Um "Belo-Monte" de razões para continuarmos dialogando com os "verdes"

“Temos motivos suficientes para avançar numa agenda da sustentabilidade.”

Eu vinha tentando arrumar tempo para escrever esse post, mas “tempus fugit”. Sorte que encontrei esse post do “Café & Aspirinas” (um desses blogs que quando você encontra, sente que vale a pena perder tanto tempo na internet) me ajuda pois mostra o quanto a campanha da Dilma resolveu encarar a questão da sustentabilidade. Assim posso ir direto ao assunto, sobre o que acho que deve ser feito daqui em diante.

Acredito que a campanha da Dilma deve incorporar as principais demandas do PV e da Marina (parem de lutar com a realidade. Ela teve 20% dos votos válidos, ela é, hoje, a representante dessa agenda. Amanhã vai ser um outro dia, mas hoje essa é a realidade). Pode ser parcialmente, pois vi alguns exageros (do tipo aquelas coisas que o Greenpeace pede). Acredito que a estratégia correta da Marina deveria ter sido um apoio a Dilma, e uma tentativa de incorporar parte do legado do governo Lula (mas vai que a Dilma perde, né?). De qualquer forma, o mais importante é que os “verdes” consigam eleger uma bancada ampla, para se contrapor aos ruralistas.

Mas é importante manter um dialogo de alto nível. Essa agenda veio pra ficar. Em algum post ai atrás, propus que a Dilma lançasse uma “espécie” de “Carta ao Povo Brasileiro v2.0 – Meio Ambiente”. Pra mim que a Dilma é uma desenvolvimentista estava consolidado na cabeça das pessoas, o que precisávamos naquele momento era uma demonstração clara que se comprometeria com as causas ambientais. Pra Dilma, meio-ambiente era o que a Política Monetária foi para o Lula.

Talvez se tivessem me ouvido, não teríamos segundo turno (ups, esqueci da “tsunami de spams” sobre o aborto. Aliás alguém do PT começou a investigar a origem. Está claro que foi orquestrado). Mas já disse, o segundo turno está sendo – dentro das constrangedoras limitações impostas pelo adversário – útil. Por inúmeros motivos, que a falta de tempo me impede de listar agora.

Voltando ao que interessa: temos um Belo-Monte de razões pra discutir com os verdes. E não só com eles. Com os que representam os direitos do indígenas (antes que alguém venha falar besteira: não estamos falando de dinheiro, estamos falando de valores, princípios). É permitir que minorias tenham voz. É começar a pensar o Brasil, com a dimensão que merece, sim, mas também pensar no longo-prazo (minha maior crítica ao governo Lula).

Nesse sentido, acho que a nossa ânsia – e, por que não, necessidade – de desenvolvimento não pode nos impedir de sermos melhores. Não basta fazer o que os outros fizeram. Temos que construir o “nosso modelo de desenvolvimento sustentável”. Não somos China. Somos mais. Não somos EUA (massacre dos nativos norte-americanos ensinou alguma coisa?). Vamos ser mais.

Mas para isso, é preciso saber escutar a mensagem que o povo brasileiro enviou. Eu acho que parte desses milhões de votos é barulho suficiente até para um surdo entender que eles estão lá. Certo?

Café & Aspirinas: Dilma quer desenvolvimento com sustentabilidade

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dilma quer desenvolvimento com sustentabilidade
….
Material de campanha da Dilma Rousseff que circula nas ruas e na internet traz o texto abaixo e os 13 compromissos da canditata com o desenvolvimento sustentável do Brasil.

A política ambiental de Dilma vai aprofundar os avanços conquistados no Governo Lula na construção de um novo padrão de desenvolvimento sustentável e includente. No período 2003-2010 foram destinados 26,8 milhões de hectares para novas Unidades de Conservação, o que corresponde a 75% das áreas de conservação da biodiversidade criadas no mundo depois de 2003. E o desmatamento da Amazônia foi reduzido a menos de 7,5 mil km2 em 2009, graças à ação integrada de fiscalização, apoio à produção sustentável e regularização fundiária.


Foram criados o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para melhorar a gestão do nosso patrimônio natural. O IBAMA foi fortalecido em suas tarefas de licenciamento e fiscalização. E milhares de pessoas participaram das três Conferências Nacionais de Meio Ambiente e das três Conferências Infanto-Juvenis.

Foi elaborado e aprovado o Plano Nacional sobre Mudança do Clima que fixou as metas de redução das emissões de Gases do Efeito Estufa até 2020. E, ainda, o Plano Nacional de Recursos Hídricos e a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, incorporando os espaços urbanos à política ambiental. O Governo Dilma avançará na política ambiental integrada, que associa incorporação da sustentabilidade às políticas públicas e à parceria com a sociedade.

O Brasil cumprirá as metas de redução de emissões de CO2; incrementará o Plano Nacional de Recursos Hídricos, com o fortalecimento da gestão participativa, e executará a Política Nacional de Resíduos Sólidos para erradicar os lixões e dar um tratamento adequado aos resíduos sólidos. Nas obras do PAC, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, as dimensões da acessibilidade e da sustentabilidade ambiental serão fortalecidas.

Em 2012, quando sediaremos a Conferência das Nações Unidas de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio+20), o Brasil mostrará ao mundo que é possível promover o crescimento econômico com distribuição de renda e respeito ao meio ambiente, bases do nosso protagonismo em política ambiental global.

Os 13 compromissos de política ambiental assumidos por Dilma sinalizam para novos avanços e conquistas para o povo brasileiro, para criar e distribuir riquezas e usar de forma sustentável nossa riqueza natural, assegurando os direitos das gerações futuras a um meio ambiente saudável e a uma sociedade mais justa e democrática.

Os 13 Compromissos de Dilma em política ambiental:

1. Aprofundar o crescimento econômico com distribuição de renda e sustentabilidade ambiental;
2. Combinar o crescimento econômico com baixo índice de emissão per capita de CO2;
3. Avançar na integração da sustentabilidade ambiental às políticas públicas;
4. Aprofundar a política de proteção, conservação e uso sustentável do patrimônio natural;
5. Promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia;
6. Ampliar e fortalecer a participação da sociedade nas políticas ambientais;
7. Incentivar a utilização de instrumentos econômicos para a sustentabilidade ambiental;
8. Fortalecer a dimensão da sustentabilidade ambiental nas grandes obras do PAC, da Copa do Mundo e das Olimpíadas;
9. Ampliar a matriz energética limpa e promover a eficiência energética nos transportes;
10. Implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e trabalhar pela erradicação dos lixões do país;
11. Ampliar e fortalecer a Educação Ambiental;
12. Consolidar o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e fortalecer a capacidade do licenciamento ambiental;
13. Consolidar a atuação brasileira na política ambiental global.

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