O pós-Datafolha

A Vox foi encerrada dias 11 e 12/05 em alguns estados. A nacional encerrou dia 13. Parece que, em um momento de mudança, independentemente das inserções, dois dias fazem diferença e as estaduais da Vox foram, em geral, mais favoráveis a Serra que a pesquisa nacional (foram amostras diferentes.) A recente Sensus terminou a coleta dia 14 e captou algo de efeito do programa mais longo do PT.

O Datafolha surpreendeu hoje (22/05), mas pode apresentar os seguintes argumentos: 

a) Vox e Sensus captam um cenário “na média” mais favorável a Dilma por pequenas diferenças metodológicas. Em ambiente “constante”, os resultados seriam diferentes entre os institutos; em ambiente de crescimento de uma campanha, captariam antes; 

b) Se as próximas pesquisas de outros institutos ampliarem a vantagem de Dilma, será por causa do programa de 13/mai.; 

c) o DEM fará programa em 26/05, talvez elogiando a parceria com Serra. O PSDB fará programa em 16/06. Se houver pesquisa após isso, aí Serra talvez recupere algo da perda recente. 

É cedo, sem ocorrer campanha, para falar em vitória no 1º turno para qualquer um, embora haja uma tendência clara para isso. Obviamente seria necessário esperar que um candidato suplantasse a soma dos demais. Mas, comparando-se as pesquisas de 2º turno com as de 1º, nota-se que os votos de Marina se dividem mais ou menos igual (nas duas últimas pesquisas Dilma saiu levemente favorecida nisso.) 

Não é muito notado, mas nas pesquisas de 2º turno as oscilações são menores no tempo e entre os institutos. Desde o lançamento da candidatura de Dilma (25/fev.), esta sempre esteve entre 44% e 52% dos votos válidos. Serra entre 48% e 56%. 

Podemos olhar esse indicador no tempo, cobrindo um ano de campanha, sempre lembrando que, se um eleitor em 25 mudar de idéia, não se trata mais de 4%, posto que os indecisos já estão em patamar bem baixo, mas, sim, de 8% (essa é a razão porque, agora, os desenhos mostrando a “boca do jacaré” apresentam uma simetria, e não apenas uma candidatura caindo ou outra subindo.) 

Também temos que ter em mente os próximos passos do calendário das campanhas.

  

Para pesquisas de intenção espontânea de voto há pouca novidade. Vamos olhar os resultados expandido-os para 100%, desconsiderando os indecisos e os que não sabem ainda em quem votarão. 

Se o governo considerava a “transferência” uma aposta, pode-se dizer que a mesma se concretizou. Há mais de dois anos que o campo governista continua entre 55% e 60% e a oposição continua entre 30% e 40%. Dilma já recebe 70% dos votos que antes eram atribuídos a Lula. Apenas falta saber se, quando forem divulgados os programas de governo e ocorrer a campanha efetiva, para quem e como se dará a transferência dos 30% restantes (aqueles 5% a 10% que ainda são atribuídos a Lula.) 

25 comentários sobre “O pós-Datafolha

  1. O “O PSDB fará programa em 16/05”, ops 16/06, em plena Copa, com estréia do Brasil na véspera. Serra realmente vai unir o país de Kaká, Robinho e Dunga. E isso sem contar no que vai acontecer até lá. Naquela semana, quase todos os partidos lançarão oficialmente suas candidatura e apoios, o que vai embaralhar os efeitos midiáticos desse programa do dia 16/06. Copa e lançamento de candidatos e o Serra exibindo simpatia no meio do JN especial com Ótima Bernardes na África do Sul. Façam suas apostas.

    E em tese, o DEM só poderá mostrar os irmãos Rodrigo e Agripino Maia pedindo votos para Serra, o que, aqui entre nós, não deverá trazer muitos efeitos eleitorais.

    1. Isso sem falar nos efeitos do PIBão do primeiro trimestre (entre 9 a 10% segundo os ‘especialistas’), no dia 8 de junho. A blogosfera vai ter que atuar forte, desmarquem qualquer compromisso que os tire do computador nesta semana. Será hora de massificar os resultados econômicos do Brasil, mesmo depois de desgastantes 7 anos de governo.

      1. Ow… é 16/06… (corrigi no texto.)

        Bom, aqui em SP as inserções do DEM contam com o Kassab falando do Serra. Mas aí é pregar para convertidos…

        Acho que o povo está passeando. Hoje somos só nós dois, os que não acham que a mudança de câmbio é inexorável. No entanto temos uma diferença : eu acho que será conveniente mudar o câmbio no futuro e creio que isto está sendo pensado.

