Quer que eu Desenhe? :: Circulo Vicioso

 

“Entenderam pq não adianta se enclausurar num condomínio fechado ou reduzir os impostos dos mais ricos?”

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Moscas sem asas

“Bzzz! Bzzz! – escreveu o blogueiro indignado.”

Uma campanha eleitoral é sem dúvida o momento em que certos assuntos emergem e se impõe. Uma agenda oculta, submersa que repentinamente surge incomodando o lado a e o lado b (e o lado c, quando esse existe). Por essa razão, não adianta os progressistas – sim essa é uma agenda, mais que de direita ou de esquerda, conservadora – reclamarem que estamos “perdendo tempo” discutindo valores como o aborto. O Brasil é um país cordial por natureza e derivado desse fato, existe uma tendência natural a colocar tudo o que for polêmico embaixo do tapete. Tenho serias dúvidas se isso é positivo. Por exemplo, se o Lula do alto da sua unanimidade tivesse encarado o debate, mesmo que alterando pouco na prática, Dilma estaria sofrendo hoje? O Temporão bem que tentou, mas o Planalto tirou o pé. Quem “enterra” vento, colhe tempestade.

Talvez o que incomode aos progressistas de esquerda, seja a forma. A maneira como essa agenda entrou no debate. É inegável que esse tema só surgiu por que beneficia a candidatura do Serra (na verdade, na verdade o correto seria: “por que beneficia a candidatura anti-PT). E foi executada da maneira mais sorrateira e desleal. Usam a religião por não terem mais pilares para defender. E não adianta a gente repetir que, todas grandes feministas brasileiras (Ruth Cardoso incluso) tem a mesma posição. Não adianta demonstrar factualmente que o PNDH-3 (Governo Lula) é idêntico ao PNDH-2 (Governo FHC).

Não adianta, por que não há profundidade na discussão. Tudo no Brasil fica na superfície. Não adianta enviar um e-mail resposta falando dos malefícios que é criar fissuras na separação Igreja-Estado. É como explicar física quântica para uma criança usando propagandas no intervalos dos desenhos animados. Não funciona, ninguém quer saber disso, exceto uma minoria. Sorte que minorias (ainda) existem. Nesse sentido, é sintomático que aliados do próprio Serra tenham ficado incomodados. Se lermos os jornais, vários “colunistas” fizeram (e fazem) críticas a sua opção. E acho que o PSDB/Serra está subavaliando isso. Como o PT/Dilma subavaliou a dubiedade e inexistência de um discurso unificado sobre essas questões polêmicas (penso comigo, se fosse candidato ou da coordenação de um candidato, não começaria por ai?).

Além disso, acho que se estivesse na coordenação de campanha da Dilma encontraria técnicos para identificar a origem. Se especular é gratuito, apostaria que o último ponto identificável seria um servidor na Tailândia de onde foram disparados SPAMS para listas no Brasil. Que teria sido alugado por uma consultoria de TI em Massachusetts sub-contratada pelo lobby das grandes petroleiras. Brincadeiras a parte, é uma questão de “modus operandi”. Não tem nada de novo nisso. Novo é a campanha da Dilma não ter previsto e monitorado isso, apesar dos avisos (aqui inclusive).

Mas isso é passado, e esse post (isso é um blog, não tenho muito tempo, então precisei usar essa introdução pra dizer algo que penso e que precisavam ser ditas, e de certa forma se correlacionam com o que vou dizer a seguir) é sobre o ativismo no Brasil. É sobre como “membros organizados da sociedade” simplesmente evaporam quando a chapa esquenta e as balas perdidas passam zunindo perto das suas cabeças. Querem exemplos? Vejamos:

