Carta de Neurocientistas defende a descriminalização da maconha


Sempre tive uma posição favorável à descriminalização. Na minha visão seria inaceitável se prender um adolescente por porte de uma droga tão inofensiva. Maconha é menos prejudicial que o alcool (incluindo a cerveja, que obscenamente não sofre nenhuma limitação na propaganda) e a nicotina. Simples assim. O argumento que ela serve de porta de entrada é relativo demais para se justificar uma legislação proibitiva e criminalizatória como a atual (apesar de ter sido mais uma vez flexibilizada recentemente).

Por outro lado, tenho que confessar, que o avanço do uso do crack com a maconha (mesclado, etc) me fez rever, temporariamente, essa visão. Acho que enquanto não tivermos estrutura para combater ativamente drogas poderosas como o crack, cocaina, heroina e as derivadas, além das sintéticas, não dá pra falar em legalização. O paradoxo é que a maconha tem sido usada com sucesso no tratamento de dependentes do crack. O que fazer? Temos que primeiramente, discutir. Isso é essencial. É inacreditável como a hipocrisia da sociedade brasileira, majoritariamente conservadora, cria barreiras e bloqueios à discussão de assuntos como esse. Vencer esse bloqueio é o primeiro passo.

Agora flexibilizar a legislação para evitar atos como encarceramento, é pra mim, consensual.

Segue íntegra da carta:

“A planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é utilizada de forma recreativa, religiosa e medicinal há séculos mas só há poucos anos a ciência começou a explicar seus mecanismos de ação. Na década de 1990, pesquisadores identificaram receptores capazes de responder ao tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, na superfície das células do cérebro. Essa descoberta revelou que substâncias muito semelhantes existem naturalmente em nosso organismo, permitiu avaliar em detalhes seus efeitos terapêuticos e abriu perspectivas para o tratamento da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, glaucoma, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia e dependência de nicotina, entre outras enfermidades. A importância dos canabinóides para a sobrevivência de células-tronco foi descrita recentemente pela equipe de um dos signatários, sugerindo sua utilização também em terapia celular.

Em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da maconha. Ainda que sem realizar uma descriminalização franca do uso e do cultivo, o Brasil veta (através do artigo 28 da Lei 11.343 de 2006) a prisão pelo cultivo de maconha para consumo pessoal, e impõe apenas sanções de caráter socializante e educativo. Infelizmente interpretações variadas sobre esta lei ainda existem. Um exemplo disto está no equívoco da prisão do músico Pedro Caetano, integrante da banda carioca Ponto de Equilíbrio. Pedro Caetano está há mais de uma semana numa cela comum acusado de tráfico de drogas. O enquadramento incorreto como traficante impede a obtenção de um habeas corpus para que o músico possa responder ao processo em liberdade.

A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas. Em seu próximo congresso, de 8-11 de setembro próximo, a Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) irá contribuir para a discussão deste tema pouco conhecido da população brasileira. Um painel de discussões a respeito da influência da maconha sobre a aprendizagem e memória e também sobre as políticas públicas para os usuários será realizado sob o ponto de vista da neurociência. É preciso rapidamente encontrar um novo ponto de equilíbrio.

Cecília Hedin-Pereira (UFRJ)
João Menezes (UFRJ)
Stevens Rehen (UFRJ)
Sidarta Ribeiro (UFRN)”


Cientistas: Maconha não é tão prejudicial quanto o tráfico – Terra – Saúde

Quinta, 15 de julho de 2010, 14h06
Cientistas: Maconha não é tão prejudicial quanto o tráfico

Dayanne Sousa

Carta assinada por quatro neurocientistas e divulgada nesta quarta (14) colocou em pauta a descriminalização da maconha. Em entrevista a Terra Magazine, um dos signatários, o professor da UFRJ, Stevens Rehen, explicou a motivação do polêmico documento, defendeu que a maconha não é tão prejudicial à saúde como outras drogas e criticou a política atual. “Eu pessoalmente acredito que o impacto do tráfico é maior que o da ingestão da maconha.”

A carta foi uma resposta do grupo de cientistas à prisão do músico Pedro Caetano, detido há cerca de 12 dias sob acusação de tráfico por plantio de maconha. A lei brasileira não prevê a prisão por plantio, e por isso o grupo questionou a ação envolvendo músico da banda Ponto de Equilíbrio. Na lei 11.343, estão previstas apenas medidas educativas e prestação de serviços comunitários nesses casos.