        É curioso que muita gente fala de “herança maldita”, de falha do governo atual. Mas isso é uma visão superficial. Para mim está patente que o atual ministério acompanha bem a economia, não iriam deixar uma batata quente para o futuro.

        Se fosse um governo “fraco”, deixariam várias. Porque apenas o câmbio não, algo que é tão visível? Então, não tem lógica pensar que o governo errou só nisso. Para mim é de propósito, estão aproveitando que a oposição não tem discurso para levá-la a pedir mudanças na política monetária.

      2. Otimo post, mais uma vez Gunter.

        Bem, vamos lá (estou na correria, mas depois volto aqui com mais calma).

        1 – Transferencia ocorreu e ainda ocorrera. Vai haver só uma minoria (ambientalistas que votaram no Lula e que não vao votar no futuro). Mas acho que a Dilma ainda nem começou a ganhar votos “por si propria” (a questao do BC, a discussão sobre a divida com a Miriam, são demonstrações do potencial dela).

        2 – Continuidade é uma coisa nova. A questao do cambio, dos arquivos da ditadura, do PNDH, mudanças na estrutura do BC, votar a CSS, votar o Pré-Sal, compra dos caças, mudanças na estrutura das Forças Armadas, etc, e etc. Todos assuntos espinhosos pra qualquer presidente em começo de mandato. MAS se a Dilma ganhar. E se ganhar em primeiro turno. O hiper-governo do Lula, pode mandar tudo isso pro Congresso, acelerando o passo da aprovação, e dependendo até aprovando. Se duvidam é só observar todas as medidas enviadas entre a vitoria do Lula e a sua posse (incluindo ai a mudança no calculo do desemprego pelo IBGE. O pobre do FHC achou que isso é que ia resolver os problemas dele com o Lula).

        Enfim, todas as medidas que citei acima estão bem encaminhadas, bastando o envio ao Congresso. Outras nem precisa do Congresso.

        Se ganhar a Dilma vai assumir com a maquina andando.

        Hit the ground running, pra Obama nenhum botar defeito.

        PS.: Não entendi pq o DEM não fez uma campanha negativa agora. Se não fez agora, vai fazer qdo? No horario eleitoral gratuito os aliados vao ter tempo de sobra pra defender e atacar. Achei um erro. Estao completamente perdidos só pode. Ou ficaram com medo do TSE.

      3. Gunter,
        eu só não consigo visualizar essa coisa de intervir ou mudar um elemento específico, como câmbio etc. Acho engraçado isso de baixar juros como vontade política. Tudo é muito interligado e interfere no todo e as relações são muito complexas. Se assim não fosse, seria realmente simples.

        O Brasil não tem problemas fiscais importantes, não há herança maldita. Na verdade esse é um diferencial do governo Lula, os números são claros. O próximo governo herdará uma gigantesca herança bendita em todos os setores. Mas estamos sempre no limite de um equilíbrio que eu chamo caótico, volátil. Coisa de país emergente, cheio de excluídos e sem cultura intervencionista.

        Nós temos problemas em todas as variáveis dessa equação, desde poupança, investimentos, renda per-capta, taxas de juros, controle inflacionário, câmbio, etc …, nada está confortável, mas elas têm que caminhar juntas, em equilíbrio. Ou seja, não existe mudar o câmbio sem alterar outras variáveis e dependendo dessa mudança, gerando desequilíbrios. Pq se aumentar inflação, a correção será através de um choque. O que seria da demanda interna com o câmbio a R$ 2,40, como pedem os exportadores? São 190 milhões de vidas em jogo. Além do mais, nesse mundo globalizado, governos democráticos têm poucos mecanismos para alterar determinados rumos. O preço pode ser caro e os resultados inócuos.

        O objetivo final da política monetária é manter o equilíbrio entre oferta e demanda, de forma que esse equilíbrio construa um círculo virtuoso e assim aumentar o tão mal falado ‘PIB potencial’. Mas como investir com câmbio fora do lugar, sem poupança interna, com inflação, sem aumentar déficts externos, com Selic alta, sem infra-estrutura adequada?

        Eu não vejo outra forma além da inclusão dos brasileiros na economia formal, o crescimento da classe média poupadora. A criação dos tais 300.000 empregos formais que é tb inflacionário, é condição primária para o aumento da poupança interna. Mas ninguém vai poupar antes de comprar a primeira geladeira, pagar o cursinho da afilhada, arrumar os dentes do filho ou financiar sua casa própria. E é nesse ponto que o Brasil está.

