O preconceito, a primeira-dama e a Dilma com isso.


A Marisa já foi tão (ou mais) satirizada que o próprio Lula. E sempre se manteve serena e discreta. Virtudes que somente grandes seres humanos conseguem desenvolver.

Muitos, na ausência de argumentos, repetem como maritacas, que uma primeira-dama deveria cuidar da área social. Não, não devem, seus estúpidos. O desenvolvimento social de uma sociedade é tão importante qto o desenvolvimento econômico (ou seria mais?) e, para que ele ocorra de maneira efetiva, é preciso profissionalismo. Ironicamente, essa foi uma das maiores virtudes do governo Lula, priorizar o desenvolvimento social.

Eis que essa opção pela discrição, causou uma inexplicável, fúria de muitos. Se alguém duvida dê uma olhada nos comentários no Estadão. Alguém pode me explicar pq as pessoas são assim? Digo, preconceituosas, racistas, elitistas, ignóbeis,  patéticas, estúpidas, ignorantes, obtusas (entre outros)?

Mas isso é reflexo da sociedade brasileira, afinal “não somos racistas”, “nem somos preconceituosos”, tampouco “somos machistas”. Ao ler tais comentários tento imaginar como seriam essas pessoas, e sinceramente, não consigo visualizar ninguém assim sequer próximo de mim.

Será que esse lado sombrio só é libertado na ausência de um espelho ao se escrever? Que tipo de pessoa pode ser tão doentia e frustrada pra escrever esses absurdos? Será que no fundo, muitos dos que me cercam pensam exatamente assim, mas não tem a coragem de expressar sua visão preconceituosa e distorcida da realidade?

E o pior, é que aparentemente, quem faz os comentários mais ofensivos são mulheres. Eis uma faceta da personalidade feminina que (ainda) não compreendo (todos os outros aspectos, creio que já compreendo bem). Como podem ter tanta raiva de qualquer outra mulher assim? Outro ser humano que sofreu com o machismo como elas sofreram? É inacreditável os argumentos que  tenho escutado de outras mulheres contra a Dilma. Nada racional, puro veneno.

Será que aí está a chave para compreender por que ela, sendo a primeira mulher com possibilidade real de ocupar o cargo máximo da nossa sociedade, sofre tanta rejeição entre as suas companheiras de gênero? Mais que qualquer político homem jamais teve?

‘Ex-presidente não tem que se meter no governo’ « Sonia Racy

‘Ex-presidente não tem que se meter no governo’

11 de julho de 2010 | 23h00

Direto da fonte


A primeira-dama Marisa Letícia cortou, ela mesma, seus cabelos ao ver o Brasil ser eliminado da Copa.

A derrota do Brasil na Copa do Mundo tirou a primeira-dama Marisa Letícia do sério. Durante momento de tristeza profunda, ela passou a mão na tesoura e cortou os próprios cabelos. Mesmo sendo reconhecida pela família por saber aparar, desta vez ela não acertou. E procurou na segunda-feira passada, Wanderley Nunes. Quis consertar o mal feito que resultou em pontas tortas. Às 16h, a coluna encontrou a mulher do presidente Lula com a manicure Eliane Silva caprichando nas suas unhas, em canto reservado do salão. Acomodada em uma cadeira alta, unhas ganhando a coloração “Salto Alto” (vermelho vibrante da Colorama), Marisa Letícia foi simpática na aproximação da repórter. Suas sobrancelhas já estavam cobertas por leve camada de tintura e seus cabelos molhados esperavam as novas mechas loiras e corte.

Em clima descontraído, Nunes, seu cabeleireiro há oito anos, chega depois da primeira-dama e logo observa: “Dona Mariiiiisa, eu estava te vendo de longe e achei a senhora parecida com o Rod Stewart“. Gargalhadas gerais. Ao lado da dupla, a fiel nora Marlene Araújo, casada com Sandro, acompanha os trabalhos de Wanderley com atenção. É para ela que a sogra reclama em tom de brincadeira: “Aí, Marlene, ele não para de cortar. Cuidado, Wanderley, menos, senão meu cabelo vai enrolar”. Com a segurança de quem sabe o que está fazendo, o hairstylist responde: “Pelo amor de Deus, dona Marisa, se comporte. Não posso deixar nenhuma ponta”. Novas risadas.

