Escreva Lola Escreva :: “Dilma, não esqueça sua função no Mundo”


 

“Criticar a imbecilidade do mundo fashion é mole. A Lola, aproveita e destroça a Veja.”

Escreva Lola Escreva: DILMA, NÃO ESQUEÇA A SUA FUNÇÃO NO MUNDO

segunda-feira, 11 de outubro de 2010 

DILMA, NÃO ESQUEÇA A SUA FUNÇÃO NO MUNDO

Há coisas piores que um passado terrorista. Dica: começa com sobrancelh…

Uma leitora silenciosa, a Bartira, me enviou um email com a reportagem da Veja do penúltimo fim de semana (leia aqui). O artigo de Mario Mendes é sobre as roupas da Dilma. Porque, sabe, a gente vê inúmeros artigos sobre a aparência do Serra, do Lula, do Alckmin e de outros machos, e todos são cobradíssimos para se enquadrarem no padrão de beleza vigente. Então, escrever sobre a aparência da primeira mulher presidente (a Veja acreditava que Dilma seria eleita no primeiro turno!) é totalmente normal. Não é machismo. Imagina.

O título já é “Vestida para Mandar”, trocadilho com “dressed to kill”, que provavelmente reflete a opinião da revista sobre como mais um governo petista seria “de matar” (e, num momento em que reaças chamam Dilma de matadora de criancinhas – outro dia li que ela deseja transformar a maternidade em matadouro! – nada melhor que associar a candidata vermelha ao verbo matar). No subtítulo, a legenda: “Em busca de um estilo para chamar de seu, Dilma Rousseff não tem mandado bem. Contratou um estilista famoso, mas vacila entre o brega e o careta. Eleita ou não neste domingo, o que não dá é para deixar esse PAC pela metade”.

A palavra “brega” não é a toa. A reportagem inteira insiste em lembrar que Dilma dificilmente entrará numa lista das celebridades mais bem vestidas do mundo. E, ficando de fora de uma lista dessas, sinceramente, pra que continuar vivendo? Uma consultora de moda cisma com o casaco de Dilma, que “sonha em ser Chanel, mas faltam a imponência do corte, o DNA da textura”. Saquei! O eugenismo chegou à moda! Mulheres que não têm classe não devem nem tentar imitar àquelas que nasceram com isso. É parecido com o que vivo ouvindo: o pobre pode sair da favela, mas a favela nunca sai do pobre. Ou seja, quem não nasceu em berço de ouro nunca será chique. Dilma nunca foi pobre, mas, pelo jeito, sempre foi brega. Era hippie! Riponga! E depois foi guerrilheira. Olha, andar com metralhadora na mão estraga qualquer look! (se bem que a consultora jura que Dilma deveria insistir no seu passado “terrorista fashion, porque o povo se emociona com isso”. É… O povo da TFP e da Veja definitivamente se emociona com o passado da Dilma. Depois do debate da Band, então, eles devem emocionar-se ainda mais).
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Smartphones

“Mitos sobre o iPhone.”

Acrescento que esses dados estão mudando mais rápido do que se possa imaginar. O avanço da plataforma Android é avassalador. Na verdade a Apple sofre um ataque de milhares de replicantes. Desde os Xing-Ling aos Droid (da Motorola) aos Desires/Evo (da HTC).

Por um motivo bem simples, é uma plataforma aberta.

Escreva Lola Escreva :: "Dilma, não esqueça sua função no Mundo"


 

“Criticar a imbecilidade do mundo fashion é mole. A Lola, aproveita e destroça a Veja.”

Escreva Lola Escreva: DILMA, NÃO ESQUEÇA A SUA FUNÇÃO NO MUNDO

segunda-feira, 11 de outubro de 2010 

DILMA, NÃO ESQUEÇA A SUA FUNÇÃO NO MUNDO

Há coisas piores que um passado terrorista. Dica: começa com sobrancelh…

Uma leitora silenciosa, a Bartira, me enviou um email com a reportagem da Veja do penúltimo fim de semana (leia aqui). O artigo de Mario Mendes é sobre as roupas da Dilma. Porque, sabe, a gente vê inúmeros artigos sobre a aparência do Serra, do Lula, do Alckmin e de outros machos, e todos são cobradíssimos para se enquadrarem no padrão de beleza vigente. Então, escrever sobre a aparência da primeira mulher presidente (a Veja acreditava que Dilma seria eleita no primeiro turno!) é totalmente normal. Não é machismo. Imagina.