        Eu tenho dificuldade de criticar a política monetária, pq seu objetivo tem sido alcançado. Podia ser melhor … quem sabe? Como criticar o BC se em 2009, a demanda interna cresceu 5%, o IPCA ficou no centro da meta e o país gerou 1 milhão de empregos? Onde está o erro com o mundo ao redor desabando? Mudar o câmbio traria mais inflação e não aumentaria demanda externa.

        Veja esse post de hoje do Nassif: ‘Câmbio e desindustrialização’

        “Todos os países que se desenvolveram o fizeram com base na poupança interna.”

        Mas como criar poupança interna? Aumentando o câmbio e tirando a capacidade de compra dessa população emergente?

        “A conclusão é de que o câmbio valorizado provoca uma redução da poupança interna, na medida em que estimula o consumo da população e reduz o lucro das empresas.”

        Eu acho até maudade se falar em ‘estimular o consumo da população’ como um problema. Caramba, como não estimular o consumo com a nossa renda per-capta? As pessoas ‘compram’, pouco mais do que alimento, saúde e educação. Além disso, o inverso tb é verdadeiro. A baixa poupança interna desequilibra o câmbio.

        “Diz-se que os asiáticos têm uma propensão natural à poupança. Mas traga um asiático para viver em um país como o Brasil e ele vai consumir como nós”

        O chinês que poupa compulsoriamente é o de classe média. Uma classe média que é do tamanho do Brasil. Só classe média poupa e não adianta querer colocar a carroça na frente dos bois.

        A matéria cita com um contraponto, “A perda de importância da indústria é um processo natural, porque as pessoas demandam mais serviços à medida que a renda aumenta”. De 2008 a 2010, fora o período de crise, a indústria brasileira cresceu muito, mesmo com esse câmbio baixo. Como podemos falar em desindustrialização?

        Essa tese exige um nível de sacrifício da população emergente que ela não tem como suportar mais e nós não temos moral para cobrar.

        O comentário tá meio caótico pela presa.

      4. Alê,

        Essa é uma falsa dicotomia entre Investimento x Consumo. Infelizmente a teoria econômica não conseguiu resolve-la, apesar do que é repetido de lado a lado (ortodoxos vs heterodoxos).

        Eu tendo, a cada dia mais, a aceita que isso é uma questão de equilíbrio, mas que só encontrado ciclicamente (it’s complicated, já disse a sábia cantora pop). Bom é assim que eu vejo. Depois desenvolvo melhor essa ideia.

        Os EUA por exemplo estão no fim do ciclo de consumo excessivo. As bolhas são meras expressões desse ciclo. Enquanto isso pontes caem no interior dos EUA por falta de investimento. E a falta de investimento deriva da falta de poupança. Simples assim.

        Já a China investe, destroi e constroi pontes, hidreletricas e cidades em poucos anos. Pq? Pq tem uma grande poupança, que lhe permite fazer esses investimentos. Mas a medida que a sua renda per capita se eleva, num momento x, devera se voltar pra a criação de um mercado de consumo de massa (e nisso o PT acertou em cheio de por isso no plano de governo do lula lá no começo). E ai, ao estimular o consumo interno é claro que esse movimento não é controlavel. Ou não é tão facilmente controlavel. A não ser que os chineses inovem (e ele tem feito isso bastante) num momento x eles vao perder esse impeto exportador, pra vender seus produtos pra dentro, e qdo isso nao ocorrer, importar se for preciso.

        E o Brasil? A economia brasileira tem dado demonstrações que é mais dinamica que qualquer teorico ou modelo pode prever. A recuperação é só um exemplo. Pra mim isso ficou muito claro lá atrás qdo a economia do nada (do nada não, de uma redução forte nos juros, pensando nas eleições de 2006) quase bateu nos 6% (5,7% acho). Pressionando a infra até quase se tornar um problema pro governo (risco de apagão, estradas, portos, aeroportos, etc)..

        Se ela é tao dinamica pro consumo, talvez não tenhamos que nos preocupar com as ferramentas de estimulo para o consumo e respectivo controle (juros). Talvez, deveriamos estudar com os asiaticos como criar poupança interna, SEM absorver essa questão cultural a ponto de prejudicar a expansão do consumo qdo necessario (afinal esse é o problema do Japão).

