Bermann: “A energia hidrelétrica não é limpa, nem barata”


“Sou pragmático, precisamos continuar crescendo. Temos um país inteiro de miseráveis desempregados. Mas é inegável que esse modelo é insustentável.”

Eu sempre fui pró Belo Monte (chamada de Belo Monstro) mas com ressalvas. Muita gente boa é contra. Mas qdo os grupos ambientalistas partiram pro xilique e não para a argumentação (inclusive a vinda do James Cameron é uma expressão disso), ai ficou fácil decidir pelo apoio ao projeto, APESAR das ressalvas. Até pq não vi nenhum desses caras brigando da mesma forma com a BP que está fazendo o óleo chegar até nos carpetes do West Wing.

De qualquer forma, já disse mais de uma vez aqui, o nome desse blog não é por acaso. Acredito piamente no contraditório, e finalmente, graças ao Azenha vi uma entrevista mais ou menos equilibrada sobre o assunto. É algo pra começarmos a pensar, não para agora, mas para o nosso futuro não muito distante. Está claro que o modelo de desenvolvimento extrativista e meramente exportador, que não por acaso é um devorador de energia, não é uma opção “inteligente”, que não é assim que vamos vencer nosso hiato desenvolvimentista. Assim como confiar nosso futuro na produção de commodities e não pensar no processamento, de pelo menos uma parte delas. Assim como acreditar que o retorno das monoculturas, seja de soja, seja de etanol, é o caminho.

Mas uma coisa eu concordo com ele, parte da decisão de se construir Belo Monte, foi simbólica. Foi mandar a mensagem que o potencial hidroelétrico da Amazônia não ficará intocado. Até por uma questão de soberania (putz era pra ser um post curto e o bicho tá começando a ficar complicado. Mas é assim que é bom, né?). Tem gente que se irrita qdo a gente começa a tocar nesse assunto. Sinto muito, mas nós economistas, sabemos o que é ter sua agenda ditada linha por linha por “instituições estrangeiras”. Vcs podem até negar, mas nas questões ambientais, é difícil encontrar pessoas que tenham ideias próprias, adequadas a nossa realidade.

Eu quero sim, um modelo verdadeiramente nacional de desenvolvimento sócio-econômico. Se não gestado, pelo menos adaptado e pensado para a nossa realidade. Não é fácil. Dá um puta trabalho (Celso Furtado que o diga), nem sabemos se vai resultar em algo, mas o segredo está no caminho.

Vamos ler a respeito, depois a gente volta no assunto com mais profundidade.

PS.: Como estão trazendo esse debate pra arena eleitoral (o que é um erro, pois uma mudança nesse modelo só pode ser executada no longo prazo) eu daria uma dica para a Dilma: que ela representa esses interesses (desenvolvimentistas) e entende desse assunto todos nós sabemos, ENTÃO, o que ela tem que demonstrar em campanha, é que, se preocupa sim com a outra questão (ambiental), e não está alheia a ela. Exatamente com o Lula fez com o mercado financeiro.

Bermann: “A energia hidrelétrica não é limpa, nem barata” | Viomundo – O que você não vê na mídia

3 de junho de 2010 às 13:38
Bermann: “A energia hidrelétrica não é limpa, nem barata”

Entrevista: Celio Bermann

“A energia hidréletrica não é limpa, nem barata”

por Manuela Azenha

O professor de pós-graduação em Energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP desmistifica os benefícios de o Brasil aproveitar o potencial energético dos rios da região Amazônica: “Belo Monte representa simbolicamente a possibilidade de transformar todo o territorio amazônico em um grande conjunto de jazidas de megawatts”.

Célio Bermann foi assessor do Ministério de Minas e Energia durante os dois primeiros anos do governo Lula e se afastou em desacordo com o que considera desvirtuamento da política do governo para o setor. Crítico assíduo do planejamento energético brasileiro, Bermann não só rejeita a construção de usinas hidrelétricas como a de Belo Monte, mas propõe uma nova direção de desenvolvimento econômico para o país.

