Epic



Esse é um momento singular. Pegue a câmera, tire uma foto. Faça um filme. Escreva um texto. Grave na memória. Esse é aquele momento que vou guardar pra contar para meus filhos e netos. Um nordestino retirante, chamado de ignorante por todos esses seres  medíocres que se julgavam cultos, que se julgavam sábios, conseguiu sua redenção com o povo, com a história e principalmente, com o futuro, escolhendo uma mulher.

E não por acaso, redimindo todos aqueles que deram sua vida para lutar, de verdade, pela liberdade que temos hoje. Eu não estava lá. Não lutei contra a ditadura. Era uma criança. Mas não sou estúpido, e dou valor a isso, sei que tenho uma dívida com estes que se foram. Não só por causa da liberdade que tenho hj pra escrever tudo isso. Mas principalmente, pela liberdade que meus filhos terão de escrever o contrário sem ser vitima de Terrorismo de Estado.

Acompanhar todo esse processo foi emocionante. O insight, a escolha, as dúvidas, o aconselhamento, a preparação, os primeiros passos, o crescimento, e em breve, a hora de se emancipar. Mas aqui estamos. Uma candidata competitiva. Uma gestora competente. Uma herdeira legitima com uma história de luta. Com uma integridade que tem resistido bravamente, até agora, aos mais baixos ataques. Às mais viscerais pesquisas que os cães de aluguel dos adversários políticos puderam comprar. Não conseguiram encontrar nada até agora, só lhes restaram as mentiras. Mas isso é osso para os vira-latas. Que se sentem felizes com isso, se regojizam com isso. Patético, enfim.

Contra muitos, ela está superando o machismo e o preconceito – estrategicamente dissimulados – da sociedade brasileira. Na dúvida  desta afirmação, é só citar quem, há 3 anos atrás citava entre o prováveis nomes na sucessão, uma mulher? Quem citou entre esses “escolhidos por deus” uma que tivesse um histórico de luta – intensa – contra a ditadura? Quem dentre esses citou uma mulher gestora de personalidade forte – como a maioria das mulheres brasileiras – e assim, taxada de arrogante por aqueles que se acostumaram a ter uma mulher, sempre, um degrau abaixo, como capacho, recebendo ordens, nunca as dando. Isso os incomoda. Tanto qto incomodou oito anos do “apedeuta” com a faixa presidencial no peito. Eles jogam um jogo velho e ultrapassado. E vão continuar jogando.

Aquilo não me mata, fortalece. Portanto não temam. Nenhum golpe articulado nas sombras dos tribunais. Nenhum conchavo selado nos bairros chiques da velha elite. Nenhum dossiê minuciosamente articulado com promotores e delegados federais. Nenhum jantar em restaurante chique paulista. Nenhuma reunião estrategicamente realizada fora dos limites das nossas fronteiras. Nada disso vai tirar esse sentimento do belo povo brasileiro.

Não se trata mais de vencer ou não. Não se trata mais de defender uma gestão de sucesso. Não se trata de lutar contra uma pequena elite golpista. Se trata de esquecer essa elite atrasada, nos redimir com os nossos erros do passado e nós prepararmos para um futuro que sempre esteve em nossas mãos. É sobre manter o orgulho do povo brasileiro no patamar que sempre mereceu.

Quis o destino que os condutores dessa história fossem, um nordestino retirante, e agora, uma mulher que sofreu num dos períodos mais sombrios da nossa história recente. Quis o destino que essa história fosse épica assim.
 

6 comentários sobre “Epic

  1. Filhotes da ditadura
    Suely Mesquita

    Eu não lutei contra a ditadura
    Eu não lutei.
    Não tenho essa desculpa
    E, se sou pura,
    Só eu sei.
    Eu não vivi
    Clandestina.
    Eu era apenas
    Uma menina.
    Eu não sabia
    De nada.
    Eu era quase
    Retardada.
    Aaaah! aaaaaaah!

    Eu não lutei contra a ditadura
    Se eu não for pura,
    Um progressista me janta
    Eu não lutei contra a ditadura
    Não tenho essa desculpa para ser
    Pilantra! pilantra! pilantra!

    Eu não lutei contra a ditadura
    Eu não lutei
    Eu não fui contra a linha dura
    Eu não dancei
    Eu sou filhote da ditadura
    Classe média alienada
    Não tenho essa desculpa furada
    Pra falar e não fazer
    Nada! nada! nada!

    Eu não lutei contra a ditadura
    Não apoiei a guerrilha urbana
    Não uso essa armadura
    Não tenho essa desculpa para ser
    Sacana! sacana! sacana!

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