Seja bem-vindo, segundo turno.


“Vox Populi, Vox Dei.”

Tivemos um resultado extraordinário no Senado e na Câmara, primeira missão completada. Agora, vamos enfrentar um segundo turno duro e sangrento (como ressaltei aqui diversas vezes). Mas se é assim que tem que ser, assim será. O povo brasileiro é conservador, mas sábio. A classe média é superficial e ingrata. Mas o que não mata fortalece.

Parem de lutar contra os fatos. A Marina é a grande vitoriosa, com aproximadamente 20% dos votos válidos, tem tudo pra disputar com o outro vitorioso, Aécio Neves, a liderança da nova oposição (que agora fica livre dos velhos senadores, e terá que abrir espaços para novas lideranças). Tudo vai depender de como vai encaminhar e administrar esse cacife que as urnas forneceram.

Parem de passar recibo para a mídia. A Dilma saiu de 0 para 47.649.507 votos em menos de dois anos. Isso não é trivial. Um feito fantástico, extraordinário, único. Mas se os eleitores estavam susceptíveis a mudanças de última hora, é por que precisavam refletir mais sobre temas espinhosos, Dilma (ela, não mais o Lula) tem que demonstrar capacidade de resistir às baixarias, religiosas inclusive. É do jogo, é assim que a democracia funciona. É assim que escolheremos um líder capaz de aguentar a pressão infinitamente maior que virá pela frente. Campanha é só seleção pra trainee desse cargo tão importante. E ainda bem que é assim.

José Serra, agora tem a chance da sua vida. Tem que demonstrar habilidade e competência, coisa que não demonstrou até agora. Marina o colocou nesse segundo turno, agora é com ele e com sua equipe. De certa forma, está sozinho, Aécio e Marina não tem nada a ganhar o apoiando. Mas muita coisa pode mudar, do vice ao fim da reeleição (que fica mais difícil com esse Senado). E duvido que aja clima para construir “pontes de confiança”. Se o PT está unido – temporariamente – a oposição está passando por um momento de profundas mudanças e, por isso, está dividido. Alckmin em São Paulo não deve ser descartado como liderança.

Mas se essa é a chance do Serra, também é a chance de ouro da Dilma escrever seu nome na história. Além disso os estrategistas da campanha da Dilma, optaram por fazer uma campanha de “alto nível” ignorando os ataques, sem desconstruir as falsas promessas do Serra e o bom mocismo da Marina. A despeito do que disse aqui, a Dilma não deu demonstrações claras aos eleitores “verdes” que se comprometeria com a sua agenda. E à direita religiosa, somente no final, após pressões. Confiou nos acordos de bastidores com os evangélicos e com a força da esquerda católica – que parece não apita mais nada. Todos esses atores, democraticamente, impuseram a sua agenda.

Agora é hora de jogar o jogo. Para conquistar os verdes eu proponho uma “carta ao povo brasileiro v2.0” na sua versão ambiental. Meio-ambiente para a Dilma, é o que o mercado financeiro foi para o Lula. É preciso reagir. Para estancar a questão religiosa, eu proponho liberar a Dilma da contingência, pois ela sempre se saiu melhor quando foi direta ao assunto – mesmo que de maneira dura – e resolver isso de maneira rápida e com respostas curtas. Mas como estadista, ou seja, o discurso é o que ela apresentou no final, mas falando às pessoas.

Sobre a boataria de baixo nível, é inaceitável, que uma campanha multi-milionária precise contar com os esforços da blogosfera amadora para criar um site para municiar as respostas aos e-mails difamatórios. Aonde estava a equipe do João Santana? Fazendo tomadas épica do Brasil de norte a sul. Só isso não vence as eleições. E mais, vocês tem certeza que FHC está pendurado no pescoço do Serra? Por que com quem eu conversei, não é o que parece. Tem gente que nem lembra que o Serra foi Ministro do FHC. Finalizando, a militância tem que sair um pouco do alienante twitter, que não vence eleição, não derruba ditador, nem presidente do Senado. Duvido que derrube um presidente de diretório acadêmico. Campanha se vence na rua, conversando com o povo, principalmente os mais simples. Falando pouco e ouvindo muito.

Enfim, a meu ver, não é assim que esse jogo deve ser jogado. Reação rápida, não tampem o sol com a peneira, mas não passem recibo para a mídia. Nem vitória, nem derrota. Foi a voz rouca das ruas falando, democraticamente, o que quer para o seu futuro.

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Seja bem-vindo, segundo turno.


“Vox Populi, Vox Dei.”

Tivemos um resultado extraordinário no Senado e na Câmara, primeira missão completada. Agora, vamos enfrentar um segundo turno duro e sangrento (como ressaltei aqui diversas vezes). Mas se é assim que tem que ser, assim será. O povo brasileiro é conservador, mas sábio. A classe média é superficial e ingrata. Mas o que não mata fortalece.