Qual é a importância econômica da Usina de Belo Monte para o Brasil?

Bermann: A importância da usina deve ser medida pela sua capacidade de produção de energia, pelo tempo que a energia produzida estará disponível para o consumo da sociedade e pelos problemas de ordem social e ambiental que essa usina representa, inclusive sob o ponto de vista de custos. A importância econômica da Usina de Belo Monte para o Brasil é negativa, porque ela vai custar muito. O governo fala em 19 bilhões de reais de investimento, mas as empresas envolvidas na obra, na fabricação dos equipamentos, dizem que a obra não sai por menos de 30 bilhões. Os problemas sociais e ambientais, muitos deles, não têm custo financeiro. Mas imagine a perda do valor cultural do rio Xingu, que é sagrado para as populações indígenas. E esse tipo de raciocínio não está incorporado na decisão de construir um empreendimento. A obra é superdimensionada, porque a quantidade de água para tocar a usina na capacidade proposta, de 11 mil MW (Itaipu produz 14 mil MW, para se ter uma idéia do tamanho da usina), estará disponível apenas três meses ao ano. Na época de estiagem, por exemplo, em setembro e outubro, a usina não vai produzir mais do que 1 mil MW. Então porque investir numa obra com essa dimensão se o retorno econômico/financeiro é baixo? Não é a toa que o capital privado desistiu de participar da construção.

E porque então construí-la? Qual é o interesse do governo se não haverá esse retorno?

Bermann: Eu vejo a obra de Belo Monte como um projeto de longo prazo. É preciso levar em consideração que mais da metade do chamado potencial hidrelétrico, para construir hidrelétricas no Brasil, está localizado na região amazônica, onde há problemas de ordens social e ambiental. O fato de ter esse potencial para a construção de hidrelétricas faz com o governo aponte para essa direção irreversível: a de construir essas usinas, custe o que custar. Porque isso? O que chama atenção, como sempre, é a perspectiva do apagão, de se ter falta de energia. Ninguém quer ficar sem energia elétrica. Então essa forma de propagandear, de alardear que vai ter apagão, faz com que se aceite usinas com essas características. Não é particularmente o governo Lula, porque essa obra está sendo pensada há 30 anos.

O problema é que o governo Lula vai ficar na história como aquele governo que decretou o fim das populações indígenas e da cultura na região do Xingu. Para responder o por quê dessa obstinação do governo, é porque se conseguirem validar a construção da usina de Belo Monte, todas as outras usinas vão se validar também, principalmente no critério de impactos socio-ambientais. A Balbina (1) é conhecida como a pior concepção de hidrelétrica do mundo, porque ela está na planície amazônica, ocupa um reservatório enorme de mais de 2500 km2, para gerar 250 MW, sendo que a potência firme dela é de apenas 120 MW. Numa situação dessa, o critério lógico é abandonar o projeto. Isso não foi feito, na década de oitenta. De lá pra cá, aumentou o número de planos de hidrelétricas. Belo Monte representa simbolicamente a possibilidade de transformar todo o território amazônico em um grande conjunto de jazidas de megawatts. Embora frágil, com populações tradicionais que precisam ser respeitadas, populações indígenas que precisam ser consideradas, a perspectiva que Belo Monte aponta é de priorizar a geração de energia a partir das águas do rio Amazonas. E o resto? Bem, o resto é o resto.

O Brasil tem um papel de protagonismo internacional em geração de energia limpa. No caso das hidrelétricas, temos enormes reservas de água que podem ser vantajosas para o país. Não se deve aproveitar essas vantagens?