Rehen acredita que a legislação brasileira avançou ao diferenciar usuário de traficante, mas defende um outro tipo de regulamentação. “Eu não sou a favor da liberação, sou a favor da descriminalização”, diferencia.

– É preciso uma regulamentação, a mesma política que existe hoje para o álcool. Se o sujeito fuma maconha e vai dirigir, ele é preso. É diferente de liberação da maconha, é enquadrá-la dentro dos perigos que existem, para permitir o convívio em sociedade.

O presidente da SBNec (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento), Marcos Vinícius Baldo, dá mais um motivo para rediscutir a lei atual.

– O cigarro é extremamente nocivo à saúde e não é uma droga ilícita. Os usuários de cigarro e álcool representam um problema de saúde pública certamente maior que o uso da maconha. Não só em termos de custos à saúde pública, mas de danos a terceiros e outros problemas.

Benefícios x Malefícios

Rehen ainda acredita que é preciso diferenciar usuário de maconha de usuários de cocaína, craque e outras drogas ilícitas. O uso da maconha em excesso, diz, causa dependência e a droga pode ser prejudicial em casos de problemas respiratórios. Apesar disso, o risco de dependência é menor em relação a outras substâncias.

Ele ainda ressalta os benefícios medicinais da maconha, que incluem o tratamento de obesidade, perda de apetite. A droga, conta, já chegou a ser usada em pacientes de câncer terminal.

(foto: Getty Images)

Posição não-oficial

Apesar de ter aprovado a divulgação do documento, o presidente da SBNec afirma que ele não revela uma posição oficial da Sociedade. “Três dos signatários são membros da SBNeC e me consultaram a respeito, mas seria leviano dizer que esta é a posição dos nossos quase três mil membros”, afirma.

O Congresso anual da entidade ocorre ainda este mês e deve promover debates sobre o tema da descriminalização da maconha. Pode haver um posicionamento após as discussões.

G1 – Carta sobre descriminalização da maconha divide neurocientistas – notícias em Ciência e Saúde

15/07/2010 19h47 – Atualizado em 15/07/2010 20h33
Carta sobre descriminalização da maconha divide neurocientistas
Documento defende discussão sobre descriminalização da droga.
Carta é assinada por membros da diretoria de entidade representativa.

Marília Juste Do G1, em São Paulo
imprimir
Carta defende discussão sobre descriminalização de maconhaCarta defende discussão sobre descriminalização
de maconha (Foto: Reprodução/Site da SBNeC)

Uma carta que pede a discussão da descriminalização do uso recreativo da maconha assinada por quatro neurocientistas brasileiros dividiu opiniões entre os pesquisadores da área. Dos quatro signatários, três são membros da diretoria da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). Nesta quinta-feira (15), a entidade divulgou uma nota esclarecendo que o documento não é representativo de toda a SBNeC.

“A carta foi originalmente escrita por diretores, mas ela não fala em nome de toda a SBNeC”, afirmou o presidente da entidade, Marcus Vinícius Baldo, da Universidade de São Paulo, ao G1.

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O documento, divulgado originalmente no jornal “Folha de S.Paulo” na quarta-feira (14), foi redigido como forma de protesto contra a prisão do músico carioca Pedro Caetano, acusado de tráfico de drogas, e assinado pelos cientistas Cecília Hedin-Pereira, João Menezes, Stevens Rehen e Sidarta Ribeiro. Os três primeiros são da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Ribeiro, do Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Cecília Hedin-Pereira é vice-presidente da SBNeC, Ribeiro é secretário e Rehen é tesoureiro.

“Nosso objetivo com a carta é mostrar uma situação que a gente acha que tem que ser discutida. Não falamos em nome de ninguém além de nós mesmos” afirmou Stevens Rehen ao G1. “Não acreditamos que seja certo confundir usuários com traficantes e a sociedade precisa discutir isso”, diz ele.

No texto, Rehen e seus colegas afirmam que “em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da maconha. (…) A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas”.

As afirmações foram rebatidas por colegas de SBNeC. O neurocientista Jeferson Cavalcante, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), discorda da iniciativa. “Aos cientistas cabe apenas dar os fatos, não opinar sobre o que a sociedade deve fazer. Uma coisa é mostrar os efeitos da maconha no cérebro. Isso é o aspecto científico. Mas há um aspecto social e cultural envolvido nessa questão também”, acredita.

