Um artigo em defesa de Israel (se é que isso é possível)

“Waltz with Banshir – Uma obra-prima. Alguém sabe qdo vai virar um blockbuster de Hollywood? Nunca né?”

As pessoas acham que minha paixão pelo contraditório não é sincera. Na verdade é o que me move. Essa é a melhor forma de compreender esse estranho mundo estranho em que vivemos. Lendo, assistindo e ouvindo os diversos lados dessa realidade multifacetada que nos cerca.

Desde a ação destrambrelhada de Israel contra a flotilha humanitária, estou procurando um artigo suficientemente bom, pra me convencer – mesmo que parcialmente – que a decisão inicial de interceptar era justificável dado os riscos de ocorrer um desastre como aquele. E  o fato então seria um desenrolar imprevisível de uma decisão ruim. Um acidente. Não encontrei.

O artigo abaixo tenta fazer essa defesa. Mas não me convenceu nem da legitimidade do bloqueio (compara com a crise dos misseis em Cuba!) nem das amarguras do povo israelense. Ignora, finge não ter existido vergonhosos massacres causado pela insanidade dos cães-de-guerra israelenses, apoiado seja pela “paranóia”, seja pela manipulação de uma parcela de seu povo.

Qdo digo paranóia, não estou sendo sacarstico ou ironico. Estou simplesmente analisando, de longe (graças a deus), como ninguém mais naquela região acredita na possibilidade de paz. E isso serve como justificativa, para os atos estrategicamente planejados, BEM COMO, para as ações mais vergonhosa que um Estado pode inflingir ao outro.

“Reportagem de Robert Fisk retornando a Sabra e Shatila”

Chamam seus visinhos de “terroristas autodeclarados” e o resto do mundo que clama por um pouco mais de sensatez de “imbecis”. Ou seja o artigo é a prova do crescente isolamento de Israel.

O que é ruim, muito ruim. Não consigo quero nem imaginar as possíveis consequências disso.

PS.: Se alguém tiver lido algum artigo sensato sobre o assunto por favor coloque o link nos comentários. Até agora, não encontrei argumentos para tão desastrada ação (não que os lideres israelenses estejam preocupados com isso).

Esses judeus problemáticos – internacional – Estadao.com.br

Esses judeus problemáticos

Objetivo de campanha internacional implacável é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa
09 de junho de 2010 | 0h 00

Charles Krauthammer – O Estado de S.Paulo

THE WASHINGTON POST

O mundo está escandalizado com o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. A Turquia denunciou sua ilegalidade, desumanidade, barbaridade, etc. Os usuais suspeitos das Nações Unidas, o Terceiro Mundo e os europeus juntaram-se ao coro. O governo de Barack Obama titubeia.

Mas como escreveu Leslie Gelb, presidente do Council on Foreign Relations, o bloqueio não é só perfeitamente racional, mas perfeitamente legal. Gaza sob o controle do movimento Hamas é um inimigo autodeclarado de Israel – uma afirmação reforçada por mais de 4 mil foguetes lançados contra território israelense ocupado por civis.

Mas, tendo prometido manter uma beligerância incessante, o Hamas diz ser a vítima quando Israel impõe um bloqueio para impedir o grupo de armar-se.

Na 2.ª Guerra, num ato considerado internacionalmente legal, os Estados Unidos realizaram um bloqueio da Alemanha e do Japão. E durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, os EUA bloquearam (e mantivemos isolada) Cuba. Navios russos carregando armamento que se dirigiam à ilha retornaram porque os soviéticos sabiam que a Marinha americana os abordaria ou os afundaria. Israel, contudo, é acusado de crime internacional por fazer exatamente o que John F. Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um Estado inimigo adquira armas letais.

Mas os navios que seguiam para Gaza não estavam numa missão de ajuda humanitária? Não. Do contrário teriam aceitado a oferta de Israel de levar a carga a um porto israelense, onde seria inspecionada e depois levada de caminhão para Gaza. Então, por que a oferta foi rejeitada? Porque, como admitiu uma das organizadoras da flotilha, não se tratava de ajuda humanitária, mas de derrubar o bloqueio, ou seja, acabar com o regime de inspeção de Israel, o que significaria transportes ilimitados para Gaza, armando o Hamas de modo ilimitado também.

Israel já interceptou por duas vezes navios carregados com armas iranianas destinadas ao Hezbollah e Hamas. Que país permitiria isso? Mas, mais importante ainda, por que Israel precisou recorrer ao bloqueio? Porque é a única opção de Israel, já que o mundo condena como ilegítimas suas defesas ofensiva e ativa.

