A verdadeira função de um dossiê

“A oposição (ainda) acha que esses pseudo-escândalos vão impedir essas questões de virem a tona. Ei, elas já estão no ar faz tempo.”

Qual a função de um dossiê em uma campanha eleitoral? Destruir o adversário? Acumular munição para evitar que a disputa entre numa espiral de baixarias – como numa guerra fria? Ou provocar escândalos semanais para alimentar uma mídia decadente e patética? Reverter uma maré negativa de notícias e tentar transferir, artificialmente, a crise pro lado adversário?

Todas as opções acima podem ser consideradas válidas. Deve ter faltado outras que não cheguei, propositalmente, a pensar. Mas a minha abordagem aqui é a seguinte. Eu sei pq dossiê aparecem como escândalos na velha mídia. Eu sei pq candidatos que tem o rabo preso se utilizam dessas articulações bisonhas durante a campanha. Foi assim qdo o suposto dossiê contra o FHC foi “elaborado”. Bem suposto, pq ninguém explicou pq o tal dossiê saiu do gabinete de um senador da oposição. Pq foi enviado por um funcionário do TCU a serviço da Casa Civil. Não vão explicar. Não tem que explicar. O que se tem que fazer é propagar mentiras e confundir. Nunca explicar.

Mas já disse, esse jogo é velho. Não sei as outras pessoas, mas eu estou cansado. E aproveitando, eu qdo faço essa crítica faço de lado a lado. Sei que existem partes do PT (dizem que principalmente paulistas, mas hj, refletindo melhor sobre o assunto, acho melhor não generalizar) que agem exatamente da forma que seus adversários. Com algumas diferenças, como por exemplo, o PSDB prefere “terceirizar” esse serviço de “inteligência”. Mas isso é só uma diferença no “modelo de gestão”.

Eu já repeti aqui, num dos posts que mais gosto, sobre os riscos para o PT/Dilma em 2010, não por acaso o último item era exatamente um dos meus maiores temores durante toda a minha vida: alguém extremamente burro numa posição adjacente à sua fazer uma besteira monstruosa e vc se ferrar por causa de um idiota qualquer. Pode ser no trânsito. Pode ser num assalto. Pode ser dentro de uma boate. Pode ser num estádio de futebol. E pode ser numa campanha política.

Não estou dizendo que é o caso. Sequer li profundamente sobre isso. Nem vou. Querem saber pq? Pq isso é insignificante, e no momento, na minha vida me preoucupo com o que REALMENTE importa. Especificamente, em termos político-eleitorais, estou preoucupado com a total ausência de oposição programática ao PT. Estou preocupado com a construção de uma hegemonia política pelo PT-PMDB que não apresentará contraponto por causa da estupidez analítica dos lideres das oposições.

Por causa de uma mídia golpista e preconceituosa que assumiu, publicamente o papel de oposição ao governo. O problema é que esses caras acham que vão ganhar as eleições assim. Já disse e repito, não os subestimo, mas até o momento não há sinais de que isso vá funcionar como funcionou no passado.

Assim, o que se percebe objetivamente é que um dossiê numa campanha política tem várias funções como já expus no começo do post, mas pra mim a verdadeira função de um dossiê é servir de vacina. Sim, vacina à algo que os estrategistas de campanha veem como altamente prejudicial e nocivo a um candidato, assim se articula uma matéria ridicula numa revista semanal, essa matéria é “repercutida” nos jornalecos durante a semana, e no fim de semana é “requentada” na mesma revista semanal (ou em outra, pois é tudo a mesma coisa). O resultado? Coloca-se o adversário em “denial” (negação) e o objeto do tal dossiê nunca mais vai volta para a campanha.

Esse jogo é velho e repetitivo. Já fizeram isso com as compras das ambulâncias superfaturadas, fizeram isso com os gastos do FHC e estão fazendo isso com a sociedade da irmã do Serra com a irmã do Daniel Dantas. Isso é hilário. Cômico se não fosse trágico. Pq, quem acompanha a blogosfera, sabe dessa notícia há quase 2 anos, qdo vazaram o inquerito da Satiagraha. Só agora a velha mídia descobriu isso.

Assim como o filho “bastardo” (posso usar esse termo?) do FHC com uma ex-jornalista (ex ou ainda está na folha de pagamento?) da Globo. A velha mídia noticia como se fosse novidade. Não por acaso, essa é a causa real da crise no “modelo de negócios” atual da  grande imprensa.

Assim, como eleitor e cidadão, eu só tenho uma pergunta ao candidato à presidência José Serra: O que o sr tem a dizer sobre a sociedade entre sua irmã filha e a irmã do Daniel Dantas?

O resto é vapor barato. É para evitar que num debate – caso seja necessário – esse tipo de questão não venha à tona. Mas o que eles não sabem, é que essas questões estão “no ar” faz tempo e o cheiro é cada dia mais insuportável.

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