Visualizando e analisando melhor o Datafolha – I

Antes de mais nada, algumas considerações:
  • Os gráficos abaixo foram feito propositalmente usando a pesquisa antiga do Datafolha (24/05/2010) pq quero comparar os resultados e as alterações. Em breve atualizarei as planilhas com os dados novos (02/07/2010).
  • Estou usando, exclusivamente, os dados do Datafolha por uma questão estratégica. Numa situação como a atual, temos duas opções: i) encarar as pesquisas negativas à Dilma (que apoio) como sendo mentiras e manipuladas (o que é válido tb, mas não será a minha abordagem) mas com isso corremos o risco de nós cegar para os problemas reais ou ii) aceitar que o Datafolha consegue perceber, devido à sua metodologia ímpar, pontos frágeis na candidatura da Dilma que devem ser considerados pelos estrategistas da campanha. Nós debruçar sobre os dados e estabelecer um plano para ataca-los. Relembrando: a decisão num primeiro turno, é por estratégia. Não por favoritismo.

Tenho repetido aqui. A Dilma precisa construir e melhorar o seu discurso para a área ambiental. Precisa se conectar com os mais jovens. Que ela possui um discurso eficiente para os desenvolvimentistas já sabemos. Não estou pedindo que abandone sua visão, mas que construa um discurso para um futuro sustentável. Qdo ela foi em Copenhague foi eclipsou a Marina. Mas aquela estrategia não teve seguimento.

Além disso, acho incrível o PT e a Dilma terem esse desempenho ruim, tendo na vitrine um Prouni e um Projovem. Talvez o Enem tenha a ver com isso. Mas lembrem-se que esses eleitores dificilmente assistem ao horário eleitoral gratuito. Não devem ser menosprezados, além de serem uma base para as eleições futuras, essa faixa representa quase 17% do eleitorado (veja as estatísticas no site do TSE pra entenderem o peso de cada um).

Para as faixas etárias de 45 a mais de 60 (mais de 38% dos eleitores) acho que o Governo Lula tem muito o que mostrar. Deu aumentos reais aos aposentados, acabou com as filas no INSS, entre outras benfeitorias que serão massificadas nos programas do João Santana.

Mas acredito que um ponto a ser melhorado é o “discurso de palanque”. Esse eleitorado é mais susceptível à essa forma mais tradicional de se fazer política. E convenhamos, apesar da Dilma estar se saindo muito bem nas entrevistas televisivas, ainda tem muito o que melhorar nesses discursos. Pra mim, 1º de maio foi terrível. Sem metáforas, sem frases de efeito.

Mas a culpa não é só dela. Não sei quem é o ghost-writer dela. Sei que o do Obama era um “moleque”. E isso é importante. É pouco de arte, um pouco de técnica e muita, mas muita inspiração. E não adianta tentar imitar o Lula. Esse ai é de outro planeta. Tá ligado com o povo de uma maneira transcendental. Até qdo xinga ou erra, dá certo. Tem que ser algo escrito para ela, com ela.

Essa é uma “visão” que a mídia tentou analisar e emplacar diversas vezes. Por preconceito e estupidez mesmo. Tipo: vota no PT e o Lula, é analfabeto. vota no PSDB tem curso superior e é bem informado (lendo esses jornais ai?). E agora?

Essa analise sumiu do noticiário. Afinal como explicar a Dilma (que é PT) tem a fatia maior de eleitores com maior escolaridade? Inexplicável só para eles, que queimaram todas as pontes com a razão ao usar toneladas de querosene de preconceito.

Para se analisar é esse desempenho da Marina. Entender e tentar atacar essa área. Eu particularmente, acho que o discurso ambiental é a chave desse desempenho. Esses caras com curso superior e bem informados (sei…) assistiram “Uma verdade inconveniente” e choraram como adolescentes no fim do “Crepúsculo”.

Renda é um dos melhores “proxys” pra se analisar a efetividade de um discurso político. É no bolso que doí mais, é no bolso que o cérebro via buscar as justificativas para o voto. Por isso tanto equilíbrio entre o Serra e a Dilma. Por enquanto. Afinal o cenário atual é uma mídia criticando até um crescimento do PIB de 9%, repetindo que o PAC está emPACado, reclamando da queda do desemprego, etc.

E vai ser ai que a articulação do Lula trazendo o PMDB para a coligação e montando uma aliança tão forte vai mostrar sua importância. Os marqueteiros da Dilma tem tanto tempo a mais que podem se defender dos ataques e ainda fazer a divulgação dos avanços econômicos que o Governo Lula trouxe.

