A cristianização de Serra


“Tá dificil?”

Mas importante que o factóide do “suposto dossiê”, cujas informações circulavam na internet, e só a grande mídia fingia não conhecer é o processo que está se formando de cristianização da candidatura do Serra.

Em SP, o Alckmin foge do Serra. Em Minas, o Aécio faz aquele jogo, que todo mundo sabia que ele iria fazer. Em GO, o Marconi acabou de sinalizar um descolamento da eleição presidencial. E por ai vai. Em outros estados pode estar começando o mesmo processo, o que é uma prova de problemas mais sérios à candidatura Serra.

O factóide do dossíê, pode até aliviar, ou mesmo ser uma reação à essa debandada. Afinal temos uma pesquisa na rua, se a queda vier maior que o aceitável, politicamente (margem de erro) o esvaziamento da candidatura poderia se tornar crônico.

Nesse sentido a dificuldade de se encontrar um vice é só uma expressão dessa fragilidade. Vamos ver as revistas semanais, esperar as pesquisas e analisar como os eleitores reagem à essa estratégia.

Eu acho que, sinceramente (eu estou do outro lado, eu sei, eu sei), mas acho que a vaca já foi pro brejo. Alguém ai sabe se ainda dá tempo pra chamar o Aécio? Afinal, as convenções só em junho.

Folha de S.Paulo – Alckmin se recolhe e irrita cúpula da campanha tucana – 04/06/2010

Alckmin se recolhe e irrita cúpula da campanha tucana

Pré-candidato ao governo de SP, com cerca de 50% de intenções de voto, foi a 9 cidades em maio; Mercadante (PT) visitou 21

FÁBIO ZAMBELI
DE BRASÍLIA

A reclusão do pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, irrita a cúpula da campanha tucana, que passou a cobrar empenho do ex-governador na defesa da candidatura de José Serra à Presidência.


No mês de maio, após lançar seu nome ao Palácio dos Bandeirantes, Alckmin visitou nove cidades e fez aparições públicas em oito eventos, segundo levantamento feito pela Folha.
No mesmo mês, seu principal oponente na corrida eleitoral, o senador Aloizio Mercadante (PT), percorreu 21 municípios e marcou presença em 19 reuniões setoriais.
Enquanto o tucano mantém discrição nas entrevistas, o rival petista pulverizou a sua presença na mídia regional e visita jornais e emissoras de rádio para difundir o que considera realizações do governo Lula.
Onde aporta, se esforça para associar os supostos feitos da gestão federal à ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, rival do PSDB na disputa pelo Planalto.
No período de “recolhimento” de Alckmin, a vantagem de Serra para Dilma na região Sudeste caiu de 17 para 9 pontos percentuais, segundo o Datafolha. Nesse mesmo intervalo, os tucanos cumpriram apenas uma agenda em comum.

DESCONFORTO
A interlocutores, Serra tem explicitado o desconforto com o comportamento comedido do aliado paulista, apontado como um vigoroso cabo eleitoral, especialmente no interior do Estado.
O ex-governador e ex-secretário estadual de Desenvolvimento, com índice próximo de 50% das intenções de voto, foi aconselhado por sua equipe a optar por um circuito reservado até 5 de julho, quando a Lei Eleitoral permite que a campanha ganhe as ruas.
“Ele [Alckmin] é muito zeloso e rigoroso com o cumprimento da Lei Eleitoral. Depois da convenção, é natural que saia mais”, diz o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), que coordena a elaboração do programa de governo do pré-candidato.
Alckmin passa por um período de “imersão” na máquina estadual. Tem se reunido periodicamente com secretários da gestão José Serra-Alberto Goldman com o objetivo de traçar um diagnóstico preciso dos setores nevrálgicos do governo.
Nos últimos 15 dias, ele participou de longos encontros com os titulares da Educação (Paulo Renato Souza), da Saúde (Luiz Roberto Barradas Barata), da Segurança Pública (Antonio Ferreira Pinto) e da Gestão (Marcos Monteiro).
Embora o discurso oficial seja de “fina sintonia” entre Alckmin e Serra, o pedido para que o ex-governador corra o Estado para fazer o contraponto à retórica do PT, propagada por Mercadante, representa, na prática, o primeiro ruído entre as campanhas nacional e estadual do PSDB em 2010.
Expõe também chagas do relacionamento entre as alas serrista e alckmista, abertas em 2006, quando os dois políticos ocupavam papéis inversos na eleição.

“Dilmar” vai ganhar em Goiás, diz Jovair

“Dilmar” vai ganhar em Goiás, diz Jovair
03 de junho de 2010 • 17h26

Mirelle Irene
Direto de Goiânia

Apesar de apoiar Marconi Perillo (PSDB) ao governo do Estado, o presidente do PTB em Goiás, deputado Jovair Arantes (PTB) apoia na eleição presidencial a ex-ministra e pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT), que visitou Goiânia na última quarta-feira (2). É o que ele próprio chama de apoio “Dilmar”, neologismo resultante da união das palavras Dilma e Marconi.

“O PTB de Goiás, através das lideranças, através de nossos deputados, estaremos na trincheira da Dilma no sentido de ajudar a crescê-la em Goiás”, disse.