“Fiz trabalho social e vi com meus próprios olhos que a maioria dos jovens viciados em drogas começa com a maconha. A maconha é o primeiro passo. Eles cheiram cola porque não têm dinheiro para comprar maconha. Não se pode ignorar isso”, critica Cavalcante. “Se a sociedade civil quiser consultar os neurocientistas sobre o efeito da maconha no cérebro, daremos nosso parecer científico. Se vamos assinar algo enquanto neurocientistas devemos nos ater a isso”, afirma. “Todos temos direito a nossas opiniões pessoais sobre qualquer tema, mas não devemos misturar posição pessoal com profissional”, diz ele.
maconha assisPlantação de maconha apreendida em casa de
estudante em Assis (SP) (Foto: Reprodução/ TV Tem)

Gilberto Fernando Xavier, da USP, afirma que “como qualquer medicamento, é preciso analisar se os benefícios superam os malefícios [da maconha]”. “Existem evidências fortes e substanciais para que se pense que a maconha possa ser usada para tratamento de algumas doenças. Para o uso recreativo ainda falta avaliar em extensão se algum benefício eventual pode compensar os malefícios de alteração de atenção e memória que sabemos que ela causa”, diz.

O presidente da SBNeC diz respeitar a opinião dos quatro signatários da carta, mas discorda da “dimensão que essa história tomou”. “A discussão extrapolou as balizas científicas e adquiriu uma cor ideológica que de forma alguma tem o apoio da SBNeC. Com isso eu não concordo”, afirma Marcus Vinícius Baldo.

Ele conta que após a divulgação do documento, recebeu desde mensagens de apoio até críticas dos três mil membros da SBNeC. “Como é um assunto polêmico, vi desde aplausos até vaias. Não há uma opinião oficial da SBNeC até existir uma discussão que envolva todos os membros”, afirma.

18 comentários sobre “Carta de Neurocientistas defende a descriminalização da maconha

  1. Admiro o ‘muito pelo contrário’.
    Agora dizer que é uma droga ‘tão inofensiva’ é tão burro quanto enganador!

      1. “A repetição do uso da maconha desenvolve capacidades de tolerância no organismo. Assim, a pessoa precisa ingerir doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito das primeiras vezes em que experimentou a droga. Essa tolerância indica uma adaptação do corpo à droga, podendo provocar séria dependência em alguns indivíduos. Alguns efeitos: percepção do tempo altera-se; sonolência ou devaneio; aceleração da frequência cardíaca; diminuição da salivação; congestionamento dos olhos; dilatação das pupilas; desmotivação; excitação nervosa; irritação; ansiedade e ás vezes próximo a ‘paranóia'”.(Dr Solomon H. Snyder – Universidade Johns Hopkins/prêmio Albert Lasker de pesquisa médica e pesquisador do National Instituteof Health. Dr Barry L. Jacobs – professor de neurologia da universidade de Princeton e autor de Serotonin Neurotransmission and Behavior and Clinical Perspectives. Dr Jerome H. Jaffe – psicofarmacologista pesquisador de varias drogas viciadoras. Mirian Cohen professora de psiquiatria das faculdades de medicina de Harvard e Johns Hopkins e dirigiu o desenvolvimento de pesquisas sobre drogas nos EUA.

      2. Em nenhum momento foi aqui repetida a falácia que a maconha não causa dependencia. Causa dependencia, principalmente psicologica.

        Mas por derivação, uma pessoa que adora chocolates sente dependencia por chocolate, principalmente psicologica, apesar do chocolate em si estimular a produção de dopamina, causando a sensação de prazer.

        O que é falso e não divulgado, é que a cervejinha nossa de cada dia (viu as ironias nos atenuantes que acompanham toda vez que vai falar da cerveja? Nao é por acaso. Nunca é.) é infinitamente mais nociva, mas ninguem fala nisso.

        As externalidades negativas do alcool (nao vou nem falar na nicotina, pq seria desleal) como os acidentes de transito causados por pessoas embriagadas, brigas e assassinatos são, proporcionalmente maiores, mas ninguem fala nisso.