        Pq está claro que o proximo ciclo economico é de expansão dos investimentos, sem isso vai ser dificil crescer à esse ritmo chines sem pressionar a inflação e a infra.

        É mais ou menos isso.

        Abçs,

      5. Ficou faltando algo importante, a meu ver, o problema do BC é no micro (se vc for olhar as decisões dele com uma lupa, tipo em 2002, como os 0,25% antes do PAC, como qdo parou de baixar os juros antes da hora, como qdo demorou pra cortar os juros e perdeu a expansão do Natal de 2008 qdo a crise financeira já tinha surgido, etc). Vamos ver agora, se exagerar na dose, pode derrubar a economia brasileira, se acertar a mão pode abrir uma nova janela pra redução dos juros atenuando os problemas no cambio.

        De qualquer formar, principalmente no Governo Lula e no final do Governo FHC, não dá pra falar que o BC é o vilão da historia, se vc observar os resultados de longo prazo.

        Dai, eu me distancio cada vez mais dessa vilanização do BC. E isso é mais um exemplo do qto a Dilma está mais preparada que o Serra. Essa fase de lutar contra o BC ficou pra tras, o Lula preferiu contemporizar e resolver isso lentamente. Assim como fez com o alongamento da DLSP. O Tesouro preferiu ir trocando lentamente as LFT no mercado, mesmo que isso custasse mais que ouro. Mas conseguiu. Nossa divida é cada vez mais de longo prazo, e as LFT cada vez menos necessarias.

        É o mesmo, mas agora nos juros básico. Daqui a um ou dois anos ninguem mais vai querer saber do COPOM.

        Abçs,

  2. A transferência de Lula para Dilma está provada. Os gráficos são bem didáticos nisso também. Aliás, Coimbra diz que Dilma terá por volta de 11 pontos percentuais a mais quando todos souberem que Dilma é a candidata do Lula (o que deve ocorrer após o início do horário eleitoral gratuito). É uma aposta e tanto.

    1. A oposição ainda torce por um erro dela. Mas de maneira surpreendente (nem tanto, né) quem mais tem errado é o Serra. Se não tivesse a mídia ao seu lado, a eleição já teria acabado.

      Imagine se fosse a Dilma ou o Ciro falando com um jornalista daquele jeito (independentemente da pergunta, que achei errada, para uma empresa de comunicação pública).

  3. Gunter, eu lembro da Maria Conceição Tavares falando que era contra os juros altos no começo do governo Lula, porque atrapalha o crescimento, mas depois ela viu que era uma atitude estratégica devido ao estado catastrófico que Lula recebeu o país do FHC. Foi uma análise de conjuntura, daquilo que é possível dada a realidade econômico-estrutural do país no momento. Quanto à política macroeconômica, eu gostaria de um pouco mais de audácia, mas reconheço que esses ajustes são complicados em ano de eleição. Gostaria de uma audácia maior do Meirelles na época da crise, mas no final das contas sou um crítico leve do Banco Central e da atual política econômica. Reconheço que é muito complicado mudar tudo, considero razoáveis algumas medidas do governo (como nos juros), e apóio incondicionalmente outras (medidas anticíclicos de indução ao crescimento em épocas de crise). Creio que com Dilma presidenta os juros continuaram a baixar suavemente, bem como o déficit nas contas externas. Espero também um câmbio mais competitivo (como fazer isso é um desafio para o governo). Outra coisa que me incomoda são os juros dos bancos e os spreads altíssimos. Não sei se o governo conseguiria fazer algo para mudar os spreads, por exemplo. Mas o saldo do governo Lula é positivo na área econômica, apesar dos aspectos em que é possível melhorar.

    1. Você é advogado, né? Eu sou economista, não sei se comentei antes.

      Interessante esse comentário da M C Tavares, não o conhecia. De fato, dada a bagunça que Lula recebeu, e sem governabilidade, não dava pra fazer muito. Ele foi brilhante em deslocar 0,3% do PIB (pouco em relação a outras coisas) para o Bolsa-Família logo de início. Fazer primeiro aquilo com mais benefícios em relação ao custo.

      Não dá pra culpar o Meirelles tanto assim. Saiu-se até que bem. Agora não é falado, mas chegou a haver um ataque especulativo contra o Real no final de 2008.

