Entrevista do Michel Temer ao CB



“Olhando por esse lado para o outro lado, Temer é o vice dos sonhos.”

Teoria do Caos for Dummies:
  • Dunga conseguiu fazer o insonso do Alex Escobar virar o amuleto da Globo (está em 9/10 matérias sobre futebol);
  • O CALA BOCA GALVÃO conseguiu fazer o xarope do Galvão Bueno ser conhecido internacionalmente;
  • E o Índio da Costa eliminou qualquer dúvida se o Michel Temer seria um bom vice ou não.

Nunca antes na história desse país, a expressão “take care what you wish for” fez tanto sentido.

PS.: Brincadeiras a parte (perco o amigo, mas não perco a piada) tem um bom tempo que após refletir profundamente sobre o assunto, deixei de temer o nome do Temer🙂 . É só olhar no histórico do blog.

Correio Braziliense – Política – Michel Temer: “Sou discreto. Sei o papel de um vice”

Michel Temer: “Sou discreto. Sei o papel de um vice”

Denise Rothenburg Izabela Ferreira Alves

Publicação: 22/07/2010 07:00 Atualização: 22/07/2010 09:35

Em seu terceiro período como presidente da Câmara, Michel Temer faz uma confissão e uma promessa: “Você sabe que eu nunca entrei nessa piscina?”, diz, olhando o jardim da residência oficial que o cargo lhe oferece. “Se ganharmos, vou mergulhar para comemorar a vitória”. A promessa foi feita logo depois de terminada a entrevista ao Correio, onde o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), começou a sair da “toca”, ou melhor, do papel de presidente da Câmara dos Deputados.

Ouça trecho de entrevista com Michel Temer

Ao vestir a camisa (social) de campanha, Temer trabalha para marcar a experiência que o separa do deputado Índio da Costa (DEM-RJ), parceiro de José Serra, e empatar o jogo naquilo que os tucanos mais destacam no perfil do jovem democrata, a relatoria do projeto ficha-limpa. “Sou uma espécie de padrinho da proposta”, diz .

Temer tenta ainda aplainar o terreno no que se refere às declarações de Lula em favor da candidata petista: “Não tem como as lideranças políticas deixarem de falar em quem elas apóiam. Seria uma coisa falsa imaginar que um presidente ou governador devesse colocar um esparadrapo na boca e sequer mencionar o nome de quem é apoiado por ele. Até porque se o candidato estivesse sem popularidade poderia atrapalhar o candidato. Como esse não é o caso de Lula é que se protesta”, comenta.


Quanto aos trabalhos da Câmara, avisa aos interessados que até o final de outubro, será dificil mesmo ter quorum. É que a hora é de mergulhar na campanha. Leia aqui alguns trechos da entrevista.

Como o senhor tem visto o rumo que o projeto ficha limpa tem tomado? Ainda há dúvidas sobre sua aplicação e alguns políticos encaminham documentação incompleta para burlar a proibição. Será possível resolver essas questões antes das eleições?

Fui o proporcionador dessa lei do ficha limpa. Sou uma espécie de padrinho da proposta porque viabilizei sua votação. Quero muito que a lei seja aplicada de acordo com o sistema normativo. Acho que pode acontecer de os candidatos impugnados terem anuladas suas eleições depois que tiverem tomado posse. Nesse caso, teria de haver um novo cálculo do quociente eleitoral. Isso cria insegurança jurídica. Tenho pregado que haja rápida solução para esses casos para que a Justiça dê uma palavra definitiva sobre o tema antes da eleição. Os cidadãos têm direito à segurança jurídica. O mesmo se aplica aos que estão omitindo as certidões de processos para fugir da lei do ficha limpa. Até em relação a esses candidatos as regras precisam estar claras antes das eleições.

Se eleito, que perfil de vice o senhor teria? Quem seria sua inspiração?

Acho que sou naturalmente discreto. Sei o papel constitucional de um vice. Me inspiraria somente na Constituição. Não tenho modelos. Não quero fazer comparações.

Como está o PMDB internamente depois de escolhido seu nome? Ainda há divisões facilmente perceptíveis na briga por cargos e poder?

