A artilharia de saturação da mídia e a resiliência de Dilma

“Resiliência é o nome do jogo. Conseguir resistir, e esperar o momento do contra-ataque.”

Começou. Demorou, mas finalmente começou. O estrondo das bombas se escuta de longe. Acho que os estrategistas da oposição (e da mídia, afinal, não é mais necessário diferenciá-los) após perceberem que os efeitos dos factoides isolados não funcionaram a contento, pois não conseguiram frear a ascensão da candidatura governista, resolveram postergar ao máximo o bombardeio em massa. Também, não deu. A ascensão foi antes do que o mais otimista dos dilmistas esperavam. Tiveram que antecipar.

Eles inicialmente achavam que após um ataque ou outro, aniquilariam facilmente a candidatura da “poste do Lula”. Diversas vezes, “especialistas” e “cientistas” propagaram que a candidatura estaria “natimorta”. Mesmo após pesquisas manipuladas, deram o braço a torcer. A candidata neófita, que não “possui carisma”, que foi uma “terrorista”, acabou na prática, ultrapassando o candidato que era “o escolhido”, o “preparado”, e que representa os interesses de uma elite decrépita.

O resultado é que a “maré” ficou ruim para o candidato da oposição. Para piorar, um livro-bomba, para ser lançado após a Copa precisava ser anulado de qualquer forma. A resposta óbvia seria uma vacina, assim não poderia ser usado durante a campanha na tv. Então anteciparam o bombardeio em massa. A artilharia de saturação teve que ser lançada antes da Copa. Para ser eficiente deveria ser  mantida com todos os recursos disponíveis. Então assim foi feita. A massificação, com o devido, ressurgimento dias depois a fim de fixar na cabeça de uma parte dos leitores foi executada conforme o script.

Agora de lado a lado, começa a medir os impactos. Próximas pesquisas vão mostrar a manutenção da igualdade, se for possível manipular, sem levantar suspeitas, uma “quedinha básica”. Afinal é tudo uma questão de “metodologia”. Mas a própria Copa servirá de anestésico, mas o efeito da vacina não pode ser descartado. Se o assunto do livro voltar a tona, a mídia retoma a história do dossiê. Uma batalha estratégica, enfim.

A única variável que não consta dessa equação é a resiliência pessoal da candidata governista. A capacidade da Dilma de absorver os impactos com pouca degradação nas suas intenções de voto. Que o Lula é resiliente, e aumentou sua popularidade à medida que a virulência dos ataques da oposição cresceu, todos nós sabíamos. O que não sabemos, é se uma mulher, que já foi discriminada, que já foi atacada por congressistas, que teve sua vida investigada com um pente-fino, possui uma resistência tão grande quanto qualquer retirante nordestino. Eu acredito que sim.

Resiliência ela possui, pois foi torturada aos 19 anos, vítima do pior tipo de terrorismo, o de Estado. Se formos pensar bem, ela quando se deita pra dormir, deve rir desses ataques da mídia.

Comparado ao que já passou, nos porões da ditadura (veja + neste link), isso é cantiga de ninar.

4 comentários sobre “A artilharia de saturação da mídia e a resiliência de Dilma

  1. Eu também acredito que Dilma resiste sim. A resiliência se manterá.

    Eu tenho empatia por ela, é minha candidata desde meados de 2009. Acho que ela conhece tudo sobre a máquina federal, que é capaz de imprimir dinamismo, que boa parte do brilho recente do governo se deve a ela.

    Eu gosto do hábito dela de falar “nós” no lugar de “eu”. Acho adequado termos alguém mais tecnocrata no poder, pra sair da mesmice dos candidatos-políticos-estrela.

    Estou contente com essa escolha, creio que ela trará boas surpresas para todos (menos para a oposição, é claro.)

    Pode ser que haja uma queda nas áreas de articulação política no Congresso e em política externa. Isso será compensado por um ritmo melhor em reformas. Desta vez a “tributária” sai. E nada impede que Lula continue a atuar nas áreas onde Dilma não for tão bem. Seria justo, o contrário não ocorre agora? (Para mim parece que ela é quem governa hoje as áreas econômicas, de infraestrutura e meio-ambiente)

    x-x-x-x-x-x

    A dúvida é como serão os desempenhos nos debates. Mas a lei eleitoral exige que se convide a todos os candidatos, e este ano há muitos. Talvez por isso não haja debate antes do primeiro turno (mas a Band já reservou uma data no TSE, o dia 05/ago.)

    Bombardeio por bombardeio, quem tem a bomba A é o governo. Vamos ver o que ocorrerá quando começar a propaganda eleitoral e aparecer a foto do Lula e a voz “Eu voto 13. Eu voto Dilma”. Pra isso até aquelas campanhas dos anos 70 com foto 3×4 resolvem. Não acho que marqueteiros vão ter que trabalhar muito não…

  2. CartaCapital n˚ 601
    Coluna Rosa dos Ventos – por Maurício Dias
    Marina ajuda Serra
    A mídia se empenha em valorizar a candidatura da ex-ministra na tentativa de provocar o 2˚ turno

    A imprensa tenta oxigenar a candidatura de Marina Silva (PV), que patina em torno de 10% em todas as pesquisas mais recentes de intenção de voto.
    Cresce a convicção, no meio político, de que, sem ela no páreo, Dilma Rousseff (PT) poderia ganhar a eleição presidencial de José Serra (PSDB) ainda no primeiro turno.
    O interesse da mídia pela candidatura de Marina sustenta a confiança nessa convicção. Não se pode acreditar que os jornais, tomados pela fé democrática, ajam somente para estimular a competição eleitoral.
    Nas circunstâncias atuais, não há dúvida: o eleitor de Marina dará um voto para Serra. É um efeito colateral dessa decisão, um antídoto contra Dilma.
    Mas, seja como for, a democracia exige respeito à escolha do eleitor. Cada um vota como quer. É preciso, no entanto, conhecer os efeitos políticos do voto.
    Marina pode vir a ser um obstáculo para Dilma e, em consequência, linha auxiliar – involuntária, admita-se – de Serra. Neste momento, ela se coloca exatamente entre os dois: critica Dilma acidamente e, suavemente, critica Serra. Nessa posição pode ser facilmente triturada ao longo dos debates polarizados.
    Em 2006, embora não houvesse o viés plebiscitário de agora, a disputa foi para o segundo turno em razão da dispersão do voto progressista: Heloísa Helena (PSOL) obteve 6,85% e Cristovam Buarque (PDT), 2,64%. Ambos partidariamente à esquerda do espectro político. Faltaram a Lula, que buscava a reeleição, um pouco mais de 1 milhão de votos para ganhar no primeiro turno. Isso, porcentualmente, significou 1,39% dos votos válidos. A história eleitoral brasileira tem exemplos parecidos, que favorecem a vitória de candidatos conservadores.
    (…)
    A polarização hoje tende a ser maior e pode desidratar os votos que estão à margem do confronto PT versus PSDB. Além de Marina, há dez outros postulantes que, somados, não alcançarão mais do que 3% dos votos. É o cálculo que fazem os institutos de pesquisa. Se o percentual de Marina não minguar, haverá segundo turno.
    Esse viés plebiscitário que Lula sempre buscou e que a oposição sempre temeu deve estimular o eleitor, em outubro, a evitar a cabine eleitoral pela segunda vez.
    Mesmo sem o uso de uma bola de cristal é possível prever a volta da campanha pelo voto útil, estimulada pelos petistas.

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