        É disso que estou falando. Do bloqueio ao debate. Não quero a legalização da maconha, quero que a sociedade reflita sobre a hipocrisia em que vive. E pare de culpar os mais jovens por cruzar essa linha “fictícia” e hipócrita que criaram.

  2. O principal elemento ativo da maconha é o THC, que com a repetição das tragadas, a quantidade de fumaça residual aumenta nos pulmões, ampliando a absorção do THC e tornando os efeitos da droga mais intensos e evidentes. As drogas psicotrópicas afetam a saúde física e mental. Ao chegar aos pulmões a fumaça da maconha é diluída na corrente sanguínea, sendo absorvida pelo cérebro e por quase todos os tecidos do corpo, onde várias substâncias ativas podem permanecer por dias ou semanas. Tanto a curto como a longo prazo, a maconha atua em praticamente todos os sistemas vitais de nosso corpo. Por exemplo, o uso regular dessa droga prejudica os pulmões, diminui os mecanismos imunológicos do organismo (tornando-o suscetível a doenças e infecções), afeta a potência sexual e as células reprodutivas, interfere no funcionamento do cérebro e no equilíbrio mental.
    Atualmente a ciência pode comprovar que fumar cigarros de tabaco ou qualquer outra droga, como a maconha, é prejudicial para o sistema respiratório enfraquecendo-o e ficando sujeitos à tosse, gripe, resfriado, alergias e outras complicações. O consumo regular por 20 ou 30 anos, a fumaça provoca um efeito devastador sobre o organismo, como demonstram as pesquisas sobre continuidade do uso de maconha, nicotina e outras drogas fumadas. Dentre os efietos do uso regular estão a asma, bronquite, enfisema pulmonar, doenças do coração e várias formas de cancer, especialmente o de pulmão. (Dra Miriam Cohen, Dr Solomon Snyder, Dr Barry Jacobs, Dr Jerome Jaffe – todos pesquisadores no National Intitute of Mental Health – UPI – U.S. – DEA.

    1. Inalar fumaça nos pulmões. Não tem como ser a favor disso meu caro. É obvio que qualquer coisa além do ar puro é prejudicial.

      O erro é confundir isso com inalar fumaça ao usar a droga A. Ou inalar fumaça do escapamento do carro.

      O ser humano fuma desde sempre. Um liberal (como eu) dificilmente vou ser a favor da proibição disso. Livre arbitrio? Então.

      O que sou contra, argumentar que fumar maconha causa cancer, por isso proibimos. Mas nao saber explicar pq o cigarro é legalizado e só recentemente teve a propaganda regulada.

      Novamente é inconsistente. E é assim, não por acaso.

  3. Pesquisas, experiências e entrevistas com usuários de maconha revelaram alguns problemas:
    – distorção da percepção, da maneira de pensar e do senso de realidade;
    – confusão mental;
    – dificuldade de concentração;
    – distração exagerada e dificuldade em manter fixa a atenção;
    – dificuldade de expressar conceitos e articular o pensamento;
    – apatia(falta de interesse pelo trabalho, pelo estudo e pela vida em geral);
    – perda de motivação e de vontade própria;
    – irritabilidade;
    – agressividade;
    – perda do controle emocional e comportamento impulsivo;
    – falta de autoconfiança e sentimentos derrotistas;
    – timidez e retraimento;
    – perda de interesse nas atividades sociais;
    – redução nos interesses;
    – falta de ambição e tendência à vida economica parasitária;
    – crises de paranóia, muitas vezes acompanhada de estados de pânico.
    Muitas dessas manifestações intelectuais e psicológicas podiam já existir antes que as pessoas pesquisadas se tornassem viciadas em maconha, mas a maior parte delas se intensifica com o uso da droga.
    (Dra Miriam Cohen, Dr Solomon Snyder, Dr Barry Jacobs, Dr Jerome Jaffe – todos pesquisadores no National Intitute of Mental Health – UPI – U.S. – DEA.)

    1. Caro,

      Pessoas com ADHD (Deficit de Atenção e Hiperatividade) tem todos os sintomas acima. A maioria (chega a 60%) dos adolescentes nos ultimos 20, 30 anos sofreram ADHD devido à sobrecarga de estimulos que a sociedade moderna criou (preciso citar? é só olhar em volta). Criaram um remedio pra isso, chamado Ritalina (Metilfenidato). Faça um teste, encontre um adolescente e pergunte se ele toma, e qtos colegas de escola tomam. Vc vai se surpreender. Alguem fala em aumentar o controle sobre a industria farmaceutica pq causa do sintomas que vc expos? Silencio sepulcral.