Defesa ofensiva. Sendo um país pequeno e densamente povoado, cercado por Estados hostis, Israel, nos seus primeiros 25 anos de existência, precisou adotar uma defesa ofensiva, travando guerras em território inimigo (caso do Sinai e das Colinas do Golan).

Nos casos em que foi possível (do Sinai, por exemplo) Israel trocou território por paz. Mas quando a paz foi rejeitada, Israel reteve o território, mantendo-o como zona de proteção. Assim, reteve uma pequena faixa ao sul do Líbano para proteger seus povoados ao norte. E precisou sofrer muitas perdas em Gaza, para não expor as cidades israelenses na fronteira aos ataques terroristas palestinos.

Pela mesma razão os EUA travam uma guerra ofensiva no Afeganistão: você os combate lá, para não ter de combatê-los no território americano.

Mas, diante de uma pressão externa avassaladora, Israel cedeu. Foi dito aos israelenses que as ocupações não eram apenas ilegais, mas estavam na raiz da insurgência contra o país. Portanto, sua retirada e a remoção da causa, traria a paz.

Terra por paz. Lembram? Bem, durante a década passada, Israel cedeu terra – retirando-se do sul do Líbano em 2000 e de Gaza em 2005. E o que recebeu em troca? Uma intensificação da beligerância, o lado inimigo armando-se fortemente, múltiplos sequestros, ataques na fronteira e anos de ataques implacáveis com foguetes lançados de Gaza.

Israel então precisou adotar a defesa ativa – uma ação militar para desbaratar, desmantelar e derrotar os mini-Estados terroristas armados que se estabeleceram no sul do Líbano e Gaza após a retirada israelense. O resultado? A guerra do Líbano, em 2006, e a operação em Gaza, em 2008-2009.

Os israelenses enfrentaram uma nova avalanche de denúncias e calúnias por parte da mesma comunidade internacional que havia exigido a retirada de Israel, trocando primeiro terra pela paz. Pior, o relatório da ONU, que basicamente considerou criminosa a operação em Gaza e ignorou o que motivou a ação no local – a guerra de foguetes lançada pelo Hamas, não provocada por Israel – efetivamente tirou toda a legitimidade de uma defesa ativa israelense contra seus inimigos terroristas autodeclarados.

Sem uma defesa agressiva, nem uma defesa ativa, Israel adotou a mais passiva das defesas, ou seja, o bloqueio para impedir o inimigo de armar-se. Mas ela também não deverá ser considerada legal. Até mesmo os EUA estão agora achando que deve ser abolida. Mas, se nada disso é permitido, o que resta, então? E essa é a questão. Que foi entendida pela flotilha de imbecis úteis e simpatizantes do terror, pela organização turca que financiou a empreitada, pelo coro automático anti-Israel do Terceiro Mundo na ONU, e pelos europeus sem resistência que tiveram problemas mais do que suficientes com os judeus.

O que restou? Nada. O objetivo da campanha internacional implacável é privar Israel de qualquer forma legítima de autodefesa. Por que, apenas na semana passada, o governo Obama uniu-se aos chacais e reverteu quatro décadas de prática americana, assinando um documento de consenso destacando Israel como país possuidor de armas nucleares – tirando o direito legítimo de Israel recorrer à derradeira linha de defesa: a dissuasão.

O mundo está cansado desses judeus perturbadores, 6 milhões – novamente esse número -, recusando todos os convites para um suicídio nacional. E por isso são implacavelmente demonizados e constrangidos a se defender, mesmo quando antissionistas mais comprometidos – os iranianos em particular – preparam abertamente uma nova solução final.

Um comentário sobre “Um artigo em defesa de Israel (se é que isso é possível)

  1. Israel é o Estado organizado, em volta de um protoestado. É ele que tem de suprir os meios de tornar a Palestina viável. Pode não ser com seus próprios recursos, mas é ele que tem de desarmar a posição em que ele se permitiu colocar.

    O grande drama de Israel, na minha opinião, é que ele tem um problema que só se resolve, em seus termos, com uma dose cavalar de pragmatismo, humanismo e grandeza. Um desafio que, por sí só, já seria titânico para a mais iluminada das nações. Some-se isso ao fato (pode-se discutir, claro, se é um fato ou meramente minha opinião) de que que Israel é um Estado traumatizado, em sua gênese, e estimulado em sua paranóia, porque serve como elemento de instabilidade numa região que não se submete à hegemonia ocidental. É evidente que Israel serve ao interesse americano de manter o Irã em eterna posição de xeque.

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