A responsabilidade de um presidenciável

“Não precisa investigar a gestão, porque não teve nada”

“Não sou mais governador”

José Serra – Candidato a Presidência da República pelo PSDB


Já imaginaram se o Lula ou a Dilma dissessem frases assombrosas como essas? José Serra está consciente que um Presidente da República é escravo da lei? Que atos como estes são claros “crimes de responsabilidade“?

Da pra imaginar alguém sob a sombra dos malfeitos da Alstom (investigada na Europa por corrupção ativa) ocupando a Presidência num momento econômico tão importante para o País como este?

Só me resta perguntar: como ele no poder, quantotempodura?

ISTOÉ Independente – Brasil


Sem licitação, Metrô de São Paulo pagou à Alstom R$ 20 milhões a mais por trens

CAMILA PATI

IBRAHIM CRUZ/AG. ISTOÉ



DIFERENÇA Documento mostra valores pagos pelo Metrô à Alstom em 2007

Uma suspeita de corrupção em transações entre as estatais do governo
paulista e a multinacional francesa Alstom promete ser a pedra no sapato
dos tucanos em ano eleitoral. Se somados todos os contratos irregulares
da empresa com o governo de São Paulo, chega- se à cifra de R$ 1,375
bilhão. Esse número pode aumentar com a investigação dos Ministérios
Públicos Estadual e Federal, que prometem uma verdadeira devassa na
atuação da Alstom. O grupo francês tem mais de 139 contratos firmados
com o governo paulista desde 1989, que ao todo somam R$ 7,6 bilhões. Os
negócios da multinacional em São Paulo envolvem o Metrô, a Cesp, CPTM,
CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp, entre outras
estatais.

ISTOÉ teve acesso a documentos que mostram o caso de um contrato
firmado em março de 1992 entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo
e a Mafersa (que depois seria comprada pela Alstom) em que foram feitos
vários adititivos. O contrato, de número 0080031000, previa o
fornecimento de 16 trens para a linha leste/oeste e de seis para a
extensão Itaquera/ Guaianazes. Ao todo, são 11 adicionais incorporados
ao referido contrato. Os dez primeiros foram julgados regulares pelo
TCE-SP, mas o 11º levantou suspeitas. Assinado em 7 de maio do ano
passado e publicado um mês depois no Diário Oficial Empresarial,
o aditivo 11 prevê a aquisição de 27 trens, no valor de R$
70.072.666,61. O fato de não ter ocorrido nova licitação para a compra
dos trens provocou a investigação do TCE. Mas essa não é a única
irregularidade. Um documento sigiloso a que ISTOÉ teve acesso mostra que
o Metrô de São Paulo pagou por esse aditivo, entre agosto e setembro, a
quantia de R$ 90.130.850,00 – cerca de R$ 20 milhões a mais do que o
previsto.

“No mínimo tem alguma coisa. Quero saber onde está esse erro”, diz o
deputado estadual José Zico, do PT, membro da Comissão de Transportes da
Assembléia paulista. “Um contrato que foi feito em 1992 é utilizado
agora, sem nenhuma licitação?”, pergunta o deputado. O relator Eduardo
Bittencourt Carvalho, hoje presidente do TCE-SP, responsável pelo
levantamento das irregularidades do aditamento, diz em seu parecer de
setembro de 2007: “Ainda não está claramente elucidada a razão de
interesse público que levou a Companhia a optar por este vultoso
aditamento a um contrato celebrado há mais de 15 anos.” Segundo Marcos
Renato Böttcher, chefe de gabinete da presidência do TCE de São Paulo,
outro processo muito semelhante a esse já foi julgado irregular.
“Estamos agora aguardando a manifestação da assessoria técnica do
tribunal”, diz Böttcher.

R$ 1,375 bilhão é o valor dos contratos julgados

irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado

Procurado por ISTOÉ, o departamento de imprensa do Metrô diz que o
TCE não julgou irregular o aditivo. A Companhia não quis comentar a
diferença entre o valor publicado no Diário Oficial e o que foi
pago. O Metrô diz ainda que não houve prejuízo, e sim uma economia de
R$ 100 milhões, porque o contrato vigente foi renegociado.

Desde novembro do ano passado sob averiguação judicial na França e na
Suíça, a empresa é acusada de pagar propina para fechar contratos em
países da América do Sul e da Ásia entre 1995 e 2003. No Brasil,
promotores suíços e franceses examinam se o grupo teria pago US$ 6,8
milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do
metrô de São Paulo.

Fora dos trilhos

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