A oposição não leu :: Franklin Martins e o fim do efeito “Pedra no Lago”

Eu sou fã do Franklin um dos caras mais sagazes na análise política. Conversei com ele algumas vezes por email (qdo ele tinha blog era Web 1.0 ainda). Acho que, antes de ir pro governo a maior contribuição foi a teoria do fim do efeito “pedra no lago”.

Já disse, a oposição está jogando um jogo datado, surrado e atrasado. Não vão vencer as eleições com isso. Mas temo pela dimensão da distensão. A mídia está acuada pela tecnologia, vão esticar a corda até arrebentá-la se possivel. Somente as forças políticas podem impedir “algo mais grave”.

É ai que entra o futuro líder da oposição para não permitir a “queima de pontes”, o “massacre de civis”, etc. Mas aonde ele está? Quem é ele?

Já disse aqui que achei que o Aécio não estava pronto ou preparado. Espero ser surpreendido em breve.


Franklin Martins – Entrevista à Caros Amigos (clique aqui para baixar a íntegra)

(…)

“Vai ser motivo de tese acadêmica, de grandes discussões a partir de agora, que é o seguinte: a era da pedra no lago acabou. Nós tínhamos um padrão de comportamento que vem desde o final da luta contra a ditadura. Produzia-se um fenômeno político, a classe média formava uma opinião a respeito e essa opinião se estendia para a periferia. Como a pedra no lago: caiu a pedra na classe média, formando ondas concêntricas para os lados. A classe média era a dos chamados formadores de opinião, você os conquistava,
tinha resolvido a parada. Ao que assistimos nessa crise do mensalão? A classe média formou a convicção de que o governo estava tomado por uma quadrilha, por uma bandidagem etc. – não estou discutindo se isso é verdade ou não –, ela formou essa convicção, bateu a pedra no lago, as ondas começaram, daqui a pouco… bateu em algum lugar, tinha um dique, e as ondas começaram a voltar. Bateu onde? Bateu na classe C. É o pessoal que ganha de dois a cinco salários mínimos que olhou e disse: “Espera um instantinho, não é bem assim, eu penso um pouco diferente. Tem roubalheira? Tem. Roubou o governo? Roubou. O Lula é algum santo? Não. O Lula sabia? Acho até que sabia, mas é o seguinte: sempre foi assim e a minha vida está melhor hoje em dia, quero discutir isso também”.

(…)

Eu não sei o que é. Estou constatando um fenômeno novo e isso a gente tem que apreender. Nós, jornalistas, já poderíamos estar apreendendo há mais tempo. Os jornais dirigidos à classe A e B não crescem faz muito tempo, mas os jornais dirigidos à classe C estão proliferando em todo o país, quer dizer, sinal de que está chegando mais gente ao mercado e à cidadania que tem, em princípio, aspirações, percurso, inquietações, hábitos, cacoetes, diferentes da classe B. Isso está pesando. Hip hop pode pesar, uma série de coisas está pesando. Isso está produzindo manifestação cultural que também tem a ver. De certa forma, a eleição do Lula significou um pouco essas pessoas se sentindo parte do jogo. Acho que temos um fenômeno político novo de riqueza extraordinária.

(…)

Repara só: o PT lá atrás fazer o discurso da UDN você podia entender, porque o PT nunca tinha sido governo, nunca tinha se sujado. A UDN na década de 50 fazer o discurso da UDN você entendia, porque a UDN nunca tinha sido poder, nunca tinha se sujado. Agora, a UDN, depois que foi pro poder com a ditadura fazer o discurso da UDN, não dava mais. O PT fazer o discurso da UDN não dá mais, o PFL e o PSDB fazerem o discurso da UDN, a pessoa olha e diz: “Aí também não dá”. Então, o jogo nivelou por baixo. É dramático, porque mostra como as instituições políticas se decompuseram, como a corrupção invadiu a política, como o financiamento de campanha e a defesa de interesses particulares dentro do Estado criaram uma promiscuidade generalizada. Mas teve uma outra coisa que é a seguinte: caíram as últimas vestais. Não tem agora os bons, os puros que podem falar dos outros. O sistema eleitoral produz isso. Precisamos mexer no sistema. Daí a consciência crescente da necessidade de uma reforma no sistema político e eleitoral.

(…)

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