planejar e construir um sistema interligado de ciclovias. Eu estou com eles. Um porque sou ciclista. Dois porque odeio dirigir. Mas principalmente, acredito piamente nessa solução, que é o caminho que está sendo adotado pro cidades similares dos países desenvolvidos.

“Parque Flamboyant. Goiânia tem tantas áreas verdes que vou fazer uma série.”

Além disso a solução questão da mobilidade, como já citei aqui, passa por um sistema amplo e capilar de BRTs (Bus Rapid Transit) em Bogotá na Colômbia ou em Beijing na China. Eu tenho um interesse particular por políticas públicas relacionadas à Mobilidade Urbana. É uma área crucial para o desenvolvimento para as cidades (vide São Paulo) e importante demais para ficar na mão dos engenheiros e políticos (por isso os economistas deveriam tomar conta logo antes que seja tarde demais:-)). O Paulo Garcia me disse que já tem um plano desses em andamento, vamos aguardar.

E pra não deixar de criticar, estou esperando até agora o verdadeiro Plano Nacional de Mobilidade Urbana do Governo Lula/Dilma. Se é isso que está no Ministério das Cidades é pouco. É preciso algo mais amplo que vá além de um projeto para as cidades sede da Copa, que pense em soluções para o problema que transcendam o espaço temporal de 4 anos (eleições) e pensar no desenvolvimento das cidades tendo em conta as projeções de crescimento econômico e populacional não de anos (ou meses), mas de décadas.

Mas voltando as ciclovias, ajudem a esse pobre blogueiro a abandonar o infartante trânsito de Goiânia, e ter condições de vir trabalhar de bicicleta (um dos projetos passa exatamente no trajeto da minha casa para o meu trabalho). Por favor, assinem o abaixo-assinado (que não precisa assinar nem nada).

@PedalGoiano

Abaixo Assinado por #CicloviasEmGyn

Indique este abaixo assinado:

O grupo @PedalGoiano, visando avançar na luta pela criação de ciclovias em Goiânia-GO, está finalizando a “carta do ciclista goiano”, que será entregue ao prefeito.

No entanto, para a referida carta ter força e representar o desejo de grande parcela da população, necessita da ‘chancela’ da assinatura da população goianiense.

Desta forma, se você quer ter ciclovias em Goiânia-GO, assine o abaixo assinado eletrônico.

Esta é a nossa maior ação, com induvidosa expressão e precisamos da assinatura de todos. Juntos somos muito mais!

Veja a sintese da “carta do ciclista goiano“, clicando aqui.

Veja as indicações de ciclovias apresentadas no blog do @PedalGoiano, clicando aqui. Participe! Ainda dá tempo!

Conheça as ações promovidas pelo @pedalgoiano (twitter.com/pedalgoiano), do Blog (pedalgoiano.blogspot.com) e dos vídeos (bit.ly/cI6kz8).

Só teremos mobilidade com a bicicleta, trânsito melhor, a substituição efetiva e consciente do carro pela bicicleta, bem como a preservação maior do meio ambiente, com a implantação de ciclovias em Goiânia-GO, portanto, junte-se a nós! Não deixe de assinar este abaixo assinado eletrônico, a seguir.

“Nós, abaixo-assinado, acreditamos nas propostas da carta do ciclista goiano e queremos a construção de ciclovias em Goiânia-GO nos canteiros centrais das principais avenidas da cidade e a criação de outras ciclofaixas aos domingos. Autorizo a divulgação do meu nome, email e setor/região”

Não tem preço

 

“”tem que ter um certo temperamento pra ser campeão” – nunca antes na história do videogame uma frase combinou tanto comigo””

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Ver o Button chorando na mídia após perder o 1º lugar numa ultrapassagem “a la Schumi” na última volta – Não tem preço

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Julita Lemgruber :: “A legislação do pânico não resolve nada”


“Ótima entrevista, recomendo”

Mudei a chamada porque tem coisas, que só a FSP consegue perder. É importante ressaltar que as mudanças que defendo não podem, nem devem ser feitas em momentos de “comoção social”.

Acho que o foco agora, além das UPPs é melhorar o sistema prisional (como foi feito nos presídios federais).


