Uma candidata dificil de carregar


“Quem é difícil de carregar mesmo?”

A semana foi, pra dizer o mínimo, irônica em termos político-eleitorais. Vindo de uma semana em que, segundo a mídia e seus colunistas altamente especializados, a campanha (pré-campanha, mas isso é só resquício legal do passado) candidatura da Dilma/PT “entrou em crise“, “está rachada“, “cometeu erros primários“, foi “inábil politicamente“, “teve a intervenção do Lula“, entre diversos outros termos de prateleira usados ad nauseam. E bota náusea nisso.

Jogo rápido. Sobre o PT e o PMDB em Minas, merece um post especifico, pois a infantilidade da mídia e dos principais analistas ao analisarem o jogo mineiro dá vergonha. Sobre a visita da Dilma a Minas, pra quem quer ganhar e avançar em MG, qualquer excesso é melhor que a inação. Então é pro ataque que se joga. Sobre os erros na campanha na internet com a transmissão ao vivo, nesse ponto da campanha, realmente um erro. Já corrigido, e o Marcelo Branco não deve ser satanizado por isso. Senão o João Santana nem deveria estar no comando, devido aos erros em SP na campanha da Marta. Bem, isso se não tiver sido proposital, mas isso é outra história. Enfim erros e acertos naturais.

Enfim, foi irônica, pq na mesma semana, pra ficar só nos principais “tropeços” da campanha tucana, o feitiço virou contra o feiticeiro. Inicialmente o Serra começou com o pé esquerdo, começou dizendo que iria acabar com o Mercosul, ofendeu parceiros importantes dizendo que o acordo conseguido a sangue, suor e lágrimas é uma “farsa”. E o principal, mostrou que não está tão preparado assim, pois desconhece os números da balança comercial brasileira com tais parceiros e ignora o qto isso foi importante durante a crise financeira mundial. Tanto foi um erro, que recuou dizendo que iria “flexibilizar”, que é pior que a ideia inicial. Se é pra flexibilizar, melhor acabar mesmo, assim perderíamos menos tempo.

Depois a mídia teve que fazer uma operação de limpeza pra excluir o “erro de interpretação dos seus repórteres” qdo o candidato fez a triste relação fumantes x ateus. Mas isso foi bom, os editores descobriram que agora existe um ombundsman em cada canto da internet, que a maior virtude da internet é que, se a imprensa fiscaliza o governo, a internet fiscaliza a mídia. Então, esse tipo de limpeza no texto não vai passar despercebido. WayBack Machine e cache do Google está ai, a um clique de distância. Se eles vão ligar pra isso ou não, é outra história que foge do escopo deste texto. A web tem arquivo e deixa rastros. Esse blog por exemplo é copiado por bots, a interesse não sei do quê, ou de quem, afinal somos inofensivos.

E por último, mas não menos importante, qdo o candidato que tem história, currículo, tarimbado em campanha eleitorais, foi para uma entrevista numa rádio, e não se controlou e soltou os seus demônios que estavam guardados a sete chaves, e deu uma amostra ao Mercado do que seria sua política monetária. Fogo-amigo no BC. Logo agora, qdo estamos claramente muito próximos da taxa de juros de equilíbrio e o debate vai se deslocar para o aspecto realmente grave que é o spread. Um erro grave de visão da política econômica, e pior, um erro grave do ponto de vista estratégico. Ninguém aqui tem muito o que ganhar em minar a credibilidade do Banco Central, conquista com doses cavalares de macho-monetarismo, seja no Governo Lula, seja no FHHC.

Tudo isso serve pra se ter ideia da parcialidade na análise da mídia. Como exercício, imaginem se aquela cena tivesse sido com a Dilma? Se ela tivesse sentado a pua no BC? Se tivesse chamado o Mercosul de farsa. Pois é. Mas, não esquentem, ainda vai piorar. E ficou claro, que o Serra não aceita ser contrariado, principalmente com a imprensa. Essa não foi a primeira vez, que se irritou. E olhe que foi com a Miriam Leitão. Já fez isso qdo questionado pela TV Brasil e se exasperou com a jornalista no Sul. Se vc começar a juntar com a capacidade de negociação dele com os professores e policiais de SP, o cenário é tenebroso. Mas terrorismo não é comigo, as razões para não votar nele é simplesmente a opção por algo melhor. Com uma base mais ampla e um projeto de governo mais consistente. E o desenrolar da campanha vai mostrar isso.

Então, acho patético estar discutindo tudo isso nesse ponto da campanha. Já disse que me desanima esse debate medíocre ante aos desafios que nos cercam. Mas eu não sou player, sou voyeur. E não dá mais pra aguentar é essa ladainha que uma campanha está indo no buraco, e a outra está voando baixo.