      Novamente, a discussão aqui não é sobre os prós e contras da droga A ou droga B. É sobre a hipocrisia da sociedade em bloquear a discussão de acordo com seus interesses. Economicos, principalmente.

      É sobre como liberais devem lidar com isso. Eu lido dando ao individuo o controle da sua vida. E responsabilizando objetivamente cada um por aquilo que ele faz. Simples assim.

      Ao citar estudos esparsos assim, fica facil. Mas para a ciencia, deveriamos nos questionar pq nos ultimos anos as doenças psicologicas se tornaram tao comuns. Quer um exemplo? Vá a um psicologo e fale que está mal. Em uma consulta de 20 min ele vai diagnosticar 5 doenças e te passar 3 remedios.

      Mas repito, a discussão não é sobre isso.

  4. Alguns sintomas do usuário de maconha:
    – olhos avermelhados
    – tosse crônica
    – irregularidade menstrual na mulher
    – irritabilidade;
    – lapsos e falhas de memória
    – mudanças bruscas de comportamento
    – descontrole do tempo
    – reações paranóicas (acha que ‘todos estão contra ele’)
    – variação do humor( a pessoa passa de deprimida a agressiva sem grandes motivos)
    – fadiga, letargia, desmotivação e depressão
    – dificuldade para se expressar
    – mudanças bruscas de hábitos alimentares
    – deterioração repentina do rendimento escolar
    – tendência a alienação )que dá à pessoa um ar de mistério e de tédio)
    – gastos financeiros inexplicáveis
    – problemas de relacionamento com as pessoas e brigas frequentes com amigos
    – interesse por falar sobre drogas ou maconha, às vezes dando ao discurso uma aparência de pura teoria
    – comportamento irresponsável
    – posse da droga.
    OBS>: Se uma pessoa apresenta vários desses sintomas combinados, é provável que seja um usuário de maconha. MAS É PRECISO EVITAR QUE ESSA INFORMAÇÃO SOBRE A VIDA ÍNTIMA DA PESSOA SEJA USADA PARA PREJUDICÁ-LA DE ALGUMA FORMA.
    ((Dra Miriam Cohen, Dr Solomon Snyder, Dr Barry Jacobs, Dr Jerome Jaffe – todos pesquisadores no National Intitute of Mental Health – UPI – U.S. – DEA.)

    1. Caro,

      O ser humano usa drogas desde de sempre (6000 a.c?) a discussão aqui não é essa. Não é sobre o que é bom ou ruim.

      É sobre os limites que o Estado pode ter sobre a decisão do individuo.

      É sobre se é justo colocar um jovem na cadeia por causa disso. Esse jovem sai da cadeia, piorado, dependente em outras drogas piores, e aliciado pelo trafico. Só faltou uma marca na testa.

      É sobre se a estrategia contra o trafico é ou não, uma dissimulação? A PM para um grupo de jovens, dá um baculejo, acha droga, leva os moleques pra cadeia e chama a tv. Enquanto isso, o traficante graúdo, que a mesma polícia sabe exatamente aonde está, enche os burros de grana traficando droga pesada pros granfinos.

      É sobre a hipocrisia da PRF parar um carro cheio de maconha (kg) enquanto uma carreta passa cheia de cocaína (ton). Chamar a mídia e prestar contar (ou fazer de conta?) pra sociedade dizendo que está combatendo a droga.

      A policia passa todo dia na porta da boca, mas não tem coragem (ou vontade) de fechar. Mas aborda um grupo de jovens que estão somente fazendo o que todos os jovens fazem. Todo mundo fala da criminalidade, mas ninguém lembra do jovem negro que tomou tapa na cara qdo era jovem.

      Não é justo. É uma grande mentira, e quem interdita o debate sobre isso está sendo conivente.

