O Promessômetro tem sentido.

Recentemente li sobre Ricardo Guedes falando da questão valorativa (aborto) e uma avaliação de campanhas do comentarista Weden (no blog do Nassif.) Concordo com as abordagens mas quero ainda falar de abstenção, consolidar um resumo de toda a campanha e inclusive dar sugestões “marqueteiras”. Um destaque em particular para uma avaliação do promessômetro. Eu não sou fiscalista e concordo com essa proposta.

A Datafolha atual de 2º turno está em 48%/41%. A última Datafolha antes da campanha (11/ago.) estava em 49%/41%. É como se não tivesse havido campanha ou, de outro modo, que todos os indecisos que Dilma ganhou em agosto com a propaganda da continuidade foram perdidos para Marina em setembro e agora devolvidos a Serra. É mais complexo que isso, mas serve como simplificação do principal.

Nesse meio tempo Serra caiu muito, teve crescente rejeição e pareceu não beneficiado diretamente pela desconstrução da imagem de Dilma, mas agora a rejeição a esta pode ter crescido muito. E a insistência no promessômetro pode ter impacto favorável a Serra, cuja imagem está incólume, em famílias rurais ou urbanas com muitos aposentados, segmentos também contrários ao aborto. A campanha de Serra pode não ser exatamente consistente ou sincera, mas é efetiva.

Sabemos por 5 eleições (2002 – 2 turnos, 2006 – 2 turnos, 2010 – 1º turno) que o candidato do PT sempre cai nas pesquisas na última semana havendo uma queda “extra” nas urnas. A queda captada nas pesquisas pode ser atribuída a vários fatores, mas em especial à intensificação de propaganda negativa, que é feita nessa época para não dar tempo de rebater em debates/propaganda na TV. A queda “extra” pode ser tanto continuidade da “onda propaganda” como função da maior abstenção nos segmentos mais propensos a votar no PT.

Caso seja efeito abstenção : em 3 dos 4 turnos de 2002 e 2006 verificamos que Lula caiu entre 1,7 e 1,9 pp em votos válidos entre a última pesquisa e a eleição propriamente dita. Esse fator não deve ser desconsiderado. Abstenção/brancos/nulos ficam entre 23 e 27% no Brasil, e por simulações para minimização de erros podemos intuir uma abstenção de 27 a 29% para o PT e de 21,5 a 22% para o PSDB (esses números se encaixam muito bem nos 5 turnos analisados.)

Agora Dilma caiu 3,6 pp (em comparação com a Datafolha de 01-02/out.) e Marina/outros subiram 2,2. Então parece razoável supor que houve os 2 efeitos : uma queda por maior abstenção do eleitorado de Dilma (digamos 1,8) e uma transferência de votos valorativa (digamos 1,8).

Durante a 2ª e 3ª semanas de setembro Dilma esteve em torno de 56%, Serra em torno de 29,5 e Marina/outros em torno de 14,5. Também houve transferências valorativas durante setembro.

Existem infinitas combinações capazes de conciliar os resultados das pesquisas recentes com as hipóteses e as urnas. A tabela mostra uma evolução que me parece provável.

Por ela se diria que Dilma hoje só não está em posição pior que antes da campanha em função da devolução de uma parte dos eleitores de Marina (que é mais ou menos o que as pesquisas de julho indicavam, ou seja metade dos 14% dos votos, que seriam “de opinião”.) Isto é, quase tudo do que Marina conseguiu nas últimas semanas tem Serra como 2ª. opção.

Por ora o prognóstico para 2º turno é 52% vs 48% (considerando uma hipótese para efeito abstenção no 2º turno.) Bem apertado portanto.

Serra está em sua melhor fase em meses. Inesperadamente?

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Humor nas eleições

“Tom trabalhando para o Aécio.”

Feliz pq o Hélio Costa perdeu. Triste pq o Aécio (nada contra, ok? Só uma questão de lado) fez a barba, o cabelo e bigode e Patrus acabou tendo que entrar nessa roubada. E eu fui um dos que achou que daria certo.


“Nerso trabalhando para o Marconi.”


