Essa boca maldita


Foi só recuperar um artigo de 1998 e ironizar a tentativa do ocidente em flexibilizar o renmbini (yuan é a unidade de conta, renmbini o nome da moeda, segundo o Krugman) que esses chineses (im)previsíveis me fazem passar vergonha.

Pois é, não é que foi um anúncio e tanto, pro Obama? Aproveitando, diferentemente do que os “especialistas” em câmbio já apareceram afirmando que a medida terá efeitos limitados sobre o Brasil, eu ouso discordar, por dois motivos.

O primeiro, a economia brasileira tem se mostrada muito mais dinâmica e resiliente que a teoria econômica sempre previu (sim estou sendo sarcástico). Qdo tem um pequeno estimulo – isso mesmo, comparado aos estímulos dos países desenvolvidos foi relativamente pequeno –  o crescimento do PIB foi além do previsto.

Não obstante, o Brasil está com um dos melhores desempenhos fiscais no pós-crise, a despeito de tudo que sai no patético jornalismo econômico. A inflação, a despeito do que o mais pessimista esperava, já dá sinais de arrefecimento. O que não pode ser mais aprazível aos ouvidos desse bicho arisco chamado Mercado.

Segundo, não dá pra saber até qual vai ser a dimensão dessa flutuação. Mas dependendo da magnitude pode ser uma medida salvadora para as contas externas brasileiras, que diga-se de passagem, precisam somente de um alívio, já que a perpectiva para as exportações, tanto no quantum exportado, quanto na valorização dos preços continua boa.

De qualquer forma, com tanto assunto pipocando na grande área, eu tinha que desenterrar logo esse? Logo nesta semana?

PS.: Esse post era pra ter saído ontem né? Mas sabe como é, Copa, Dunga, CALA BOCA TADEU SCHIMDT, etc.

PPS.: Parece que eu estava certo. Foi um anúncio e tanto. Os mercados reagiram positivamente, mas tb, andavam tão tristonhos…só cuidado com a ressaca.

China anuncia flexibilização gradual do iuan – O Globo

China anuncia flexibilização gradual do iuan

Plantão | Publicada em 19/06/2010 às 17h41m
Reuters/Brasil Online

Por Michael Wei e Alister Bull

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) – A China anunciou no sábado que vai gradualmente tornar o iuan mais flexível, em um gesto que poderá evitar críticas na reunião de cúpula do G20 na semana que vem, mas a medida não deverá significar uma grande mudança no câmbio do país.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que deu uma alfinetada na China na questão do iuan em uma carta divulgada na sexta-feira, recebeu bem a notícia, indicando que o perigo de um confronto de mercados seria agora menor na reunião do Grupo dos 20 no Canadá.

“A decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua taxa de câmbio é um passo construtivo que pode ajudar a garantir a recuperação e contribuir para uma economia mundial mais equilibrada”, disse Obama em nota.

Outros líderes ocidentais e o Fundo Monetário Internacional também expressaram otimismo com a concessão de seu importante aliado estratégico, o que melhora as chances de sucesso na reunião que ocorre de 26 a 27 de junho.

Mas o anúncio do banco central chinês, que sugere que o país está pronto para romper com seu câmbio fixo, atrelado ao dólar há 23 meses, exclui explicitamente uma reavaliação isolada ou uma grande valorização do iuan.

“Não existe base para uma valorização importante da taxa de câmbio do RMB”, disse o Banco Popular da China.

O iuan é também conhecido como renminbi ou RMB.

O câmbio atrelado ao dólar vem recebendo críticas intensas internacionalmente, uma vez que a potência exportadora recuperou-se rapidamente da crise, enquanto a maior parte da economia mundial continuou lenta e afetada pelo desemprego e pela crise financeira.

A China foi acusada de manter o iuan artificialmente desvalorizado diante do dólar, o que contribuiu para um superávit gigantesco do comércio da China com os Estados Unidos.