Sem se incomodar com as tiras de papel alumínio na cabeça, que aceleram o processo de coloração, a primeira-dama aproveitou para se atualizar sobre os preparativos do leilão que ambos organizam em prol da favela de Paraisópolis, dia 16 de agosto, no Buddha Bar. Essa seria a primeira grande recepção do novo restaurante do cabeleireiro, o Café Barbeiro, mas um imprevisto no contrato adiou a inauguração. “A Gisele Bündchen doou um vestido. O Carlos Slim prometeu mandar alguma coisa e comprar também. E o Jay Milder dará um quadro de US$ 250 mil”, explica Nunes, entusiasmado.

Cabelos já coloridos e arrumados, dona Marisa passa para outra sala, onde se maquia: preparação para sessão de fotos feitas pelo próprio dono do estúdio de beleza. As imagens vão ajudar a divulgar o leilão.

Ao entrar em um provador de roupas e experimentar blusa com laço, de Glória Coelho, e colar com graúdas bolas de cristal, dona Marisa não se sente confortável com as peças. Faz e desfaz o laço e pergunta: “Tá bom? O que vocês acham?”. Em coro, os pouquíssimos espectadores elogiam: “Está lindo, superchique”. Ela não se convence e sentencia: “Muito perua. Fica bom nos outros, mas não em mim”. Volta ao provador e experimenta outra camisa da mesma grife. “Agora melhorou, combina mais comigo.” É fato que nos oito anos vivendo ao lado do comandante político do País, Marisa Letícia mantém postura discreta, característica que se repete em sua fala: baixa, pausada e comedida. Foi em meio à tarde de beleza que ela concedeu rara entrevista à coluna.

Já estão em clima de despedida no Palácio?
Não, de jeito nenhum. Vamos reinaugurar o Palácio do Planalto agora. Está clima de entrada em palácio novo. Tem mais seis meses de trabalho, ainda muita coisa por fazer.

Depois do mandato de Lula, pretende descansar? Por que descansar? A nossa luta continua. Tem que montar escritório, nós vamos ter que continuar trabalhando.

Vai fazer festa de despedida? Vou fazer a festa que faço todo ano para funcionários. Sempre um sábado antes do Natal. Daí passo o Natal com meus filhos e eles vão para Brasília ou a gente vem para cá. Não estou pensando em despedida, não, depois já vem o fim do ano…

Já decidiu onde vai morar? São Bernardo, Brasília, NY…? Em São Bernardo. Estou indo para a minha casa dia 1º de janeiro. Depois, não sei no que vai dar. Se eu morar longe, vou ter que levar o Wanderley (cabeleireiro) e a Rosa (assistente) (risos). Não gosto muito de Brasília para morar. E outra, acho que ex-presidente não tem que se meter no governo que está começando. Tem que fazer outra coisa. Montar instituto, arrumar o trabalho dele, viver aqui em São Paulo comigo.

Como a senhora vê a parcela da população que não quer que Lula deixe o governo? Mas já venceu, não dá pra mudar a lei. A gente vive numa democracia, se não a gente vai ficar que nem esses outros países em que a mesma pessoa fica 20, 30 anos (no poder) e nunca quer mudar.

E o que acha de Brasília?
Eu gosto do clima de lá. A moradia fica perto do serviço. Não tem esse trânsito. O que acontece é que eu sou nascida aqui e é onde tenho toda a minha estrutura.

Sobre São Paulo, sente falta dos serviços daqui? Sinto, mas não muito porque eu venho para cá ou para o Rio cortar com o Wanderley ou ele vai para Brasília. Mas sinto mesmo falta dos meus filhos, netos. Tenho uma nora que está grávida, a Renata, mulher do Fábio. Com sete meses ela nem pode mais viajar. E não gosto de shopping center, sou mais de ver um filme em casa. Com o tipo de vida que a gente leva, quase não dá para sair.

O presidente também gosta de ver filme em casa? Gosta.

Qual foi o último que viram? Ah, faz tanto tempo que eu nem lembro.

O que achou do filme Lula, o Filho do Brasil? Gostei. Mas eu não tive muito tempo para ver, só vi aquele dia lá (na pré-estreia para convidados), mas sempre tinha alguém conversando, puxando papo. Ganhei a fita, mas ainda não consegui assistir direito.