Eu acho que não. Não é mais assim. Dessa vez estamos participando do poder desde sua construção. Tenho pregado o presidencialismo de coalizão. No Brasil, sempre há criticas quando quem ganha chama outro partido para compor. Dessa vez estamos construindo o projeto conjuntamente. Eu não diria que a totalidade está nesse clima de união. Mas a grande maioria sim. Acho que conseguimos hoje o que no passado não foi conseguido. Foi estabelecido um processo de maturidade. Acho que em parte isso se deve ao dialogo com o governo do presidente Lula.

Antes da sua escolha para vice, houve muita notícia de que o presidente Lula tinha resistências ao nome do senhor. Isso foi resolvido? Como está a relação de vocês?

Eu e o presidente Lula constatamos que havia muita intriga. Até verbalizamos isso. Nossa relação sempre foi boa e respeitosa. Eu acho que se setores do PT ou do PMDB não queriam nossa aliança, não foi uma coisa global de nenhum partido e muito menos do presidente Lula em relação a mim. Concluímos isso. O PMDB entendeu que eu era quem mais agregaria à candidata e a Dilma me convidou. Na ocasião, ela disse que tinha coisa que eu sabia e ela não e coisas que ela entendia e eu não. Ela disse que juntos seriamos mais fortes. Isso foi em um jantar no inicio de maio.

No fim de semana a polêmica da campanha girou em torno das declarações do candidato a vice na chapa de José Serra, Índio da Costa, afirmando haver ligações entre a candidata Dilma e o narcotráfico. O senhor discutiu isso com a candidata?

Não chegamos a discutir isso. Mas acho que foi uma infelicidade. Não acredito que ele tivesse falado deliberadamente que há relação entre a candidata e o narcotráfico.

Muito tem se discutido sobre o tipo de eleitor que cada candidato consegue cooptar. Que tipo de voto o senhor agrega à candidata Dilma?

Não penso exatamente em votos. Penso na possibilidade de articulação política. No meu caso, tenho contato com vários partidos e segmentos. Sempre tive ótimo contato com empresários, com congressistas. Penso que é com isso que posso colaborar.

Acho que ainda é minoria a parcela da população que analisa o vice. Mas ainda há quem o faça.

Algumas propostas que a candidata recebeu dos partidos foram muito radicais em relação a alguns temas. Como o seu partido vai trabalhar com isso?

O PMDB não colocou essas questões no seu programa. Somos defensores da mais ampla liberdade de expressão. Acho que não posso apadrinhar nenhuma proposta que fira, de alguma forma, o texto constitucional. Estamos fazendo na verdade uma campanha que nasce da coalizão de vários partidos e é importante que surja uma proposta que uma a idéia de todos esses partidos. Estamos elaborando uma proposta que é resultado do equilíbrio de ideias de todos os partidos da coalização. Seria um documento representando o meio termo entre as varias tendências. Acho que em agosto a proposta deve ser concluída. Já discutimos isso inclusive com integrantes do PT e coordenadores da campanha. Já estive com o Marco Aurélio, Dutra, Mangabeira e Moreira Franco.

O senhor tem participado ativamente de muitas atividades da campanha com a candidata Dilma. Que relação vocês tem mantido?

Eu realmente tenho me dedicado às atividades de vice. Sempre represento o papel que a vida me entregou. Agora meu papel é de candidato a vice. Fazemos atividades juntos, como também separadamente. Temos mantido uma relação boa. Não nos falamos todos os dias. Mas já existe essa proximidade. Já há um apreço entre nós e nos falamos sempre que necessário. Na semana passada estivemos juntos cinco dias da semana. É uma boa relação.

O senhor acha que está havendo um enfrentamento do PT ao Ministério Público no que se refere às criticas a atuação do presidente Lula na campanha?

Pois é. Há uma visão equivocada dessa história. As pessoas querem saber qual é o horário de expediente do presidente da República. Mas a questão não é essa. A questão é saber como e quando o presidente pode se manifestar a favor da sua candidata. Quais são as proibições legais? Claro que ele não pode inaugurar obras ao lado dela. No entanto, acho que fazer citações ou referências não é erro. Até porque ele pode fazer isso como cidadão. Governadores têm feito isso. Ninguém tem duvida de que a Dilma é a candidata dele. Citá-la é natural. Não acho que houve excessos porque é uma coisa natural fazer referência a sua candidata.