      1. Concordo plenamente.
        A discursão real se trata se CRIMINALIZAR a Maconha é o melhor caminho.
        O Consumo de Drogas não cria nem de longe malefícios trazidos pelo Tráfico de Drogas. Os traficantes matam, sequestrãm, corrompem, dominam. E só fazem isso porque vendem um produto que é muito procurado e altamente rentável. E com este dinheiro eles compram armas e mais armas.
        Para quê proibir algo que é decisão exclusiva de cada pessoa? O direito deve atingir apenas comportamentos que são lesivos à sociedade, e não os lesivos apenas ao próprio indivíduo.
        Quantas vezes vimos no noticiário um motorista “chapado” que atropelou e matou várias pessoas? Eu nunca vi. Juro. E quantas vezes vimos essa mesma notícia com um motorista bêbado? E a bebida é legal e vende na esquina.
        A questão está em torno de uma postura REPRESSIVA por parte do Estado que está gerando resultados muito negativos. O combate às drogas gera 100 vezes maiítimas que as próprias drogas. É como se estivessemos matando ratos com tiros de bazuca.
        Os EUA inalguraram esta postura repressiva contra as drogas. Inclusive nos EUA ocorreram o melhor exemplo que a postura proibitiva não é uma boa abordagem. Durante a decada de 30 foi proibido o consumo de alcool no país, e a produção e venda de bebidas foi severamente combatida pelo governo, inclusive com uma agencia própria. Mas como resultados foram criadas grandes máfias de produção e venda de bebidas, que eram fortemente armadas e usavam o dinheiro arrecadado para corromper policiais, funcionários públicos, juízes, e autoridades. Foi o período de maior banditismo da história recente dos EUA, tendo como seu expoente EL CAPONE. Bem parecido com o nosso Rio, não? E logo que a proibição caiu as mafias perderam o poder.
        O combate ao tráfico de drogas é caro e inefetivo, muito mais vantajoso seria liberar e cobrar impostos (como se faz com alcool e cigarro, que tem tributação de 87% e 89%, respectivamente), e com o dinheiro arrecadado tratar os casos necessarios como casos de saúde pública e não casos de penitenciária.
        Uma pessoa que vá parar em um Penitenciária Brasileira, onde o estado não garante nem a integridade básica de uma pessoa, leia-se, não garante nem que alguem não vá ser estuprado, é uma agressão totalmente desproporcional, pois o que há para se aprender em uma Cela lotada onde não dá nem para sentar? Maconha nunca deve ser motivo para levar uma pessoa para a prisão.
        Devemos deixar de ser hipócritas, pois o traficante (que só existe porque o produto é proibido) pode matar uma pessoa que nunca usou nenhum tipo de droga. Ser contra as drogas não faz os traficantes desaparecerem.
        Sou a favor da liberação das drogas com o objetivo de acabar de vez com o tráfico. Se alguem ficar dependente, procura um médico. Se fumar e atropelar alguem, que seja julgado pelos seus crimes. Cada um que faça as suas escolhas, do jeito que podemos escolher comprar uma arma e dar um tiro em alguem, ninguem pode impedir alguem de comprar um espeto de churrasco e enfiar o espeto em um desafeto, mas nem por isso os espetos são proibidos. Nem as armas são proibidas, nem o alcool, nem o cigarro… e a Maconha, porque?
        Vamos legalizar e cobrar impostos.

  5. Obrigado pela divergência que o MUITO PELO CONTRÁRIO me proporciona de uma maneira livre e democrática.
    Sou totalmente a favor da Ciência da mesma forma que sou a favor do tratamento do usuário de droga.
    Acredito no ‘tratamento’ mas acredito mais na ‘prevenção’ dos malefícios.

    1. Se vc se preocupa com as drogas, guarde suas energia para as sintéticas, pra cocaína (crack incluso) e heroína.

      Qdo o Estado destinar toda sua energia pra combater isso, é pq talvez exista uma solução no horizonte.

  6. A polêmica é muito boa. Continuo divergindo que é uma droga “tão inofensiva”.
    1 – Há duas diferenças básicas:
    – descriminalizar a venda e
    – fazer propaganda da maconha.
    2 – O enorme número de dependentes de álcool está relacionado com a propaganda de bebidas alcoólicas, principalmente a cerveja.
    Depois da proibição de propagandas de cigarro, o tabagismo diminuiu e iniciou uma campanha séria de conscientização dos malefícios do tabaco.
    3 – Quanto ao Estado, acredito que está começando a aparecer um programa bem postado iniciado no RJ.
    O reconhecimento deste trabalho: em recente entrevista ao Jornal espanhol ‘El País’, sobre a descriminalização do consumo de drogas, FHC (que para mim é uma pessoa ‘não grata’ – o que não vem ao caso) questionado sobre países com “modelos adequados” citou Portugal e Brasil e ainda declarou: “Agora se colocou em prática um sistema de polícia pacificadora que está contribuindo muito para reconhecer e proteger os viciados. As pessoas do atual Governo, que não é do meu partido, têm neste assunto uma posição muito mais próxima da minha.”
    4 – Continuarei divergindo que é uma droga “tão inofensiva” mas também apoiarei atitudes efetivas como as UPP/RJ. No papel dá para se falar quase tudo mas a ação é mais objetiva. Pelo menos na área que atua fico diretamente de frente para o problema.
    5 – Não é uma droga “tão inofensiva”!