A senhora acha que Lula deu certo no governo? Ele dá sempre certo. O Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos duas vezes. Presidente do PT duas vezes e agora presidente do Brasil duas vezes. A gente sabe que a nossa vida é isso, é passagem. Agora acabou o nosso tempo. É pegar uns dias para dar uma descansada e começar a trabalhar de novo. E deixar o governo andar. Tenho certeza que vamos ganhar, então vamos deixar a Dilma trabalhar sem se meter muito. Lula volta para o partido dele e é o que ele está fazendo, todo mundo sabe. Ele mesmo fala isso. O povo tá bem feliz, a maioria conseguiu comprar casa, carro.

A senhora é uma primeira-dama discreta, né? Nada contra quem não é. Mas eu sempre falo que primeira-dama não é cargo. Não fui eleita para nada, eu não sou candidata a nada. Peguei esse cargo por causa do meu marido, mas não sou remunerada, não sou nada, sou apenas mulher ou companheira, igual ele fala. Eu faço a parte que gosto. Trabalho com crianças, sou madrinha ali, madrinha aqui. Por que primeira-dama tem que assumir o social? Tem primeira-dama que não tem vocação e acaba trabalhando numa área que nem é dela. Este não é o meu caso, porque faço trabalho social desde novinha.

Para isso serve o Ministério do Desenvolvimento Social?
Sim, por isso foi criado o ministério social, que agora está com a Márcia Lopes. Eu acho que eles têm que ter essa responsabilidade, ser pagos e trabalhar direitinho como ministro. O ministério comanda e não fica sobrando para primeira-dama. Ela pode ajudar no social, claro, e em qualquer área: saúde, educação, como voluntária.

Vai participar da campanha da Dilma também? Vou, com certeza.

Pretende participar de caminhada política? Vou. É o que eu mais gosto de fazer. Agora o Lula vai começar a fazer campanha, vai vir mais para São Paulo.

A senhora emagreceu. Está fazendo dieta? Emagreci, sim. Eu pesava 62 quilos e agora estou com 57. Fechei a boca e parei de comer carboidrato. Agora o Lula fica viajando de um lado para o outro e acabou engordando um pouco.

Gostou do novo corte de cabelo da Dilma? Está melhor do que estava. Eu gostei. Mas cabelo de mulher é tão difícil, né? Acho que ela está bonita agora, está se arrumando, se pintando.

Por que a senhora resolveu cortar seu cabelo? Fiquei nervosa porque a seleção perdeu e cortei.

O que achou da eliminação da seleção brasileira? Eu fiquei muito triste e o Lula também. A gente não esperava, mas na próxima a gente ganha, se Deus quiser. E com mais gostinho, em casa, na nossa língua. Só tem que torcer para viver até lá (risos). Tem mesmo.

Ficou com pena do Dunga? Fiquei, sim. Ele tem história, foi um grande jogador.

O que o presidente disse quando a seleção perdeu? Sabe que não deu tempo de falar com ele. Eu vim para SP, ele viajou. Mas fica todo mundo triste, não dá nem vontade de falar, né? Até no avião estava todo mundo triste. Também, a gente só quer ganhar, né? Nunca perder. Também tem que perder para o outro ganhar… Só quer ganhar, ganhar.

A senhora gosta de ser a primeira-dama do Brasil? Não. Eu gosto de ser Marisa.

Por Paula Bonelli

9 comentários sobre “O preconceito, a primeira-dama e a Dilma com isso.

  1. Até a mulher do lula é um espetáculo, né mesmo? Nem vou lá nos comentários, não aguento mais ler essas bobagens.

  2. Deixem os 5% insatisfeitos irem lá na Sonia Racy se divertirem no espaço que é dos seus iguais. Afinal, esse tipo de gente, obtusa, amarga, infeliz mesmo, não podem ou não têm coragem de expor o que pensam abertamente. Seria o ridículo sendo exposto.
    Assim, nem me importo quando “ouço dizer” que no site x, y ou z, o espaço para comentários está recheado de agressões, preconceitos, calúnias, racismo, injúrias, etc. Certamente são espaços onde não irei… Fazer o quê lá?
    Não vou encontrar pessoas simples, humanas, fraternas, compreensivas, humildes, amigáveis…
    O fel amargo que despejam quando escrevem, é o retrato fiel das suas personalidades doentias, obcecadas que estão com o fato de que seus textos são a síntese de uma minoria esquálida, que, sem rumo nem propostas, vagam perdidas com o absoluto sucesso daqueles a quem atacam.