Aqui o Marconi Perillo sempre usou o “Nerso da Capitinga”. É a “arma secreta” do PSDB (por ai dá pra se ter ideia do nível da politica regional). O PMDB sempre cai na deles. Vamos ver esse ano.

Teoricamente, eu não gosto de humoristas na campanha (entenda @marcelotas, estou falando de humoristas EM campanha, contratados por um partido, o que não é o seu caso né?) mas acho que se tivesse envolvido numa campanha não descartaria. Na pratica a teoria é outra.

Afinal, povo, desde os gregos satirizar políticos é do jogo, e pior, dá audiência. Então não sou eu quem vai mudar essa parada né.

Eu só vejo e rio. Às vezes, choro…


O Promessômetro tem sentido.

Recentemente li sobre Ricardo Guedes falando da questão valorativa (aborto) e uma avaliação de campanhas do comentarista Weden (no blog do Nassif.) Concordo com as abordagens mas quero ainda falar de abstenção, consolidar um resumo de toda a campanha e inclusive dar sugestões “marqueteiras”. Um destaque em particular para uma avaliação do promessômetro. Eu não sou fiscalista e concordo com essa proposta.

A Datafolha atual de 2º turno está em 48%/41%. A última Datafolha antes da campanha (11/ago.) estava em 49%/41%. É como se não tivesse havido campanha ou, de outro modo, que todos os indecisos que Dilma ganhou em agosto com a propaganda da continuidade foram perdidos para Marina em setembro e agora devolvidos a Serra. É mais complexo que isso, mas serve como simplificação do principal.

Nesse meio tempo Serra caiu muito, teve crescente rejeição e pareceu não beneficiado diretamente pela desconstrução da imagem de Dilma, mas agora a rejeição a esta pode ter crescido muito. E a insistência no promessômetro pode ter impacto favorável a Serra, cuja imagem está incólume, em famílias rurais ou urbanas com muitos aposentados, segmentos também contrários ao aborto. A campanha de Serra pode não ser exatamente consistente ou sincera, mas é efetiva.

Sabemos por 5 eleições (2002 – 2 turnos, 2006 – 2 turnos, 2010 – 1º turno) que o candidato do PT sempre cai nas pesquisas na última semana havendo uma queda “extra” nas urnas. A queda captada nas pesquisas pode ser atribuída a vários fatores, mas em especial à intensificação de propaganda negativa, que é feita nessa época para não dar tempo de rebater em debates/propaganda na TV. A queda “extra” pode ser tanto continuidade da “onda propaganda” como função da maior abstenção nos segmentos mais propensos a votar no PT.

Caso seja efeito abstenção : em 3 dos 4 turnos de 2002 e 2006 verificamos que Lula caiu entre 1,7 e 1,9 pp em votos válidos entre a última pesquisa e a eleição propriamente dita. Esse fator não deve ser desconsiderado. Abstenção/brancos/nulos ficam entre 23 e 27% no Brasil, e por simulações para minimização de erros podemos intuir uma abstenção de 27 a 29% para o PT e de 21,5 a 22% para o PSDB (esses números se encaixam muito bem nos 5 turnos analisados.)

Agora Dilma caiu 3,6 pp (em comparação com a Datafolha de 01-02/out.) e Marina/outros subiram 2,2. Então parece razoável supor que houve os 2 efeitos : uma queda por maior abstenção do eleitorado de Dilma (digamos 1,8) e uma transferência de votos valorativa (digamos 1,8).

Durante a 2ª e 3ª semanas de setembro Dilma esteve em torno de 56%, Serra em torno de 29,5 e Marina/outros em torno de 14,5. Também houve transferências valorativas durante setembro.

Existem infinitas combinações capazes de conciliar os resultados das pesquisas recentes com as hipóteses e as urnas. A tabela mostra uma evolução que me parece provável.

Por ela se diria que Dilma hoje só não está em posição pior que antes da campanha em função da devolução de uma parte dos eleitores de Marina (que é mais ou menos o que as pesquisas de julho indicavam, ou seja metade dos 14% dos votos, que seriam “de opinião”.) Isto é, quase tudo do que Marina conseguiu nas últimas semanas tem Serra como 2ª. opção.

