Le Monde :: "A popular Sarah Palin contra Obama"


“Vcs tem certeza que a nossa Palin…”


“…é o Índio? Pra mim o Serra é o novo líder da nossa (extrema?) direita conservadora.”


Nada, absolutamente nada, é por acaso. Tudo que ocorre hj com vc tem uma origem num intrincado e complexo fluxo decorrente de um pequeno evento (positivo ou não) lá no passado. “One mistake is all it takes and your life has come undone” – diz a letra de uma música do Garbage.

O Serra está flertando com a extrema-direta. E não é de agora. Parte por causa do movimento ao centro que o Lula e o PT fizeram ao chegar ao poder. Isso deslocou todo o PSDB para a direita. Parte devido a ausência de massa crítica na criação de um projeto de poder alternativo. Confiaram demais no poder da mídia.

Esse vazio está na origem dessa estratégia atual. Tinha que ser ocupado por algo (a política odeia o vácuo) a visão política do DEM foi o que restou aos tucanos. Nós achamos que lutar pelo centro e uma parte da esquerda faria mais sentido. Mas sejamos sinceros, a maioria aqui é de adversários, não de aliados. Então só quem pode dizer se esse posicionamento político-ideológico vai valer a pena ou não é a História.

No final, o Serra está virando a própria Sara Palin, não o Índio. Pode ser um fim melancólico pra sua carreira de político. Ou não, pq vencer, mesmo com essa tática terrorista, na visão deles é o que importa.

E se vc ler esse artigo do Le Monde, vai ver que a Palin até que não está mal na fita, para a disputa com o Obama. O que é aterrorizador por si só. Se eles tem medo da Dilma (vcs precisam ver o video que recebi por email hj), eu tenho medo do Serra. Ups, da Palin.

A popular Sarah Palin contra Obama – 30/07/2010 – Le Monde

30/07/2010 – 01h36

Le Monde

Corine Lesnes

A ex-governadora do Alasca, e ex-candidata a vice-presidente, Sarah Palin, em discurso

Sarah Palin, ao cultivar sua imagem de americana média, vem roubando a cena e crescendo nas pesquisas. Estaria a ex-candidata de 2008 em campanha?

Norman Podhoretz, o “patriarca” dos neoconservadores, nunca encontrou Sarah Palin. Quando ele escreveu um artigo para o “Wall Street Journal” no fim de março, explicando que preferia ter a ex-governadora do Alaska na Casa Branca a Barack Obama, foi sobretudo porque ele “detesta as pessoas que a detestam”. O intelectual foi surpreendido pela extensão das reações. Mais mensagens que em toda sua carreira. “O recorde no ‘Wall Street Journal’ era de 500 cartas”, diz. Para esse artigo receberam 800. “E a maioria era ‘positiva’”, garante.

Sarah Palin vende. Quase dois anos depois do fracasso de seu defensor John McCain na eleição presidencial, a ex-candidata à vice-presidência continua a atrair o interesse das multidões. E o dinheiro. O jornal online “Politico” confessou, há alguns meses: “A imprensa adora Sarah”.

Coloque o nome Palin em uma página, e o número de acessos ultrapassará o de outros títulos. Até a apresentadora Oprah Winfrey teve essa experiência. Quando ela recebeu a ex-“dona-de-casa”, em novembro de 2009, a audiência do programa atingiu mais elevado seu índice em dois anos.

Sarah Palin tem esse poder de estrelato que deleita os americanos, essa capacidade de atrair a atenção da mesma forma que Barack Obama o fazia. Segundo o Projeto para a Excelência em Jornalismo do Pew Research Center, a ex-governadora ficou em quinto lugar entre as personalidades que mais apareceram na imprensa em 2009, atrás de Barack Obama, Michael Jackson, Sonia Sotomayor (a juíza latina designada para a Suprema Corte) e Hillary Clinton. “Ela está em uma categoria à parte, praticamente como Tom Cruise”, disse ao “Washington Post” Nicole Wallace, ex-assessora de Comunicação de George W. Bush.

A fortuna de Sarah Palin está hoje avaliada em US$ 12 milhões (R$ 21 milhões). Seu livro “Going Rogue: An American Life” (Harper Collins, 2009), que lhe valeu um adiantamento de 7 milhões, ultrapassou os 2,2 milhões de exemplares. Ele foi o best-seller que mais rápido teve sucesso desde as memórias de Bill Clinton. Em janeiro, ela assinou um contrato de três anos com a Fox News para emitir seus comentários sobre atualidades e para um programa de TV onde ela exalta os heróis desconhecidos dos Estados Unidos (“Real American Heroes”).

Ela também aceitou participar de um programa de viagens em oito episódios sobre o Alaska (ela poderá ser vista pescando no gelo) que deverá lhe render, a cada transmissão, o equivalente a seu antigo salário anual de governadora (US$ 125 mil). Sem mesmo deixar Wasilla e o Ártico que fez toda sua imagem, do outro lado de Washington, Sarah Palin está construindo o que começa a se parecer com uma campanha. No início de julho, quando saiu a última pesquisa Gallup, a imprensa foi surpreendida: um ano depois de deixar seu cargo de governadora, Sarah Palin assumiu a liderança dos presidenciáveis conservadores com 76% de opiniões favoráveis dentro do Partido Republicano (e 11 pontos de vantagem sobre o concorrente mais próximo). Ela arrecadou US$ 866 mil no segundo trimestre. E tem mais de 1 milhão nos cofres de sua campanha.