Bermann: O maior erro desta política energética que está sendo implementada é o fato dela se apoiar em inverdades. Uma delas é de que a energia hidrelétrica é limpa e barata. Ela não é. Estudos mostraram que Balbina, Tucuruí e Samuel, as três maiores hidrelétricas construídas na região amazônica até agora, emitem gases de efeito estufa mais ou na mesma proporção que usinas a carvão mineral. Isso pode parecer uma surpresa, mas nos primeiros dez anos de operação de uma usina da Amazônia, a matéria orgânica, a mata, ela apodrece porque a água a deixa encoberta permanentemente. E o processo de apodrecimento é muito forte, acidifica a água e emite metano, que é um gás 21 vezes mais forte que o gás carbônico, principal gás do efeito estufa. Isso é conhecido pela ciência mas não é considerado porque não é de interesse de quem concebe essas usinas. O que interessa é a grande quantidade de dinheiro que vai ser repassado para as empresas construtoras de barragens, turbinas e geradores. O restante, o problema ambiental, as populações que serão expulsas, a cultura indígena que está sendo desconsiderada, isso não entra na conta.

Ainda não entendi porque construir essa usina se a energia é suja, cara e provoca todos esses impactos socioambientais. O Brasil precisa dessa energia ou não?

Bermann: Se o Brasil persistir nessa direção de desenvolvimento econômico, sim. Mas é isso o que precisa ser mudado. No Brasil, 30% da energia gerada é gasta por empresas que consomem muito: fábricas de aço e de alumínio, principalmente. Todas as empresas presentes na Amazônia, e que usam a energia de Tucuruí, são produtoras de alumínio, que é exportado. Então é essa lógica que está por trás disso. Fala-se em crescimento econômico mas a fabricação industrial é direcionada para essa produção e para a exportação.

Seguindo essa lógica, fatalmente o Brasil precisará de energia. O problema que precisa ser aberto para a população brasileira é se a gente quer um crescimento econômico com esse perfil. Ou se com a mesma energia disponível, não podemos produzir produtos que contenham mais tecnologia, mais mão de obra, que tenham maior valor agregado e aí sim, exportá-los. É o que o Japão faz. Na década de 80, todas as indústrias de alumínio foram fechadas. O Japão passou a importar o alumínio, transformá-lo em chips, para então vendê-los com um valor 20 vezes maior do que ele pagou pelo alumínio utilizado. É possível crescer economicamente gastando menos energia, se diversificarmos a nossa matriz energética para que ela não priorize a hidroeletricidade, como ela vem sendo priorizada hoje.

É falsa a idéia de que ela é mais barata do que as outras. Colocado na ponta do lápis, esse custo de 30 bilhões da usina de Belo Monte será financiado pelo BNDES, com o nosso dinheiro, porque as empresas privadas não quiseram entrar. O banco público vai bancar 80% dos investimentos e pagar empresas privadas para construir a usina. E a energia elétrica, muito provavelmente, vai servir para ampliar esse perfil industrial eletro-intensivo. Vai vir alguma coisa para o consumidor residencial brasileiro, mas poderíamos conseguir essa energia diversificando as fontes, não tendo essa idéia de privilegiar grandes blocos de consumo, como esse tipo de indústria faz. A gente tem, na economia brasileira, demonstrações de que existem setores que atendem ao requisito de menor consumo de energia, maior tecnologia e maior incorporação de mão de obra. Então porque não insistir nessa direção?

E quais são esses setores?

Bermann: Por exemplo, a fabricação de aviões. Dentro da pauta de exportação brasileira, é o que mais se sobressai, em termos de receita que advém da venda desses equipamentos. Não dá para persistir na idéia de um país da dimensão do Brasil, com as necessidades sociais que tem, como exportador de soja, de café, de açúcar, de etanol…Exportar aço, celulose, alumínio, é restringir a capacidade que o conhecimento brasileiro tem, a capacidade de trabalho que o país tem de consumir energia de uma forma mais inteligente, de uma forma que degrade menos a força de trabalho de sua gente e o meio ambiente.

Você acha que a sociedade brasileira está a par do que está acontecendo na Amazônia?