      Desvalorizar o câmbio não me parece difícil (para baixo todo santo ajuda) É necessário aceitar conviver com uma pequena elevação de inflação (digamos de 5 para 8%) e não sabemos ainda o resultado da eleição. Conforme for, Dilma terá capital político para fazer algo, e maldades é bom fazer no início. Ademais é necessário autorização do congresso (após uma medida provisória) para aumentar a dotação de fundo soberano. Deve-se inibir também empréstimos em moeda estrangeira ou derivativos com câmbio (recentemente a Alemanha tolheu alguns derivativos)

      Isto feito basta sair comprando dólar o tanto que os mercados oferecerem.

      Há um custo : os dólares comprados terão que ser aplicados nos EEUU a taxas ridículas e para comprá-los é necessário emitir Reais e enxugá-los do mercado pagando Selic. Então o custo é a diferença entre as taxas.

      Se a desvalorização for do tamanho da taxa de juros (algo como 10% a.a.) as reservas atuais valorizam em reais e podem neutralizar os efeitos na dívida pública. Algo como usar a valorização em reais dos atuais 250 bi de reservas para pagar os juros dos próximos 250 bi de reservas. Se for feito sem atabalhoamento, dá. (E eu desconfio que o governo começará isso após a posse, tanto faz de Dilma ou Serra no caso.)

      Acho que podemos contar com uma desvalorização cambial de uns 10% a.a. a partir de 2011.

      Algo que ajudaria muito a desvalorizar mantendo as contas públicas em ordem seria tributar exportações agrícolas. Permite arrecadação de impostos e impede que bens da cesta básica aumentem de preço e haja transferência de renda para o setor agropecuário. Mas isso é difícilimo politicamente. Nem o Serra conseguiria, pois é apoiado pelo DEM (que podia ser o PAE : partido agro-exportador) nem a C. Kirchner conseguiu na Argentina (tentou e recuou.)

      Chávez conseguiu implantar algo parecido com o câmbio duplo.

      Lula conseguiria?

      Pode ficar para o pós-Dilma também…;)

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      Não tem como o governo mudar os spreads. Talvez possa eliminar o IR na fonte sobre o rendimento de Selic, mas isso é só 1,5% a.a. Enquanto a economia estiver aquecida e os depósitos compulsórios elevados, acho muito muito difícil redução de spreads.

      E no processo de desvalorizar câmbio, para não precisar aumentar os juros os próprios depósitos compulsórios devem aumentar…

      Portanto, redução de spreads ficará para o pós-Dilma… (acho)

      x-x-x-x-x

      Como o desemprego está baixo (o desemprego mínimo = friccional no Brasil é algo como 5%. Se estiver em torno de 7% então é baixo) por uns tempos as preocupações com indústria, câmbio e juros amainam. Só se fala nisso agora porque é o que sobrou para Serra falar. marina silva não fala disso, p.ex.

      Mas é claro que seria estratégico o governo atacar esse front também. Para um país que já pagou a dívida externa, foi o que mais reduziu a fome, etc., não será um drama greco-mexicano…

      1. Acho que as medidas anti-spread estão todas na gaveta do Mantega. Mas irá bater de frente com os Bancões. Teria que ser uma forma de fortalecer os médios pra ganharem escala pra competir com os gigantes. Poderia abrir mais para os bancos estrangeiros, mas a historia mostra que isso é um erro.

        Já sobre o câmbio, o melhor caminho é avançar sem turbulências com relação à confiança que o Mercado tem que o BC vai combater a inflação. Assim qdo ele voltar ao centro da meta, aproveitar e baixar os juros, gradativamente até um nivel abaixo. Eu acredito que encontraremos a taxa de equilibrio em mais dois ciclos (altos e baixos na curva de juros).

        A questão é se vai dar tempo. De qualquer forma, rapidamente, reduzir o diferencial de juros (internos x externos) não vai resolver o problema, mas é o primeiro passo.

        Outro fato que se esquecem é que na verdade na verdade, só vamos resolver esse problema no câmbio investindo em inovação e educação. Essa é a verdade. Mas acho que nesse ponto a Dilma já está pautada (visto a guinada em poucos meses de um discurso que nem citava MPEs (micro e pequenas empresas) e inovação, pra outro que em toda entrevista ela cita pelo menos duas vezes. Isso me alivia bastante (inovação é a minha praia).

        O problema do câmbio realmente é a China. Mas ate o todo-poderoso Tio Sam desistiu e preferiu negociar e dar mais tempo pra uma mudança.

      2. Não, Deixe o câmbio como está, no máximo mova o IOF para lá ou para cá, pq ele é o necessário para o nosso atual estágio de inclusão social. É com ele que o Brasil cria 300.000 empregos ao mês. Ele vai se desvalorizar naturalmente quando a oferta se adequar ao aumento da demanda interna, sem deixar de abastecer mercado externo.