A China manteve o iuan numa taxa de 6,83 diante do dólar desde julho de 2008, a fim de evitar que o rápido crescimento de sua economia fosse desacelerado pela crise financeira causada pela crise de crédito nos EUA.

GUERRA COMERCIAL

A paciência dos EUA com Pequim em relação ao iuan estava se esgotando e deputados federais ameaçaram penalizar o país por sua estratégia, que prejudica as exportações dos Estados Unidos.

O senador democrata Charles Schumer, um dos principais críticos do câmbio chinês, disse que a declaração da China é vaga demais e prometeu que vai prosseguir com ações para criar barreiras comerciais.

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, que adiou a publicação de um relatório que citaria a China como um manipulador de câmbio, também frisou que as ações da China falarão mais alto que suas palavras.

“Este é um passo importante, mas o teste será a intensidade e velocidade da valorização da moeda”, disse ele.

O relatório cambial, que deveria ter sido divulgado em 15 de abril, foi engavetado até depois do G20, para que a China tivesse tempo para agir.

Obama precisa da ajuda da China em várias questões delicadas, incluindo sanções contra o Irã e a Coreia do Norte por seus programas nucleares. Ele precisa equilibrar uma diplomacia discreta e a necessidade política doméstica urgente de se posicionar num confronto com a China em favor da criação de empregos nos Estados Unidos, antes das eleições para o Congresso em novembro.

Os líderes do G20 prometeram tratar desse desequilíbrio mundial. Mas a recente insistência de Pequim de que a cúpula seria o lugar errado para falar da flexibilidade do iuan poderia ter prejudicado a reunião e arruinado a confiança. A China reduziu esse risco com o anúncio de sábado.

“É uma iniciativa importante, já que demonstra o reconhecimento pelas autoridades chinesas de que um câmbio mais flexível é interesse da China e também admite sua responsabilidade para com a comunidade internacional”, disse Eswar Prasad, ex-chefe do núcleo chinês do Fundo Monetário Internacional.

A China afirma há muito tempo que não cederá à pressão internacional quanto à sua moeda. O banco central está fazendo o possível para reduzir as expectativas de uma valorização do iuan.

“Acreditamos que seja um gesto positivo, sugerindo que o iuan logo retomará sua valorização contra o dólar”, disseram os economistas da Goldman Sachs Yu Song e Helen Qiao.

A notícia poderá também diminuir o temor de uma disputa comercial entre os Estados unidos e a China num momento delicado para a economia mundial e poderá estimular os mercados de ações mundiais na segunda-feira.

(Reportagem adicional de Phil Smith, Lu Jianxin e Zhou Xin, David Lawder, Andy Sullivan, Emily Kaiser e Lesley Wroughton em Washington, James Kelleher em Chicago)

Apreciação do yuan pode provocar venda de Treasuries

sábado, 19 de junho de 2010 15:53

Apreciação do yuan pode provocar venda de Treasuries

NALU FERNANDES Agencia Estado

Tópicos: câmbio; china; yuan;

NOVA YORK – Economistas interpretaram o anúncio de flexibilização do yuan, feito neste sábado pelo BC da China, como um sinal de que, embora não se espere uma revalorização imediata, Pequim está preparada para retornar ao ritmo pré-crise de apreciação gradual da moeda chinesa em relação ao dólar. Para um analista do BNP Paribas, a decisão pode causar uma venda dos Treasuries, os títulos do governo norte-americano, na abertura dos mercados financeiros, na segunda-feira.

“Eu entendo que isto (o anúncio da China) significa que eles vão deixar de atrelar a moeda ao dólar”, afirmou Wang Tao, economista do UBS Securities. Hoje, o Banco do Povo da China (PBoC), o BC chinês, informou que decidiu avançar com a reforma do regime cambial e fortalecer a flexibilidade do câmbio.