O título já é “Vestida para Mandar”, trocadilho com “dressed to kill”, que provavelmente reflete a opinião da revista sobre como mais um governo petista seria “de matar” (e, num momento em que reaças chamam Dilma de matadora de criancinhas – outro dia li que ela deseja transformar a maternidade em matadouro! – nada melhor que associar a candidata vermelha ao verbo matar). No subtítulo, a legenda: “Em busca de um estilo para chamar de seu, Dilma Rousseff não tem mandado bem. Contratou um estilista famoso, mas vacila entre o brega e o careta. Eleita ou não neste domingo, o que não dá é para deixar esse PAC pela metade”.

A palavra “brega” não é a toa. A reportagem inteira insiste em lembrar que Dilma dificilmente entrará numa lista das celebridades mais bem vestidas do mundo. E, ficando de fora de uma lista dessas, sinceramente, pra que continuar vivendo? Uma consultora de moda cisma com o casaco de Dilma, que “sonha em ser Chanel, mas faltam a imponência do corte, o DNA da textura”. Saquei! O eugenismo chegou à moda! Mulheres que não têm classe não devem nem tentar imitar àquelas que nasceram com isso. É parecido com o que vivo ouvindo: o pobre pode sair da favela, mas a favela nunca sai do pobre. Ou seja, quem não nasceu em berço de ouro nunca será chique. Dilma nunca foi pobre, mas, pelo jeito, sempre foi brega. Era hippie! Riponga! E depois foi guerrilheira. Olha, andar com metralhadora na mão estraga qualquer look! (se bem que a consultora jura que Dilma deveria insistir no seu passado “terrorista fashion, porque o povo se emociona com isso”. É… O povo da TFP e da Veja definitivamente se emociona com o passado da Dilma. Depois do debate da Band, então, eles devem emocionar-se ainda mais).

Mais pra frente o artigo diz: “a petista Dilma Rousseff teve de se render a essa realidade da exposição permanente e tratou de investir em uma repaginação que eliminasse resquícios do visual militante da juventude e do nada lisonjeiro look ‘bibliotecária solteirona’ quando ministra”. É de fato uma realidade da qual não se pode escapar. As pobres bibliotecárias solteironas bem que tentam protestar contra esses estereótipos, mas não dá. A culpa é nossa, das mulheres. Chegamos ao século 21 e ainda não notamos que o pessoal usa termos como “solteirona” de um jeito carinhoso?! É praticamente uma homenagem!

Depois uma legenda no artigo menciona Michelle Obama e Carla Bruni (vinte anos mais novas que Dilma), e vem com a palavra “Afinadinhas” em negrito, pra coroar quem chama a Dilma de gorda, que é no fundo quem acha que mulher gorda não merece nem bom dia, quanto mais a presidência. E aí diz: “até os acessórios refletem o estilo de governo dos maridos”. Uau! É verdade, até os acessórios! E quem seriam “os acessórios” dos presidentes na foto? Não devo reclamar, pois sei que mulher serve pra isso mesmo, pra que o marido tenha uma boa imagem. É aquele negócio de homem de poder não poder ser visto com carro velho, porque pega mal. Legal que a Veja glamurize as Trophy Wives, as esposas jovens e bonitas que se casam com milionários para que eles fiquem bem na fita. Mas alguém poderia avisar a revista que Michelle e Carla são primeiras-damas, não presidentes? Talvez a lembrança da figura da primeira-dama tenha sua razão de ser: você já deve ter recebido email-spam dizendo que Dilma não é uma “mulher de família”. E uma das grandes preocupações desse tipo de mentalidade é “Ohmeudeus, quem será o primeiro-damo no caso da vitória de Dilma?”. Nem termo tem pra isso, onde é que se viu? Onde esse mundo vai parar?

Aí muitas roupas da candidata são comentadas. A blusa de uma cor e a calça de outra (o vermelho “cansativo” do PT), “encurtam a silhueta”. Por favor, eu queria ver antes de morrer um artigo reclamando da roupa que “encurta a silhueta” de algum político-homem. Quer dizer, entendo que pra portadoras de vaginas seja essencial governar com uma silhueta alongada, mas eu queria ver isso pra homem também. Porque se não, tadinhos, eles dizem que são discriminados, que os homens brancos héteros é que são os verdadeiros perseguidos… Não vamos excluí-los, ó mídia pluralista!