    Obrigado pelo espaço democrático.

    1. O problema, é que como não houve uma discussão profunda na sociedade, a flexibilização que ocorreu (por exemplo no caso do usuário que planta e não vende) é cheia de lacunas.

      Lacunas que colocam o usuário numa posição de dependente, não dá droga, mas do humor dos agentes do Estado. A politica pra ser efetiva tem que ser clara, sem buracos (ver Bolsa-Familia: Vamos dar uma pequena renda para os mais miseraveis, com algumas condicionalidades. Se tivesse dezenas de condicionalidades como queriam os tucanos, milhares de miseraveis continuariam miseraveis. Se dependesse de “portas de saida” criadas no começo do programa, milhões de brasileiros nao teriam saido da miseria. Entao o fato da politica ser clara, a tornou efetiva, o que permite que posteriormente se evolua nesses pontos que citei).

      O que falta é isso, a sociedade discutir esse assunto, a fim de dar tranquilidade aos entes politicos para gestar uma legislação clara sobre a politica sobre drogas.

      Sobre o espaço democratico, disponha, a casa é nossa.

      Abçs,

  7. Vamos apenas legalizar a cannabis para combatermos a entrada do crack e não favorece-lo.
    Com toda certeza diinuira a violencia com a redução do numero de usuarios de cannabis que irão até o traficante.
    Consequentemente teremos menos supostod macônheiros que agora sempre chamados de traficantes, para terem direito a bala na cabeça.

  8. Henrique perde credibilidade ao colocar informações de fontes não confiáveis e creditá-los a cientistas inexistentes.
    A falta de informação sobre o assunto faz com que as pessoas deduzam o que acharem mais conveniente, porém ao pesquisar, concluímos que a proibição da maconha está mais relacionada a preconceitos étnicos e/ou religiosos do que a argumentos científicos.
    Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou apenas uma válvula de escape. “Dependência de maconha não é problema da substância, mas da pessoa”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina. Segundo Dartiu, há um perfil claro do dependente de maconha: em geral, ele é jovem, quase sempre ansioso e eventualmente depressivo. Pessoas que não se encaixam nisso não desenvolvem o vício. “E as que se encaixam podem tanto ficar dependentes de maconha quanto de sexo, de jogo, de internet”, diz.

    “Maconha mata neurônios.” Essa frase, repetida há décadas, não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses de elefante em ratinhos -, mas nada foi encontrado.
    Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades cognitivas do usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória. Sabe-se que o usuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de curto prazo prejudicada. São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias que parecem geniais durante o “barato”, mas não conseguem lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso acontece porque a memória de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse “desligamento” da memória que o usuário perde a noção do tempo). Mas esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar que tudo volta a funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio, que fica mais lento quando o usuário fuma muito freqüentemente.
    -Coração
    O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos e, para compensar, acelera os batimentos cardíacos. Isso não oferece risco para a maioria dos usuários, mas a droga deve ser evitada por quem sofre do coração.
    -Infertilidade
    Pesquisas mostraram que o usuário freqüente tem o número de espermatozóides reduzido. Ninguém conseguiu provar que isso possa causar infertilidade, muito menos impotência. Também está claro que os espermatozóides voltam ao normal quando se pára de fumar.
    -Depressão imunológica
    Nos anos 70, descobriu-se que o THC afeta os glóbulos brancos, células de defesa do corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou relação entre o uso de maconha e a incidência de infecções.
    -Loucura
    No passado, acreditava-se que maconha causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se que a droga pode precipitar crises em quem já tem doenças psiquiátricas.

    A informação eleva o espírito.

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