Bermann: É fundamental que a discussão das usinas hidrelétricas da Amazônia seja disseminada para que as idéias que hoje justificam essas obras possam passar pelo crivo da sociedade, e não apenas de especialistas, e aí eu me incluo, que mostram seu ponto de vista cientifico do por quê condenar o empreendimento dessas obras. O projeto brasileiro é de construir 28 usinas na região amazônica. Hoje tem quinze, mas de porte são Tucuruí, Balbina e Samuel. Desse conjunto que se pretende, mostra que 80% da capacidade de geração de energia elétrica prevista até 2020 vai vir de 28 usinas hidrelétricas da Amazônia.

E a questão permanece: a que custos sociais e ambientais? Vale a pena? A gente não vai conseguir substituir a necessidade de energia de uma indústria de alumínio com o vento, ou com energia solar. Mas ela consegue suprir de uma forma diversificada parte da necessidade de consumo da população, de atividades de indústria de ponta, ou de comércio e serviços. Não devemos permanecer nessa dependência de grandes usinas hidrelétricas que custam caro, estão numa distância muito grande do consumo e representam do ponto de vista socio- ambiental, pesados óbices para um país como o Brasil aumentar a renda, a geração de emprego e melhorar a qualidade de vida da população.

A renda no Brasil é absurdamente concentrada e os esforços recentes nessa direção ainda são pouco significativos frente à dimensão que hoje se estabelece. Metade da população ganha a mesma renda que 5% dos brasileiros. Isso mostra porque temos problemas de segurança, baixa escolaridade, baixa capacitação de mão de obra para se qualificar e se inserir no mercado de trabalho. É um conjunto de problemas que se verifica e que poderiam ser resolvidos a partir dessa redifinição do que se quer de um país e como a energia pode contribuir numa qualidade de vida mais elevada. O problema é que estamos muito longe dessa direção.

Quais são as alternativas de geração de energia?

Bermann: Para pequena escala serviria energia solar, dos ventos, dos resíduos agrícolas. A política energética atual tem incorporado essas alternativas de uma forma muito tímida, deveria ser multiplicada na sua escala. Alegam que essas energias alternativas são caras mas se a gente considera a hidroeletricidade com todos os problemas que eu apontei e com todos seus custos, elas passam a ser viáveis, e passam a potencialmente poder compor a cesta energética brasileira. Existe uma falsa questão na hidroeletricidade quando ela é comparada aos combustíveis fósseis e não tem uma vírgula sobre isso no projeto de Belo Monte.

Eu estranhei o espaço que a usina de Belo Monte tem tido na mídia, nunca vi a imprensa defender tanto o meio ambiente. Você acha que existe uma questão política por trás dessa discussão?

Bermann: Eu já estive muito próximo do governo Lula. Participei dos primeiros dois anos do governo como assessor de do Ministério de Minas e Energia. E me afastei por ver a direção que o governo Lula tomava e a sua forma de assegurar governabilidade, se aliando ao PMDB, particularmente à figura do senador Sarney. Isso implicou um redirecionamento político, inclusive nesse comportamento em relação às usinas hidrelétricas. Todo o staff hoje das empresas públicas elétricas é de homens do Sarney. Então a forma da oposição combater politicamente a obra de Belo Monte é em função do que é evidente, dos custos, dos problemas socio-ambientais, para com isso alimentar a crítica, mas que é de fundamento político, à obra. Eu nao vi ainda a oposição dizer que não construiria Belo Monte. Não vi o candidato de oposição se referir à usina de forma incisiva. Então eu vejo que o comportamento da mídia em relação à Belo Monte, que poderia resultar no envolvimento da sociedade com relação à usina e criar condições para que o governo revesse a decisão, foi usado muito na atitude de jogar pedra no telhado de vidro, quando eu suponho que seria o mesmo telhado se tivéssemos outro governo.

Um país subdesenvolvido pode ter um desenvolvimento sustentavel? Quer dizer, um país com tantas necessidades sociais quanto o Brasil pode pensar nesses termos a longo prazo?