Por ora o prognóstico para 2º turno é 52% vs 48% (considerando uma hipótese para efeito abstenção no 2º turno.) Bem apertado portanto.

Serra está em sua melhor fase em meses. Inesperadamente?

Eu não sou marqueteiro, mas dou meu palpite:

– Dilma poderia incorporar o programa dos demais simultaneamente a uma participação mais incisiva em debates, com isso retornar a atenção do público para campanha propositiva e mostrar luz própria;

– tentar reconstruir a imagem valorativa; incorporar o que der das propostas de Marina (Marina tem razão no plebiscito sobre aborto e parceria civil gay, p.ex.)

– adotar promessômetro “sem medo de ser feliz”. Algo como dizer “fiz as contas e Serra tem razão, dá. E com o apoio futuro no Congresso mais ainda”.

O custo “desse pacote” em termos de contradição programática parece ser menor que a “Carta ao Povo Brasileiro” de 2002. E o eleitorado poderia se sentir feliz em ver que sua barganha eleitoral em levar para o 2º turno teve conseqüências.

Serra, por seu turno, deve apostar na continuidade da desconstrução da imagem de Dilma, reforçando com novos ataques pela mídia. Também deve investir no promessômetro. Ele está em uma fase ascendente e só precisa de 2,5% de eleitores a mais.

x-x-x-x-x-x-x

Promessômetro : Para quem torce o nariz em relação a essa irresponsabilidade fiscal, basta observar que quem colocou o bode na sala foi o Serra/PSDB. E, sinceramente, a idéia me parece boa e exeqüível. A oposição não poderá, por coerência, vetar o orçamento em Congresso. Ora, pode ser dito que os reajustes de salário mínimo e aposentadorias que aconteceriam em jan./2012 serão antecipados em um ano. O custo para a nação será o desajuste fiscal por um ano, mas, se Serra for eleito isto também vai acontecer mesmo…

Eu já mandaria nova proposta de orçamento para o Congresso. É uma guerra pelo voto do aposentado (15 milhões de pessoas.) Coisas muito piores já ocorreram no Brasil no passado e desta vez pelo menos transferiria renda. (É claro que sei que há uma contradição no discurso de Serra, que também fala em ajuste fiscal para reduzir juros. Também sei que isso adiaria a retomada da capacidade de investimento do governo. Mas, existem as razões do voto e certamente a maioria dos eleitores preferirá o seu benefício “à vista”.)

O custo total se dá apenas em 2011, pois em 2012 os valores prometidos por Serra seriam normalmente alcançados pela inflação e reajustes reais das regras atuais. Pode ser estimado em até R$ 20 bilhões assim distribuídos:

25% mais famílias no bolsa-família : R$ 3 bi / 13º para bolsa-família : R$ 1,5 bi /

Salário mínimo de R$ 540 para R$ 600 em 2011 (em jan./2012 já iria para R$ 600 pela regra de inflação + PIB) : R$ 12 bi (considerando 13 meses de 15 milhões de pensionistas)

10% (na realidade apenas o líquido acima da inflação de 4.5%) para demais aposentadorias : R$ 6 bi

Recuperação por impostos : R$ 4 bi

Ora, os juros brutos da dívida são ao ano R$ 150 bi (R$ 65 bi líquidos de IR e inflação). Então dá. Basta reduzir a taxa de juros de 10.75 para 9.5 que as contas fecham.

Haverá algum efeito de inflação em uma economia já aquecida? Atraso em um ano para continuar a reduzir a dívida pública? Ora, administrar isso é o mínimo que se espera de algum(a) presidente quando o discurso todo é de que tudo está bem. Ambos os candidatos devem ter em mente que cuidarão de um orçamento anual de 400 bilhões de dólares. Ajustar US$ 10 ou US$ 15 bi é possível. Ou não?

Humor nas eleições

“Tom trabalhando para o Aécio.”

