Ayres Britto responde a armação de advogados do Roriz


“Alguém em explique como um cara como esse consegue ser tão poderoso.”

Só uma coisa: Ninguém é responsável por atos de outros, exceto os menores e os incapazes. Parentes, de políticos devem pagar pelo que fizeram.

Essa tentativa de lateralizar a culpa, é o começo da criminalização da política. Se continuar, chegará um dia que ninguém poderá atuar como político. E isso vale para todos os poderes.

Que se investigue e puna, mas com provas, não insinuações.

Britto diz que conversa de seu genro com Roriz foi “maluquice” – Política – iG

Britto diz que conversa de seu genro com Roriz foi “maluquice”

Em entrevista ao iG o ministro Ayres Britto disse que não autorizou negociações do genro e que nenhum contrato foi fechado

Severino Motta, iG Brasília | 30/09/2010 20:43

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, disse ao iG que o fato de seu genro, Adriano Borges, ter discutido a prestação de serviços de advocacia para o ex-governador Joaquim Roriz foi uma “maluquice”. De acordo com ele, Adriano se arrepende de ter entrado em contato com ex-governador. Veja abaixo trechos da entrevista:

iG: Ministro, o doutor Adriano teve um encontro com o ex-governador Joaquim Roriz, no escritório político do Roriz. E esse encontro foi gravado em vídeo. E, durante esse encontro, o doutor Adriano sugere o pagamento de R$ 1,5 milhão para entrar na ação da Ficha Limpa e mais R$ 3 milhões no êxito. E o êxito seria deixar o senhor impedido no processo. Ele diz assim para o Roriz: “Eu sei disso, mas quando vossa excelência acertar, ele já sabe que não vai haver o voto”.

Ayres: Não sei. Eu não estou interpretando assim não.

iG: Como?

Ayres: Estou interpretando assim.

iG: Diga ministro.

Ayres: Êxito é se ele ganhasse a causa. Na linguagem dos advogados é assim. Você recebe uma parte adiantada para entrar no processo, com a defesa. E, se vitoriar na causa, receberá. Ou seja, se o mérito da decisão fosse favorável ao contratante, aí sairia a parte complementar. O êxito significa isso.

iG: Entendi.

Ayres: Não tem nada a ver comigo, graças a Deus.

iG: É que tem um trecho que ele também fala assim. O Roriz pergunta: “Eu gostaria da sinceridade sobre o voto do seu sogro”. E o Adriano responde: “Não, vossa excelência, nenhuma. A única coisa que eu estou precisando é que ele não leve. Com isso aí ele não vai participar. Tá impedido”. Aí o Roriz fala: “Então é o êxito”. E o Adriano fala: “É um voto, é um êxito de certa forma, né?”.

Ayres: É, aí.. o Adriano me contou quando eu o interpelei. Dizendo primeiro que foi procurado pelo Eládio [Carneiro, advogado de Roriz]. E só depois é que procurou o Roriz. Claro que eu bronqueei, não é? Disse: “Mas que maluquice, rapaz. Você chegou a conversar com o Roriz? Não tem que entrar nessa causa. Até porque me impede”.

iG: Sim.

Ayres: Mas ele disse que arrependeu-se eficazmente, antes de assinar qualquer contrato ou de receber qualquer verba honorária ou de praticar qualquer ato processual, ele saiu da causa, porque à medida que conversava com Roriz percebia que a intenção não era receber o trabalho dele com a equipe que estaria montando. Ele foi percebendo que a intenção era me impedir. Então foi dele a decisão de não aceitar, espontaneamente saiu, se errou, se arrependeu, porque se arrependeu eficazmente, porque houve contato mas não houve contratos, nem honorários, nem peça processual.

iG: Os contatos inclusive, alguns contatos feitos por e-mail são assinados pelo doutor Adriano e pela doutora Adrieli, que é a filha do senhor, não é?

Ayres: Ele me contou isso, que houve contatos por e-mail, ele incluiu o nome dela. Ao que eu fiquei mais chateado ainda, não precisa nem dizer, não é? (…) Mas olha, nessas horas o que eu posso dizer é o seguinte. Vida pregressa é para isso, não é? Ou seja, não quero fazer trocadilho com a exigência de vida pregressa, que está lá na Lei da Ficha Limpa. Ou seja, eu tenho uma vida pregressa, eu tenho uma biografia, eu tenho um histórico de vida que é muito conhecido. Então acho que o Roriz nem ousaria propor qualquer coisa que significasse vantagem para mim. Ele não se atreveria a tanto. Não chegaria jamais a esse ponto. Agora, do ângulo do Adriano, não preciso também lhe dizer que na minha opinião ele não devia nem ter conversado, nem iniciado nenhuma conversação. Mas ele é maior vacinado, capaz. Ele que responda pelo que fez.

iG: O senhor em algum momento deu qualquer tipo de autorização para que o Adriano fizesse qualquer tipo de negociações ou..?

Ayres: Meu Deus do céu!

iG: A gente tem que registrar ministro…

Ayres: Mas em tempo algum. Eu não tenho absolutamente nada a ver com isso. Mas absolutamente nada a ver com isso. Isso só me contraria, entendeu?

iG: O fato de ele colocar a filha do senhor junto, quando conversou com o senhor ele chegou a dar mais algum detalhe? Se mostrou arrependido, como?

Ayres: Sim, se mostrou, que realmente foi ingênuo. ‘Ah, fui ingênuo, pensei que estivesse sendo contratado para agregar valor à causa – valor técnico, não é? -, jamais pensei que estivesse sendo usado e tal, mas me arrependi a tempo. E eu mesmo que saí da causa. Nem entrei, não é? Eu mesmo que cortei qualquer possibilidade de contrato. Não recebi absolutamente nada. Não pratiquei qualquer ato processual’. Foi o que ele me disse.

iG: Uma vez que o vídeo foi gravado dentro da casa do Roriz. o senhor acha que isso pode ser algum tipo de retaliação ou armação do Roriz para prejudicar o senhor?

Ayres: Não sei como responder a você. Se seria armação, se não seria. Se foi uma tentativa de diminuir a minha credibilidade. Sinceramente não sei. Mas tudo é possível. Partindo dali tudo é possível. Mas não sei. Não posso, não quero avançar raciocínio digamos temerário. Não tenho certeza de nada. Eu tenho a certeza é que esse ministro do Supremo Tribunal Federal é incorruptível. É honrado é decente, é independente. E a minha vida confirma isso. Basta o meu passado, o meu histórico, os meus votos. Quem acompanha, e você deve acompanhar. Eu estou absolutamente fora de qualquer tratativa menos digna, entendeu? Absolutamente fora.

iG: Com um episódio como esse o senhor pretende se distanciar um pouco mais do seu genro ou algo assim?

Ayres: Olha, aí é uma história familiar. Eu não preciso também… não vou antecipar o que vai…

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