Folha.com – Cotidiano – Para socióloga, Rio tem UPPs, mas não política de segurança – 25/11/2010

25/11/2010 – 08h53
Para socióloga, Rio tem UPPs, mas não política de segurança

PLÍNIO FRAGA
DO RIO

A socióloga e ex-diretora do Sistema Penitenciário Julita Lemgruber, que está lançando o livro “A Dona das Chaves – Uma mulher no comando das prisões do Rio”, afirma que “legislar sob pânico” não é adequado para momentos de crise (“não é o tamanho da pena que reduz a criminalidade, mas a certeza da punição”) e diz que o Rio tem política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), mas não política de segurança (‘a polícia do Rio soluciona 8% dos homicídios contra 60% de São Paulo na capital’).

Declara que o “Brasil prende muita gente e prende mal” (“quem vai preso são pequenos traficantes e autores de pequenos crimes contra o patrimônio. Meio milhão de presos é um investimento na própria insegurança”).

Autora também de “Cemitério dos Vivos”, estudo sobre o sistema carcerário, e “Quem Vigia os Vigias”, sobre o controle externo na polícia, Julita Lemgruber escreveu seu novo livro em parceria com a jornalista Anabela Paiva. O resultado é uma reunião de histórias graves, tensas, humanas, mas também saborosas do período em que dirigiu os presídios do Rio, entre 1991 e 1994.

Conta no livro que os guardas resumiram para ela os segredos de uma cadeia tranquila: ‘bola, bala e bunda’ (futebol, maconha e sexo). Aponta de forma grave o desinteresse da sociedade pelo o que acontece nas prisões: ‘Boa parte dos cidadãos reage com indiferença ou mesmo com satisfação à violência contra os acusados de crimes. (…) A maioria dos brasileiros quer trancafiar os bandidos e jogar a chave fora’, escreve.

“O Brasil não tem pena de morte. Esses homens e mulheres que estão presos hoje vão sair da cadeia algum dia. Se a gente trata essas pessoas com desumanidade, com crueldade, sem respeitar as famílias, tirando a possibilidade de contato dessas pessoas com o mundo aqui fora, estaremos criando monstros”, afirma.

Julita Lemgruber –mãe do ator Rodrigo Candelot, que interpreta um político corrupto em ‘Tropa de Elite 2’– acha que uma política de segurança pública necessita mais do que tropas. ‘Não é só botar polícia na rua. É preciso planejamento das suas ações, implementação de uma estratégia e monitoramento do que faz. É um trabalho articulado. Você só planeja quando conhece muito bem a realidade.’

FOLHA – O Estado atribui os conflitos desta semana no Rio a ordens que partiram de líderes do tráfico que estão presos. Como lidar com isso? A sra. cita no livro frase de ministro inglês de que prisões são ‘um modo caro de produzir pessoas piores’.

JULITA LEMGRUBER – O Brasil tem meio milhão de pessoas presas. A quarta maior população prisional do mundo. Meia dúzia está aí envolvida em dar ordem, em ter alguma responsabilidade no que acontece na cidade. Por causa dessa meia dúzia, amanhã já haverá deputado propondo medida legislativa de restrição. O [secretário José Mariano] Beltrame disse que tem de rever a legislação prisional. Isso prejudica milhares de pessoas que estão procurando cumprir sua pena, com bom comportamento para conseguir os benefícios legais. No fim, vão querer cortá-los. O que me deixa irada nessas horas é que as pessoas não percebem uma coisa: o Brasil não tem pena de morte. Esses homens e mulheres que estão presos hoje vão sair da cadeia algum dia. Se a gente trata essas pessoas com desumanidade, com crueldade, sem respeitar as famílias, tirando a possibilidade de contato dessas pessoas com o mundo aqui fora, estaremos criando monstros.

Os criminalistas falam na legislação do pânico. Sempre que há um crime que choca, sempre aparece algum deputado propondo uma legislação mais rigorosa. No mundo inteiro, sabe-se que não é com legislação que vai dar conta de reduzir criminalidade. Melhor exemplo disso é a legislação draconiana que temos a respeito de drogas. De que serve? Sou a favor da legalização do uso e da distribuição de todas as drogas. Só no Talavera Bruce há 60% das mulheres presas por tráfico de drogas. Qual é o poder dessas mulheres no tráfico do Rio? Muitas são pobres coitadas que são mulas, que recebem dois mil réis para levarem droga para a Europa ou de países latino-americanos para cá. Uma vez ou outra a polícia consegue prender lideranças do tráfico, mas em 99% dos casos são pessoas sem nenhum poder na estrutura do tráfico. E estamos entupindo as cadeias com esse tipo de gente. Querem tornar a legislação mais rigorosa ainda?

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