Na avaliação do estrategista de moedas do BNP Paribas, Sebastien Galy, os Treasuries provavelmente vão experimentar um movimento de vendas com a valorização do yuan, quando os participantes do mercado retornarem aos negócios na segunda-feira.

Galy cita três efeitos possíveis da valorização do yuan, sem citar o tamanho da apreciação para a moeda chinesa. O comunicado do PBoC não informa a magnitude da apreciação da moeda, mas um conselheiro do BC chinês estimou que a banda de negociação do yuan vai voltar para 0,5% ante o dólar, nível que havia sido adotado em 2005. Amanhã, o BC chinês deve divulgar detalhes sobre anúncio do yuan.

Para Galy, o primeiro efeito possível em reação ao anúncio chinês é uma queda na quantidade de Treasuries comprados pela China, e outros na Ásia. Em 2005, lembra ele, houve vendas acentuadas de Treasuries.

O segundo efeito é que, no médio prazo, as pressões deflacionárias nos EUA, e especialmente na Europa, em relação às pressões inflacionárias na China, irão se acalmar. Ele cita que pressão deflacionária está no centro da crise europeia. No entanto, uma questão central para a Europa continua sendo o financiamento, e menores compras de dívida europeia, uma vez que a valorização da moeda chinesa não ajuda a Grécia e outras economias periféricas na Europa. Contudo, continua o analista, mais exportações para a Ásia/China vão ajudar os exportadores europeus. Esta é uma ocorrência positiva para a tomada de risco no médio prazo, diz ele.

Em terceiro lugar, é alguma dificuldade limitada para as moedas atreladas a commodities na abertura dos mercados. Ele cita que commodities estavam sendo compradas nos mercados, diante da combinação de inflação global, aversão ao risco e crescimento da China. “O primeiro (destes três itens) vai se enfraquecer e o terceiro pode sofrer um impacto temporário”, argumenta.

Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered Bank na China, também descarta uma apreciação conduzida de uma única vez. “Não se anuncia e depois se valoriza a moeda. Você valoriza a moeda e depois anuncia”, observou.

Depois de anos atrelando o yuan ao dólar, Pequim valorizou a moeda em julho de 2005 e, então, permitiu que avançasse 21% ante o dólar ao longo dos três anos seguintes. As autoridades tornaram a atrelar a moeda chinesa ao dólar em cerca de 6,8300 yuans em julho de 2008, quando a recessão mundial começou a ser sentida na economia chinesa. As informações são da Dow Jones.

5 comentários sobre “Essa boca maldita

  1. Muito bom você ter tocado no tema. É uma das notícias mais relevantes das últimas semanas. Mas agora vão dizer que o governo tem “sorte”… O Real poderá ficar em torno de R$ 1,80 por US$ e no final do ano Lula dirá que “nunca antes na história deste país” o PIB foi de US$ 2 trilhões… Bom, ele merece ter a oportunidade de falar isso.

    Eu ia fazer um post de gozação com o futebol, mas deixarei para amanhã para não prejudicar a visibilidade desse post (não sei como alterar a ordem em que aparece, vai sempre pra cima.)

    Eu já não gosto de futebol e as minhas vendas de livros estão no pior patamar desde a última copa. Argh! Acompanho também o total de vendas por portais de internet : junho/2010 é a primeira vez em que as vendas estão abaixo do ano anterior, desde que existe esse canal. Não há dados para lojas de rua, mas imagino que estejam pior… Ou vendendo figurinhas. Na próxima encarnação venderei vuvuzelas…)

  2. Essa decisão chinesa pode mexer com o mundo, dependendo do nível do ajuste. Melhor para o Brasil (contas externas). Quero ver como EUA e Europa vão responder nos próximos meses. PS: já perceberam que eu praticamente hiberno nos meus comentários nos blogs em épocas de provas. Tenho que tentar superar isso.

  3. Cara pode publicar, pq essa madrugada, vou despejar uma tonelada de posts que estavam no rascunho. Pq so volto a postar no fim de semana que vem.

    Abçs,

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