        Ao invés de tributar exportações agrícolas, que tal radicalizar o processo agro-industrial? Ele já está acontecendo, mas ainda é muito lento para os nossos padrões. Nós subsidiamos a produção de nossos concorrentes quando exportamos soja in natura, ou mesmo farelo. Além dos efeitos negativos na conservação de nossa frágil infraestrutura rodoviária. Vcs têm idéia do que significa para uma cidade média a construção de uma fábrica da Sadia, Perdigão ou Bunge? Uma revolução nos costumes, a independências das grandes trades, melhores condições de negociar preço etc. Politicamente seria insustentável taxar esses campeões do lobby.

      3. Não vi discrepâncias entre as nossas posições. Eu chamo de investimento em inovação pra resolver o problema do câmbio.

        Mas o que o pessoal na Fazenda deve estar dormindo pensando é como evitar que os capitais de curto prazo e o câmbio artificial da China crie um desindustralização em massa.

        Essa é a questão. Ele enxergam essa questao do emprego, mas tb olham a qualidade das empresas e dos empregados. O nivel de especialização e tal.

        Eu sinceramente queria a inovação espalhada em todos os cantos. Uma reforma tributaria de verdade. Uma revolução na educação de verdade.

        Só assim, vendo isso acontecendo HOJE, eu não me preocuparia com o câmbio.

        A China começou vendendo bugingangas, hj vende roteadores e equipamentos para rede de telefonia movel, pau-a-pau com os europeus e americanos, que estavam no mercado por decadas. É disso que eu estou falando. E nao foi só o cambio desvalorizado que fez isso. Isso é só parte da equação.

        O Brasil tem que investir em inovação, mas inovação não é só produtos e tecnologia, é design e processos. Usar a criatividade brasileira pra vencer a determinação asiatica.

        Esse é o jogo.

      4. Talvez por ser a minha área de atuação hoje apenas intelectual, acho que o Brasil aproveita muito pouco seu potencial agro-industrial. Nada contra qualquer outro setor, mas é aonde está a nossa maior vocação e o atalho para outros avanços tecnológicos. Digo vocação, mas quero dizer aquilo que o país poderia avançar mais rapidamente sem necessidade de novas tecnológicas, apenas usando fato de que somos imbatíveis na produção de matéria prima. (Ou pq exportar minério e importa trilho de trem?) Assim como foram as ‘bugingangas’ chinesas. Mas o Brasil tem um pouco de vergonha do setor primário. Da produção irracional e energeticamente inificiente e exportação de grãos in natura eu tb tenho vergonha.

        É claro que um Reforma Tributária é urgente, mas eu não sei qual e como. O que eu acho é que ela é politicamente muito complexa e temos outras alternativas, por exemplo, os incentivos fiscais tópicos, um maior controle sobre a guerra fiscal entre os estados, etc, etc. Por ex, taxar alto uma fábrica da Toyota na grande SP, não como interferência na guerra fiscal, mas como projeto de desenvolvimento regional.

        Nosso grande calo é ainda as péssimas distribuições de renda e regional. Nós temos o FPM que não passa de um Bolsa Família dos municípios, mas é preciso criar portas de saídas (esse conceito do discurso fácil). A saída? O que está sendo feito com um atraso histórico.

        Polos educacionais descentralizados, com novos campis nas cidades médias, escolas técnicas seguindo as vocações locais. Pq ao contrário do que muito se diz, na minha opinião, é a perspectiva por ensino médio e superior de qualidade, é que estimula o ensino básico.

        Esse vai ser o grande salto de inovação, apostar em vocações regionais, criando no médio prazo um ambiente virtuoso para investimentos.

  4. Fernando, Alexandre, vou imprimir seus comentários para depois tentar contrapor minha opinião. Mas penso que estamos com um problema novo que não deve ser abordado com soluções antigas. O (bom) problema é que na nossa economia, na última década, o setor agrário melhorou muito em produtividade. Como conciliar isso com o setor industrial que andou mais devagar?

    1. Inovação. Se o agronegocio é alguma coisa hj é em grande parte por causa das inovações que a Embrapa conseguiu combinado com um sistema de financiamento público que beira o subsidio, com renegociações ad infinitum.

      1. Inegável a participação da Embrapa. Trabalhei nela por 3 anos ‘inovando’ na área de recuperação de solo para pastagens que é um investimento ridículo diante dos resultados. Mas é preciso avançar muito na transformação, agregando valor ao produto.