Melhor desempenho da Marina, com 22%, mas acho que não se sustenta, com o pequeno tempo que lhe restou. Já disse, que não a subestimo, mas acho que articulação política do Lula fez e vai fazer a diferença.

Esse é o dado mais repetido e analisado, nem é preciso discorrer sobre o assunto. O lance é ganhar no Nordeste. Não sair muito mal em SP e bem no RJ e MG. Atacar o Sul (por isso o lance genial no PR) e empatar no Norte/Centro-Oeste. Não vou comentar, o Gunter já fez uma analise exaustiva dessa divisão.

É olhando o mapa e fazendo as ponderações que se começa a construir uma candidatura. Tipo, lição de casa. A do PT e da Dilma já está feita e vem sendo executada. Agora podem se dar ao luxo de atacar as posições aonde tem um desempenho ruim. Chamo a atenção para não cair na armadilha do discurso único.  Achar que o discurso para as capitais é o mesmo para o interior (por isso a decisão do TSE é tão estranha). A divisão é micro-regional. Essas nuances, não podem ficar de fora da estratégia eleitoral.

PS.: Comentários são bem vindos. Sei que tem muita gente, mas muita mesmo, que lê e tem algo a dizer, mas acabam não fazendo. Não entendo pq. Isso é só um blog. E todo mundo sempre tem algo a acrescentar, ou corrigir. Sobre qualquer coisa.

2 comentários sobre “Visualizando e analisando melhor o Datafolha – I

  1. Acho q vc está certíssimo quanto aos jovens. Acrescento apenas que, em conversas de padaria, vejo muitos comentários elogiosos sobre ela sempre falar no discurso sobre a eliminação da pobreza como um dos objetivos. Esse discurso tem conquistado muita gente. Não sei se vc tem razão quando afirma que os jovens não assistem ao horário eleitoral! Acho q aí é q se conseguirá falar pra essa parte do eleitorado!
    O Instituto Empreender e a Universidade da Juventude lançaram no dia 22 de junho o primeiro portal de informação juvenil, o InfoJovem (www.infojovem.org.br). A elaboração do projeto foi financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social da pasta. Segundo a coordenadora técnica do Instituto Empreender, Mariza Soares, o portal tem o objetivo de oferecer informação de qualidade ao jovem e promover a inserção social. O site também se propõe a divulgar oportunidades de estágio e de emprego e a construir um banco de dados sobre políticas públicas de juventude. De acordo com o ministro interino da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, o portal também busca a interação entre a sociedade e instituições federais. De acordo com Elias, o ministério tem interesse em manter o site. “O governo federal é parceiro dessa ideia. Preparem um projeto e eu tenho certeza de que nós faremos um esforço para manutenção desse importante empreendimento”, declarou o ministro interino.
    O Presidente Lula publicou dia 22 de junho no Diário Oficial da União a lei que reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro pela destruição da UNE em 1964 (Lei n˚ 12.260). De acordo com a lei, será criada uma comissão para definir o valor e a forma da indenização, que não poderá ultrapassar o limite de seis vezes o valor de mercado do terreno onde ficava a sede da UNE, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro.
O grupo será composto por um representante dos ministérios da Justiça, Educação, Fazenda, Secretaria-Geral da Presidência da República, Secretaria Especial dos Direitos Humanos e do Planejamento. O grupo de trabalho também contará com um representante da Câmara dos Deputados e um do Senado.
    O Governo Lula lançou ontem o programa “Cinema perto de você”, que tem como objetivo estimular, com financiamento do BNDES, a construção de 600 novas salas de cinema em todo o país. A meta é fazer com que todos os municípios com mais de 100 mil habitantes ainda sem salas passem a tê-las. São 89 cidades nessas circunstâncias. O BNDES dispõe de R$ 500 milhões para o programa. Municípios com população entre 100 mil e 500 mil (146 no total) que já têm salas de cinema também poderão aderir ao programa, bem como cidades acima de 500 mil.
    “Quando peguei o Ministério das Minas e Energia, tinha um engenheiro e mais de dez motoristas”, disse Dilma Rousseff, justificando a necessidade de mais concursos públicos e rechaçando a acusação de inchaço da máquina no Governo Lula.

  2. Não entendo o sul-sudeste…aqui no nordeste mesmo quem é anti-pt não consegue negar o crescimeto e a melhoria de vida. Ai no sul/sudeste é diferente? aqui o PSDB/DEM/PPS não tem espaço para campanha estão sendo sufocados. E ai no sul/sudeste é difernte?

    Não entendo como pedagios, alagamentos, desabamento do rodoanel, violencia contra professores e alunos redem tanto apoio a Ze serra.

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