“Nós estávamos perdendo, já estamos empatando o jogo e vamos com certeza virar e ganhar esta eleição com a Dilma aqui no estado”, aposta, citando o índice de 36% (contra 41,4% do tucano José Serra) alcançado pela petista no último levantamento de intenção de votos nesta pré-campanha, realizado pelo Instituto Serpes e divulgado na imprensa na última segunda-feira, 31 de maio.

Ainda sobre a Pesquisa Serpes, Jovair se mostra otimista com a performance de Marconi (o primeiro colocado, com 45%, contra 40% de Iris Rezende, do PMDB, e 4,4% de Vanderlan Cardoso, do PR). “Ele está mantendo a frente com um trabalho bem centrado no processo eleitoral”.

Jovair lembra que o PTB está trabalhando pela vitória de Marconi em Goiás há mais de dois anos, sendo um aliado de primeira hora. “No dia 11, vamos fazer uma reunião com nossos pré-candidatos a deputado federal e estadual para orientação de trabalho contábil e jurídico e para acertar detalhes da convenção que faremos no dia 19, com o PSDB”, informa.

Polarização
Jovair Arantes também chama atenção para o fato de que a Pesquisa Serpes confirmou, mais uma vez, a polarização política entre o PSDB e o PMDB em Goiás. “Isto é evidente no processo eleitoral de Goiás, onde dois líderes que tem história política intensa no estado demonstram que a polarização é a tônica”, assinalou. “Não tem espaço para uma terceira via”, ressalta a liderança petebista.

Jovair observa que acredita que a postulação do candidato da Nova Frente ao governo, Vanderlan Cardoso (PR) é democrática, mas não se sustenta na matemática eleitoral. “Eu ajo com números, trabalho com lógica. Faço política com a razão, não com a emoção”, justifica o deputado. “Sempre criticamos esta questão da Terceira Via, até porque o processo eleitoral em Goiás tem dois lados, o PSD e a UDN, desde 1958, é assim e continuará sendo”, decreta, citando as agremiações históricas que deram origem a PMDB e PSDB de um lado, e DEM e PP de outro.

.:: O TEMPO ::.

Política

Eleição. O voto casado no PT e no PSDB é apontado como realidade
Prefeitos mineiros admitem que vão fazer o Dilmasia
Avaliação é que não é possível se colocar contra os governos federal e estadual
Rafael Gomes

O movimento de apoio à pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e ao governador de Minas e candidato à reeleição, Antonio Anastasia – conhecido como “Dilmasia” – já é uma realidade no Estado. Mesmo que os dois lados neguem, na prática, os líderes políticos de cidades do interior admitem que vão pedir votos para ambos os pré-candidatos.

Ontem, durante assinatura de convênios entre municípios e o governo do Estado para investimentos em infraestrutura, na Cidade Administrativa, o prefeito de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, Charles Ferraz (PT), foi um dos que confirmou esse movimento abertamente. “É uma parceria que tem dado certo. A ex-ministra Dilma (Rousseff) e o professor (Antonio) Anastasia têm tido uma parceria antiga com o nosso município. Não é só agora, mas em outros momentos também, o governo de Minas tem sido um parceiro de todas as horas do nosso município”, disse, destacando que vai deixar o seu eleitor “à vontade” para votar em Dilma e Anastasia.

Itinga é emblemática para o PT. Foi na cidade que Lula inaugurou uma das suas primeiras obras – a ponte sobre o rio Jequitinhonha, em 2004.

Outros prefeitos, de partidos aliados dos tucanos e petistas, não quiseram expressar a adesão ao Dilmasia abertamente, mas declararam que o movimento vai ocorrer sim em diversas regiões que receberam investimentos tanto do governo federal quanto do governo estadual. “Não temos como ir contra quem nos ajudou”, disse um prefeito que não quis ter o nome revelado.
Anastasia rechaçou mais uma vez a tese para os partidos que compõem sua base de apoio. Ele tem afirmado que o candidato a presidente que tem o apoio do PSDB e seus aliados é José Serra.

“É um prefeito do PT que não quer votar no candidato estadual. Mas os deputados e prefeitos dos partidos que compõem a nossa base marcham pelo candidato José Serra. Agora, com prefeitos de outros partidos…”, disse.

Partidos pequenos empenham apoio à reeleição de Anastasia
Dirigentes de PTC, PTdoB, PRP, PSC, PSL, PMN, PSDC, PHS, PRTB e PTN almoçaram ontem com o governador Antonio Anastasia. O presidente nacional do PTdoB, Luis Tibé, foi o porta-voz dos dirigentes partidários e explicou que as legendas foram reiterar o apoio à reeleição do tucano.
Muitos desses partidos estão também na base do presidente Lula. Questionado se o encontro significava a prática do Dilmasia, Luis Tibé disse que o apoio nacional será decidido separadamente. “Cada partido tem sua situação específica. O PTdoB tem um pré-candidato à Presidência (Mário Oliveira). É uma coisa que será discutido individualmente”, alegou.
Segundo Tibé, o apoio desses partidos não tem grande influência porque eles possuem pouco tempo no programa de TV. (RG)

3 comentários sobre “A cristianização de Serra

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