A esquerda, que se deleita com suas extravagâncias, observa que somente os republicanos gostam de Sarah Palin (47% dos americanos em geral têm uma opinião negativa dela). Segundo uma pesquisa da revista “Time”, de 28 de julho, ela perderia amplamente em caso de disputa com Barack Obama (55% contra 34%). Mas, entre a direita, o establishment começa a levá-la a sério. Para as primárias, ela apoiou cerca de cinquenta candidatos. Principalmente mulheres, algumas saídas dos Tea Parties, mas outras claramente menos ortodoxas quanto ao aborto, como Carly Fiorina, na Califórnia. Ela lhes deu um nome, as “mama grizzlies” (mamães-urso). A maioria prevaleceu, entre as quais uma jovem empresária de origem indiana, Nikki Haley, que tem chances de se tornar a primeira mulher governadora da Carolina do Sul, Estado impotente de reações hesitantes.

Sarah Palin boicota cuidadosamente a imprensa. Desde que sua filha Bristol a iniciou no Facebook, ela intervém diretamente no debate nacional sem ter que se expor a entrevistas. Sua página tem mais de 1,8 milhões de membros. De lá, ela bombardeia a Casa Branca. Como os outros concorrentes estão muito ausentes das mídias, é ela que dá o tom da oposição com suas expressões de efeito: “death panels” (“comitês da morte”) contra a reforma do sistema de saúde de Barack Obama. Ou mais recentemente, “lamestream media”, trocadilho pejorativo com “imprensa mainstream” (predominante) que foi repetido por toda parte.

Segundo uma pesquisa da publicação “New York Magazine”, Sarah Palin opera em torno de um pequeno círculo, constituído principalmente por Todd, seu marido, Fred Malek, ex-colaborador de Richard Nixon, e alguns veteranos da campanha McCain que ela não irritou. Na lista de gastos de seu comitê de ação política (“SarahPac”), figuram US$ 210 mil para seus assessores. Pega em 2008, Sarah Palin está aprendendo. Ela paga US$ 10 mil por mês ao ex-assessor diplomático de John Mc Cain, Randy Scheunemann, um neoconservador convicto. Ela também se associou ao advogado – democrata – John Coale, marido da apresentadora da Fox News, Greta Van Susteren. Entre os militantes de base, ela tem diversos intermediários: os sites Conservatives4Palin, e o Team Sarah.

Seu segundo livro está sendo anunciado para o outono no hemisfério norte (“America by Heart: Reflections on Family, Faith and Flag”). O lançamento deverá ser logo depois das eleições de meio de mandato, quando os presidenciáveis começam a se posicionar para 2012.

Segundo Thomas Chanteloup, de Cincinnati, um dos responsáveis pelo Conservatives4Palim, há 60% a 70% de chances de que ela se candidatará. “Se ela achar que Deus está abrindo esta porta para ela, e se ela vir que não há outro verdadeiro conservador”, diz. Tim Pawlenty, governador de Minnesota, não está tentando ocupar essa vaga? “Ele tem medo de sua sombra”, responde o militante. Sarah não tem medo de nada. “É uma mulher que sabe se afirmar no meio de homens. Ela não se sente ameaçada por eles. Em um Estado viril como o Alaska, ela derrubou homens por corrupção”. E ela se diverte. No palanque, ela transforma os ataques em vantagens, como aquele em que foi surpreendida com um lembrete escrito na palma da mão. Desde então ela chama esse método de “teleprompter de pobre”. Ela zomba muito dos ambientalistas: “Não podemos instalar painéis solares no deserto de Mojave. Uma lagartixa poderia esbarrar neles”. E sempre cita Ronald Reagan: “Status quo é o termo em latim para descrever a bagunça em que estamos”.

Em uma época de crise e de dúvidas, Sarah Palin “vende” um Estados Unidos sem complexo, até em suas deficiências. Um EUA cheio de autoconfiança e seguro de seus valores. Quando ela foi pega em flagrante com um neologismo digno de George W. Bush (“refudiate”), confundindo o verbo refutar com repudiar, e toda a esquerda zombou, Palin retrucou: “O inglês é uma língua viva. Shakespeare também gostava de inventar palavras”.

Tradução: Lana Lim

Um comentário sobre “Le Monde :: "A popular Sarah Palin contra Obama"

  1. Acho que foi Luis Fernando Veríssimo quem disse, em uma crônica, que as eleições nos EUA eram tão importantes que o mudo inteiro deveria votar, menos os americanos. Acho que é por aí. Colocar a maior economia e o maior poder bélico do mundo nas mãos de alguém eleito por “rednecks” beliciosos e preconceituosos é um risco que o mundo não pode correr.

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