É só mais uma campanha eleitoral, geridas por seres humanos, que são falhos por natureza. Construida na base da tentativa e erro, monitorada por pesquisas quantitativas e qualitativas. E isso é o máximo que isso se aproxima da ciência. E se não entenderam que, apesar de ser fundamental para a conquista do poder, isso significa muito pouco para o futuro do país, então o problema é maior do que eu imaginava qdo comecei a escrever esse texto.

A cobertura e as cabeçadas da campanha | Luis Nassif

De Leitor

Ele disse que ia criar a Defesa Civil Nacional e teve de esquecer o assunto, porque ela já existe.

Ele disse que ia acabar com o Mercosul e teve de dar uma entrevista à Folha, para dizer que não era bem assim, depois de ser criticado dentro e fora do país.

Ele disse que vai resolver o problema da segurança criando um Ministério, e uma semana depois explodiu o aumento recorde da criminalidade em São Paulo, obra dele.

Ele misturou religião com antitabagismo e ficou mal com ateus e fumantes.

O chefe da campanha dele foi apanhado registrando sites de baixaria na internet.

O deputado amigo dele foi apanhado falsificando um depoimento da Marília Gabriela.

Ele corre atrás de todas as agendas dela. Pediu pra ir à Fiemg, pediu pra ser convidado no aniversário da Conceição, pediu pra ir outra vez ao Datena.

Ela foi aplaudida de pé na festa da Conceição. Ele foi ignorado.

No Primeiro de Maio, ele teve de se refugiar em Camboriú, porque nenhuma central sindical queria tê-lo no palanque.

Ele posou ao lado de um governador investigado pela Polícia Federal. E disse que não está informado sobre o inquérito…

A turma dele acusa estatais de pagar palanques do Primeiro de Maio, mas o governador suspeito pagou a festa de Camboriú.

Ele ainda não apareceu no Rio à luz do dia (só de noite, na festa da Conceição), porque não tem palanque pra subir.

Nem ao Rio Grande do Sul, pra não aparecer com a governadora.

Não tem palanque em Pernambuco, terra do presidente do partido dele.

Não tem no Ceará, terra do mais importante senador do partido dele.

Ele espalha que tem o apoio do PTB e do PP, mas ninguém viu a cor desse apoio.

O único partido que se decidiu, de março pra cá, foi o PSB. Pela adversária dele.

Os dois partidos de sua aliança, DEM e PPS, naufragaram no escândalo de Brasília.

Ele não fez uma só agenda com mulheres, artistas, caminhoneiros, movimentos, gente comum. Só com empresários e aliados.

Os dois institutos que lhe dão vantagem nas pesquisas estão sob suspeita de manipulação de amostras.

Ele foge do Fernando Henrique como o diabo da cruz.

Mas foi o primeirão a dar os parabéns ao Lula pela lista da Time.

Realmente, uma das campanhas teve muitos problemas na largada…

3 comentários sobre “Uma candidata dificil de carregar

  1. As vezes tenho a impressão de que Serra não quer ser presidente de tão despreparado que ele demonstra estar, se não fosse a rede globo, ahhh, se no fosse a rede globo…
    Também acho que o maior tiro no pé dele é agradar gregos e troianos, isso é claro depois das funções públicas que ele ocupou que são inventários sinistros de sua maneira de agir.
    Minha ânsia é pelos debates.

  2. Cara, eu juro que estou com medo de alguma bomba atomica, pq nao tem logica. Ele nao é tao despreparado assim. Quem ocupa o poder tem acesso aos maiores especialistas em cada area.

    Eu nao estou entendo o jogo ate agora. Que a Dilma era melhor do que muita gente imagina eu ja tinha certeza. Agora o desempenho do Serra nao faz o menor sentido, ate agora, pra mim.

    Abçs,

  3. Há uma questão lógica por trás da ironia. Se a campanha fosse ruim, porque a mídia ajudaria avisando? Estaria comemorando, ou não?

    Engraçado está aqui em S.P. Agora não lembro onde li a entrevista do Mercadante, mas ele falou coisas sensatas:

    a) se teve 32% de votos em 2006, no auge dos aloprados, não há porque crer que terá menos agora

    b) se Serra teve 56% dos votos válidos, quando o governo Alckmin estava com popularidade de 66%, porque Alckmin, menos famoso que Serra e que perdeu na capital (Serra é popular tanto na capital como no interior), teria essa mesma votação se Serra entregou o governo com 55% de popularidade?

    c) em 2006 o PP (Maluf) não concorreu. Mas este ano o PTB quer fazer o Tuma senador. Tanto Russomano (PP – muito popular por aqui) como Skaf têm vagas para senador na chapa e podem tirar pontos de Alckmin levando a eleição ao 2º turno.

    Não creio que Mercadante se eleja, mas pelo menos é possível recuperar uns deputados e ele fazer “recall” para a prefeitura em 2012 (e o cargo de prefeito de SP é bem interessante também, desde que as finanças não afundem até lá.)

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