  5. Para adiantar um pouco o expediente. Houve uma pergunta em um post sobre câmbio no Nassif hoje. Deixei uma resposta lá que também tem a ver com o que falamos aqui. Copio a seguir. Mas acho que o assunto só vai andar mesmo em 2011. Talvez seja o caso de pensar o seguinte: a solução pode ser escolhida em função da composição do próximo congresso, porque se adiantar se faltam apenas 4,5 meses para conhecê-lo?

    “O Brasil tem um problema novo, que é a presença simultânea de um setor agro-exportador eficiente (como a Argentina na primeira metado do século XX) com um setor industrial ainda não desenvolvido (e note-se que nem a Coreia consegue exportar sem que o Won esteja um pouco subvalorizado.) A isso soma-se o também eficiente setor minerador e de petróleo.

    Como fazer que uma “Austrália” ou “Canadá” crescentes não sufoquem a “Coreia” ou “Malásia” potenciais? É bem diferente da famosa “Belíndia” dos anos 70, mas mesmo assim um problema para países muito grandes com um câmbio único. As outras nações que passaram por essa situação (EEUU e os mencionados Canadá e Austrália) abriram mão da indústria de bens de consumo de menor valor.

    Em caso de desvalorização no Brasil não só as exportações aumentariam, mas as importações também diminuiriam. E até parte do turismo poderia refluir para interno.

    O jeito no caso é acumular em fundo soberano ou equivalente, como faz a China. Assim a valorização da moeda se dá através do aumento da demanda, no caso do governo.

    Ficam alguns efeitos colaterais:

    a ) os produtos agrários, razão da “Doença Holandesa” encareceriam a cesta básica. Para se contrapor a isso pode ser interessante tributação de exportações, politicamente difícil.

    b ) a formação de reservas leva a custo fiscal, pela diferença entre juros externos e internos. Para isso é conveniente reduzir os juros, diminuindo essa diferença e também reduzindo a entrada de capitais de curto prazo.

    c ) o aumento de demanda por produção interna pressionaria a capacidade instalada

    a+b+c podem levar a um conflito redistributivo de renda, isto é, inflação. Aí é que entra um ajuste fiscal para completar o modelo : reduz a demanda interna, leva a superavits (poupança interna) que podem ser usados pelo estado para reduzir gargalos de infraestrutura.

    No curto prazo haveria uma desaceleração do crescimento (menor poder aquisitivo, poupança do governo sendo exportada na forma de investimento no exterior) mas a maior competitividade industrial permitirá incorporar pontos no “PIB potencial”, isto é, sem reduzir outras atividades o país poderá crescer com a maior participação da indústria. O perfil médio de empregos também melhora.

    Se o país estiver em uma ótima situação fiscal (como a do Chile, p.ex., que quase não tem mais dívida interna), há grande possibilidade também de se praticar polítias anticíclicas quando necessário.

    O que é importante é perceber que o estopim do processo é uma decisão política, de mudar a composição dos agregados do PIB pela demanda, por sua vez relacionada a outra taxa de equilíbrio de câmbio que não a atual. Pode-se escolher qual será essa taxa em função dos segmentos que se deseja estimular (não é necessário atender o interesse de todo e qualquer exportador) Mas se deixar o mercado decidir nunca se sai disso : mercados levam a pontos de equilíbrio, mas não a pontos de maximização de produção.”

    1. Mas Gunter meu caro Gunter, não estamos na China. O presidente eleito tem que se apresentar 4 anos depois para uma recontagem eleitoral. Esse seu discurso, se fosse eleitoral, só não te deixaria devendo votos, pq provavelmente poucos prestariam atenção.

      E não é só isso. Considero essa tese tentadora, mas de complexa execução num regime democrátido-liberal, como o nosso. Eu prefiro e acho mais sustentável mirar a poupança interna pela via da inclusão social, sem atalhos, sem fórmulas mágicas. Reduzir a demanda interna chega a ser sadismo e interromperia o mandato do gestor. Além disso, pode gerar ineficiência desses setores estimulados e nos deixar dependentes dos humores do mercado externo, sobre o qual não temos nenhum controle.

      A experiência de desenvolver, de romper com a pobreza, gera desequilíbrios, é inflacionária por natureza; e ainda por cima nossa economia está muito indexada a índices com forte influência de commodities. Até investir em infra-estrutura pressiona preços, mas é um constante aprendizado, uma busca pela previsibilidade (eu sei que essa palavra pode ser considerada conservadora demais).

