Ruth defende projeto sobre aborto

Folha de S.Paulo – Ruth defende projeto sobre aborto – 02/10/97
Ruth defende projeto sobre aborto

CHICO SANTOS
da Sucursal do Rio

A primeira-dama Ruth Cardoso defendeu ontem a aprovação pelo Congresso Nacional da lei que regulamenta a realização de abortos legais em hospitais públicos, afirmando que ela apenas ratifica o que já está na legislação.
Ela disse que a chegada do papa João Paulo 2º hoje ao Brasil não deve ter nenhuma interferência na votação da lei no Congresso. Para a primeira-dama, “a relação entre o Congresso Nacional e o papa é zero”. Segundo ela, “esse é um problema da sociedade brasileira”.
“Não há nenhuma novidade, não há nenhum enfrentamento de quem seja contra ou a favor”, disse Ruth. Para ela, a lei em tramitação “é um direito garantido que está sendo estendido às mulheres com menos recursos, porque elas não são atendidas no serviço público, quando deveriam ser”.
A lei que tramita no Congresso permite que sejam realizados na rede pública de saúde abortos em casos de gestação causada por estupro ou em casos nos quais haja risco de vida para a gestante. A legalidade do aborto nesses dois casos está prevista no Código Penal de 1941. Os comentários de Ruth Cardoso foram feitos na favela da Rocinha (zona sul do Rio).
A primeira-dama, que é também presidente do programa Comunidade Solidária, participou na Rocinha de solenidade de liberação de R$ 200 mil do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiamentos populares feitos pela ONG (organização não-governamental) Vivacred.
Ruth disse que “há muito tempo vinha brigando por essa idéia do crédito popular”, acrescentando que no Brasil há muitas facilidades para a concessão de crédito “a quem não precisa dele”.
Ela classificou o crédito popular como “um mecanismo para mudar a sociedade” e afirmou que o Brasil está muito atrasado em relação a outros países latino-americanos nessa área. Culpou o período de inflação elevada por esse atraso.
Por esse motivo, segundo ela, foi necessário ir buscar na Bolívia o aprendizado para que o Brasil também tivesse seu sistema crédito popular, que está sendo implantado em várias cidades do país.
Durante a solenidade, realizada na sede da agência de financiamento, que funciona em um prédio da Rocinha pertencente à Igreja Metodista, Ruth Cardoso participou das assinaturas de dois novos empréstimos feitos pela ONG.
Um foi de R$ 700 para Maria de Fátima da Costa, dona de um bazar de artigos para festas na favela, e outros de R$ 200 para a ambulante Maria Isaias.
A linha de financiamento total do banco BNDES para o Vivacred é de R$ 600 mil, estando prevista a liberação dos R$ 400 mil restantes até janeiro de 98.

Folha de S.Paulo – Ruth Cardoso acha excessiva polêmica sobre aborto legal – 05/09/97

Ruth Cardoso acha excessiva polêmica sobre aborto legal

da Sucursal de Brasília

A primeira-dama Ruth Cardoso atribui à imprensa a polêmica criada em torno do projeto que obriga os hospitais públicos a realizar aborto nos casos permitidos pelo Código Penal (estupro e risco de vida da gestante). Hoje, apenas nove hospitais em todo o pais têm serviço de aborto legal.
Segundo a Folha apurou, a primeira-dama tem se queixado a alguns assessores do noticiário sobre o assunto, que considera excessivo.
Para ela, a polêmica só serve para ajudar os que fazem oposição ao projeto, aprovado há duas semanas pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Desde a aprovação, a primeira-dama tem se recusado a dar sua opinião sobre o assunto, apesar de mostrar que compartilha da opinião do marido.
O presidente Fernando Henrique Cardoso declarou na segunda-feira que vai sancionar o projeto se ele for aprovado pelo Congresso.
FHC argumenta que o governo está regulamentando algo que é previsto na lei há 57 anos.
A autorização legal para aborto em caso de estupro ou risco de vida para a mãe está no Código Penal desde 1940.

Votação em plenário
O deputado federal Salvador Zimbaldi (PSDB-SP) solicitou à Mesa da Câmara que coloque o projeto aprovado pela comissão em votação no plenário.
Seu requerimento foi acompanhado de 96 assinaturas -44 a mais que o necessário.
Esse pedido vai ser votado pelo plenário. Para ser aprovado, precisa dos votos da maioria simples (metade mais um dos presentes).
Paparazzi
A primeira-dama também estava disposta a não se manifestar sobre o acidente que matou a princesa Diana, mas anteontem deu uma entrevista ao “Globo Repórter”.
Ruth não culpa os paparazzi (fotógrafos que estavam seguindo o carro em que estava a princesa na hora do acidente, em Paris) -“isso ainda está sendo investigado”, esquivou-se-, mas disse temer que um certo “limite ético” tenha se rompido.
Ela lembra que, quando quebrou o braço, em Ibiúna (São Paulo), foi perseguida por fotógrafos a caminho do hospital, que queriam captar uma expressão de dor.
Para Ruth, a informação principal, que era o fato de ela ter quebrado o braço, todos já tinham -o que tornava desnecessária a perseguição.
“É uma situação de tensão muito grande, que sempre provoca algum risco”, disse.
Ruth Cardoso esteve ontem na Enap (Escola Nacional de Administração Pública), onde participou da formatura da terceira turma da escola. Ela foi convidada para ser paraninfa dos 96 formandos.

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