Outro look analisado é um terno da candidata. A mesma consultora que quer ver Dilma vestida de terrorista
fashion afirma que “de terno não desafina tanto. Mas, quando a candidata anda, a calça desanda”. É isso aí! Mulher tem que andar pra quê, afinal? Não é necessário! Mexer o esqueleto só atrapalha a roupa. Anos e anos de salto alto e meia calça nos ensinaram que liberdade de movimentos é algo totalmente desnecessário.

Daí a revista cita Margaret Thatcher pra lembrar que Dilma é uma dama de ferro. Thatcher, um dos maiores símbolos da direita, foi repaginada visualmente antes de assumir o cargo de primeira-ministra em 1979, e o resultado foi tão aprovado pela imprensa inglesa que ela foi classificada como “a dona de casa mais poderosa do mundo”. Pô, esse sim é um alto elogio! Não adianta governar um país rico. Uma vez dona de casa, always dona de casa, darling! (e, de novo, homens podem reclamar de discriminação: esse termo tão nobre tava em falta pra eles).

A revista até reconhece o “esforço” de Dilma, com ressalvas: “ela tem de se entregar mais aos braços do povo. Não aquele de macacão das fábricas [minha interrupção: Eca! Dá pra ver daqui a careta de nojo de quem escreve], mas o do mundinho fashion”. E vaticina: talvez um dia Dilma encontre um estilo de vestir que agrade. Porque qual outro objetivo ela teria na vida, não é mesmo? Como já dizia Elizabeth Bishop no seu poema “Pink Dog”, fêmeas não podem doer na vista.

E eu sei que devo ter sido a única pessoa no mundo (ok, no Brasil) a não reparar nas sobrancelhas da Dilma. A revista me informa – porque é pra isso que serve uma revista de informação, pra tratar de temas relevantes – que as sobrancelhas anteriores da candidata, antes do toque do novo cabeleireiro, eram “de vilã de telenovela”. Ah, se eu tivesse notado! Obviamente não teria votado nela no primeiro turno.

Smartphones

“Mitos sobre o iPhone.”

Acrescento que esses dados estão mudando mais rápido do que se possa imaginar. O avanço da plataforma Android é avassalador. Na verdade a Apple sofre um ataque de milhares de replicantes. Desde os Xing-Ling aos Droid (da Motorola) aos Desires/Evo (da HTC).

Por um motivo bem simples, é uma plataforma aberta.

Leonardo Monasterio :: “Os sorveteiros e a eleição”

 


“Nenhum deles é um Häagen Dazs, mas dá pro gasto.”


Blog do Leonardo Monasterio: Os sorveteiros e a eleição

10/10/10
Os sorveteiros e a eleição

 

Aí vai a minha interpretação papo-de-boteco da eleição. Minha única ferramenta: o modelo de Hotelling (1929). Suponha que os consumidores estão distribuídos ao longo de uma praia e existem dois sorveteiros, cada um em um dos extremos. Aquele que está a esquerda anda um pouco para a direita porque assim ganha consumidores nessa direção e não perde nenhum dos eleitores, digo consumidores a esquerda. O mesmo acontece com o que iniciou na ponta direita. A situação final são os dois sorveteiros-candidatos localizados bem no meio da praia. (O legal do modelo de Hotelling é que esse resultado só existe para 2 jogadores. Para três, não existe equilíbrio).

1 Turno:

– No começo, Dilma e Serra começam no meio da praia e a Marina tenta ocupar o mesmo lugar se mostrando bem parecida com os demais. Vendo que não subia nas pesquisas, ela passou para uma estratégia de mostrar que era a alternativa e totalmente distinta dos demais. (Olha o Hotelling aí!) Cresce nas pesquisas, mas não o suficiente.

2 Turno:
– Dilma e Serra são idênticos no discurso. Agora é só um processo de ajuste fino. Eles já fizeram de tudo e mudaram suas opiniões para satisfazer o eleitor mediano. O jeito agora é acusar o outro de incoerência com o seu passado, de ter duas ou mil caras e por aí. (Pedir coerência aos políticos é como pedir castidade a uma prostituta. É totalmente incompatível com a profissão). O que aconteceu foi apenas que os candidatos mudaram seu discurso para alcançar o eleitor mediano.

Garçom, uma outra cerveja, por favor.