Bermann: Deveria. Mas na construção de hidrelétricas, não se pensa no meio ambiente a longo prazo. Enquanto houver minérios na Amazônia, vamos aproveitar. Uma usina hidrelétrica dura até 100 anos. Nos EUA, quando as hidrelétricas já não funcionam mais, estão tentando recuperar a vida do rio, porque a vida do rio morre com a usina hidrelétrica. A água que corria agora fica parada, aumenta sua acidez, diminui o oxigênio, no lago começam a formar macrófitas (algas). São evidências de que a coisa não está indo no bom caminho se a gente pensa a longo prazo. A sociedade não está informada, não participa do processo decisório. Quem participa são essas pessoas que eu mencionei, com suas teias de interesse já definidas. O deputado que hoje está na frente de uma empresa de geração de energia elétrica pública, ele garante com esse tipo de articulação, caixas de campanha para a próxima eleição. Eles embolsam o dinheiro indiretamente, o que torna impossível de registrar, documentar e ser uma peça importante num processo judicial de apuração de responsabilidades.

O Delfim Netto escreveu coluna na revista CartaCapital argumentando em defesa da construção da usina de Belo Monte. Segundo ele, os não índios na região se beneficiariam com a criação de emprego e a movimentação da economia. Termina a coluna citando uma frase que um jornalista publicou no Estadão : “As questões ambientais ou indígenas são vistas pelos locais como argumentos de quem tem sobrevivência garantida. Não é o caso de boa parte dos 60 mil habitantes de Altamira”.

Bermann: A afirmação do Dep. Delfim Neto apenas confunde. A sobrevivência das populações tradicionais está e sempre esteve em permanente ameaça. A população urbana de Altamira tem vários problemas que não são enfrentados pelo município ou pelo estado. A ausência de políticas públicas acaba conduzindo a população carente a acreditar que a usina seria a redenção para a região. Como já havia sido, décadas atrás, a construção da Transamazônica.

(1) A Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, começou a ser construída em 1973 no rio Uatamã e passou a funcionar em 1988

6 comentários sobre “Bermann: “A energia hidrelétrica não é limpa, nem barata”

  1. Então, cara, o problema é que economista vê modelo de desenvolvimento e meio ambiente. Não vê que entre essas coisas tem um monte de gente que está sendo atropelada. Populações indígenas, mano, populações que sofrem com essa oposição entre modelo de desenvolvimento e meio-ambiente “soberano”. O modelo de atropelameto que se criou é abominável: destrói a vida de uma galera, que por acaso é o conjunto das populações que sempre (sempre) toma na cabeça. Como é que tanta gente pode ignorar isso? Os caras enfiaram uma modificação gigantesca no projeto DEPOIS dos relatórios de impacto terem sido feitos! E agora tem uma galera que vai sofrer novos impactos e não consegue nem ser escutada (como os Kaiapó Xicrin).

  2. 1 – A afirmação de que o empresariado desistiu de participar da construção só pode ser comparada a outra segundo a qual a usina “não sai por menos de 30 bilhões”. Basta olhar o leilão para ver a bobagem, pois as empresas privadas não abandonaram o leilão e aceitaram o preço proposto, até com deságio. Pq brigar com os fatos dessa forma?

    2 – Isso de dizer que o governo Lula “vai ficar na história como aquele governo que decretou o fim das populações indígenas e da cultura na região do Xingu” é uma enorme tolice. Mesmo em condições muito piores, a construção de usinas salvaram povos indígenas da extinção, como em Balbina, citada na entrevista. Belo Monte não afeta sim algumas tribos da região, mas nem de longe colocam em risco sua existência.

    3 – Do ponto de vista da relação produção e respeito sócio ambiental, comparar Balbina com Belo Monte é um desrespeito à nossa inteligência. Basta saber fazer uma simples regra de três.

    4 – Balbina, Tucuruí e Samuel são 3 exemplos do que não está sendo feito em Belo Monte e Madeira. Belo Monte inunda muito pouca mata. Se comparada a Tucurí, não chega a 5% do que aquela inundou. O lago deBelo MOnte é quase todo leito do rio na cheia, sem uma árvore sequer.