  • Aonde estão os defensores do Software Livre para apoiar a Dilma contra uma candidatura claramente ligada aos interesses do Software Proprietário? Estou falando da Microsoft que fornece computadores por um valor exorbitante para as escolas públicas de São Paulo. Mas não só dela, é só analisar todas as políticas públicas e contratos da área no governo Serra. O que descobrimos é que a “galera” do software livre é pior que a esquerda mais radical. Fala muito. Faz pouco. E quando precisa se posicionar, sempre escolhe o lado errado.
  • Aonde está a comunidade GLBT? Sob ataque de um candidato a vice-presidente patético, pra dizer o mínimo, pode ver sua agenda regredir séculos. Só pra deixar claro, ajoelhou, tem que rezar. O Serra já ajoelhou, se vencer, vai ter que cumprir a agenda ditada por gente do nível de Silas Malafaia.
  • Aonde estão as feministas? No twitter com certeza. Sob o ataque de um candidato deseperado, que coloca a própria esposa para propagar boatos e mentiras. Com a oportunidade de emplacar uma mulher no cargo máximo da nação, vibram (rs) com twitadas e retwitadas. Patético enfim. E o pior, a dura realidade. 100% dos spams que recebi vieram de mulheres. Simples assim (eu tenho uma teoria, mas não vou expô-la).
  • Pra aonde vão os ambientalistas? Que estavam com a Marina é fato. Que não enxergam interlocução na Dilma é histórico (e isso foi objeto de uma proposta que fiz para incorporar a agenda ambientalista pela campanha da Dilma. Não aconteceu nada, mas talvez isso esteja sendo tratado nos bastidores, o que duvido). A situação dos ambientalistas é bem simples, Kátia Abreu só não foi vice do Serra por que não quis. Eles não tem muito pra aonde ir, exceto o muro (seriam os verdes os novos tucanos?) ou pragmaticamente, entrar no governo Dilma, fortalecendo sua agenda.
  • Aonde estão os jornalistas de bem? Submetidos a um sistema cooptado, em que perdem totalmente a liberdade de produzir sua jornalismo independente, aceitam acriticamente todas as mazelas desse sistema, em nome de um salário de fome (ou não, né?). Aceitam o jogo, por bolsas de estudo em dolar. Escrevem qualquer coisa, no melhor estilo “pacote completo”. Pagando bem, que mal tem? Quando o governo finalmente parte para descentralizar as verbas da comunicação e agora, quer discutir a regulação da imprensa. Assume os valores conservadores de que qualquer mudança é um ataque a liberdade de expressão. Evoluir? Nem pensar.
  • Aonde estão os cientistas brasileiros? Mesmo conscientes, que um governo conservador (ou refém dos conservadores) imediatamente teria que congelar pesquisas com células-tronco. Que o governo Lula simplesmente triplicou as verbas para ciência, reajustou as bolsas de pesquisa e segue na melhoria das universidades. Se calam, irresponsavelmente. Sorte que temos gente como o Nicolelis.

Todos esses grupos tem pouco a ganhar e muito a perder com sua omissão. Mesmo assim se mantém calados, seja por preguiça, seja por desorganização. São aqueles que o Skank cita na sua música “Indignação”. São meras moscas sem asas, cuja indignação, não ultrapassa a janela de suas casas.

Moscas sem asas

“Bzzz! Bzzz! – escreveu o blogueiro indignado.”

Uma campanha eleitoral é sem dúvida o momento em que certos assuntos emergem e se impõe. Uma agenda oculta, submersa que repentinamente surge incomodando o lado a e o lado b (e o lado c, quando esse existe). Por essa razão, não adianta os progressistas – sim essa é uma agenda, mais que de direita ou de esquerda, conservadora – reclamarem que estamos “perdendo tempo” discutindo valores como o aborto. O Brasil é um país cordial por natureza e derivado desse fato, existe uma tendência natural a colocar tudo o que for polêmico embaixo do tapete. Tenho serias dúvidas se isso é positivo. Por exemplo, se o Lula do alto da sua unanimidade tivesse encarado o debate, mesmo que alterando pouco na prática, Dilma estaria sofrendo hoje? O Temporão bem que tentou, mas o Planalto tirou o pé. Quem “enterra” vento, colhe tempestade.

Talvez o que incomode aos progressistas de esquerda, seja a forma. A maneira como essa agenda entrou no debate. É inegável que esse tema só surgiu por que beneficia a candidatura do Serra (na verdade, na verdade o correto seria: “por que beneficia a candidatura anti-PT). E foi executada da maneira mais sorrateira e desleal. Usam a religião por não terem mais pilares para defender. E não adianta a gente repetir que, todas grandes feministas brasileiras (Ruth Cardoso incluso) tem a mesma posição. Não adianta demonstrar factualmente que o PNDH-3 (Governo Lula) é idêntico ao PNDH-2 (Governo FHC).

Não adianta, por que não há profundidade na discussão. Tudo no Brasil fica na superfície. Não adianta enviar um e-mail resposta falando dos malefícios que é criar fissuras na separação Igreja-Estado. É como explicar física quântica para uma criança usando propagandas no intervalos dos desenhos animados. Não funciona, ninguém quer saber disso, exceto uma minoria. Sorte que minorias (ainda) existem. Nesse sentido, é sintomático que aliados do próprio Serra tenham ficado incomodados. Se lermos os jornais, vários “colunistas” fizeram (e fazem) críticas a sua opção. E acho que o PSDB/Serra está subavaliando isso. Como o PT/Dilma subavaliou a dubiedade e inexistência de um discurso unificado sobre essas questões polêmicas (penso comigo, se fosse candidato ou da coordenação de um candidato, não começaria por ai?).