    Não há escapatória… estão fadadas ao fracasso, assim como os valores e políticos que defendem. E verão, incrédulas e desesperançadas, o bem vencendo o mal, a esperança vencendo o medo, o Brasil real vencendo o do faz-de-conta.

  3. Sabemos, Fernando, mas são sempre os mesmos, imagino eu. Em portais de notícias nunca há comentários que valham a pena ler. Prefiro ficar só com a matéria, que gostei.

    Não é um pouco como no tempo de escola, ignorar a turma do fundão?

  4. Muito bom, Marcelo. Mesmo em S.P., onde não se trata de uma minoria esquálida, eu evito bater murro em ponta de faca. Afinal, quem não compreende o mundo é quem sofre ao vê-lo mudar. Acho que é mais para ter pena que raiva. (No caso, de quem sofre a manipulação, quem manipula conscientemente é diferente.)

  5. Caro Gunter,

    O que não podemos deixar de observar é se esse tipo de opinião, apenas destrutiva e rancorosa, parte de pessoas sem informação ou se é apenas preconceito, opinião formada deliberadamente, baseada na pura e simples inveja e percepção de que a festa tem (agora) novos convidados, não apenas os mesmos de sempre.

    Aqui na Bahia se cultivou durante muito tempo a figura personalista de ACM, mesmo com a alcunha de “roubava, mas fazia”. Mesmo sendo uma meia-verdade, pois roubava e nada fazia, tinha (e ainda tem) um séquito de seguidores e admiradores. A informação da roubalheira era farta, assim como as visíveis precariedades que o estado vivia em todos os setores.

    Acostumou-se a uma cultura de obras de fachadas, “para inglês ver”, e uma pregação diuturna da figura mítica na tv (própria) e nas demais.

    Ou seja, sabia-se que não prestava, mas martelava-se a todo momento que “ruim com ele, pior sem ele”. O povão ia junto… A informação abundante, mas distorcida e muitas vezes mentirosa, produzia uma espécie de unanimidade burra.

    Quando o nível de insatisfação diária e contundente crescia, produzia espamos de esperança de mudança. Foi assim com a eleição de Waldir Pires e depois, com a de Lídice da Mata, ambos axincalhados e sabotados todos os dias, na tv dos Magalhães e nos meios políticos.

    O preconceito de uma parcela da população brasileira, que não se conforma com a ascenção de pessoas ditas inferiores por eles, a uma nova condição de protagonismo econômico, social e político, os torna cada vez mais agressivos. Noto, que os valores e as indignações dessa parcela são seletivos, mudando ao sabor dos ventos dos seus interesses.

    Sendo assim, percebendo que estão defendendo o status quo e desejando que as mudanças que porventura ocorram, sejam para deixar tudo como está, sou seletivo nas minhas leituras e busca de novas informações. Afinal, se eu já sei o que vou encontrar nas colunas-esgoto de parajornalistas, o que acrescentarão às minhas convicções e incertezas?

    A minha reflexão sobre o atual momento brasileiro se dá pela ponderação de diferentes fontes de informação, pesando as circunstâncias, os atores, os interesses, e claro, a legitimidade e confiabilidade do interlocutor ao transmitir a informação.

    Por isso mesmo, não deixo de visitar blogs como este aqui.

    Abraço.

  6. Isso tem sido desde que Lula assumiu o comando da nação. Não só a Marisa, mas o próprio presidente e seus familiares tem sido motivo de chacota de revistas e emissoras de tvs abslutamente partidaristas e elitistas. As mesmas que promoveram o golpe de 64.

  7. Comentário impecável Marcelo. Os 4% que não gostam do governo Lula são incapazes de analisar objetivamente a melhoria de vida do povo brasileiro e o crescimento do país nos últimos 8 anos. A direita conservadora pensa política com o fígado. Eles querem aparência e uma pretensa elegância dos governantes. Eles odeiam simplicidade e, no fundo, odeiam o povo batalhador que luta dia-a-dia na esperança de uma vida melhor. Essa elite verá, da sua torre de marfim, a Dilma vencer essas eleições.

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