Parem de lutar contra os fatos. A Marina é a grande vitoriosa, com aproximadamente 20% dos votos válidos, tem tudo pra disputar com o outro vitorioso, Aécio Neves, a liderança da nova oposição (que agora fica livre dos velhos senadores, e terá que abrir espaços para novas lideranças). Tudo vai depender de como vai encaminhar e administrar esse cacife que as urnas forneceram.

Parem de passar recibo para a mídia. A Dilma saiu de 0 para 47.649.507 votos em menos de dois anos. Isso não é trivial. Um feito fantástico, extraordinário, único. Mas se os eleitores estavam susceptíveis a mudanças de última hora, é por que precisavam refletir mais sobre temas espinhosos, Dilma (ela, não mais o Lula) tem que demonstrar capacidade de resistir às baixarias, religiosas inclusive. É do jogo, é assim que a democracia funciona. É assim que escolheremos um líder capaz de aguentar a pressão infinitamente maior que virá pela frente. Campanha é só seleção pra trainee desse cargo tão importante. E ainda bem que é assim.

José Serra, agora tem a chance da sua vida. Tem que demonstrar habilidade e competência, coisa que não demonstrou até agora. Marina o colocou nesse segundo turno, agora é com ele e com sua equipe. De certa forma, está sozinho, Aécio e Marina não tem nada a ganhar o apoiando. Mas muita coisa pode mudar, do vice ao fim da reeleição (que fica mais difícil com esse Senado). E duvido que aja clima para construir “pontes de confiança”. Se o PT está unido – temporariamente – a oposição está passando por um momento de profundas mudanças e, por isso, está dividido. Alckmin em São Paulo não deve ser descartado como liderança.

Mas se essa é a chance do Serra, também é a chance de ouro da Dilma escrever seu nome na história. Além disso os estrategistas da campanha da Dilma, optaram por fazer uma campanha de “alto nível” ignorando os ataques, sem desconstruir as falsas promessas do Serra e o bom mocismo da Marina. A despeito do que disse aqui, a Dilma não deu demonstrações claras aos eleitores “verdes” que se comprometeria com a sua agenda. E à direita religiosa, somente no final, após pressões. Confiou nos acordos de bastidores com os evangélicos e com a força da esquerda católica – que parece não apita mais nada. Todos esses atores, democraticamente, impuseram a sua agenda.

Agora é hora de jogar o jogo. Para conquistar os verdes eu proponho uma “carta ao povo brasileiro v2.0” na sua versão ambiental. Meio-ambiente para a Dilma, é o que o mercado financeiro foi para o Lula. É preciso reagir. Para estancar a questão religiosa, eu proponho liberar a Dilma da contingência, pois ela sempre se saiu melhor quando foi direta ao assunto – mesmo que de maneira dura – e resolver isso de maneira rápida e com respostas curtas. Mas como estadista, ou seja, o discurso é o que ela apresentou no final, mas falando às pessoas.

Sobre a boataria de baixo nível, é inaceitável, que uma campanha multi-milionária precise contar com os esforços da blogosfera amadora para criar um site para municiar as respostas aos e-mails difamatórios. Aonde estava a equipe do João Santana? Fazendo tomadas épica do Brasil de norte a sul. Só isso não vence as eleições. E mais, vocês tem certeza que FHC está pendurado no pescoço do Serra? Por que com quem eu conversei, não é o que parece. Tem gente que nem lembra que o Serra foi Ministro do FHC. Finalizando, a militância tem que sair um pouco do alienante twitter, que não vence eleição, não derruba ditador, nem presidente do Senado. Duvido que derrube um presidente de diretório acadêmico. Campanha se vence na rua, conversando com o povo, principalmente os mais simples. Falando pouco e ouvindo muito.

Enfim, a meu ver, não é assim que esse jogo deve ser jogado. Reação rápida, não tampem o sol com a peneira, mas não passem recibo para a mídia. Nem vitória, nem derrota. Foi a voz rouca das ruas falando, democraticamente, o que quer para o seu futuro.

Festa adiada

Ou não? As pessoas podem aprender a comemorar passos intermediários:

Dilma ficou na média de Lula em 2002 e 2006. Para 1ª candidatura e com boa parte da mídia e algumas denominações religiosas contra, não é pouca coisa. Afinal, as expectativas até alguns meses eram de resolver no 2º turno, ou não? E agora já sabe seu potencial de votos consolidados.

Marina Silva recebeu quase 20 milhões de votos (esperava 15 milhões.) É claro que em muito pela posição contrária ao aborto, mas não deixa de ser uma vitória, já que essa também era uma causa dela.

Mercadante recebeu 18% a mais de votos que em 2006. Se insistir em 2012 ou 2014, leva. Lula conseguiu só na quarta vez, certo? (Não sei se o mesmo raciocínio se aplicaria a Hélio Costa…)

A oposição fez um senador inesperado, Aloysio, e mais governadores de última hora do que se previa. Serra voltou subitamente a uma posição que só é comparável a de antes da campanha.

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