Além disso, acho que se estivesse na coordenação de campanha da Dilma encontraria técnicos para identificar a origem. Se especular é gratuito, apostaria que o último ponto identificável seria um servidor na Tailândia de onde foram disparados SPAMS para listas no Brasil. Que teria sido alugado por uma consultoria de TI em Massachusetts sub-contratada pelo lobby das grandes petroleiras. Brincadeiras a parte, é uma questão de “modus operandi”. Não tem nada de novo nisso. Novo é a campanha da Dilma não ter previsto e monitorado isso, apesar dos avisos (aqui inclusive).

Mas isso é passado, e esse post (isso é um blog, não tenho muito tempo, então precisei usar essa introdução pra dizer algo que penso e que precisavam ser ditas, e de certa forma se correlacionam com o que vou dizer a seguir) é sobre o ativismo no Brasil. É sobre como “membros organizados da sociedade” simplesmente evaporam quando a chapa esquenta e as balas perdidas passam zunindo perto das suas cabeças. Querem exemplos? Vejamos:

  • Aonde estão os defensores do Software Livre para apoiar a Dilma contra uma candidatura claramente ligada aos interesses do Software Proprietário? Estou falando da Microsoft que fornece computadores por um valor exorbitante para as escolas públicas de São Paulo. Mas não só dela, é só analisar todas as políticas públicas e contratos da área no governo Serra. O que descobrimos é que a “galera” do software livre é pior que a esquerda mais radical. Fala muito. Faz pouco. E quando precisa se posicionar, sempre escolhe o lado errado.
  • Aonde está a comunidade GLBT? Sob ataque de um candidato a vice-presidente patético, pra dizer o mínimo, pode ver sua agenda regredir séculos. Só pra deixar claro, ajoelhou, tem que rezar. O Serra já ajoelhou, se vencer, vai ter que cumprir a agenda ditada por gente do nível de Silas Malafaia.
  • Aonde estão as feministas? No twitter com certeza. Sob o ataque de um candidato deseperado, que coloca a própria esposa para propagar boatos e mentiras. Com a oportunidade de emplacar uma mulher no cargo máximo da nação, vibram (rs) com twitadas e retwitadas. Patético enfim. E o pior, a dura realidade. 100% dos spams que recebi vieram de mulheres. Simples assim (eu tenho uma teoria, mas não vou expô-la).
  • Pra aonde vão os ambientalistas? Que estavam com a Marina é fato. Que não enxergam interlocução na Dilma é histórico (e isso foi objeto de uma proposta que fiz para incorporar a agenda ambientalista pela campanha da Dilma. Não aconteceu nada, mas talvez isso esteja sendo tratado nos bastidores, o que duvido). A situação dos ambientalistas é bem simples, Kátia Abreu só não foi vice do Serra por que não quis. Eles não tem muito pra aonde ir, exceto o muro (seriam os verdes os novos tucanos?) ou pragmaticamente, entrar no governo Dilma, fortalecendo sua agenda.
  • Aonde estão os jornalistas de bem? Submetidos a um sistema cooptado, em que perdem totalmente a liberdade de produzir sua jornalismo independente, aceitam acriticamente todas as mazelas desse sistema, em nome de um salário de fome (ou não, né?). Aceitam o jogo, por bolsas de estudo em dolar. Escrevem qualquer coisa, no melhor estilo “pacote completo”. Pagando bem, que mal tem? Quando o governo finalmente parte para descentralizar as verbas da comunicação e agora, quer discutir a regulação da imprensa. Assume os valores conservadores de que qualquer mudança é um ataque a liberdade de expressão. Evoluir? Nem pensar.
  • Aonde estão os cientistas brasileiros? Mesmo conscientes, que um governo conservador (ou refém dos conservadores) imediatamente teria que congelar pesquisas com células-tronco. Que o governo Lula simplesmente triplicou as verbas para ciência, reajustou as bolsas de pesquisa e segue na melhoria das universidades. Se calam, irresponsavelmente. Sorte que temos gente como o Nicolelis.

Todos esses grupos tem pouco a ganhar e muito a perder com sua omissão. Mesmo assim se mantém calados, seja por preguiça, seja por desorganização. São aqueles que o Skank cita na sua música “Indignação”. São meras moscas sem asas, cuja indignação, não ultrapassa a janela de suas casas.