As agendas deles vão começar a coincidir para a realização de comícios. Enquanto isso se discute se ele tem cometido crimes eleitorais…

Mas ele não está usando a máquina pública. Serão eventos políticos. Foi marcado para isso. Esse argumento vai por terra porque o candidato à reeleição faz a própria campanha. Impedir o presidente de participar desse tipo de evento seria como impedir um candidato à reeleição de falar de si mesmo. Afinal, poderia parecer propaganda eleitoral. Não tem como as lideranças políticas deixarem de falar em quem elas apóiam. Seria uma coisa falsa imaginar que um presidente ou governador devesse colocar um esparadrapo na boca e sequer mencionar o nome de quem é apoiado por ele. Até porque se o candidato estivesse sem popularidade poderia atrapalhar o candidato. Como esse não é o caso de Lula é que se protesta.

O senhor acha que esta eleição terá alguma peculiaridade?

Sim. Uma muito curiosa que ninguém tem prestado atenção. Esta é a primeira eleição em que todos os setores estão muito tranqüilos. Ninguém está indo com espírito raivoso para a disputa. Alguns anos atrás um grupo ia com espírito de raiva e o outro ia preocupado com os raivosos. Acho que dessa vez não há isso. Todos estão indo mais ou menos pacificados. Não há ninguém raivoso e isso pode ajudar a manter o nível da campanha.

O senhor esteve nos últimos anos à frente da presidência da Câmara. Um período marcado por alguns escândalos, como o das notas fiscais e o das passagens aéreas. Isso interfere de alguma forma na campanha?

Acho que não. Reagi rapidamente às denúncias e estabelecemos o sistema de transparência absoluta, mudando até a estrutura de funcionamento da Câmara. Eu até poderia usar isso em meu favor, mas acho que isso não conta numa campanha presidencial. Nem a favor nem contra. O cidadão quer saber é qual é o conforto que o candidato pode oferecer a ele ao conduzir o país.

Por falar em transparência…O senhor tem usado seguranças da Câmara durante eventos políticos. Como é essa relação?

Eu me desloco em aviões privados que são pagos pelo partido. Eu tenho direito aos seguranças da Câmara. Tenho usado esses serviços e a Câmara paga as diárias. No entanto, o partido ressarci a Câmara. Há um parecer técnico dizendo que em rigor eu teria o direito a usar essa estrutura de segurança. Mas entendemos que melhor seria ressarcir a Câmara quando eu participasse de eventos políticos. É isso que temos feito.

Como vão ficar os trabalhos da Câmara até a eleição?

Teremos duas semanas de trabalhos. Acho que na segunda delas, em setembro, dificilmente teremos quorum. Mas estou lá há 24 anos e sempre foi assim. Às vésperas da campanha fica sempre difícil reunir os congressistas.

8 comentários sobre “Entrevista do Michel Temer ao CB

  1. É extremamente lamentável o rumo que a campanha do Sr Enganador/Mais Cheiroso está tomando.
    Falta muita qualificação e muito respeito.
    E ainda dizem que tem mais experiência e competência.

    Só se for em “baixaria”!

    O Indio da Costa, só sabe falar em FARC, CV, acusações esdrúxulas, etc, etc….
    O despreparo e o destempero são suas masrcas.
    Isto só vem a mostrar a sua volubilidade e as vicissitudes do seu caráter humano.
    O Indio diz qualquer coisa só para marcar presença.
    É preciso que as coisas ditas tenham sentido e respeito para quem as lê.
    Não se deve menosprezar ou subestimar o outro, senão vai gerar um festival de besteiras, com verdadeiros disparates, bobagens e explicações vazias.

    O Brasil está mudando, o mundo está mudando,…mas há pessoas ainda com a ‘mesmice de sempre”.
    É como diz a novelista Nigeriana Chimamanda Adichie: “a burrice do pensamento único”.

  2. Apesar do Temer ter apoiado Serra em 2002 e 2006, é um político respeitado. Deputado constitucionalista, com larga experiência política, tem bom trânsito com setores do empresariado, da oposição e do judiciário. E talvez seja o político do PMDB que mais consiga agregar e unir o partido.

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