Feliz pq o Hélio Costa perdeu. Triste pq o Aécio (nada contra, ok? Só uma questão de lado) fez a barba, o cabelo e bigode e Patrus acabou tendo que entrar nessa roubada. E eu fui um dos que achou que daria certo.


“Nerso trabalhando para o Marconi.”


Aqui o Marconi Perillo sempre usou o “Nerso da Capitinga”. É a “arma secreta” do PSDB (por ai dá pra se ter ideia do nível da politica regional). O PMDB sempre cai na deles. Vamos ver esse ano.

Teoricamente, eu não gosto de humoristas na campanha (entenda @marcelotas, estou falando de humoristas EM campanha, contratados por um partido, o que não é o seu caso né?) mas acho que se tivesse envolvido numa campanha não descartaria. Na pratica a teoria é outra.

Afinal, povo, desde os gregos satirizar políticos é do jogo, e pior, dá audiência. Então não sou eu quem vai mudar essa parada né.

Eu só vejo e rio. Às vezes, choro…


A classe média é mesmo ingrata?

“Não falta no programa da Dilma uma grande proposta para a classe média, como a que o Obama fez?”

Numa não-discussão com um colega por e-mail ele afirmou que nem ele, nem sua família (classe média alta) sentiram na pele os tão propalado sucesso econômico do governo Lula. Essa afirmação, ao contrário do que tem ocorrido com os demais argumentos, esse plantou uma dúvida na minha cabeça: será que a classe média é ingrata ou ela não participou ativamente da festa? Seria essa a razão do insucesso no primeiro turno?

Quando mergulhamos de cabeça no embate político cometemos o erro de ignorar as dúvidas que vão surgindo no processo. Por outro lado, assumimos como verdades absolutas os dados que saem das pesquisas de opinião. Quem conhece minimamente de estatística, e tem compromisso com a verdade, sabe que esse pode ser um erro fatal. A verdade é que as estatísticas dizem que o governo Lula é bem avaliado na classe média, mas coloca no mesmo balaio, aqueles que subiram recentemente para esse estamento, e aqueles que por sua consciência social dão um voto favorável às iniciativas deste governo, mesmo tendo pouco para comemorar.

Podemos citar uma dezena de exemplos de como a classe média foi, mais uma vez – comemos o pão que o diabo amassou na era FHC –  escanteada nas suas demandas. Basta observar o descaso com a melhoria da qualidade do serviço público e na regulação das empresas privatizadas. Oras, ao argumentar com outro colega que isso foi fruto da promiscuidade das privatizações e que as agências foram, deliberadamente, fragilizadas a fim de permitir que os “investidores” pudessem recuperar seus recursos mais rapidamente, ele contra-argumentou, sabiamente, que o governo Lula teve oito anos pra resolver isso e não resolveu. É verdade.

Podemos vasculhar por mais exemplos de como, na verdade, mais uma vez, o PT sofre na mão da classe média por culpa do seu preconceito e sua incapacidade de atacar as classes mais altas (o exemplo do Plínio em que diz que um empréstimo para o Eike vale um Bolsa-Família inteiro é uma demonstração disso. Outro é como o governo Lula mudou pouco no processo de transferência de recursos para a velha mídia). Para falar a verdade – eu sou classe média também, como a maioria a minha volta – eu mesmo tenho muito pouco que agradecer ao governo Lula por políticas específicas para mim e para minha família. Voto na Dilma, principalmente, por que sei que esse projeto beneficiou os mais pobres.

Mas isso, de modo algum, serve de argumento para convencer aqueles que não a apoiam por essa razão a fazê-lo. Uma grande parte ainda vota na Dilma e outra no Serra. Mas não seria esse contingente de insatisfeitos que alimentaram a tão propalada “onda verde”? Se for verdade, não seria o caso da Dilma fazer uma grande proposta, arrojada, para essa classe? Algo relacionado a empreendedorismo e a redução de impostos para as faixas mais baixas do imposto de renda? Uma proposta de impacto ao invés de ficar só se defendendo de mentiras?

PS.: Espero sinceramente que a campanha da Dilma leia esse post antes da campanha do Serra.