    5 – Ele tem razão quando critica o modelo de desenvolvimento baseado em empresas de baixo valor agregado para exportação e muito consumo de energia, mas não considera que foi dessa forma que todos os países fizeram a transição para o desenvolvimento. E que depois de desenvolvidos essas empresas e essa oferta de energia serpa necessária para suprir a necesidade de uma população incluída. Não podemos esquecer que temos dezenas de milhões de brasileiros que consomem quase nada de energia e todos queremos que passem a consumir. Mesmo que o modelo mude com otempo, o que será inevitável, e tenhamos maior eficiência, o que o Brasil produz de energia ainda não é suficiente para suprir a necessidade de 200 milhões de habitantes.

    6 – O BNDES emprestar para a criação de um ativo como Belo Monte, que vai multiplicar investimentos, não pode ser tratado como um mero gasto a fundo perdido, não pode ser tratado como prejuízo. O BNDES financia e tem uma das menores taxas de inadimplência do mundo.

    7 – A escala do uso de aenegia altenativa tem sido multiplicada há alguns anos, ocorre que a base de comparação é muito baixa. Não há pq ser pessimista, ainda que se considere o preço pouco competitivo dessas matrizes.

    8 – Todo o staff hoje das empresas públicas elétricas é de homens de Dilma. A entrevista é um pouco carregada de certo viés ideológico de esquerda … além de fazer comparações com outras obras realizadas na Ditadura quando não havia qualqur preocupação socuial e ambiental.

    9 – A vida do rio não morre com a usina hidrelétrica ela muda. Nenhuma alteração num rio brasileiro foi maior que as dos rio São Francisco e Grande. E não me consta que eles ‘morreram’. Como dizia um grande mestre, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Deus livre o Xingu do que foi feito no véio Chico, mas essa afirmação é muito ”conservacionista pro meu gosto’, ainda bem que Deus não precisou de licença ambiental para criar o mundo em sete dias.

    10 – Os Kaiapós devem ser ouvidos e foram, caso contrário o governo Lula estaria fazendo 5 usinas no Xingu, mas não podem comandar o debate que é muito mais amplo.

    11- Chega.

    1. Otimo comentario. Vou fazer um post dele. Nao tenho nada a acrescentar, exceto o que o Igor falou acima. Nos economistas as vezes deixamos algumas coisinha pequenas mais verdadeiramente importantes no caminho.

      Mas como disse,o segredo e discutir isso abertamente.

      PS.: A entrevista esta meio enviesada, mas convenhamos a defesa de Belo Monte tb. A unica diferença e que dessa vez por motivos politico-eleitorais a midia esta contra.

      1. Fernando, não sei se entendi direito, mas a defesa enviesada de Belo Mote foi a minha?

        Na condição de ter participado de bicicletadas a Angra e diversas manifestações antinucleares, de ter ido na despedida de Sete Quedas, de ser formado na escola biodinâmica de Manejo Ecológico do Solo, produtor orgânico etc, etc, (só para mostrar o meu intenso ativismo ambiental), posso lhe garantir que NA MINHA OPINIÃO, sem querer ser dono da verdade, Belo Monte tem a melhor relação produção de energia/respeito sócio ambiental entre as nossas diversas formas de produzir energia. Uma ‘Belo Monte’ eólica ou solar traria danos muito maiores. E ao contrário do que disse o Bermann, o grande impacto dessa usina não é a inundação da mata, mas a regularização, com volumes baixos de água, de um trecho do rio.

        Não é um impacto nada desprezível, mas nada que possa ser comparado ao impacto do complexo de Sobradinho, Balbina, Tucurui, do complexo de Itaipu, Furnas entre outras.

        E sinceramente não sou um “santuarista”. Acho que o ser Humano têm todo o direito de interferir na Obra Divina (seja lá o que isso quer dizer para um ateu como eu). Desde que não crie ecossistemas contrários à vida, seja ela qual for. Afinal de contas, inspirar mata muito ser vivo.

        Como vc pode ver, sou um polemista juramentado discípulo de Ana Maria Primavesi, Tom Zé e Odorico Paraguaçu.

        abs

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