      Sem uma classe média forte, não poderemos pensar em poupança. O processo é muito lento para apostar numa fórmula de intervencionista. E temo que esses atalhos só agravem os desequilíbrios desse crescimento.

      1. Aí é outro paradigma. A reindustrialização da Europa Ocidental e Japão e a criação de novas nações industriais na Ásia foi pelo caminho protecionista cambial. EEUU também. Essas nações só valorizaram suas moedas (aí com o intuito de obter bens a baixo preço) quando desenvolveram e sofisticaram sua economia de serviços. Tentar pular a fase industrial leva a abrir mão de produto por bom tempo.

        A ideia não é gerar ineficiência em setores, mas preservá-los enquanto não se tornam realmente eficientes. Até hoje em Taiwan e Coreia é assim.

        A tributação sobre exportações é por causa da influência de commodities.

        Para crescimento é necessário capital, em algum momento ele deve ser obtido por poupança. Se esta não for externa tem que haver redução de consumo, ou por algum tempo um crescimento do consumo menor que o do produto.

        Não entendi o que vc quis dizer com poupança interna pela via da inclusão social.

      2. Eu não vejo como um país que está tentando incluir dezenas de milhões e pessoas que ainda ‘praticam’ o sub-consumo pode estar tentando pular a fase industrial. Ela está crescendo 18% nesse trimestre e nos últimos anos só minguou quando em outubro de 2008 foi pega no contrapé, cheia de estoques, sem demanda externa e crédito barato. Nunca por câmbio, ao contrário, crescia fortemente com muitos investimentos, com o dólar a R$ 1,65. Não estou defendendo esse parâmetro, mas só citando que ele não foi ‘desindrustrializante’.

        Eu não conheço a história econômica dos países para contrapor seus comentários, mas não consigo ver nesses exemplos o estágio do Brasil de hoje e nesse momento histórico globalizado. A reindustrialização da Europa Ocidental no pós guerra me parece um cenário muito diferente. Taiwan e Coréia de hoje tb.

        Não desdenho também de algum protecionismo, mas não cambial, pois ele afeta o conjunto da economia. Uma política industrial voltada ao mercado externo ou mesmo de proteção às enxurradas de importações, tem outros instrumentos, ficais por exemplo.

        O Brasil precisa oferecer “bens a baixo preço”, criar um mercado interno vigoroso para proteger o conjunto da economia de instabilidades externas.

        O Meirelles disse outro dia que o que importa são os resultados. Acredito que ele tenha dito isso para minimizar o foco em aspectos pontuais da política econômica. Liberais e desenvolvimentistas não estão satisfeitos, mas por motivos completamente diferentes. O Celso Ming acha que o Meirelles salva o Governo; O Nassif acha que ele é que estraga. Mas eu me pergunto o que se será que está dando tão errado numa economia que apresenta esse vigor, essa resposta a estímulos.

        Reduzir consumo no Brasil só reduzindo ganhos, pq um país com nossa renda média não tem como poupar. Cada real ganho vai para o consumo, não tem saída. Alguém vai pagar essa conta e não pode ser que está tentando entrar no jogo.

      3. Expectativa de investimentos já supera o nível pré-crise

        Estudo do BNDES sobre aportes projetados pela indústria mostra que o País terá investimentos de R$ 1,324 trilhão entre 2010 e 2013, valor 54,6% superior ao realizado entre 2005 e 2008

        A expectativa de investimentos no Brasil já superou os níveis anteriores à crise. A avaliação é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que mapeou os aportes projetados pela indústria, em setores de infraestrutura e na construção civil entre 2010 e 2013. Segundo o trabalho, o País terá investimentos de R$ 1,324 trilhão no período. O valor é 54,6% superior ao realizado entre 2005 e 2008.

        “Excluindo o choque de 2008, este é o mais longo ciclo de investimentos no Brasil em 30 anos”, comenta o economista-chefe do BNDES, Ernani Torres. Segundo o trabalho, praticamente todos os segmentos industriais apresentam apetite maior para investir do que emagosto de 2008, antes do estouro da crise.

        Esse é o país em via de desindustrialização?
        Esse é o país da herança maldita?

  6. Mudando de assunto. Amanhã (24) é aniversário do Nassif. Ele faz 60 anos. Vocês são cadastrados no blog? Saberiam como (ou teriam interesse em) puxar um tópico lá em homenagem a ele? 8)

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